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Ola pessoal!

Nesta postagem irei apresentar um resumo das aulas da disciplina Sustentabilidade do 6o período do curso de Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

Resumo da Aula 01 – Desenvolvimento Sustentável: Conceitos e Objetivos

O rastro deixado pela humanidade sobre a Terra está por toda parte. As estatísticas de conversão e desmatamento são frequentemente contestadas, pois o falso orgulho nacional quase sempre distorce esses dados para que as coisas pareçam melhores do que na realidade estão, tanto para o público interno como para o externo (Dourojeanni e Pádua, 2007). A preocupação com os problemas ambientais ganhou escala e maior repercussão no final da década de 60 e início da década de 70. Discussões formais sobre os impactos ambientais causados pelo desenvolvimento e pela industrialização aconteceram com a criação do Clube de Roma, em 1968, na Itália, formado por cientistas preocupados com os impactos provocados pelo crescimento econômico e com a disponibilidade de recursos naturais do planeta.

O começo dos estudos do relacionamento entre o meio ambiente e o crescimento econômico foi marcado pelo relatório Os limites do crescimento, escrito por Jay Forrest e Dennis Meadows, do Instituto Tecnológico de  Massachusetts (MIT). O trabalho enfatiza que a exploração e degradação dos recursos naturais limitariam o crescimento da economia mundial. Tratava essencialmente de problemas cruciais para o futuro desenvolvimento da humanidade. A conclusão que chegaram é que o planeta Terra não suportaria mais o crescimento populacional por causa da pressão sobre os recursos naturais e do aumento da poluição (Hernandez, 2009).

A concepção de desenvolvimento sustentável tem suas raízes fixadas na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, capital da Suécia, em julho de 1972, segundo Brunacci e Philippi Junior (2009). “O desenvolvimento sustentável satisfaz às necessidades atuais sem comprometer a capacidade de futuras gerações satisfazer suas próprias necessidades”. Vemos que o conceito de desenvolvimento sustentável surgiu em um contexto de crise econômica e da revisão de paradigmas de desenvolvimento. Ao qualificar o desenvolvimento com o adjetivo “sustentável”, incorpora-se um conceito de capacidade de substituir ou continuar. A sustentabilidade expressa uma preocupação com o meio ambiente para que as gerações futuras o utilizem e o desfrutem da mesma forma que o presente.

É importante ressaltar que o desenvolvimento sustentável exige que se definam prazos, com qual ordem de prioridades, a que níveis e escalas e quais recursos econômicos utilizar para obter a sustentabilidade. Um outro problema a ser considerado é o da interpretação. Por exemplo, uma grande parte da literatura disponível tende reduzir o conceito a uma mera sustentabilidade ecológica ou a um desenvolvimento ecologicamente sustentável, preocupando-se apenas com as condições ecológicas necessárias para manter a vida humana ao longo das gerações futuras, segundo Bifani (1997 apud Funiber, 2009).

Desenvolvimento ambientalmente sustentável: O desenvolvimento econômico e o bem-estar do ser humano dependem dos recursos  da Terra. Os recursos da Terra são suficientes para atender às necessidades de todos os seres vivos do planeta se forem manejados de forma eficiente e sustentada. O desenvolvimento econômico com o meio ambiente são compatíveis, interdependentes e necessários.

Desenvolvimento socialmente sustentável: A chave para o desenvolvimento é a participação, a organização, a educação e o  fortalecimento das pessoas. O desenvolvimento sustentado não é centrado na produção, é centrado nas pessoas. Nenhum sistema social pode ser mantido por um longo período quando a distribuição dos benefícios e custos seja extremamente injusta, especialmente quando parte da população está submetida a um debilitante e crônico estado de pobreza.

Vemos que há diversas formas de interpretar o conceito de desenvolvimento sustentável, mas todas têm as mesmas características e devem derivar para um consenso quanto ao conceito básico e quanto às estratégias necessárias para sua consecução. Dessa forma, destaca-se que o conceito de desenvolvimento sustentável não é único, mas converge para um consenso.

 

Resumo da Aula 02 – A Prática do Desenvolvimento Sustentável

Há três níveis ou sistemas distintos de existência que obedecem às suas próprias leis (Dias, 2004). São eles: Físico, Biológico e Social.

Físico: O planeta físico, sua atmosfera, hidrosfera e litosfera (rocha e solos), que seguem as leis da física e da química.

Biológico: A biosfera, com toda as espécies de vida, que obedecem as leis da física, química, biologia e ecologia.

Social: A tecnosfera e a sociosfera, o mundo das máquinas e construções criadas pelo homem, governos e economias, artes, religiões e culturas, que seguem leis da física, da química, da biologia, da ecologia e também das leis criadas pelo homem.

Um exemplo de uma lei física é a lei da entropia, segundo a qual todas as máquinas se desgastam. Um exemplo de uma lei biológica é a composição química e organização de qualquer indivíduo que são determinados pelo código genético em longas moléculas de DNA dentro de cada célula. As leis geradas pelo homem são muito variáveis  de acordo com as circunstâncias e com o tempo. Uma vez que os fenômenos ambientais obedecem às mesmas leis físicas, eles se comportam, em sua maioria, da mesma forma, em qualquer lugar, embora sua complexidade possa levar a enormes variações locais (Dias, 2004).

A busca de um modelo de desenvolvimento sustentável e de sua consequente implantação já ocorre em algumas décadas, alicerçada na visão crítica da organização da sociedade humana e impulsionada pelos diversos problemas de caráter ambiental e social. Um resultado importante desta discussão é a crescente conscientização sobre as significantes interferências que o homem impõe aos sistemas naturais. O modelo de desenvolvimento sustentável deve ser capaz não só de contribuir para a superação dos atuais problemas, mas também de garantir a própria vida, por meio da proteção e manutenção dos sistemas naturais que a tornam possível.

A Constituição de 1988, no Brasil, reflete esse quadro sustentável em seu art. 225:

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

O documento do Ministério do Meio Ambiente (MMA 2011) revelou que:

Até novembro de 1996, mais de 1.800 cidades em 64 países, envolveram-se em atividades de Agenda 21 local – A21L. Entre elas, o ICLEI (International Council for Local Environmental Initiatives) constatou que: 993 cidades em 43 países já tinham estabelecido um processo de planejamento para o desenvolvimento sustentável, e outras 879 estavam apenas iniciando (p. 12).

O setor industrial também demonstra seu interesse nessa questão, refletido pelas mais de 2 mil certificações em Sistemas Integrados de Gestão em todo país. O entendimento da existência de limites no que se refere aos padrões de consumo e produção, e a necessidade de promoção de justiça social encerram questões de revisão e mudanças na forma de planejar. Diversos trabalhos vêm sendo elaborados no campo do assunto, na busca de princípios metodologias e ferramentas de avaliação. Eles têm como objetivo colaborar para a reversão dos processos de degradação ambiental, consumo elevado de recursos naturais e desigualdade socioeconômica, alcançando assim melhoria da qualidade de vida dos seres do planeta de forma sustentável.

Segundo Funiber (2010), uma forma de medir o desenvolvimento é através de indicadores, os quais normalmente estão relacionados apenas com questões econômicas. Tais indicadores devem considerar as dimensões econômicas, sociais e ambientais. É necessário, entretanto, que se busque formas de comunicação desses indicadores, de modo que possam ser compreendidos por todos os atores da comunidade, onde, então, a educação ambiental assume papel vital nesse processo.

 

Resumo da Aula 03 – Da Questão Ambiental para o Campo do Consumo

O crescimento populacional vem causando sérios impactos degradadores sobre o meio ambiente neste século. Os estudos demonstram que os países com um rápido crescimento demográfico vêm enfrentando dificuldades para gerar um desenvolvimento econômico sustentável. Por outro lado, a conscientização ambiental também está relacionada ao controle da natalidade e ao consumo desenfreado que estamos nos impondo culturalmente como fator de status social. Prevê-se que a população humana aumentará de 6,5 bilhões a 8-9 bilhões ou mais entre 2005 e 2050, com um crescimento particularmente rápido nos países em desenvolvimento, como a China.

Aqueles que não acreditam que a terra está superpovoada apontam que a expectativa de vida média de 6,5 bilhões de pessoas é maior hoje do que já foi em qualquer época do passado, e está previsto que aumentará ainda mais. Também alegam que o crescimento populacional representa o recurso mais valioso do mundo para solucionar problemas ambientais e outros, e para estimular o crescimento econômico em razão do aumento de consumidores. Determinados países em desenvolvimento e alguns membros das minorias de países desenvolvidos consideram o controle populacional uma forma de genocídio, cujo intuito é impedir que sua economia e suas forças políticas cresçam.

Já os que apoiam uma diminuição ou uma possível interrupção no crescimento populacional, alegam que falhamos ao suprir as necessidades básicas de cerca de um a cada cinco indivíduos. Aqueles que propõem esta diminuição advertem que há duas sérias consequências caso a taxa de natalidade não declinem de forma drástica. A primeira, a taxa de mortalidade pode aumentar em razão do declínio das condições de saúde e ambientais. O segundo é o uso de recursos e os danos ambientais podem se intensificar conforme mais consumidores aumentam suas já grandes pegadas ecológicas em países desenvolvidos e em alguns países em desenvolvimento, como China e Índia, que estão passando por um rápido crescimento econômico.

O aumento da população e o consequente crescimento do consumo podem elevar os estresses ambientais. Estes analistas acreditam que as pessoas devem ter liberdade de gerar quantos filhos que quiserem, mas somente se isso não reduzir a qualidade de vida das pessoas agora e no futuro, seja pelo enfraquecimento da capacidade da terra de sustentar a vida, seja por rupturas sociais. Segundo Paul Hawken (2007), os problemas a serem enfrentados são vastos e complexos, mas se resumem a isto: 6,5 bilhões de pessoas estão procriando exponencialmente.

O papel dado à população reflete menos conflitos de evidências do que de interpretação da mesma evidência. Os estudos de caso com populações regionais têm sugerido cautela nas associações “população – transformação”. Quando esses estudos foram conduzidos regionalmente e em áreas que exibiam condições socioambientais similares, foram encontradas correlações fortes. Bilsborrow e Okhoto-Ogendo (1999) citam diversos estudos que comprovaram tais correlações (Brasil, Haiti e Bolívia); entretanto, caracterizam-nas como “casuais”. No nosso estudo sobre a região de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, em 1996-1999 (Dias, 1999), essa correlação foi muito clara, inclusive com outros vetores sociais, como a violência, o desemprego, o aumento da emissão de gases estufa e outros.

Um outro estudo relevante, buscando a compreensão dessas inter-relações, foi conduzido por Myers (1995 apud Dias, 2004).  Esse autor, enfatiza, falando sobre biodiversidade, que existem muitos elos que fazem o quadro muito mais complexo do que uma simples equação população/biodiversidade. Acrescenta que o crescimento populacional não é o único fator que está produzindo as mazelas ambientais conhecidas, não sendo mais que uma variável dentre as demais. Esse crescimento passa a ser significativo, em termos de produção de pressão ambiental, quando ele excede à capacidade de oferta de recursos naturais de um país aos seus habitantes ou quando excede a capacidade dos seus planejamentos de desenvolvimento.

Ao longo da história, várias formas de conquista e manutenção do poder foram desenvolvidas no interior de diferentes sociedades visto que essa relação assimétrica vincula-se necessariamente a uma desigualdade social preexistente.

Poder econômico: O poder econômico repousa na capacidade que a posse dos bens considerados vitais em determinadas situações, confere a quem os possui, no sentido de determinar o comportamento alheio.

Poder ideológico: O poder ideológico, por sua vez, consiste na propriedade que determinados grupos possuem para criar e difundir valores – que lhes são próprios – para o conjunto da sociedade.

Poder político: Consiste na posse dos instrumentos mediante os quais se podem coagir outros indivíduos (Zioni, 2008).

Nas sociedades antigas, o poder ideológico representava a estratégia predominante  de dominação. Nas sociedades modernas, de maior complexidade tecnológica e diferenciação social, o poder econômico passou a impor-se sobre as outras formas, como o Estado (poder político) e a arte, cultura, ciência e educação (poder ideológico). Nas sociedades contemporâneas, extremamente complexas, esses três tipos de poderes coexistem e se desenvolvem no sentido de que “fundamentam e mantém uma sociedade de desiguais” (Bobbio e Bovero, 1994 apud Zioni, 2008).

A população de 2017 está em cerca de 7,3 bilhões e está projetada para crescer em cerca de 1 bilhão na próxima década. Os problemas que  conhecemos hoje, serão apenas pequenas demonstrações do que pode acontecer com a nossa qualidade de vida, se os rumos da escalada humana não sofrerem redirecionamentos.

 

Resumo da Aula 04 – Educação Ambiental

A sociedade humana, empurrada por padrões de consumo insustentáveis, impostos por modelos de desenvolvimento insanos, completados por um mórbido e renitente crescimento populacional, tornou-se mais injusta, desigual e insensível de poucas décadas para cá. O papel da educação ambiental neste contexto torna-se mais urgente.

Segundo Paulo Freire, famoso educador brasileiro, ninguém educa ninguém, ninguém conscientiza ninguém e ninguém se educa sozinho. Isso significa que a educação depende de adesão voluntária, depende de quem a incorpora e não de quem a propõe. No Relatório para a UNESCO de 1996, a educação aparece como indispensável à humanidade na construção dos ideais de paz, da liberdade e da justiça social como também para o desenvolvimento contínuo, tanto das pessoas como das sociedades, do século XXI em diante (Pelicioni, 2009).

A educação ambiental se coloca numa posição contrária ao modelo de desenvolvimento econômico vigente no sistema capitalista selvagem, em que os valores éticos, de justiça social e solidariedade não são considerados nem a cooperação é estimulada, mas prevalecem o lucro a qualquer preço, a competição, o egoísmo e os privilégios de poucos em detrimento da maioria da população (Pelicioni e Philppi Junior, 2005). A educação ambiental tem como proposta  principal a superação da dicotomia entre natureza e sociedade, através da formação de uma atitude ecológica nas pessoas. Um dos seus fundamentos é a visão socioambiental, que afirma que o meio ambiente é um espaço de relações, é um campo de interações culturais, sociais e naturais (a dimensão física e biológica dos processos vitais).

A educação ambiental na década de 1960 ainda não estava bem delineada e, por vezes, era confundida com educação conservacionista, aulas de ecologia ou atividades propostas por professores de determinadas disciplinas, que ora privilegiavam o estudo compartimentalizado dos recursos naturais e as soluções técnicas para os problemas ambientais locais, ora visavam despertar nos jovens um senso de maravilhamento em relação à natureza (Pelicioni, 2002 apud Pelicioni, 2009). Vários autores apontam a Keele Conference on Education and Countryside, realizada em 1965, na Universidade de Keele (Inglaterra), como um marco a partir do qual o termo Environmental Education (educação ambiental) alcançou ampla divulgação (Martin e Wheeler, 1975 apud Pelicioni, 2009).

No Brasil na década de 1960, ocorreu uma nova onda de produção legislativa – o novo Código Florestal, a nova Lei de Proteção aos Animais e a criação de vários parques nacionais e estaduais. Entretanto, continuavam não sendo discutidos problemas fundamentais como o estilo de desenvolvimento que o país deveria adotar, a poluição, o zoneamento das atividades urbano-industriais, entre outros. A ditadura de 64 desmobilizou a cidadania, resultando numa atuação estatal tímida e particularmente voltada para a preservação do chamado ambientalismo geográfico, naturalista, ou seja, ainda voltado para a criação de áreas naturais protegidas.

No final da década de 60, a UNESCO organizou a Conferência da Biosfera. Este evento deu continuidade ao tema da cooperação internacional em pesquisas científicas, que havia sido inicialmente abordado, em 1949, na Conferência Científica das Nações Unidas sobre a Conservação e Utilização de Recursos (Pelicioni, 2009).

A primeira Conferência Intergovernamental sobre a Educação Ambiental foi realizada em Tbilisi, capital da Geórgia, em 1977. E foi intitulada Conferência de Tbilisi. Esta Conferência  produziu um documento chamado Livro Azul, que até hoje é uma importante fonte de consulta para ações em Educação Ambiental. Dez anos depois, em 1987, trezentos especialistas de 100 países reuniram-se em Moscou. Esta reunião ficou conhecida como Congresso de Moscou. O Congresso de Moscou fez uma análise da situação ambiental global e não encontrou sinais de que a crise ambiental houvesse diminuído. Portanto, concordou-se que a Educação Ambiental deveria preocupar-se com a promoção da conscientização, transmissão de informações, desenvolvimento de hábitos e habilidades, promoção de valores, estabelecimento de critérios e padrões, e orientações para resolução de problemas e tomada de decisões.

A Conferência do Rio, ou Rio-92, veio contrariar os que gostam de tornar as coisas mais complicadas. Ficou patente a necessidade do enfoque interdisciplinar e da prioridade das seguintes áreas de programas:

  • Reorientar a educação para o desenvolvimento sustentável;
  • Aumentar os esforços para proporcionar informações sobre meio ambiente, que possam promover a conscientização popular;
  • Promover o treinamento;

A Rio-92 também endossou as recomendações da Conferência sobre Educação para Todos, realizada na Tailândia (1990), que incluiu o tratamento da questão do analfabetismo ambiental. Esse tipo de analfabetismo foi classificado como o mais cruel, pernicioso e letal para a perda contínua e progressiva da qualidade de vida no planeta.

 

Resumo da Aula 05 – Preocupação Mundial

Ao instituir uma política ambiental, é necessário que o governo estabeleça os objetivos, defina as estratégias de ação, crie as instituições e estruture a legislação que a contém e que orienta sua aplicabilidade. Com isso, a gestão ambiental é a implementação pelo governo de sua política ambiental, pela administração pública, mediante a definição de estratégias, ações, investimentos e providências institucionais e jurídicas, com a finalidade de garantir a qualidade do meio ambiente, a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável (Philippi Junior e Maglio, 2009).

A Encyclopedia Britannica realça a visão de gestão relacionando-a ao uso racional de recursos naturais: o controle apropriado do meio ambiente físico, para propiciar seu uso com o mínimo abuso, de modo a manter as comunidades biológicas, para o benefício continuado do homem. Já Hurtubia coloca a perspectiva da gestão ambiental relacionada ao uso de recursos naturais em atividades primárias.

Numa visão mais moderna, a gestão ambiental desenvolve-se  com base na formulação de uma política ambiental, em que estejam definidos os instrumentos de gestão a serem utilizados (controle ambiental, avaliação de impactos ambientais, planejamento ambiental, objetos de conservação ambiental, planos de gestão, etc). O conceito de gestão vem sendo utilizado para incluir, além da gestão pública do meio ambiente, os programas de ação desenvolvidos por empresas e instituições não-governamentais para administrar suas atividades dentro dos modernos princípios de proteção do meio ambiente.

Gestão ambiental é, portanto, um processo político-administrativo de responsabilidade do poder constituído, destinado a, com participação social, formular, implementar e avaliar políticas ambientais a partir da cultura, realidade e potencialidade de cada região, em conformidade com os princípios de desenvolvimento sustentável. A preocupação com a qualidade ambiental vem crescendo com a evolução da sociedade, paulatinamente, à medida que os problemas se tornam cruciais e exigem soluções. Em sua evolução, a sociedade volta-se globalmente para preservar o meio ambiente em prol das gerações futuras. Nesse panorama de encontros e discussões sobre meio ambiente, destaca-se a importância da formação de profissionais que saibam compreender as diferentes dificuldades de suas sociedades, podendo então contribuir com soluções adequadas, não predatórias e voltadas para a conservação, a preservação e o controle dos recursos da natureza.

 

Resumo da Aula 06 – Legislação e Políticas Públicas

Desde o princípio, o homem interage com o meio ambiente esforçando-se em descobrir as charadas da natureza. A harmonia com o meio ambiente, porém, é obstruída pelo aumento do número de pessoas, bem como pelo consumo em larga escala dos recursos ambientais. Com isso, surge as políticas públicas, que deveriam regular o uso desses recursos, necessários para a vida da sociedade, de forma justa e com igualdade.

Até o início do século XX, o campo político e institucional brasileiro não se sensibilizava com os problemas ambientais, embora não faltassem problemas e nem vozes que os apontassem. A degradação de uma área não era considerada um problema ambiental pela classe política, pois sempre havia outras a ocupar com o trabalho escravo. Nenhuma legislação explicitamente ambiental teve origem nas muitas  denúncias desses políticos, que podem ser considerados os precursores dos movimentos ambientalistas nacionais e que, já nas suas origens, apresentavam uma tônica socioambiental dada pela luta  contra a escravatura, a monocultura e o latifúndio. Somente quando o Brasil começa a dar os passos firmes em direção à industrialização, inicia-se o esboço de uma política ambiental. Conforme Barbieri (2010), uma data de referência é o ano de 1934, quando foram promulgados os seguintes documentos relativos à gestão de recursos naturais: Código de Caça, Código Florestal, Código de Minas e Código de Águas.

As políticas públicas dessa fase procuram alcançar efeitos sobre os recursos naturais por meio de gestões setoriais (água, florestas, mineração, etc), para as quais foram sendo criados órgãos específicos, como o Departamento nacional de Recursos Minerais, Departamento Nacional de Água e Energia Elétrica, entre outros. Até meados da década de 1970, a poluição industrial ainda era vista como um sinal de progresso e, por isso, muito bem-vinda para muitos políticos e cidadãos.

Enquanto as mudanças ocorriam no Brasil, no mundo iniciava-se uma política de comando e controle que assumiu duas características definidas:

  1. A imposição pela autoridade ambiental, de padrões de emissão incidentes sobre a produção final do agente poluidor;
  2. A determinação da melhor tecnologia disponível para abatimento da poluição e cumprimento do padrão de emissão;

Nessa modalidade de política ambiental, os padrões de emissão deixam de ser meio e fim da intervenção estatal e passam a ser instrumentos, dentre outros, de uma política que usa diversas alternativas e possibilidades para a consecução de metas acordadas socialmente. O Brasil, após a Conferência de Estocolmo de 1972, o governo militar brasileiro não reconheceu a gravidade dos problemas ambientais e defendeu sua ideia de desenvolvimento econômico em razão da ausência de preocupações com o meio ambiente e a distribuição de renda. Porém, os estragos ambientais levaram, em 1973, o Executivo Federal a criar a Secretaria Especial do Meio Ambiente e diversos estados criaram suas agências ambientais especializadas, como a Cetesb no Estado de São Paulo e a Feema no Estado do Rio de Janeiro.

Foi com o advento da Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Politica Nacional do Meio Ambiente, que conhecemos uma definição legal e passamos a ter uma visão global de proteção ao meio ambiente. Temos que ter em mente que: “a sociedade não é o lugar da harmonia, mas, de conflitos e de confrontos que ocorrem em suas diferentes esferas (da política, da economia, das relações sociais, dos valores, etc.)”.

 

Resumo da Aula 07 – Sustentabilidade

Alguns críticos acreditam que as visões de mundo ambientais centradas no ser humano deveriam ser expandidas para reconhecer o valor intrínseco ou inerente de todas as formas de vida, independentemente de seu uso potencial ou real para os seres humanos. Esta visão ecocêntrica é dedicada à preservação da biodiversidade e do funcionamento de sistemas de suporte à vida para todas as vidas. Nosso desafio é tentarmos focar naquela que se reverta em benefício conjunto: Terra, homem e outras formas de vida. Segundo Miller Junior (2007), a sustentabilidade é a capacidade dos diversos sistemas da Terra, incluindo as economias e sistemas culturais humanos, de sobreviverem e se adaptarem às condições ambientais em mudança.

O primeiro passo em direção à sustentabilidade é entender os componentes e a importância do capital natural e da renda natural ou biológica que ela fornece. Por analogia, os recursos renováveis que compõem parte do capital natural da Terra, podem nos fornecer uma renda biológica indefinidamente renovável, desde que não usemos esses recursos mais rápido do que a natureza o renova. Desde as primeiras discussões relacionadas ao meio ambiente, vários acordos ambientais têm sido negociados e inúmeros fóruns de discussão criados com o objetivo de repensar o modelo economicista adotado para o desenvolvimento e de conter o encaminhamento para a exaustão dos recursos naturais. É percebido que nos últimos 20 anos, a agenda ambiental internacional e a busca pela sustentabilidade têm evoluído tanto no sentido de implementar os acordos já assinados, como no sentido de encontrar formas de proteger outros recursos naturais essenciais como, por exemplo, mananciais de água. Para que se alcancem os objetivos de sustentabilidade, é importante que o trabalho iniciado prossiga em diversas frentes, em âmbito global e local, com a modificação dos sistemas produtivos e das práticas de uso dos recursos naturais.

A pesquisadora Elisete Batista da Silva Medeiros nos apresenta que o objetivo da sustentabilidade é colocado sob forma de três restrições:

  1. Os recursos naturais devem ser extraídos procurando fazer a substituição por recursos equivalentes;
  2. A exploração dos recursos renováveis  deve ser feita respeitando a sua renovação;
  3. A emissão de rejeitos deve ser compatível com a capacidade de assimilação do ambiente;

Esse estilo é guiado por uma nova ética de desenvolvimento, ética essa na qual os objetivos econômicos do progresso estão subordinados às leis de funcionamento dos sistemas naturais e aos critérios de respeito e dignidade humana e de melhoria da qualidade de vida das pessoas. Nós precisamos entender que a Terra não precisa que a manejemos para que ela avance, mas nós precisamos da Terra para sobreviver. O que precisamos salvar é a existência da nossa e de outras espécies que podem se tornar extintas por causa de nossas atividades, essa é a lição pregada pela sustentabilidade.

 

Resumo da Aula 08 – Ações Sustentáveis

Os conceitos de sustentabilidade e crescimento econômico constituem temas emergentes. Uni-los é uma tarefa árdua para economistas, políticos, empresários, ecologistas e população, visto que a preocupação das elites com o meio ambiente é mínima ou nenhuma, inclusive falta conscientização por parte da população (Oliveira Neto, 2008). Na atualidade, o problema principal é que essas discussões parecem míopes, pois o conceito de sustentabilidade é muito mais abrangente do que apenas tratar do desmatamento, do derretimento das geleiras, etc.

Para que possamos começar a pensar numa reversão de valores para que efetivamente façamos ações em prol da sustentabilidade, é necessário que indicadores nos forneçam informações do meio natural e socioeconômico para a análise, que deve ser sistemática e relevante, no planejamento de um sistema de gestão ambiental. Os indicadores são instrumentos auxiliares e no acompanhamento de um projeto  no decorrer do tempo. A seguir, alguns indicadores muito úteis nos planos de ação da gestão do meio ambiente (FUNIBER, 2009):

  1. Programa de monitoramento de planos de ação específicos, que permitem o acompanhamento de um plano de proteção, de recuperação e de introdução da flora e fauna, de um plano de educação e sensibilização ambiental e de outros planos de ação que façam parte dos planos de gestão.
  2. Programa de acompanhamento biológico, que tem como principal objetivo o monitoramento do estado em que se encontram as populações de fauna e flora de uma determinada área natural, num período de tempo o mais dilatado possível, e sob  uma metodologia padronizada;
  3. Programa de acompanhamento socioeconômico, que visam o monitoramento das características apresentadas pela população humana na área natural, ou em suas proximidades, num dilatado período de tempo e sob uma metodologia padronizada.
  4. Programa de controle de impacto que busca como objetivo destacar mudanças de parâmetros biológicos e ambientais, produzidos geralmente por problemas de origem ou indução humana em escala global (diminuição do ozônio na estratosfera, chuva ácida) e em âmbito local e regional (contaminação de um rio, erosão de uma bacia hidrográfica, etc).

A história do desenvolvimento de indicadores ambientais teve início oficial na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Natural e Desenvolvimento, quando se produziu um consenso geral a respeito da necessidade de avançar para a implementação da sustentabilidade. Segundo o educador ambiental, Mitchell Thomashow, quatro perguntas básicas estão no âmago da alfabetização ambiental:

  1. De onde vem as coisas que consumo?
  2. O que sei sobre o lugar onde vivo?
  3. O quanto estou preocupado com a Terra e com outros seres vivos?
  4. Qual o meu propósito e minha responsabilidade como ser humano?

Temos que ter um senso de reverência, admiração, mistério e humildade ao ficarmos sob as estrelas, sentados no meio de uma floresta ou observando a majestade e o poder do oceano, pois isso é o que realmente temos na vida.

 

Resumo da Aula 09 – Consumo Consciente

A sociedade moderna está cada vez mais consciente do impacto ambiental associado ao desenvolvimento. O uso intensivo dos recursos naturais e a cada vez maior geração de resíduos representam, paradoxalmente, um limite para o próprio desenvolvimento. Os problemas ambientais que afetam mais diretamente os países são o desflorestamento, a erosão, a contaminação; tais problemas ambientais estão associados ao consumo. Consumir é necessário para a sobrevivência dos seres vivos. Todos os organismos consomem: água, nutrientes e energia. Mas há uma diferença significativa entre outras espécies de organismos vivos e o homem: O consumismo desenfreado e exagerado que não é somente para sobreviver no meio em que vive.

Segundo o site Ressoar, quando se fala em consumo, a primeira coisa que vem à mente é o simples ato de comprar por necessidade ou por impulso. Então, o consumo consciente é uma maneira de consumir levando em consideração os impactos provocados pelo consumo. O consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade do planeta, lembrando que a sustentabilidade implica em um modelo ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável. Já o consumo sustentável é a maneira de como usamos os recursos naturais para satisfazer as necessidades pessoais sem o comprometimento das necessidades das gerações futuras. Isto é, saber usar para nunca faltar.

A satisfação das necessidades humanas possui três componentes: O utilitário, o de comunicação e o psicológico. O componente utilitário nem sempre determina a escolha; as vezes o ato do consumo está motivado pelo propósito de se comunicar com os outros, de demonstrar que se respeitem as convenções sociais, que se está na moda ou que se é completamente diferente. O componente psicológico impulsiona a consumir para se provar algo a si mesmo, para se assemelhar à imagem que tem de si e se sentir bem consigo mesmo. Modificar os hábitos de compra da população é um objetivo indispensável para coadjuvar a proteção do meio ambiente, diminuir a contaminação e a geração de resíduos e promover um eficiente controle de energia, entre outras coisas.

Sabemos hoje que a questão do consumo está relacionada principalmente com a cultura social atual: do modismo e do “ter mais significa poder mais”. Mas, infelizmente, se isso não for revertido logo, teremos cada vez menos. Cabe aqui uma palavra: consciência!

 

Resumo da Aula 10 – Tecnologias Limpas

Segundo Tachizawa (2009), a tecnologia não é só uma força isolada. É também o motor propulsor da competição global. O encurtamento dos ciclos de vida dos produtos ressalta a situação pela redução do número de anos, ao longo dos quais os custos fixos serão amortizados com maior volume proveniente de vários países e precisar ser conseguido um menor número de anos. O resultado significará maior número de organizações, que precisarão de volume global significativo para que possam sobreviver.

Segundo Miller Junior (2008), muitos analistas nos desafiam a dedicar mais atenção ao desenvolvimento econômico sustentável no que se refere ao meio ambiente. Um sistema econômico produz mercadorias e serviços utilizando recursos naturais, humanos e manufaturados e é uma instituição por meio da qual mercadorias e serviços são produzidos, distribuídos e consumidos para satisfazer às necessidades das pessoas e os desejos ilimitados da maneira mais eficiente possível.

A tecnologia limpa é uma estratégia ambiental preventiva aplicada a processos, produtos e serviços para minimizar os impactos sobre o meio ambiente carregando 3 propósitos: lançar menos poluição no meio ambiente, gerar menos resíduos e consumir menos recursos naturais, principalmente os não renováveis. Proposto pela Comissão da Comunidade Econômica Europeia, em meados da década de 1970, esse conceito referia-se a qualquer tecnologia que pudesse reduzir a poluição e economizar recursos.

Várias diretrizes foram sugeridas para favorecer a cooperação em vez do confronto quando lidamos com problemas ambientais importantes. Dessa maneira, ambientalistas e líderes de corporações poderiam se tornar parceiros em uma busca conjunta de sustentabilidade ambiental e econômica. Pessoas de ambos os lados de questões ambientais delicadas deveriam se comprometer a não exagerar ou distorcer suas posições na tentativa de jogar no ganha-perde ou ganhador – leva-tudo. Há compromissos em qualquer decisão ambiental, logo elas devem trabalhar juntas para encontrar soluções ganha-ganha equilibradas, implementadas de uma maneira flexível e adaptativa.

A antropóloga Margaret Mead resumiu nosso potencial de mudança: “Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos atentos e comprometidos possa mudar o mundo. Na realidade, só assim se foi capaz de mudar o mundo até hoje”. Isso significa que devemos aceitar nossa responsabilidade ética de administradores do capital natural da Terra, deixando-a em uma condição boa, senão melhor, do que aquela que encontramos.

Para que serve uma casa se você não tiver um planeta para colocá-la? (Henry David Thoreau)

 

E acabou! 🙂

 

Bons estudos!