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Ola pessoal!

Nesta postagem irei apresentar o resumo das aulas da disciplina História Contemporânea II do 6o período do curso de Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

 

Resumo da Aula 01 – A Primeira Guerra Mundial

Para entendermos a Primeira Guerra Mundial ocorrida em 1914 à 1918, temos que voltarmos ao panorama político e econômico da Europa no século XIX. A industrialização desenvolveu uma nova demanda, tanto de mercados consumidores quanto de matérias-primas, fazendo com que a Europa voltasse para os continentes que ainda não haviam se industrializados – Ásia e África. A partir desse momento surge o Imperialismo, uma política de colonização que caracterizaria toda a segunda metade do século XIX e estaria ligada aos confrontos da Primeira Guerra Mundial.

As grandes potências Europeias, como a Inglaterra, a França, a Rússia e a Alemanha, tinham seus processos industriais e política imperialista bem diversificadas, por diferentes motivos. A Inglaterra aproveitou por um longo tempo sua supremacia econômica e marítima, mas logo foi ameaçada pela Alemanha, cuja unificação, em 1871, transformara em um império forte cuja indústria baseava-se na formação de carteis. Investindo na indústria pesada e estimulando a associação entre os bancos e as indústrias, a Alemanha deu um salto de desenvolvimento. A construção de uma intensa malha ferroviária tornou o país economicamente ágil e mais integrado.

No caso francês, a industrialização voltou-se para os produtos de luxo, já que havia uma tradição em remeter a França como lugar de civilidade e sofisticação. O mercado francês era único e não entrava em concorrência com os ingleses. Já a Rússia, embora tivesse uma pequena industrialização, a maioria de sua população era camponesa. O sistema de governo era monarquia czarista, totalitária e centralizadora. Era uma potência muito mais pelo seu tamanho e contingente populacional do que, propriamente, por questão bélica. Esta situação valeu-lhe a alcunha de “gigante com pés de barro”.

No ano de 1873, o marechal Otto von Bismarck, que unificou a Alemanha, formou a Liga dos Três Imperadores – Alemanha, Rússia e Áustria-Hungria. Em 1878, essa aliança foi rompida devido ao desacordo entre a Rússia e a Áustria-Hungria acerca dos Balcãs. Em 1882, uma nova aliança foi formada sendo a Rússia substituída pela Itália – Tríplice Aliança. Tais pactos alemães mexeram com a Inglaterra e com a França. A França guardava grande ressentimento devido à guerra franco-prussiana, ocorrida no final do século XIX, e da qual sairia derrotada. Esta derrota implicou na perda territorial francesa para os alemães, a Alsácia-Lorena (rica em minério). O revanchismo francês foi um dos fatores da Primeira Guerra Mundial. Em 1904, temendo o crescimento de um inimigo, Inglaterra e França se aliaram na Entente Cordiale. A adesão da Rússia à entente deu origem a Tríplice Entente. Configurava-se assim, o panorama político europeu – Tríplice Aliança e Tríplice Entente.

As potências europeias disputavam mercados e territórios devido a industrialização constante que demandava recursos. A Alemanha e a Itália, por terem sido unificados tardiamente, também entraram nesta disputa de territórios e consideravam suas posses insatisfatórias. Algumas regiões estratégicas estavam no centro desta disputa, é o caso dos Balcãs. Os alemães lutavam contra a independência desta região, já a Rússia estimulava esta independência para diminuir o poder da Alemanha, e levantar novos aliados.

Os Balcãs são uma região situada entre os mares Negro e Adriático. Foi ocupada por povos eslavos, que deram origem a vários países diferentes como Kosovo, Macedônia, Bósnia, Herzegovina, Bulgária, Montenegro e Servia. Durante muito tempo, esteve sob influência do Império Otomano, mas, no início do século XX, este império entrou em decadência e os países europeus, como a Alemanha, Áustria Hungria, França e Itália, passaram a disputar a região. Com o enfraquecimento Otomano, surgiu um processo de unificação liderada pela Sérvia e estimulada pela Rússia, conhecido como pan-eslavismo. Em 1908, a Bósnia-Herzegovina foi anexada pelo Império Austro-Húngaro, o que fomentou a Guerra dos Balcãs em 1912. Grécia, Bulgária, Montenegro e Sérvia desejavam a expulsão dos turcos com o objetivo de formar a Grande Sérvia, que se tornaria um país independente. A Áustria interferiu no expansionismo dos sérvios, reconhecendo a Albânia como país independente e provocando uma onda nacionalista servia.

No ano de 1914, em uma tentativa de acalmar os ânimos, o Arquiduque e herdeiro do trono Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, viajou até Saravejo, capital da Bósnia, para consolidar a posse da região e legitimar a expansão da Áustria-Hungria. Em junho de 1914, ele foi assassinado pelo sérvio Gavrilo Princip, que pertencia a uma organização nacionalista sérvia, denominada Mão Negra. O assassinato foi o estopim da Primeira Guerra Mundial.

A Primeira Guerra Mundial é dividida em duas fases: a guerra de movimento e a guerra de posição, também chamado de guerra de trincheira. Alguns historiadores defendem uma terceira fase, ofensiva, com a entrada dos EUA no conflito. A guerra de movimento, iniciada em 1914, marca a marcha alemã em direção à França. Para isso, foi necessário invadir a Bélgica para chegar ao território francês. Por essa razão, a Bélgica se uniu a Tríplice Entente para expulsar os alemães. Após vencerem os franceses, os alemães se preparavam para enfrentar seu pior inimigo – a Rússia. Foi no final de 1914 que teve início a nova fase: a guerra de posição ou de trincheira. Nesta fase, milhares de soldados ficavam entricheirados, em enormes condições de insalubridade, o que aumentava o número de mortos. Muitos soldados passavam dias em trincheiras lamacentas, sujeitos ao frio, à fome e às doenças, que matavam tanto quanto as balas do inimigo.

Em 1915, a Itália deixa a Tríplice Aliança e se alia a Tríplice Entente devido a uma promessa de que o país receberia territórios do império  Austro-Húngaro caso fosse derrotada. Em 1917, a Rússia se retira da guerra devido a um conflito interno – Revolução Russa – onde o czar foi deportado e um novo governo foi instaurado. A saída da Rússia parecia ser uma oportunidade para os alemães bombardearem a Inglaterra. Mas a entrada dos EUA na guerra foi uma surpresa. Embora apoiassem a Entente, os EUA ainda não haviam enviado tropas para o conflito, mas contribuíam, mandando suprimentos. Após o bombardeamento da Alemanha contra os navios norte-americanos, as tropas americanas começaram a chegar para por fim ao conflito. A Alemanha ficou isolada, pois os seus aliados haviam abandonado a aliança ou enfraquecidos com os anos de conflito. Em novembro de 1918, o Armistício de Compiègne foi assinado tendo como base a superioridade da Entente.

Em 1919, a paz foi selada com a assinatura do Tratado de Versalhes. O presidente norte-americano, Wodrow Wilson, era a favor de uma guerra sem vencedores e para isso estabeleceu os 14 Pontos de Wilson, uma lista de proposições que buscava a harmonia entre as potências europeias. Mas, no fundo, o Tratado de Versalhes foi um instrumento para subjugar a Alemanha, que foi responsabilizada pelo conflito que dizimara milhares de pessoas. O país perdeu uma boa parte de seus territórios e colônias, e foram distribuídos aos países aliados. A Alemanha ficou completamente destroçada, humilhada, o desemprego e a inflação levariam a população a um estado de fome e miséria. É neste contexto, sob as humilhantes condições de Versalhes, que emergem os movimentos nacionalistas, dentre os quais se destacaria o Nazismo e o início da Segunda Guerra Mundial.

A Europa antes da Primeira Guerra

 

A Europa após a Primeira Guerra

 

Resumo da Aula 02 – Revolução Russa

A história da Rússia na Era Moderna foi, sem dúvida, a história da construção de império, cujo número de habitantes e extensão territorial  faziam dela um dos mais importantes e poderosos países europeus. Contudo, ao chegar ao século XX, a sociedade e a economia do “gigante com pés de barro” pouco se modernizavam. A elite russa era formada pela nobreza, pelos grandes latifundiários, pela igreja e pelo exército. A propriedade de terras e os títulos de nobreza eram os símbolos da prosperidade e riqueza desta sociedade. O sistema era monárquico, regido pelo czar, a principal figura de autoridade.

Os nobres eram chamados de boiardos e a maior parte da população era formada por mujiques, camponeses que trabalhavam nas terras dos nobres. No entanto, os camponeses russos eram diferentes dos medievais. Em 1861, os Estatutos da Emancipação cederam a esta classe não só a liberdade individual, mas a possibilidade de comprar terras – significando que, teoricamente, a mobilidade social era possível. Na prática, nenhum camponês tinha condições para comprar uma terra e, também, não havia um apoio do Estado (empréstimos/financiamento) para o camponês conquistar sua terra. E, por outro lado, as terras que não pertenciam aos nobres, eram propriedades do Estado. Sendo assim, o camponês que não trabalhava para um nobre, acabava que trabalhando para o Estado.

O governo czarista tinha como principal característica sua centralização e autoritarismo. A mais importante dinastia foi a Casa dos Romanov. O czar Pedro I, cuja gestão ocorreu entre 1682 e 1725, foi um dos czares progressistas que modernizou o império, reformou a educação e a administração pública, tendo se tornado um dos maiores líderes políticos de seu tempo. Entretanto, o sentido de progresso era alterado de acordo com a concepção de cada czar. O czar Alexandre II, que reinou entre 1855 e 1881, defendeu o liberalismo e a modernização das estruturas do Estado, abolindo a servidão e anistiando as dívidas dos mujiques (Estatutos de Emancipação). O governo de Alexandre II, ainda que guardasse fortes características liberais, era uma nobreza centralista e por isso reprimia violentamente a oposição. Os niilistas – aqueles que defendiam o uso da razão sobre todas as coisas e a alfabetização dos servos -, embora pacíficos, foram igualmente reprimidos. E, portanto, a eles é atribuído o assassinato do czar em 1881. Alguns historiadores discordam que foram os niilistas que assassinaram Alexandre II, mas sim um grupo terrorista.

Com a morte do czar, Alexandre III subiu ao trono e iniciou o processo industrial russo, com o estímulo à entrada de capital estrangeiro no país. A Casa dos Romanov somente deixaria o poder com a Revolução Russa, de 1917, sendo Nicolau II o último czar. Ainda que tenham feito reformas e que a industrialização tenha sido um dos mais importantes assuntos, a centralização do poder, o autoritarismo, a perseguição política e a predominância dos interesses das elites eram características deste regime, os quais fomentaram a Revolução de 1917.

Em 1904, o czar Nicolau enfrentaria o Japão na Guerra Russo-Japonesa. O centro da discórdia foi a disputa por territórios das regiões da Manchúria e da Coreia. O Japão passara pela Revolução Meiji e possuía um potencial bélico muito superior ao dos russos. Logicamente os russos foram derrotados e tiveram enormes perdas materiais e humanas, o que levaram a já descontente população a empreender uma série de revoltas, motins e greves.

Em 1905, houve uma manifestação popular em frente ao palácio real em São Petersburgo. Os manifestantes eram trabalhadores e desejavam a implantação de uma assembleia constituinte. O povo queria o sufrágio universal e o fim da Guerra Russo-Japonesa. Além disso, a população não estava violenta, e nem armada. Porém, a guarda russa fuzilou os manifestantes e este episódio ficou conhecido como Domingo Sangrento. Se o regime russo já estava fragilizado devido a guerra contra o Japão, o Domingo Sangrento apenas piorou a situação e aumentou as animosidades antigovernistas. Este ato violento fomentou em uma greve geral entre os trabalhadores e até mesmo as forças militares aderiram aos protestos. Buscando conciliação, Nicolau II lançou o Manifesto de Outubro, que previa a instalação de uma Monarquia Constitucional. Os trabalhadores que haviam feito as greves passaram a se organizar em sovietes, conselhos que passaram a existir em todo o território russo.

A despeito da perseguição, a oposição crescia. Diversos grupos proliferaram pela Rússia. Dentre desses grupos, destacavam-se os anarquistas e socialistas. O grupo socialista possuía duas facções: os bolcheviques e os mencheviques. Os mencheviques (minoria) defendiam a aplicação das ideias de Marx. Já os bolcheviques (maioria) defendiam uma revolução, uma ditadura do proletariado. Seu líder, Vladimir Lênin, logo se tornaria uma das mais importantes figuras políticas do século XX.

O último golpe ao czarismo foi dado com a entrada da Rússia na Primeira Guerra Mundial. Entretanto, não se esperava que o conflito durasse tanto tempo, nem que contasse com a participação de tantos países. A Primeira Guerra Mundial apenas agravou as condições internas da Rússia tornando-se impopular e provocando uma fome generalizada, culminando com a deposição do czar. Em 1917, uma nova onda de greves envolvendo trabalhadores, soldados e marinheiros assolou o país. Com a renúncia do czar, a república foi instalada. Nesta revolução, logo após a monarquia, os mencheviques, sendo liderado por Alexander Kerensky, tomaram o poder. Entretanto, os mencheviques mantiveram a Rússia na Primeira Guerra, um dos fatores que contribuíram para sua derrocada. Os bolcheviques, liderados por Lênin, conseguiam um apoio cada vez maior junto à população, já que uma das primeiras reivindicações era abandonar a Primeira Guerra Mundial.

Sob a direção de Lênin, o revolucionário Leon Trotsky reunia os bolcheviques para um conflito armado formando o exército vermelho. Em outubro, os bolcheviques invadiram o Palácio do Governo e expulsaram os mencheviques que eram considerados burgueses e não proletariados. Os principais nomes deste novo governo eram o de Lênin, de Trotsky e de Josef Stálin. Em 1918, Lênin ordenou a execução da família real, que ainda vivia na Rússia. Os Romanov foram executados, não só Nicolau II, mas toda sua família, composta pela mulher, Alexandra e por 5 filhos, 4 meninas e 1 menino. Uma das filhas do czar, Anastácia, rendeu filmes, livros e um desenho animado devido a um mito levantado por causa do seu corpo não ter sido encontrado. Somente no século XXI, testes de DNA  feitos com restos mortais encontrados comprovaram que não havia sobreviventes. A monarquia russa acabara de fato.

Os bancos e as fábricas foram estatizados. O Estado também confiscou a produção agrícola e centralizou a distribuição de gêneros básicos, o que foi chamado de comunismo de guerra e provocou, como não podia deixar de ser, grande descontentamento. Lênin instituiu uma política econômica intitulada NEP prevendo a liberdade do comércio interno, regulando a propriedade privada e o comércio. De modo geral, a NEP aliava princípios socialistas e capitalistas. Esta modalidade estabelecida é única e por isso foi chamada de Marxismo-Leninismo. Isto quer dizer que o pensamento marxista jamais foi aplicado na íntegra, em nenhum dos países que adotou o socialismo. Além disso, foi estabelecido o sistema de partido único, o Partido Comunista Russo.

Lênin esteve no poder até a sua morte, em 1924. Em seguida, Trotsky e Stálin disputaram no governo. Trotsky pregava a Internacional Comunista e a ideia de revolução permanente. Já Stálin, defendia a consolidação do socialismo soviético em seu território e de seus aliados. Josef Stálin acabou vencendo a disputa e Trotsky foi perseguido até ser assassinado em 1940, no México.

De modo geral, a Revolução Russa marca um momento de transição de um regime monárquico e capitalista para um Estado republicano e socialista.

 

Resumo da Aula 03 – A Crise de 1929

Após a Primeira Guerra Mundial, a Europa entrou em fase de reconstrução. As economias internas estavam arrasadas, não só o processo de industrialização que havia sido interrompido, mas também a agricultura havia sofrido muitas perdas. Os operários foram convocados pelas forças armadas e, além disso, não havia um mercado ativo em tempos de guerra como existia antes do conflito.

Após o fim da Primeira Guerra, a Liga das Nações foi criada como sendo a primeira tentativa de agregar diversos países em torno do mundo para buscar uma negociação diplomática. O objetivo era evitar um outro conflito mundial. Esta Liga funcionou até a década de 1940 e participaram os países vitoriosos na guerra. A exceção foram EUA que jamais fizeram parte deste organismo, embora tenha sido Woodron Wilson, o Presidente do país, um dos principais defensores desta iniciativa. A Liga das Nações também deu origem à ONU, que é hoje uma das principais organizações políticas internacionais do planeta.

Por outro lado, com o fim da Primeira Guerra, os EUA acabaram emergindo como potência mundial, especialmente devido ao fato de sua produção industrial e agrícola não ter sofrido prejuízo, pois não houve nenhum combate em seu território. Os presidentes norte-americanos que sucederam Woodron Wilson, acreditavam na aplicação de uma política econômica liberal. O liberalismo é uma modalidade do capitalismo onde não exigia a interferência direta do Estado. Ou seja, os presidentes de então pouco faziam para regular os mecanismos econômicos, permitindo que estes se desenvolvessem sozinhos. Se por um lado, esta atitude aumentou o crescimento do país, por outro levou a um resultado desastroso: a crise de 1929.

Na década de 20, com a economia europeia desorganizada, os EUA  passaram a exportar para o continente todos os tipos de mercadorias industrializadas. Também houve uma aproximação com os países latinos, cujas economias agrárias eram de grande interesse para os norte-americanos. Ainda que a América Latina exportasse enormes quantidades de produtos, eles eram muito baratos, pois eram gêneros agrícolas ou matérias-primas. E o que os latinos importavam eram bens industrializados, que eram produtos muito mais caros. Isso significa que o balanço comercial era sempre desfavorável para os latino-americanos. Já o aumento das exportações fomentou o mercado de trabalho, bem como os salários dos trabalhadores. Esta prosperidade gerou um boom de consumo, o que aqueceu ainda mais a economia. A década de 20 não foi só marcado pela economia, mas, também, pela cultura como a “Era do Jazz”. Além da música, o cinema, que foi inventado no século XIX, ganhou força nos anos 1920. Nasciam as grandes estrelas do cinema, ainda mudo e preto e branco.

Do ponto de vista social, o feminismo tornou-se um dos mais importantes movimentos. Devemos lembrar que na Primeira Guerra, as mulheres acabaram ocupando parte do mercado de trabalho, que havia sido deixado vago pela ida dos homens para o front. Com o fim da guerra, esta demanda de ocupação de postos de trabalho, antes exclusivamente masculino, continuou. No ano de 1919, as mulheres norte-americanas conseguiram o direito ao voto, através da luta das chamadas “sufragetes”. As reivindicações logo transcenderam a questão do direito ao voto, sendo a ela acrescentados direitos trabalhistas e sociais, como a conscientização acerca dos direitos reprodutivos e do controle natalidade. Entre as décadas de 1910 e 1920, foram estabelecidos dias dedicadas às mulheres, instituindo o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

Por outro lado, os anos 20 também foram marcados pelos conservadores que defendiam valores como “a moral e os bons costumes”, condenando o comportamento dos “desviantes”, ou seja, aqueles indivíduos que não se adequavam a um padrão social. Mesmo assim, as vedetes continuavam fazendo sucesso, e o número de bares, boates, lugares dedicados à dança e a festas não paravam de aumentar. Contudo, a prosperidade econômica daquele país dava-lhe maior visibilidade e acabou por fazer surgir a expressão “american way of life”, o estilo de vida americano, que seria cobiçado e reproduzido ao longo do planeta.

Apesar do Estado não interferir na economia, a livre concorrência também não era praticada. A economia norte-americana era dominada por monopólios, que aconteciam sob a forma de trustes, holdings e cartéis. O primeiro truste data de 1870 – a Standard Oil, uma empresa de petróleo que pertencia a John D. Rockefeller. Esses monopólios eram ilegais, pois existiam leis antitruste desde finais do século XIX, o que na prática não impediu sua ocorrência.

Apesar do aumento do emprego e do consumo, havia uma desigualdade na distribuição de renda, além do surgimento de grandes fortunas baseadas na especulação do mercado de ações. As companhias que possuem ações na bolsa são chamadas de capital aberto e, nos anos 1920, a compra de ações era considerada um grande investimento. A euforia financeira aumentou a especulação e era como se os anos de prosperidade jamais fossem acabar. Porém, com a Europa se recuperando economicamente, ela deixava, cada vez mais, de importar as mercadorias norte-americanas. Com a diminuição do mercado externo, as indústrias também diminuíam sua produção, aumentando o número de desempregados. A agricultura sofreu crises de superprodução, ou seja, havia gêneros agrícolas, mas não havia consumidores o suficiente. Diversos fazendeiros foram a falência. Com as falências da agricultura e o aumento do desemprego, o poder de consumo também foi decrescendo. Os bancos, que haviam investido tanto na indústria quanto na agricultura, começaram a quebrar, já que não tiveram o retorno de seu investimento. Fortunas e mais fortunas foram perdidas do dia para a noite. Nova York foi tomada pelo desespero, por uma onda de suicídios jamais vista até então.

A crise de 1929 afetou boa parte dos países ocidentais. A América Latina, com sua economia agroexportadora, tinha os EUA como o principal parceiro econômico, foi uma das mais prejudicadas. O Brasil, por exemplo, cuja receita se baseava na agricultura cafeeira, sofreu uma crise de superprodução. Esta crise econômica brasileira, aliado a outros aspectos, foi um dos fatores que levaram ao fim da Primeira República e ao início da Era Vargas.

Para sanar suas finanças, o presidente Franklin Roosevelt instituiu um conjunto de medidas intitulado New Deal. Tais medidas tinham como objetivo a recuperação financeira e a diminuição do desemprego, e deveriam ser aplicadas rapidamente. Foi através de Roosevelt que o Estado passou a interferir na economia. Foi implantada a Previdência Social, bem como uma série de garantias aos cidadãos, como o salário mínimo e o amparo aos desempregados. Os sindicatos foram incentivados e foram estabelecidos subsídios, e crédito financeiro para a recuperação agrícola. Roosevelt se tornou um dos mais importantes presidentes da História dos EUA e teve quatro mandados presidenciais. Essa crise é estudada ainda hoje, e muitas teorias sobre ela são ainda elaboradas. É importante lembrar que a União Soviética não foi afetada pela crise de 1929, já que não havia adotado o capitalismo.

 

Resumo da Aula 04 – Regimes Totalitários: Nazismo e Fascismo

O período entre guerras que compreende os anos de 1919 a 1939, foi marcado por grandes transformações, especialmente na Europa. Entre as décadas de 1920 e 1930 emergem os regimes totalitários que dominariam não só a Alemanha e a Itália, mas também Portugal e Espanha. O Totalitarismo é como um regime tentacular, que age não somente no tocante à vida pública, mas na normatização da vida privada. O Estado determina o que a população pode ler, transmitir, as formas de se expressar, de vestir. De modo geral, podemos ver que, no período pós-guerra, uma crise política e econômica europeia, que se torna mais evidente na Alemanha derrotada, mas também na Itália, teve enormes perdas humanas e materiais. Países europeus mais pobres, como Portugal e Espanha também se tornaram terreno fértil para a disseminação do totalitarismo.

Na Itália, o sentimento nacionalista cultivado a partir da unificação do país, em 1870, ganhava força. O regime italiano era a monarquia parlamentarista. O parlamento estava dividido em Partido Socialista e o Partido Popular, cuja vertente era a democracia cristã e, portanto, apoiado pela Igreja Católica. As diferenças ideológicas provocavam um impasse no parlamento, impedindo a votação das grandes questões e das reformas que a Itália necessitava. Em meio a instabilidade política, é fundado o Partido Fascista, por Benito Mussolini.

Segundo o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva:

“O termo fascismo deriva de uma antiga expressão latina, fascio, que denominava o feixe de varas carregado pelos litores, na antiga Roma, e com os quais se aplicava a justiça. Dessa forma, tal símbolo foi, durante a Revolução Francesa, na Itália, utilizado pelos jacobinos, como representação de liberdade e Risorgimento, já no século XIX, como unidade nacional. Ao longo do século XIX, na Itália, assumiu o caráter de símbolo de ação política, valorizando a justiça e a igualdade. Foi assim, por exemplo, com o seu uso pelo movimento dos trabalhadores sicilianos, entre 1893-94, ou com os intervencionistas de esquerda, interessados na entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial em 1914.” (SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Os fascismos. In: ZENHA, Celeste, REIS FILHOS, Daniel Aarão e FERREIRA, Jorge (orgs.) O século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002, p. 112.)

Como podemos notar, Mussolini se apropria de um símbolo que já fazia parte da história política italiana e o utiliza para fortalecer seu partido ideologicamente. Seus militantes eram denominados de “camisas negras”, em alusão ao símbolo de vestimenta que se tornaria comum nos anos seguintes. Foi na Marcha sobre Roma, onde milhares de camisas negras confluíram para a capital italiana, exigindo que o Executivo ficasse a cargo de seu líder. Pressionado, o Rei Vitor Emanuel III cede e entrega a Mussolini o cargo de Primeiro Ministro. Em 1924, novas eleições são realizadas e os fascistas venceram. Aqueles que eram da oposição denunciavam fraude, mas foram perseguidos, presos e assassinados. Em 1929, foi assinado o Tratado de Latrão entre o Duce e o Papa Pio XI. Este tratado reconhecia a soberania do papa e fazia do Vaticano um Estado soberano eclesiástico. Rapidamente, o governo do Duce torna-se tentacular e estende-se pelas mais diversas áreas. A crise de 1929 e o colapso do sistema econômico norte-americano fizeram com que o Estado intensificasse a produção bélica e começasse uma política de expansão territorial, sobretudo, em direção à África. A Itália logo se aliaria a Alemanha, em uma aliança decisiva para os rumos da guerra que eclodiria em 1939.

Na Alemanha, após a primeira guerra, foi estabelecida a República de Weimar, que virou entre 1918 e 1933. O regime monárquico foi substituído pelo republicano e uma nova constituição foi feita, na cidade de Weimar, que daria nome ao período republicano alemão. Porém, a crise econômica deflagrava uma enorme insatisfação social. As clausulas de Versalhes inflamaram o sentimento nacionalista alemão, em uma combinação perigosa: crise e nacionalismo, da qual o regime nazista se aproveitaria para ascender ao poder. Não devemos esquecer que o país teve que pagar pesadas indenizações aos vencedores, além de ter perdido parte de seu território. Durante a década de 1920, um partido foi fundado em Munique e que começou a ganhar destaque – Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, também chamado de o Partido Nazista. Embora tenha a palavra socialista em seu nome, o Partido não carrega uma ideologia marxista e, além disso, combatia comunistas e socialistas, a quem vê como oposição ao Estado. Um de seus líderes, Adolf Hitler, prega o fim da República de Weimar e, em 1923, tenta dar um golpe de Estado na mesma cidade, em Munique.

O golpe foi um fracasso e Hitler foi preso. Na prisão, ele escreve a obra que seria a base da ideologia nazista – Mein Kampf (Mina Luta). O arianismo se tornaria fundamental durante todo o período nazista e seria um dos motivos à intensa perseguição e eliminação dos judeus do território dominado pela Alemanha. A crise de 29 piorou as condições de vida já intoleráveis na Alemanha. Em meio ao caos, a pobreza e ao desemprego, as palavras de Hitler ganharam corpo e os adeptos do nazismo cresceram em número e força política. Nas eleições de 1932, os nazistas ocuparam um grande número de cadeiras no parlamento e, em 1933, o então presidente da Alemanha, Paul von Hindemburg nomeou Adolf Hitler como chanceler, o que equivale ao cargo de primeiro ministro.

As primeiras medidas de Hitler como chanceler foram: a eliminação da oposição (socialistas, parlamentares, judeus); criação das Sessões de Segurança (SS), uma política que tinha como objetivo identificar e prender os oposicionistas; a instituição da Gestapo, constituindo em uma equipe de forças especiais. Em março de 1933, tem início o Terceiro Reich e, em 1934, falece o Presidente Hindemburg, o que permite a Hitler assumir também a presidência, sendo proclamado Führer. O racismo se torna uma política do Estado – e essa é uma das diferenças principais entre nazismo e fascismo – e tem início a perseguição aos judeus. Chamada de “solução final”, os judeus eram levados a campos de trabalhos forçados, os campos de concentração, onde eram submetidos as mais degradantes condições. Milhares perderam a vida nos campos, que se tornaram um símbolo do regime nazista.

O Estado Nazista  investiu maciçamente na produção bélica e no militarismo. Não ser um membro do partido era mal visto pelos vizinhos e havia o risco de denúncia como oposição, o que levaria, inevitavelmente, a prisão. Em 1939, a invasão da Polônia da início a Segunda Guerra Mundial e, seu término, em 1945, significaria também o fim do nazismo e do fascismo. Entretanto, nem todos os regimes terminaram ao  fim da guerra. Portugal e Espanha mantiveram seu regime até a década de 1970.

A Primeira Guerra Mundial e, em seguida, a crise de 1929, levou Portugal a uma crise econômica. Um dos temores da república era o socialismo e a possibilidade de reforma agrária, que afetaria diretamente a elite portuguesa. Deve-se lembrar que desde 1917 o Socialismo tornou-se uma ameaça na Europa devido a Revolução Russa. A intensificação da crise econômica portuguesa levou a um golpe militar na década de 1920. Em 1930, foi criado o partido União Nacional, liderado por um dos políticos que havia participado no regime militar, Antônio de Oliveira Salazar. Em 1933, a União Nacional chega ao poder e o Estado Novo passa a ser conhecido também como salazarismo, em referência ao líder deste partido. Como regime totalitário, o salazarismo era contra o liberalismo e perseguia seus opositores. Utilizou largamente a propaganda para fins políticos e foi claramente influenciado, sobretudo, pelo fascismo da Itália. Salazar deixa o poder em 1968, mas o salazarismo permaneceu até 1974, quando a Revolução dos Cravos iniciou um novo período, de abertura democrática no país.

O caso da Espanha tornou-se emblemático por envolver uma intensa guerra civil, que seria considerada um ensaio geral para a Segunda Guerra Mundial, diferente dos outros países, onde o totalitarismo se estabeleceu sem que houvesse uma guerra civil. Nos anos 30, havia duas posições políticas: os falangistas e a Frente Popular. Os falangistas eram um grupo fascista cujo líder, Francisco Franco Bahamonde, defendia o combate ao comunismo. Além da elite espanhola, Franco também era apoiado pela Igreja Católica. De forma gera, a Igreja Católica sempre se opôs ao socialismo e ao comunismo, pois estas ideologias pregam o fim da religião constituída. Por outro lado, a Frente Popular, que tinha o apoio soviético, era formada por trabalhadores, sindicalistas, comunistas e partidos de esquerda. Em 1936,  os falangistas  de Franco empreenderam um golpe de Estado, pondo fim à República Espanhola. A Frente Popular reagiu e teve início a Guerra Civil. Franco obteve apoio da Alemanha e da Itália para combater a Frente Popular. As forças aéreas alemã e italiana foram enviadas para a Espanha. Foram elas que protagonizaram o mais conhecido e trágico episódio do conflito, o bombardeio da cidade de Guernica, em abril de 1937, imortalizada na tela de Pablo Picasso. O apoio alemão e italiano foi decisivo e, em 1939, Franco toma o poder e inaugura o regime que levou seu nome, o franquismo.

 

Resumo da Aula 05 – A Segunda Guerra Mundial

Em 1919, após o fim da Primeira Guerra, teve início a uma onda de movimentos totalitários pela Europa. Em 1929, tais movimentos ganham força devido a quebra da bolsa de valores norte-americana. Em 1935, após a consolidação dos regimes alemão e italiano, tem início a uma política expansionista. A Itália tomou a Etiópia, na África. A Alemanha avançava por territórios franceses e, em nome da paz mundial, os demais países ignoravam esses movimentos.  A incapacidade da Liga das Nações em reagir demonstrou a fragilidade que a levaria à extinção. Em 1936, o apoio de Hitler e Mussolini a Franco, na guerra civil espanhola, permitiu a estes líderes perceberem o alcance de seu poder de fogo e estabelecerem sua aliança, que ficaria conhecida como Eixo Berlim-Roma. Enquanto isso, na Ásia, o avanço japonês provocaria a reação de outras potências que já disputavam a Manchúria chinesa, em especial, a União Soviética. Temorosos com a União Soviética, os japoneses se aliaram aos alemães e aos italianos, configurando o que seria chamado, na Segunda Guerra, de Eixo. Também foi assinado um pacto entre estes três países, o Anti-Komintern, cujo objetivo era impedir o avanço do Comunismo.

Outros países europeus, em especial a França e a Inglaterra, não viram com bons olhos a expansão alemã. Entretanto, com medo de um novo conflito mundial, tais países buscavam negociações e a diplomacia sem hostilidade. Como demonstração desta diplomacia, em 1938, houve a Conferência de Munique para debater sobre a situação da Checoslováquia. Neville Chamberlain da Inglaterra, Édouard Daladier da França, Mussolini da Itália e Hitler da Alemanha estiveram presentes, mas não houve nenhum representante da Checoslováquia. A Conferência cedeu o território para Alemanha e na repartição das Checoslováquia. Seria a última parte da expansão alemã e um erro diplomático que cobraria um enorme preço aos envolvidos. A cessão dos Sudetos tencionava proteger a Polônia de uma invasão Germânica. Porém, este país estava nos interesses dos nazistas que haviam perdido no Tratado de Versalhes. Com o desejo de invadir a Polônia, Hitler fez um acordo com a União Soviética, o pacto nazi-soviético (ou Ribbentrop-Molotov). Estrategicamente, Hitler estava eliminando o último entrave real à expansão nazista.

O pacto nazi-soviético foi muito perigoso. Primeiro, ambos foram obrigados a deixar para trás suas diferenças ideológicas – o nazismo era anti-socialista e anti-comunista, já a União Soviética os defendiam. De modo geral, Stalin acreditava que a vitória de Hitler ampliaria sua esfera de influência e haveria uma divisão política internacional apenas entre soviéticos e alemães. Foi naquela certeza de que não seria atacado, nesta frente, que permitiu a Hitler invadir a Polônia no ano de 1939, iniciando a Segunda Guerra Mundial.

A Polônia fora dominada em curto tempo, graças à técnica militar denominada blitzkrieg, que significa guerra-relâmpago. Com essa tática, a Alemanha conseguiu invadir e derrotar os exércitos da Dinamarca, Noruega, Bélgica e Países Baixos. Em 1940, os nazistas invadem a França e, para concretizar a vitória nazista na Europa, faltava invadir a Inglaterra. A RAF, força aérea inglesa, combatia a Luftwaffe no ar. Londres foi bombardeada e o Primeiro Ministro Winston Churchill conclamava o povo a lutar. Os londrinos foram às ruas defender a cidade.

No ano de 1941, os EUA que apoiavam os aliados com armas e suprimentos, foram bombardeados pelos japoneses em um ataque à base militar de Pearl Harbor, no Havaí. Neste mesmo ano, Hitler quebra o pacto com a URSS e invade seu território. Imediatamente, Stalin reage entrando para a equipe dos aliados que agora conta com diversos países como a Inglaterra, França, EUA e Brasil. A Itália tornou-se incapaz e rendeu-se declarando guerra à Alemanha, em 1943, com a deposição de Mussolini. No ano de 1944, no dia 6 de Junho, conhecido  como Dia D, tropas de diversas nações do mundo desembarcam na Normandia e definem o conflito. A Alemanha, obrigada a lutar em diversas frentes, não conseguia alinhar suas tropas. Em uma clara demonstração de nacionalismo, os nazistas se rendem marchando, jamais abandonando o ideal de germanismo que lhes havia sido incutido pelo Führer.

Com o conflito chegando ao fim, Franklin Rossevelt dos EUA, Winston Churchill da Inglaterra e Stálin da URSS se unem na Conferência de Yalta, com o objetivo de discutir os rumos da Europa no pós-guerra. A parte oriental da Alemanha seria zona de influência soviética e a parte ocidental, zona de influência norte-americana e inglesa. Configurava-se a Guerra Fria.

Apenas no final da Guerra, entre 1944 e 1945, à medida que as tropas aliadas avançavam, se deparavam com campos de trabalhos forçados, os campos de concentração, espalhados por todas as regiões dominadas pelos alemães. O mais famoso deles foi Auschwitz, mas estima-se que existiam outras dezenas destes campos, que foram destruídos pelos alemães ao se retirarem. Nestes campos estavam judeus, oposicionistas, comunistas, homossexuais, ciganos e todos os outros que eram considerados inimigos do regime nazista. Em relação aos judeus, a comunidade judaica internacional, horrorizada pelo genocídio, pressionou pela criação de um Estado Judaico, o que ocorreria em 1948, com a criação de Israel.

Após o Dia D, restavam Alemanha e Japão que mantinham o Eixo. Mussolini havia fugido, mas logo foi capturado pelos italianos. Em 1945, os soviéticos invadem Berlim e uma bandeira da URSS é hasteada no Reichstag, o parlamento alemão. No dia 8 de Maio de 1945, a Alemanha se rende. Hitler havia se suicidado no dia 30 de Abril, no bunker onde vivia com sua mulher e o Estado Maior alemão. O Japão foi o último país a se render e o fez de um modo trágico. Em agosto de 1945, os EUA lançaram bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, matando, instantaneamente, milhares de pessoas. Foi a única vez, na história, até o momento, que uma bomba atômica foi usada em um combate e tendo como alvo civis.

As perdas humanas estimadas em mais de 50 milhões de mortos, entre 22 milhões de russos e 6 milhões de judeus, foram algumas das mais notáveis consequências da guerra. A Europa sofreu um aumento geral de sua dívida pública com os EUA. Os alimentos foram racionados até os anos 1950, e os EUA foram obrigados a controlar rigidamente as áreas essenciais, como energia, preços, cambio e matérias-primas.

 

Resumo da Aula 06 – Guerra Fria

A divisão da Alemanha, ratificada em agosto de 1945, compreendia quatro zonas de ocupação, dividida entre franceses, ingleses, norte-americanos e soviéticos. Estava estabelecida a Guerra Fria, baseada na bipolaridade, e que consistia em uma disputa ideológica por zonas de influência entre dois blocos: EUA (Capitalista) e URSS (Socialista, liderado por Stalin). Cabe lembrar que a Guerra Fria não se restringiu a esses dois governos.

Em 1946, Winston Churchill cunhou uma expressão que seria sinônimo da ordem que se estabelecera: a Cortina de Ferro. A Cortina de Ferro referia-se ao isolamento que a URSS assumiu como postura após a Segunda Guerra. Por outro lado, há o medo de que um conflito aberto, entre EUA e URSS, significasse uma terceira guerra mundial e, desta vez, o horror de Hiroshima e Nagasaki, se repetisse em todo o planeta. Ainda que não tenha sido um conflito aberto, a Guerra Fria foi o pano de fundo para diversos outros conflitos que eclodiram nas décadas seguintes.

Em 1947, o presidente dos EUA, Harry Truman, o mesmo que autorizou as bombas em Hiroshima e Nagasaki, foi contra o avanço socialista. Truman viu no contexto da Guerra Fria, uma maneira de se afirmar na vida pública, fazendo do combate ao comunismo uma de suas principais bandeiras. Neste mesmo ano, a URSS estabeleceu o Kominform, cujo objetivo era a coordenação política dos diversos partidos comunistas na Europa e fora dela. Em 1949, foi criado o Comecon, o Conselho para Assistência Econômica Mútua, uma versão do Plano Marshall, mas para auxiliar os países socialistas, sobretudo aqueles do Leste Europeu. Devemos ressaltar que, no mundo socialista, não havia um presidente da república, mas do partido. O poder pertencia ao Partido Comunista e seu líder, neste caso, Josef Stalin. Lenin estabeleceu esta estrutura que permaneceu assim até o fim da URSS.

Em 1948, procurando formas para boicotar o lado Ocidental da Alemanha, a URSS estabeleceu um bloqueio isolando as partes oriental e ocidental. O bloqueio buscava impedir o abastecimento da parte Ocidental por meio terrestre, já que uma artilharia antiaérea significaria uma declaração de guerra. Porém, os EUA driblaram fácil o bloqueio, abastecendo a Alemanha por via aérea. Em 1961, começou a ser construído aquele que se tornaria o mais evidente símbolo de uma cisão internacional, o Muro de Berlim. O Muro de Berlim foi considerado o mais emblemático símbolo da Guerra Fria.

Nesse mesmo ano de 1948, houve um processo ao surgimento do Estado de Israel. Após a Primeira Guerra, foi criada a Liga das Nações para intermediar as relações internacionais e políticas, mas a Liga fracassou em seu intento. A prova deste fracasso é a Segunda Guerra Mundial. Mas podemos apontar diversas razões, políticas e ideológicas para a criação do Estado de Israel ter ocorrido neste período. No século XIX, o jornalista e escritor Theodor Herzl, considerado “pai do sionismo”, defendia o direito à soberania e a autodeterminação do povo judeu que para isso deveria retornar a sua região de origem a qual historicamente tinham direito. Durante o século XIX, os judeus eram muito perseguidos e, no século seguinte, Hitler sistematizou esta perseguição com o holocausto. Na Rússia também houve perseguições contra os judeus, casas e estabelecimentos pertencentes a judeus eram queimados e os judeus em si eram apedrejados. O sionismo é uma resposta a esta discriminação que existia há séculos, mas que ganhou evidência após a Segunda Guerra Mundial. Com o fim da Segunda Guerra, e com a revelação dos campos de concentração, a comunidade judaica passou a exigir, de uma forma mais contundente, seus direitos a um território, não só como uma forma de compensar a morte de 6 milhões de judeus durante a guerra, mas também como uma crítica à inércia dos países aliados sobre o massacre. Os EUA tinham uma comunidade judaica com grande influência política e que auxiliou na articulação da criação de Israel. Por outro lado, os EUA também tinham um grande interesse em formar um país que nasceria como apoio em uma região problemática. Os países do Oriente Médio, como a Palestina, não eram favoráveis às interferências norte-americanas, e ter um país judaico na região era uma estratégia de expansão importante na Guerra Fria. Logicamente, o maior opositor à criação de Israel foi a URSS. Ao final, a Palestina foi dividida entre um Estado Judeu e o outro Árabe. Tal divisão enfureceu os palestinos dando início a uma longa trajetória de conflitos, atentados e invasões que continuam até hoje.

Em 1949, os EUA criaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A OTAN era uma aliança política militar reunindo os principais países capitalistas da época, além dos EUA, Reino Unido, França, Bélgica, entre outros, compunham essa aliança. Em 1955, a URSS criou uma aliança nos mesmos termos da OTAN voltado para os países socialistas, o Pacto de Varsóvia. Quando a Alemanha foi dividida, ela foi considerada uma região desmilitarizada. Ou seja, nem os EUA e nem a URSS podiam fornecer armas e, também, nenhuma parte da Alemanha poderia constituir um exército. Quando a OTAN surgiu, as potências capitalistas quebraram este termo e passaram a estimular as forças armadas na Alemanha Ocidental. É neste contexto que o Pacto de Varsóvia surgiu.

Durante essa Guerra fria, houve um investimento maciço na indústria bélica, em ambos os blocos, o que aumentava ainda mais o clima de terror e tensão do planeta. Inovações tecnológicas, satélites espiões, agências de inteligência, espionagem industrial foram constantes dos dois lados. Também houve a corrida espacial, onde a URSS chegou perto, mas foram os EUA os primeiros a pousarem na Lua, em 1969. Na esfera cultural, o cinema americano alardava o perigo comunista em filmes como Invasores de Corpos. Os soviéticos criticavam a sociedade americana como fútil e consumista. Nos quadrinhos, o Capitão América tornou-se um símbolo de resistência derrotando o Caveira Vermelha, que personificava os soviéticos. Nas décadas de 1940 e 1950, nos EUA, o senador Joseph McCarthy deu início ao macarthismo ou Caça às Bruxas. McCarthy empreendeu uma verdadeira caçada contra os formadores de opiniões contando com a ajuda do FBI. O ator Charles Chaplin foi vítima das perseguições do senador o que o obrigou a deixar o país, acusado de ações antiamericanas.

No ano de 1949, ocorre a Revolução Chinesa. A China passara todo o século XIX sob a influência do imperialismo sendo mergulhado em diversos conflitos, sendo a Guerra do Ópio um dos mais significativos. O ano de 1911, foi o ano em que a China abandona sua monarquia e adota a República. Após a Primeira Guerra Mundial, a China estava sob ameaça do imperialismo japonês, o Partido Nacionalista – Kuomitang – era intensamente impressionado e sob estas condições cedia às investidas japonesas, que demandavam territórios, além de interferir politicamente no Estado chinês. Esta situação provocou a mobilização de vários setores nacionalistas, que promoviam marchas e manifestações em Pequim. Em 1920, influenciados pelo sucesso da Revolução Russa, foi fundado o Partido Comunista Chinês (PCC), um de seus membros foi o famoso Mao Tsé-Tung. O PCC crescia de uma forma assustadora. Em 1925, o Kuomitang passa a ser liderado por Chiang Kai-Shek, iniciando uma perseguição aos comunistas. Diante destas perseguições, Mao Tsé-Tung se refugia no interior do país, de onde organiza uma resistência ao governo do Kuomitang. Em 1931, foi proclamada a República Soviética da China.

Desde o período imperial, a China era dividida em regiões autônomas comandadas por chefes locais. Esta fragmentação manteve a China vulnerável às investidas estrangeiras. A República de 1911 tinha então, como maior desafio, construir uma unidade nacional, mas o preço desta unificação era alto. Em 1931, o Japão invadiu a Manchúria e as forças administrativas chinesas foram rompidas. Por sua vez, Mao Tsé-Tung organizava um exército formado por camponeses, estudantes e nacionalistas em geral. Seu discurso era a igualdade social e a exaltação ao nacionalismo. Entre 1934 e 1935, foi levantado a Longa Marcha onde Mao reuniu cerca de cem mil homens formando o Exército de Libertação Nacional. Tal demonstração de poder consagrou Mao Tsé-Tung como líder comunista e obrigou Chiang Kai-Shek a aceitar uma aliança com os comunistas. O objetivo era combater os japoneses. Porém, foi a derrota do Japão na Segunda Guerra que a China conseguiu se livrar do seu inimigo.

Em tempos de Guerra Fria, Chiang Kai-Shek passou a ser apoiado pelos norte-americanos. E, logicamente, a URSS passou a apoiar os comunistas chineses. O PCC acreditava que o apoio norte-americano seria uma nova forma de imperialismo e o Estado teria sido vendido ao capital estrangeiro. Com tais argumentos, o exército vermelho continuou a luta até marchar vitorioso sobre Pequim em 1949. Após a vitória, Mao fundou a República Popular da China, um regime comunista que manteve o país isolado durante décadas. Mas, nos últimos anos, a China pratica algo que denomina como socialismo de mercado, um sistema sem precedente na História, já que embora pratique o capitalismo como política externa, mantém a estrutura comunista no plano interno. Além disso, o desenvolvimento industrial fez do país um dos maiores consumidores e petróleo do mundo.

Nos finais da Guerra Fria, prevaleceu o lado capitalista como o sistema econômico regendo as relações do mercado internacional. Os EUA emergem de imediato como potência, mas não se mantém solitários nesta posição por muito tempo. Logo a Comunidade Econômica Europeia e a própria China viriam a se colocar igualmente como potências, inaugurando a era da multipolaridade, onde as esferas de influência política e econômica internacionais podem ser encontradas em diversos países, e não mais concentrada em um bloco de influência.

 

Resumo da Aula 07 – Descolonização Africana e Asiática

Durante o século XIX, o imperialismo europeu incorporou diversas possessões nestes continentes devido a questões econômica (Industrialização) e ideológica (fardo do homem branco). Esta conjuntura, que levou à Primeira Guerra Mundial, permaneceu até o final da Segunda Guerra Mundial. O caso da Índia que foi submetido aos ingleses, as duas forças políticas indianas – o Partido do Congresso (formado por hindus, em 1885) e a Liga Muçulmana, formada em 1906 – sempre fortaleceram o movimento nacionalista, que ganhou força após a Primeira Guerra Mundial através da participação política de Mahatma Gandhi, que logo se tornaria a principal figura na independência do país. Se, por um lado, a existência desses partidos lembra a possibilidade de uma autonomia política indiana, por outro evidencia a cisão religiosa – entre hindus e muçulmanos – dividindo o país. Esta cisão atuava a favor dos ingleses e, por isso, a atuação de Gandhi foi tão significativa que acaba por conciliar os interesses de autonomia tanto de hindus quanto de muçulmanos. A postura pacifista de Gandhi desestimulava os ingleses à repressão violenta, pois corriam o risco de transformá-lo em um mártir, o que só fortaleceria a causa da independência colonial. E foi esta atuação de Gandhi que obrigou a Inglaterra a conceder a independência da Índia, em 1947, e a forma pacífica permitiu aos ingleses manter seus interesses econômicos na região. Por outro lado, internamente, a cisão indiana acabou provocando o surgimento de dois países: a Índia (União Indiana), de maioria hindu; e o Paquistão, de maioria muçulmana. Sendo assim, Gandhi também foi considerado um traidor pelos nacionalistas por não combater esta divisão. E, em 1948, Gandhi foi assassinado por um radical hindu que não aceitava a formação do Paquistão.

Além da Índia, também houve conflitos em uma outra região. É o caso de Israel e Palestina. A primeira Guerra Árabe Israelense ocorre em 1948, quando a área destinada a Israel começa a ser efetivamente ocupada. Em tempos de Guerra Fria, se o Estado Judaico era aliado norte-americano, os países árabes eram apoiados pelos soviéticos. Já o caso das colônias francesas, na Ásia, foi bastante diferente do que ocorrera na Índia. Os franceses dominavam a região conhecida como Indochina, invadida pelo Japão na Segunda Guerra. A invasão japonesa motivou a reação das forças locais. O líder da resistência, Ho Chi-minh, fundou o movimento de libertação do Vietnã (que fazia parte da Indochina), denominada Vietminh, empreendendo uma guerrilha contra os franceses. A França perde a guerra e a posse da Indochina seria desmembrada em três países diferentes: Laos, Camboja e Vietnã. A independência destes países foi reconhecida em 1954, na Conferência de Genebra. Nesta mesma conferência, o Vietnã foi dividido em mais uma demonstração da Guerra Fria. O Vietnã do Norte, liderado por Ho Chi-minh, adotando o comunismo, e o Vietnã do Sul, o capitalismo. Esta cisão levaria à Guerra do Vietnã em 1965. Em 1955, ocorreu a Conferência de Bandung, na Indonésia, reunindo dezenas de países asiáticos e africanos, com o objetivo de impedir que a Guerra Fria “esquente” na região da Indochina. Pois, submeter-se à aliança a um dos blocos significaria uma nova forma de submissão a potências estrangeiras que poderia levar à dependência política e econômica.

Além disso, a África foi praticamente dividida em sua totalidade e qualquer ameaça a independência recém-conquistada era alvo de repúdio. Logo surgiu a expressão “terceiro mundo”, para se referir a estes países não alinhados. Em seguida, esta expressão se popularizou para se referir a países que ainda não haviam conseguido adquirir um grau de desenvolvimento econômico e político semelhante àquele dos países europeus e dos EUA. No século XIX, a França tomou posse da Argélia e este domínio se estendeu após a Segunda Guerra. Em 1952, houve um conflito que se acirra em 1954, com a Frente de Libertação Nacional (FLN) em confronto aberto contra os franceses que ocupavam a capital, Argel. O conflito trouxe de volta ao poder, na França, o General Charles de Gaulle, que havia sido um dos símbolos de resistência francesa ao nazismo. O general articula um plebiscito e negocia com a FLN. O resultado aconteceu em 1962, quando a maioria vota pela emancipação levando Ben Bella ao poder do novo país, a República Democrática Argelina.

O Sudão, um dos maiores países africanos, também foi marcado por intensos conflitos. Em finais do século XIX, o Sudão estava dividido entre a posse da Inglaterra e do Egito. Esta divisão também agravou uma intensa divisão entre cristãos (no Norte) e muçulmanos (no Sul). Com o fim da Segunda Guerra, o Egito viu uma oportunidade de dominar todo o Sudão, e exigiu a retirada dos ingleses do país. Após a independência, em 1956, o Sudão mergulha em uma situação de instabilidade política e conflito interno entre Norte e Sul que viria a se prolongar por mais de quatro décadas. Esta instabilidade é demonstrada através do Conflito de Darfur iniciada no século XXI. Desde 2003, disputas políticas internas no Oeste do Sudão, rico em petróleo e minérios, tem oposto grupos árabes e não árabes. Mas a questão vai muito além de religioso, assumindo contornos de conflito étnico e genocídio. Darfur foi um dos conflitos mais recentes, mas não o primeiro. E pela situação política sudanesa, dificilmente será o último.

Portugal foi um dos últimos países europeus a abrir mão de suas colônias africanas, o que só ocorre nos anos 1970 do século XX mediante a um conflito, a Revolução dos Cravos, que eclode em 1974. Esta revolução derrubou o salazarismo de Portugal e acabou libertando as colônias portuguesas, como Angola.

As independências promoveram fronteiras arbitrárias o que faz da África o único continente em que algumas fronteiras são linhas retas. Por outro lado, o mundo ocidental via na África como um bloco único, e não como regiões com culturas e sociedades próprias, provocando uma série de conflitos étnicos que resultaram em massacres, como o ocorrido em Ruanda, em 1994. Mesmo livre do jugo europeu, o continente ainda não foi capaz de resolver seus problemas internos.

 

Resumo da Aula 08 – Os Conflitos da Guerra Fria: Vietnã, Coréia e Cuba

As décadas de 1950 até 1980 do século XX foram repletos de guerras civis e crises internas, ocorridas em diversos países. Os mais emblemáticos foram: Coréia, Vietnã e Cuba.

Em 1949, com a Revolução Chinesa, o temor da expansão socialista provocou diversos conflitos na Coréia. E, em 1950, a Coréia da Norte invadiu a Coréia do Sul para unificar o país sob o regime comunista. A guerra civil se estendeu até 1953 com a morte do líder soviético, Josef Stálin, provocando alteração na política externa da URSS. Stálin foi sucedido por Nikita Khurshchev. Já nos EUA, Dwight Eisenhower foi eleito. E os dois novos líderes tentaram um acordo de paz, sem ninguém se interessar pela extensão da Guerra da Coreia. Por outro lado, durante o período imperialista, a Coreia foi invadida e ocupada pelo Japão. Os japoneses consideravam esta região estratégica, política e militarmente, além de terem interesses nos recursos locais. Com a entrada do japão na Segunda Guerra, a situação da Coreia se agravou, já que além de buscar recursos, muitos coreanos foram enviados para o exército japonês.

Já Cuba, após a sua independência no século XIX, passou a ser submetida à política norte-americana do Big Stick e da Doutrina Monroe, que justificava a intervenção dos EUA, nos países latinos, com o pretexto de manter a ordem e garantir a emancipação das ex-colônias latinas de suas respectivas metrópoles. Neste contexto, a Constituição Cubana possuía um mecanismo chamado Emenda Platt. Esta emenda permitia a presença militar dos EUA em Cuba, e quebrava a soberania do país, motivo de grande revolta entre a população cubana. Em 1933, Fulgencio Batista chega ao poder, cujo governo rapidamente assumiu o aspecto de uma ditadura. Batista não se opunha a intervenção estrangeira na ilha. Conforme a ditadura tornava-se cada vez mais opressora, iam crescendo também os grupos de resistência, normalmente, na clandestinidade. Com uma tática de guerrilha, os revolucionários foram tomando aos poucos as cidades do interior, até que, em 1958, entram vitoriosos em Havana, a capital cubana. Fulgencio se exilou em Portugal e, em seguida, na Espanha, onde faleceu em 1973. Nos anos 1950, surge um movimento guerrilheiro liderado por Fidel Castro, filho de um grande produtor de cana de açúcar, que havia estudado Direito na Universidade de Havana, onde começou a se interessar por questões políticas. Junto com o seu irmão, Raul, e com o apoio de Camilo Cienfuegos e do médico argentino Ernesto “Che” Guevara, Fidel iniciava um movimento sistemático de oposição a Fulgêncio Batista. No princípio, a Revolução Cubana deste grupo não era um movimento socialista. Che Guevara era um dos poucos que defendia a adoção deste regime em Cuba. Foi no ano de 1959 que é marcada a vitória da Revolução Cubana. Suas primeiras medidas foram a realização de uma intensa reforma agrária, além da nacionalização de diversos empreendimentos, como refinarias, usinas e indústrias, pois a maior parte desses setores pertenciam a norte-americanos. Em tempos de Guerra Fria e uma economia agrária, um embargo econômico seria uma sentença de morte. Este embargo significava que nem os EUA e nem seus aliados comprariam ou vendiam qualquer produto para os cubanos, sufocando o mercado e, por consequência, sua economia. Mas, por outro lado, a URSS recebeu Fidel de braços abertos. Foi desta forma que, em 1961, uma revolução sem pretensões socialistas, adota este regime e se coloca como aliado do bloco soviético. Ter um aliado socialista no “quintal dos EUA” era uma grande vantagem estratégica para os soviéticos. Logo, essa vantagem traria um incidente internacional – a  Crise dos Mísseis.

Já o Vietnã, que sofreu com a divisão a partir da Convenção de Genebra, onde o Sul seria comandado por Bao Dai (capitalista) e o Norte, comandado por Ho Chi Minh (Comunista), deveriam, em 1956, ser realizadas eleições livres, que novamente unificariam o país em um único regime. O presidente norte-americano Eisenhower, temendo que o país se consolidasse sob a liderança de Ho Chi Minh, enviou tropas para o Vietnã do Sul e mediante um plebiscito – que parece ter sido fraudado – colocou no poder, Ngo Dinh Diem, que apoiava abertamente os EUA. Ngo Dinh Diem logo se tornaria um ditador, cancelando as eleições e proclamando a independência do Sul. Porém, houve uma resistência interna no Sul independente, de orientação comunista, disposto a lutar contra a interferência norte-americana e pela redemocratização do país. A partir dos anos 1970, sem um avanço significativo contra o Norte, e contabilizando milhares de mortos, a derrota norte-americana era iminente. Diversos grupos protestavam abertamente contra o conflito. Feministas, hippies, músicos, intelectuais, jornalistas, formadores de opinião, levantavam suas vozes e pediam pelo fim do conflito. O Vietnã foi um dos primeiros conflitos a ter a cobertura maciça da imprensa e a divulgação das informações vindas diretamente do front revelavam o horror da guerra.

Três anos após a unificação do Vietnã, eclode, no Irã, uma guerra civil, que ficaria conhecida como Revolução Iraniana. O Oriente Médio era palco de disputa e alvo de muitos interesses, por ser a maior região petrolífera do planeta. O Irã era governado pelo Xá (monarca) Reza Pahlevi. Pahlevi favorecia os interesses norte-americanos o que provocava a oposição dos nacionalistas, que não desejavam interferências estrangeiras em sua soberania nacional. A população, insatisfeita, levou ao poder o aiatolá Ruhollah al-Khomeini no ano de 1979. Esta revolução levou ao poder o fundamentalismo islâmico, a ala radical dos muçulmanos. Logo, radicais e moderados passaram ao embate, provocando uma guerra civil. Em 1980, Saddam Hussein, líder do Iraque, invade o Irã em busca de territórios. É importante ressaltar que Hussein era apoiado pelos EUA do presidente Ronald Reagan. Este mesmo Hussein foi, anos mais tarde, acusado de crimes de guerra e retirado do poder por pressão norte-americana. A Guerra Irã-Iraque prosseguiu até os anos 1990, quando o Iraque finalmente reconheceu a posse do Irã de seu território original. Esta foi uma guerra sem vitoriosos e os dois países sofreram intensas perdas, humanas e materiais.

Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o posterior esfalecimento da União Soviética, teve fim uma das mais longas guerras da história, a Guerra Fria.

 

Resumo da Aula 09 – O Fim da URSS e a Nova Ordem Mundial

A década de 1970 foi caracterizada por uma série de acordos, objetivando, sobretudo, o controle da produção e a comercialização de armamentos entre os dois blocos envolvidos na guerra fria. Pois qualquer conflito poderia lançar mão de armas nucleares, o que seria devastador não só para os países envolvidos, mas para todo o planeta. O presidente dos EUA, no período, John F. Kennedy, foi assassinado no Texas, em 1963, por Lee Harvey Oswald. O atirador alegava ser inocente e estaria sendo incriminado somente por ter vivido parte da sua vida na URSS. Oswald foi morto enquanto era transferido para prisão. Com a morte de Kennedy, Lyndon Johnson assume a presidência. Seu governo recrudesce a participação dos EUA, na Guerra do Vietnã, empenhando no combate ao socialismo. É somente no governo do republicano Nixon, em 1968, que se inicia uma conciliação com os países comunistas, sem comprometer o bloco capitalista.

No início dos anos 1970, os EUA defende a entrada da China no Conselho de Segurança da ONU. Este Conselho foi criado em 1946, um ano depois da fundação da ONU, e é formado por 15 membros, dentre os quais apenas 5 são permanentes. Atualmente, são eles: EUA, Rússia, China, Reino Unido e França. As outras 10 vagas são preenchidas mediante eleição da Assembléia Geral e cada país pode ocupá-la por 2 anos. O apoio de Nixon à entrada da China comunista no Conselho de Segurança da ONU, demonstrou o início de um período que ficou comumente conhecido como detente (afrouxamento da austeridade política que dividia o mundo até então) e caracteriza a década de 1970. A aproximação entre China e EUA se consolidou, em 1972, com a visita de Nixon ao país, governado por Mao Tse Tung. Após a vitória do comunismo chinês e a ascensão de Mao Tse Tung ao poder, o líder comunista se referia ao Ocidente como “tigre de papel”, demonstrando que, na verdade, não havia nada a temer. O secretário do Estado norte-americano, Henry Kissinger, foi um dos principais articuladores da aproximação EUA/China e se tornou um dos maiores especialistas em política internacional na história recente. Por outro lado, a política de Nixon foi incrivelmente inovadora, já que quebrava o isolamento diplomático de décadas entre os blocos capitalista e socialista. Nixon também se encontrou com Brejnev, líder da URSS, rendendo a assinatura do primeiro SALT – Strategic Arms Limitation Talks – as conversações sobre limites de armas estratégicas, cujo termo envolve diversos tipos de armamentos, como aviões de guerra, armas nucleares e mísseis intercontinentais. No ano de 1972, Nixon caiu no “escândalo Watergate”, que obrigou-o a renunciar. Membros do Partido Republicano foram acusados de espionar o partido rival, Democrata. Watergate era o nome do complexo de prédios localizado em Washington onde abrigava a sede do Partido Democrata. Nixon foi obrigado a renunciar e esta renúncia ocorreu em 1974.

Os sucessores de Nixon, Gerald Ford e Jimmy Carter, continuaram com a política externa de Nixon. Entretanto, no governo de Ronald Reagan (1981-1989), esta política sofre alguns percalços. Em 1980, ainda na gestão de Carter, os norte-americanos boicotam as Olimpíadas realizadas em Moscou, devido a invasão soviética no Afeganistão ocorrida em 1979. Em 1984, foi a vez dos soviéticos boicotarem as Olimpíadas do mesmo ano sediadas em Los Angeles. Em 1985, Mikhail Gorbatchev assume o poder na URSS. O novo líder estabelece um conjunto de amplas reformas, fundado em dois pilares: a Glasnost (transparência) e a Perestroika (reconstrução/reestruturação). Em 1987, Gorbatchev assinou o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, implicando na destruição e controle de mísseis de médio e longo alcance. Pouco antes da assinatura do Tratado, em junho de 1987, Reagan, em visita a Alemanha, discursa pela queda do Muro de Berlim. Cabe lembrar que, ao imputar a Gorbatchev a decisão acerca da manutenção ou queda do muro, Reagan isentava os EUA da responsabilidade pela existência desta estrutura, já que, após a Segunda Guerra, o país havia apoiado a divisão da Alemanha. Em 1989, o muro caiu e surpreendeu o planeta. O ministro alemão Helmut Kohl proclamava ser aquele o início de uma Alemanha como jamais havia sido visto. Com a unificação, a Alemanha se tornava a terceira maior potência na época, atrás somente dos EUA e do Japão. A queda do muro e a adoção do capitalismo foi interpretado como a falência do regime socialista.

Apesar dos esforços de Gorbatchev, a Perestroika e a Glasnost conseguiram desagradar tanto aos socialistas radicais como aos simpatizantes do capitalismo. Para os socialistas, as medidas representavam a fraqueza do líder soviético que comprometia o regime. Para os capitalistas, tais medidas eram mudanças de pouco alcance, cujos resultados só poderiam ser vistos a longo prazo. Sem apoio, Gorbatchev viu as repúblicas soviéticas se organizarem sob uma nova bandeira, a CEI, Comunidade dos Estados Independentes, em dezembro de 1991. Logo depois da criação da CEI, no natal de 1991, Gorbatchev renunciou.

O fim da URSS implicou no término da Guerra Fria e, portanto, da bipolaridade. De imediato, os EUA emergem como potência nesta Nova Ordem Mundial, mas logo ficaria claro que, com o desenvolvimento europeu e chinês, a nova realidade seria multipolar. Os mercados mundiais passaram a ser unificados em torno do capitalismo – ainda que o socialismo e o comunismo se mantivessem em alguns países, como Cuba e China – e o processo de globalização foi acelerado.

 

Resumo da Aula 10 – Terrorismo e Política Externa Norte-Americana

Após o fim do governo Ronald Reagan, assumiu a presidência dos EUA, George H. W. Bush, cujo mandato se estendeu de 1989 a 1993. Essa foi a última gestão antes do fim da URSS e foi marcada pela Guerra do Golfo. Esta guerra eclode em 1990, mas não há uma interferência direta da Guerra Fria. Neste mesmo ano, Saddam Hussein, líder do Iraque, invade o Kuwait, rico em petróleo. Rapidamente, os EUA reagem, apoiados pelas Nações Unidas, pelo Reino Unido e pela França. Esta guerra mostrou a preocupação do Ocidente com os países do Oriente Médio, devido ao fato de estes concentrarem as maiores reservas de petróleo do planeta. A derrota do Iraque foi uma demonstração do poderio ibérico norte-americano. Apesar do enorme sucesso, a Guerra do Golfo provocou um enorme gasto financeiro. Por isso, o republicano George H. W. Bush não conseguiu ser reeleito, perdendo as eleições para o democrata Bill Clinton.

Embora a Guerra Fria trouxesse uma aparência de “passividade” às relações internacionais, logo esta realidade mostrou ser apenas ilusória. Como exemplo dessa ilusão, podemos citar os conflitos do Afeganistão. O país havia sido ocupado pela URSS, que apoiou a posse de Barbrak Kamal, em 1980. Visto como um governo que cedia aos interesses estrangeiros, cresce a resistência local pelos mujahedins (guerrilheiros) que buscam expulsar o invasor. Estes guerrilheiros eram apoiados pelos EUA, Paquistão e Arábia Saudita. Nos anos 1980, este grupo forma uma aliança levando o líder soviético Mikhail Gorbatchev a iniciar o movimento de desocupação das tropas soviéticas, concluído em 1988. A ocupação soviética levou o Afeganistão a uma guerra civil entre os nacionalistas e aqueles que defendiam o governo. Durante esses conflitos, o grupo Talibã, fundamentalistas islâmicos, ascendeu ao poder. Este grupo defendia o estabelecimento do Estado que seguisse rigidamente os princípios do Islamismo. Com a milícia talibã no poder, as mulheres foram proibidas de trabalhar fora de casa e foi restaurada a punição de apedrejamento até a morte. O adultério e o homossexualismo são considerados crimes em alguns países que professam a fé islâmica.

Paquistão e Arábia Saudita reconheceram o Talibã como o legítimo governo afegão. Medidas radicais foram tomadas, como a destruição das estátuas históricas de Buda, em 2011, considerado um patrimônio. Neste mesmo ano, em 11 de setembro, dois aviões de passageiros foram lançados contra as torres gêmeas do WTC, em Nova Iorque, no Pentágono e em Pittsburg, na Pensilvânia. Estima-se que tinha como destino a Casa Branca, em Washington, mas os sequestradores foram impedidos pelos passageiros de alcançar seu alvo. Os atentados, reivindicados pelo grupo terrorista Al Qaeda, liderado por Osama Bin Laden, deixaram milhares de mortos, quase todos civis. Tal ataque não só mudou os rumos do país, mas, também, de toda a política internacional. Foi formado uma coalizão antiterrorismo, liderada pelos EUA e apoiada pelo Reino Unido. O alvo era o Afeganistão, sede do grupo terrorista Al Qaeda. Os EUA exigiam a entrega de Osama Bin Laden para julgamento. Porém, o líder talibã, mulá Omar, recusou-se a cumprir a exigência. Esta atitude fez com que os países como Arábia Saudita e Paquistão, aliados do Afeganistão, rapidamente retirassem seu apoio e o país ficou sozinho para lutar contra a ameaça norte-americana. Em outubro de 2001, Cabul foi bombardeada e o governo talibã deposto pelas forças de coalizão. Um novo governo foi instituído, mas a guerra continuou por mais de uma década.

O presidente George W. Bush estipulou o que ficou conhecido como Doutrina Bush, uma série de princípios que justifica o combate ao terrorismo em qualquer parte do mundo. Segundo essa doutrina, os EUA podem interferir militarmente em qualquer país que considere uma ameaça terrorista ou que abrigue terroristas – como é o caso do Afeganistão. Além disso, podem depor regimes que considerem uma ameaça à segurança nacional – como no Iraque. Essa doutrina deu origem à chamada “guerra preventiva”, que busca impedir novos atentados em solo americano ou aliado.

Nos EUA existem diversos partidos, além de candidatos independentes, sem partido, que também podem ser eleitos. Mas, na prática, apenas dois partidos se revezam na presidência: republicanos e democratas. Como a eleição não é direta, e sim feita através de colégios eleitorais, Bush foi eleito sem ter recebido maior número de votos total da população. Esta eleição, ocorrida em 2000, também foi marcada por inúmeras acusações de fraude. Dessa forma, o novo presidente assume o cargo sob uma atmosfera de legitimidade, e o ataque terrorista marcou sua primeira grande atuação na presidência e garantiu sua eleição para um segundo mandato. No plano interno, foi assinado o Ato Patriótico, que cassava uma série de liberdades civis. A partir deste ato, tornou-se possível monitorar qualquer comunicação – internet, email, correios, ligações telefônicas, etc – de cidadãos americanos e estrangeiros, sem autorização prévia da justiça. Em 2004, a segunda gestão de Bush foi marcada pela guerra preventiva contra o Iraque. Além disso, houve inúmeras críticas internas contra o Ato Patriótico e, também, o furacão Katrina devastou a cidade de Nova Orleans, em 2005, mostrando uma certa inabilidade da parte do governo em lidar com as consequências naturais.

A Guerra do Iraque, que também caracterizou a segunda administração de Bush, levou a uma enorme crise financeira. Sob justificativa de que o Iraque possuía armas de destruição em massa, o país foi invadido em 2003. Bush e o primeiro ministro britânico, Tony Blair, temiam que Saddam Hussein, líder iraquiano, pudesse se constituir em uma ameaça imediata de terrorismo. Em 2003, Hussein foi deposto e, em 2006, foi condenado a morte pelos iraquianos. Mesmo após sua morte, a guerra continuou. Com efeito, em 2005, Londres sofreu um dos maiores ataques terroristas de sua História, também empreendido por fundamentalistas islâmicos. A guerra do Iraque prosseguia e, em Bagdá, foi criada a Zona Verde, uma área de não agressão, e mesmo com a cidade destruída e a ameaça terrorista aparentemente controlada, somente em 2011 o conflito teve fim.

O legado da Era Bush, além da manutenção de sua doutrina, foi uma intensa crise financeira. O investimento na indústria bélica deixou de lado questões internas, como a caótica situação da saúde. Em 2008, seu governo se encerra em meio a uma das maiores crises financeiras da História dos EUA, comparável com a Crise de 1929. As eleições seguintes deram vitória ao democrata Barack Obama, que assumiu o compromisso de sanear as finanças, desocupar o Afeganistão, acabar com o Ato Patriótico, revitalizar o sistema de saúde e fechar a base de Guantánamo. Mas, até meados de sua segunda gestão, nenhuma dessas plataformas foi cumprida. Além disso, houve uma crise no mercado mobiliário. De forma simples, Bush investia na construção de imóveis. Logo, havia mais residências que compradores, e os bancos passaram a estender seus financiamentos mesmo sem garantia de pagamento de empréstimos. Quando as pessoas passaram a não conseguir quitar seus empréstimos, os bancos retomavam estas casas e as colocavam no mercado novamente. Sem crédito, não havia como comprar imóveis, e os bancos se viram donos de diversas propriedades. Quando o Lehman Brothers, o quarto maior banco norte-americano, decretou falência, a situação já era irreversível.

 

Obrigado pessoal!

Bons estudos!

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Ola pessoal!

Nesta postagem irei apresentar um resumo das aulas da disciplina História da América II do 5o Período do curso Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

Há também o resumo História da América I do 4o período.

 

Resumo da Aula 01 – O Continente Americano nas Primeiras Décadas do Século XX e a Revolução Mexicana

A história do continente americano sempre foi marcada por acontecimentos de suma importância. O continente é formado por um conjunto de países que foram colonizados principalmente por Portugal, Espanha e Inglaterra. O processo de independência das colônias inglesas serviu de inspiração para que outras colônias também buscassem sua liberdade. As colônias da Espanha e de Portugal deram origem, em grande parte, à região conhecida como América Latina. A influência dos Estados Unidos se consolidou com a Doutrina Monroe e sua “América para os americanos” (1823).

O intervencionismo estadunidense na América Latina durante o início do século XX foi um fator sólido e se consolidou por meio de algumas ações do país na área, como a Emenda Platt, que dava aos EUA o direito de intervirem militarmente na ilha para garantir os seus interesses. Outro fator que consolidou a posição estadunidense na América Latina foi a implementação da diplomacia do dólar, criada pelo presidente William Taft. Tal diplomacia realizava empréstimos para fortalecer a dependência econômica da América Latina, iniciando o imperialismo econômico norte-americana. Um outro lance também é o interesse dos EUA em construir um canal marítimo que ligasse os oceanos Atlântico e Pacífico. As obras deram início em 1880, mas houve paradas por questões financeiras.

A primeira revolução no continente americano no século XX ocorreu no México e marcou a história das lutas camponesas na região. O México se tornou um país independente e proclamou-se república em 1824, após uma guerra empreendida contra a Espanha, sua metrópole. A história do México sempre foi envolvida em lutas pela terra, conflitos de interesses entre grandes proprietários rurais e a população camponesa, em um país eminentemente agrário e indígena, marcando uma relação de tensões que ultrapassou séculos e gerou uma sociedade cada vez mais desigual. A Revolução Mexicana foi o movimento de contestação mais violento e de maior amplitude ocorrido nas Américas. Teve, como traços peculiares, o intenso envolvimento popular, sobretudo camponês, e um processo de institucionalização que a faz presente até os nossos dias. Os EUA avançaram bastante sobre o território mexicano. A guerra entre EUA e México durou dois anos e os mexicanos foram derrotados, e tiveram que assinar o Tratado de Guadalupe Hidalgo. Com o Tratado, o México teve que ceder aos EUA o Novo México e a Califórnia por U$$15 milhões.

A questão da política interna mexicana, a aliança dos centralistas com o capital inglês acabou conduzindo ao governo do general mexicano Porfírio Díaz, que governou entre 1877 e 1910. Os três pilares do seu governo eram a grande propriedade, o capital estrangeiro e seu poder autoritário. No começo do século XX, iniciou-se um processo de contestação do governo de Díaz, desencadeando um movimento revolucionário no âmbito nacional que contou com forte adesão popular. Em seguida, Francisco Madero, um advogado que pertence a uma das famílias mais ricas do México, foi candidato à presidência para se opor à Díaz. Madero defendia a democratização e o respeito à Constituição, sendo um liberal por formação e preocupado com as liberdades políticas. No México, muitos líderes falaram em nome da revolução, que assumiu numerosas vertentes ao longo de sua história, adquirindo diferentes significados para os envolvidos.

Para a história de lutas na região, a Revolução Mexicana levantou uma bandeira que, durante muito tempo, acompanhou a América Latina: A Reforma Agrária. O alto índice de concentração de terras foi um fator marcante na região e gerou movimentos de contestação em diferentes partes.

 

Resumo da Aula 02 – Estados Unidos, Primeira Guerra, Crise de 1929 e a América Latina nas Décadas de 1930 e 1940

Nas primeiras décadas do século XX, os EUA se consolidaram como forte potência regional e, posteriormente, mundial. Os países latino-americanos inciaram o processo de mudança em sua ordenação política sobretudo em virtude do desencadeamento com uma Europa arrasada pela Primeira Guerra Mundial. Os EUA consolidaram sua prosperidade sobretudo após a Primeira Guerra Mundial, conflito que adquiriu proporções mundiais e marcou a história contemporânea, inserindo todas as regiões do planeta na lógica da guerra. A Primeira Guerra e também a Segunda Guerra, os EUA se beneficiaram do fato de estarem distantes da luta e serem o principal arsenal de seus aliados, e da capacidade de sua economia de organizar a expansão da produção de modo mais eficiente que qualquer outro.

O crescimento estadunidense se consolidou cada vez mais após a Primeira Guerra Mundial e o país viveu o “American Way of Life”, o estilo de vida americano que tornou os EUA um modelo de consumo. Os EUA adotaram uma postura isolacionista em relação à Europa, e seu crescimento econômico propiciou intensa euforia e a certeza, ainda que falsa, de uma prosperidade sem limites, marcada pelo alto grau de consumo de produtos, que rapidamente se tornaram bens de consumo. O período que antecedeu a crise foi de intensa efervescência cultural nos EUA. Era a época de jazz, embalado pelo foxtrote e pelo blues, pelas melindrosas e seu estilo solto, cabelos curtos, o boxe se desenvolvia, eram os famosos anos 1920. Então, a crise de 1929 foi causada, sobretudo, pela insistência americana em manter depois da guerra o mesmo ritmo de produção alcançado durante o conflito, quando abastecia os países envolvidos nos combates, fornecendo desde gêneros alimentícios até produtos industrializados e combustível. Com a paz, os países europeus recomeçaram a produção de bens que importavam dos EUA durante o conflito. Com isso caíram as exportações do país e o mercado interno americano viu-se abarrotado de produtos que não conseguia absorver. A solução seria reduzir a produção em determinados setores, o que provocaria séria crise econômica e social.

A crise se acirrou ainda mais, pois apenas 5% da população estadunidense detinha 35% da riqueza do país, o que demonstra a intensa disparidade que marcava os EUA. A bolsa de valores refletia esse momento sobretudo pelo fato de muitas empresas serem de capital aberto, ou seja, as ações estavam nas mãos de muitas pessoas que, alarmadas com os acontecimentos, começaram a querer vender suas ações até o momento em que começou a haver mais vendedores que compradores, o que fez com que as ações passassem a ser vendidas a preços históricos, culminando em sua desvalorização praticamente total. Muitos investidores que haviam perdido tudo se suicidaram pulando das janelas dos edifícios, ao passo que muitos pobres passaram a contar com a caridade alheia, aumentando a fila da sopa gratuita para os desempregados.

A América Latina sempre esteve na esfera da influência estadunidense através da Doutrina Monroe: “América para os americanos”. Uma grande parte do comércio empreendido pelos países latino-americanos era realizada com a Europa e outra parte com os EUA, tanto no âmbito das importações quanto no das exportações. Com a crise, todos começaram a estabelecer certo protecionismo, o que complicou bastante a vida financeira de algumas nações da América. O Brasil teve a economia afetada intensamente, pois sua balança comercial dependia das exportações do café, e os EUA eram os principais compradores. Houve um forte desequilíbrio na balança de comércio brasileira; além do café, diversos produtos agrários sofreram os efeitos da crise. A crise de 1929 também contribuiu para piorar a situação econômica de Cuba, ocorrendo a Revolta dos Sargentos, liderada por Fulgêncio Batista. Ele afastou-se do poder em Cuba durante oito anos e depois retornou, governando como ditador e contando com o apoio dos EUA. Foi derrubado pela Revolução Cubana de 1959.

Entre os anos de 1930 e 1940, a própria condução da política estadunidense para a América se modificou. A política do Big Stick (Grande Porrete) foi substituída por uma política mais amena, a de boa vizinhança, que consistia basicamente em estabelecer laços de amizade com os países da América Latina a fim de expandir cada vez mais o modelo de vida e de consumo americanos. O objetivo dos EUA era ampliar sua esfera da atuação na América Latina e, para isso, utilizou-se de todas as formas possíveis para fortalecer essa política. No Brasil, estreitou laços com Getúlio Vargas e até visitou nosso país. A América Latina se viu cada vez mais influenciada pelos estadunidenses e por sua busca de atuação internacional, o que fortaleceu a presença dos EUA em todo o continente e consolidou a política de alianças estabelecida entre os países da região.

 

Resumo da Aula 03 – O Populismo na América Latina

Segundo Angela de Castro Gomes (2011), o populismo é um fenômeno vinculado à proletarização dos trabalhadores na sociedade complexa moderna, sendo indicativo de que tais trabalhadores não adquiriram consciência de classe: não estão organizados e participando da política como classe. O populismo está igualmente associado a uma certa conformação da classe dirigente, que perdeu sua representatividade e poder de exemplaridade, deixando de criar os valores e os estilos de vida orientadores de toda a sociedade.

Para a construção do modelo populista, alguns elementos se fazem necessários, como um proletariado sem consciência de classe, uma classe dirigente em crise e um líder que possa arregimentar essas massas, transcendendo todas as fronteiras pessoais. Quando pensamos a relação do populismo como política de manipulação de massas, temos a interação entre Estado e classes populares no centro das discussões. As massas são o objeto das políticas populistas, que visam manter aquela sob controle e utilizá-las dentro do jogo político da contemporaneidade.

A Revolução Russa produziu o fantasma do comunismo, e a crise do liberalismo e da democracia após a Primeira Guerra Mundial abriu caminho para correntes de pensamento de cunho antiliberal e antidemocrático, pregando a necessidade de um Estado forte, intervencionista e capaz de promover a ordem. O fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha foram exemplos claros desse tipo de pensamento. O movimento populista também é tido como de manipulação de massas, com políticos estigmatizados como enganadores e manipuladores por promessas não cumpridas.

Octavio Ianni (1989) destaca que a natureza do governo populista está na busca de uma nova combinação entre as tendências do sistema local e as determinações da dependência econômica. No Dicionário de Política, o populismo é visto como um fator que tende a permear ideologicamente os períodos de transição, particularmente na fase aguda dos processos de industrialização. A ideia de demagogia, as promessas e o personalismo (carisma) fazem parte dos líderes populistas. Cárdenas (México) e Perón (Argentina) foram eleitos democraticamente para a presidência de seus países, enquanto Vargas assumiu o poder por meio do que denominou revolução. O principal objetivo desses líderes era fazer frente ao domínio oligárquico que havia se estabelecido em seus países. Contavam fortemente com o apoio das massas, e seus discursos eram sempre direcionados a essa classe.

Lázaro Cárdenas foi presidente do México entre 1934 e 1940. Seu principal objetivo era modernizar a economia e a sociedade mexicana. Durante seu governo, realizou a reforma agrária, uma demanda do México que vinha desde a época da Revolução Mexicana. Cárdenas também nacionalizou a exploração do petróleo mexicano, acabando com o privilégio das companhias petrolíferas estrangeiras que dominavam esse comércio no país, em sua maioria inglesas e estadunidenses. Alguns historiadores não classificam o governo de Cárdenas como populista, mas sim como um governo nacionalista e corporativista. Para obter o apoio popular, Cárdenas se remetia aos signos da Revolução Mexicana, que tinham um forte apelo no imaginário social das massas, uma vez que canalizavam as expectativas de diferentes grupos. Juan Domingo Perón governou a Argentina entre 1946 e 1955, e depois foi eleito para um novo mandato em 1973, falecendo um ano depois. Ele assumiu a Secretaria de Trabalho e ali iniciou sua consolidação na política argentina, baseando-se na inserção popular, um modo inovador de fazer política, com a participação de trabalhadores e dos sindicatos. Getúlio Vargas assumiu o poder por meio de um golpe militar em 1930 e governou até 1945. Vargas buscou consolidar-se junto aos trabalhadores e também buscou o apoio dos sindicatos, inserindo as massas na vida política brasileira. Esses três presidentes analisados caracterizam a política da América Latina de forma diferente, marcada pela inserção das massas e dos trabalhadores, que passaram a ocupar um espaço importante na vida politica dos países.

 

Resumo da Aula 04 – O Continente Americano e a Segunda Guerra Mundial

Os EUA adotaram uma postura de distanciamento em relação aos acontecimentos europeus, buscando se aproximar cada vez mais de seus parceiros latino-americanos. Com a ascensão de Franklin Roosevelt à presidência da República em 1933, houve uma reorientação da política estadunidense. O Big Stick, política estabelecida no final do século XIX, dá lugar à política da boa vizinhança. O objetivo era diminuir ainda mais a influência europeia, em especial a alemã e a italiana, na região. As décadas de 1930 e 1940 marcaram essa política de aproximação dos EUA com a América Latina por meio de uma forte massificação cultural, inserindo em todos os países da região, sobretudo no Brasil, sua cultura, seus costumes, etc. No campo político, os EUA procuraram afirmar sua soberania sobre a América formando alianças que visavam sobretudo impedir a penetração dos países fascistas e garantir a supremacia dos estadunidenses diante de seus irmãos latinos.

A Conferência de Buenos Aires, 1936, tinha a preocupação de assegurar uma defesa continental comum para a região diante de um possível conflito internacional. Essa preocupação com a segurança continental foi reforçada nas conferências seguintes, que contaram com a participação de todos os países do continente americano. A Conferência de Lima (Peru), 1938, implementou a Declaração de Buenos Aires de 1936, que instituía que qualquer ato suscetível de perturbar a paz do hemisfério dizia respeito a todos os Estados e justificavam uma consulta. Os países do eixo (Alemanha, Itália e Japão) acompanhavam atentamente os acontecimentos da Conferência de Lima. A imprensa italiana destacava que tal conferência era um sonho de Roosevelt e que não se consolidaria. Já a Alemanha dizia que era uma manifestação do imperialismo político e econômico dos EUA. Foi estabelecido a Declaração de Lima onde princípios importantes a consagração da não intervenção estrangeira nas questões continentais e, quando houvesse necessidade, a convocação de reuniões extraordinárias por qualquer país signatário da Conferência de Lima.

Após a primeira eclosão da guerra na Europa, ocorreu a 1a Reunião Extraordinária de Ministros de Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, em setembro de 1939, que apresentou alguns pontos principais: Neutralidade do Novo Mundo; Proteção de paz no hemisfério ocidental; Cooperação econômica continental. Ao final dessa reunião foram geradas algumas declarações: Declaração de Neutralidade, Declaração de Solidariedade Continental e Declaração do Panamá. A Declaração do Panamá tornou efetiva a neutralidade e a paz no continente americano e criou uma zona de segurança continental marítima no Atlântico.

A Conferência de Havana buscava posicionar o continente americano acerca dos acontecimentos internacionais, e objetivava fornecer uma visão comum acerca do contexto internacional e reforçar as decisões adotadas nas conferências e reuniões anteriores. Em dezembro de 1941, os EUA tiveram uma frota naval localizada em Pearl Harbor, no Pacífico, atacado pelos japoneses, o que gerou uma imediata declaração de guerra, mergulhando o Novo Mundo em um conflito de proporções internacionais. Foi então convocada uma nova conferência, reunida na cidade de Rio de Janeiro, em janeiro de 1942, a Conferência do Rio de Janeiro, que definiu os rumos adotados pela região no conflito. O rompimento de relações diplomáticas e comerciais de diversos países do continente americano com os países do Eixo gerou retaliações, com o afundamento de vários navios comerciais que trafegavam no Atlântico, incluindo diversas embarcações brasileiras, tanto comerciais quanto de passageiros, o que levou à entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

A participação da América na Segunda Guerra Mundial foi forte elemento de integração da região com o restante do mundo e, ao mesmo tempo, posicionou os EUA como grande potência internacional, pois sua participação na vitória dos Aliados foi de grande importância para consolidar sua posição internacional no contexto contemporâneo. Ao término da Segunda Guerra, toda a América se reorganizou e várias mudanças ocorreram. Muitos países, antes exportadores de produtos primários, iniciaram um processo de industrialização que se consolidou ao longo do tempo, refletindo-se em certas mudanças.

 

Resumo da Aula 05 – A Guerra Fria no Continente Americano

Ao fim da Segunda Guerra, a participação dos EUA e da União Soviética na vitória dos Aliados consolidou uma rivalidade que se estendeu por toda a segunda metade do século XX. Em alguns países, por causa do prestígio obtido pelos soviéticos ao término da Segunda Guerra Mundial, os partidos comunistas passaram a ganhar um pouco mais de espaço. Podemos citar aqui o Brasil, que teve seu Partido Comunista do Brasil legalizado ao término do conflito, podendo disputar cargos eleitorais. Ao fim da Segunda Guerra, a democracia passou a ser o caminho buscado pelos países em virtude de fortes pressões políticas internas e do novo rumo que estava sendo dado na região. O mundo do trabalho começou a ser fortemente controlado, e o alinhamento internacional com os estadunidenses se consolidou efetivamente, passando a ocupar um espaço central na política latino-americana em toda a segunda metade do século XX.

Com a vitória dos Aliados na guerra, houve uma expansão do comunismo em todo o mundo, com a ascensão dos partidos comunistas ao poder e sua inserção na vida política de alguns países. Cada país buscou se inserir na lógica da Guerra Fria de acordo com os seus interesses, mas é fator consolidado que a América se alinhou com os EUA, e isso fez com que o continente passasse a estar sob a ótica capitalista, buscando repelir qualquer influência soviética. Havia um forte temor do crescimento do comunismo, e era fundamental que os governos constituídos, utilizando todos os recursos necessários, conseguissem impedir esse crescimento. Houve a Revolução Cubana em 1959, liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara.

Os EUA saíram da Segunda Guerra Mundial como a mais poderosa nação da terra, pois detinham a maioria do capital de investimento, produção industrial e exportações no mundo, controlando até dois terços do comércio mundial, enquanto grandes partes da Europa e Ásia estavam devastadas. A Guerra Fria na América Latina surgiu no final dos anos 1940, quando movimentos favoráveis à mudança política e econômica surgiram em muitos países do continente e acabaram refreados ou esmagados pelas elites locais com a ajuda dos EUA. Manipulando a retórica do anticomunismo, os EUA mantiveram os países latino-americanos na esfera da influência ocidental por meio da invasão, orquestração de golpes, obstáculos à reforma social e apoio técnico e político a regimes militares repressivos.

No contexto da Guerra Fria, houve um temor muito forte de que os pensamentos e grupos de esquerda ocupassem um espaço ampliado no continente americano, o que conduziu a região a vários golpes militares em diferentes países. O principal fator que marcou a inserção da América Latina na Guerra Fria foi o estabelecimento de diversas ditaduras militares na região, sobretudo em virtude do temor do avanço da esquerda.

 

Resumo da Aula 06 – Esquerdas na América Latina

No início da Guerra Fria, os movimentos de esquerda começaram a ganhar um destaque maior no mundo, amparados em: um forte desenvolvimento da classe trabalhadora e na ascensão de movimentos reformistas em toda região; na ascensão de partidos comunistas inspirados na União Soviética. No Brasil, o Partido Comunista do Brasil se organizou em muitas regiões do país e cresceu significativamente, participando do pleito eleitoral de 1945 e obtendo 90% dos votos, elegendo 14 deputados e 1 senador, que, posteriormente, foram cassados. Na Argentina, o comunismo empreendeu uma franca retirada depois do final da Segunda Guerra, quando a ascensão de Perón mergulhou o partido em erros e confusões, principalmente ao ver no peronismo uma extensão do fascismo europeu. No caso do Chile, que na época do início da Guerra Fria possuía o partido comunista mais poderoso do continente, o partido também foi proscrito através da Lei de Defesa da Democracia, aprovada em 1948.

A instauração de ditaduras militares, em praticamente toda a região, tentava calar fortemente a esquerda e para consolidar a Guerra Fria no continente. Alguns exemplos são significativos de como a esquerda estava se posicionando: A Revolução Bolivariana (1952); A Revolução Guatemalteca (1954); A Revolução Cubana (1959). A Bolívia passou por momentos de crise e de insatisfação por parte de seu povo. Seu envolvimento com o Paraguai na Guerra do Chaco, foi por motivos econômicos e estratégicos devido à descoberta do petróleo na região dos Andes, e à necessidade da Bolívia em ter uma região de acesso ao Oceano Atlântico, o que facilitaria muito o seu comércio. Assim, em 1951, ocorrerão eleições para presidente e o MNR (Movimento Nacional Revolucionário), lançou a candidatura de Victor Paz Estenssoro. O MNR tinha como aliados os sindicatos mineiros, mas a maioria dos trabalhadores eram analfabetos e, portanto, sem direito a voto. Por outro lado, o partido recebeu o apoio de Juan Lechin, importante líder sindical, e celebrou a união da oposição de Paz Estenssoro. Mas os emenerristas não conseguiram os 50% mais 1, necessários para empossar o presidente, em eleição direta, porém, Paz Estenssoro e seus correligionários esperaram a decisão do Congresso. Pressionado pelas Forças Armadas, o então presidente Urriolagoitia fugiu do país, e uma junta militar, encabeçada pelo General Balliván, tomou o poder. Pouco tempo depois, os militares foram forçados a deixar o governo em razão de pressões populares em torno do Movimento Nacionalista Revolucionário. A 9 de Abril de 1952, o MNR se estabeleceu como governo na Bolívia.

Em 1954, a Guatemala foi alvo de uma operação militar organizada pela CIA para derrubar o então presidente eleito Jacobo Arbenz. Ao assumir o governo, uma das primeiras atitudes de Arbenz foi efetuar a reforma agrária. A reforma agrária afetava as terras não cultivadas das grandes fazendas, o que gerou confisco de terrenos das oligarquias locais. O conflito se iniciou quando o presidente tentou nacionalizar uma companhia norte-americana que existia no país, a UFCO (United Fruit Company), corporação que controlava a maior parte da agricultura do país. O governo norte-americano ficou insatisfeito com Arbenz e preparou uma reação ao governo reformista, isolando a Guatemala em toda a região da América e estimulando os governos regionais a adotarem postura agressiva contra o país. Sendo assim, a Guatemala foi invadida e o presidente foi forçado a renunciar. Após sua renúncia, o governo passou a ser uma ditadura militar liderada pelo chefe das Forças Armadas sendo considerada a primeira intervenção direta da CIA na América Latina.

Cuba é uma pequena ilha no Caribe que foi colônia da Espanha e obteve sua independência em 1898, contando com o apoio dos norte-americanos, que operava dentro da lógica “América para os americanos”. Em 1902, foi implantada a República na ilha e os norte-americanos adquiriram, através da Emenda Platt, o direito de intervir na ilha caso seus interesses estivessem ameaçados. De 1934 a 1959, a presidência da República foi ocupada por Fulgencio Batista, um militar que havia liderado a Revolta dos Sargentos, resultando na instauração de um governo provisório liderado por Ramon Grau de San Martin. A insatisfação com o governo de Batista crescia rápido. A maioria do povo vivia no campo e não contava com água encanada e nem luz elétrica, e faltava trabalho para muitos. A ilha era considerada um local de divertimento de norte-americanos, famosa por seus cassinos e bordéis. Em 1953, um jovem advogado, Fidel Castro, surge em oposição ao governo de Batista. Ainda em 1953, os companheiros de Fidel iniciaram o assalto ao quartel, que resultou em fracasso, pois houve uma grande falta de coordenação entre os grupos que fizeram parte da operação. Alguns dos companheiros foram presos, inclusive Fidel, enquanto outros faleceram na luta. Em 1955, o grupo condenado conseguiu anistia, se reorganizou e tramou uma nova investida para derrubar o governo de Fulgencio Batista. Iniciou-se então, um período de lutas de guerrilhas e, ao término do processo, em 1959, Fidel e seus companheiros obtiveram vitórias. Fulgencio Batista fugiu. Inicialmente, o novo governo de Fidel Castro foi reconhecido pelos principais países do continente. Iniciou-se a reforma agrária, a redução no preço dos aluguéis, nos livros escolares, nas tarifas de eletricidade. Um forte e amplo programa reformista foi administrado para melhorar a situação da ilha.

Nos anos de governo do Presidente Kennedy e diante do quadro gerado pela Guerra Fria, as preocupações com a América Latina e seus movimentos cresceram significativamente e, de início ele se tornou motivo de inquietações por parte dos norte-americanos.

 

Resumo da Aula 07 – Golpes Militares na América Latina

O século XX se iniciou com a Revolução Mexicana, que refletiu em uma luta de camponeses para buscar melhorias em suas condições de vida, passando pela tentativa de toda a região em se afirmar diante do cenário imposto pela primeira metade do século XX. Ocorreram também outros movimentos, principalmente nos anos 50, como a Revolução na Bolívia (1952), o golpe perpetrado na Guatemala (1954) e a Revolução Cubana (1959). Com certeza, o temor do crescimento das ideias plantadas pela Revolução Cubana, aliado ao próprio contexto da Guerra Fria, trouxe incertezas quanto ao futuro da região. Entre as décadas de 1960 e 1980, a América Latina foi alvo de uma sucessão de golpes militares. Cada país apresentou uma conjuntura interna que facilitou a tomada do poder pelos militares e isso não pode e não deve ser desconsiderado, principalmente devido ao aumento da luta de guerrilha que se espalhou pela região e começou a questionar os rumos políticos do país. Não podemos esquecer de que os partidos comunistas cresceram muito após o fim da Segunda Guerra Mundial e isso os colocou em destaque, apesar de alguns passarem por processos legais de cassação de seu registro político (caso do Partido Comunista do Brasil) ou de adentrarem em um ostracismo (caso do Partido Comunista da Argentina). Analisando ainda os golpes militares que ocorreram, é possível compreender que eles modificaram bastante a história da região, inaugurando um período de ditaduras em praticamente todos os países e consolidando um forte alinhamento com os EUA.

Na Bolívia, em 1964, foi derrubado o governo civil do Movimento Nacionalista Revolucionário, considerado herdeiro da revolução de 1952. René Barrientos Ortuño liderou as Forças Armadas nessa ação, iniciando um processo que se estendeu por grande parte da América Latina ao longo de 20 anos. O novo governo que se instaurou foi apoiado pelos norte-americanos, sendo fortemente marcado por: perseguições a lideranças populares, demissões de trabalhadores, rebaixamento de salários e perpetuamento de massacres. Barrientos morre em um acidente de avião em 1969, tendo seu governo marcado pelo assassinato de Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana e que se encontrava na Bolívia, em uma tentativa de promover ali também alguma forma de contraste ao governo que havia se instalado no país.

No Brasil, tivemos a instauração de uma ditadura militar que derrubou o governo de João Goulart. Nesse golpe, é interessante destacar o apoio norte-americano para a ação, consolidado na figura do embaixador Lincoln Gordon, que tinha estreitas relações com o palácio presidencial durante e após a orquestração do golpe de 1964. Na Argentina, em 1966, um levante organizado pelo exército e liderado por Juan Carlos Onganía, derrubou o governo civil de Arturo Illia do Partido Radical. A ditadura encarregou-se de dissipar a ilusão de uma possível volta dos peronistas e adotou algumas atitudes radicais como, por exemplo, tirar a autonomia das universidades por serem considerados o berço de ideais comunistas. O governo de Organía agiu com forte repressão a movimentações dos trabalhadores na região, atingindo seu auge com a jornada conhecida como “Cordobaço”. Depois do movimento, o governo de Ongania tornou-se enfraquecido, sendo destituído pelas Forças Armadas, sob a liderança de Roberto Marcelo Levingston, que também não deu respostas ao movimento dos trabalhadores. Devido ao fato de que as mobilizações populares colocavam em risco a estabilidade do Governo, foi efetuado um novo golpe de Estado, levando ao poder o General Alejandro Agustin Lanusse, em março de 1971, que governou até 1973. Perón decidiu articular seu retorno à política, mas quem venceu foi Hector José Cámpora. Cámpora renunciou meses depois e as novas eleições foram vencidas pela chapa Perón-Perón composta por Juan Domingo e sua esposa, Maria Estela Martinez de Peron. O presidente morreu meses depois e sua esposa assumiu a presidência, posteriormente destituída por um golpe militar perpetrado por Jorge Rafael Videla.

O Chile também foi alvo de um golpe militar que marcou os rumos políticos do país durante os anos seguintes. Em 1970, Salvador Allende foi eleito e a ultradireita chilena ficou temerosa de ter mais um governo socialista na região. Pois o governo de Allende havia se comprometido com o processo de reforma agrária e nacionalização da economia, acreditando em reformas econômicas que pudessem melhorar a vida dos trabalhadores. Então, apoiados pela CIA e chefiada pelo General Augusto Pinochet, um golpe foi articulado contra o presidente. Segundo seu médico pessoal, Allende cometeu suicídio para não se entregar, disparando contra si com uma arma dada a ele por seu amigo, Fidel Castro, um AK-47.

A América Latina foi palco de um conjunto de ditaduras que marcaram sua história e a transformaram em uma região de intensos conflitos e mortes, fator que marcou os governos militares na América Latina durante as décadas de 1960 a 1980.

 

Resumo da Aula 08 – Governos Militares na América Latina

A América Latina viveu, entre as décadas de 1960 e 1980, uma série de golpes militares que instauraram na região um clima de terror e incertezas quanto ao seu futuro político. O crescimento das ideias comunistas era uma realidade em várias regiões do mundo e isso se deveu principalmente ao fortalecimento da União Soviética no pós-Segunda Guerra Mundial.

Há quem considere o caso do Chile como a primeira experiência neoliberal da região da América Latina. Por conta dessa experiência, houve reduzida diminuição nos postos de trabalho e a repressão ao movimento trabalhista acabou por minimizar as contestações ao regime. Houve aumento significativo da pobreza, gerando um intenso retrocesso no país. Na Argentina também houve um intenso processo de perseguições que marcaram a ditadura estabelecida naquele país. Com a tomada do poder por uma junta militar que depôs a Presidente Isabelita Perón, tivemos a consolidação das ditaduras no Cone Sul e em grande parte do restante da região. Apesar da Argentina ter ficado pouco tempo sob domínio dos militares, sua história não se tornou muito diferente de outros países da região, com repressões, crescimento de dívidas, violações aos Direitos Humanos, e busca pela eliminação de opositores. O governo foi exercido por Jorge Videla, que ficou na presidência de 1976 e 1981, sendo substituído por outro general devido ao desgaste de seu governo. Como ocorreu em outros países, a economia argentina passou por crises e teve um forte aumento da corrupção, elevada a níveis muito altos e que acabou por aumentar significativamente a dívida externa do país. Entre 1976 e 1983 funcionaram na Argentina 362 campos de concentração e extermínio. Para reclamar os desaparecidos na Argentina, várias entidades foram criadas, sendo a mais famosa delas as Madres de Plaza de Mayo, surgida em 1977. As mães se reuniam nas praças todas as quintas-feiras dando voltas portando fotos de seus filhos desaparecidos.

No Brasil, a ditadura se instaurou em 1964 e se autodenominou Revolução de 1964. A ditadura no Brasil foi uma das mais longas da região, durando 21 anos e contando largamente com o apoio norte-americano para a sua consolidação, que buscava ver resguardados seus investimentos financeiros na região. O combate ao comunismo foi o principal motivador do golpe, contando com o apoio de grande parte da classe média brasileira, que posteriormente iria ver as reais intenções dos militares ao permanecerem no poder por longos anos. Após o início da ditadura, o país viu sua estrutura política ser alterada pela implantação de Atos Institucionais que passaram a reger a vida política do país: estabelecendo a censura, suspendendo as garantias constitucionais e as eleições indiretas para presidente da república e criando o bipartidarismo. Formaram-se, no Brasil, vários grupos de resistência à ditadura tais como o MR-8 e a Guerrilha do Araguaia.

Para se consolidar na América do Sul, as ditaduras militares estabeleceram uma rede de comunicação que lhes garantia obter informações e prender vítimas do esquema de repreensão conjunta organizada entre as ditaduras do Cone Sul. É a chamada Operação Condor que incluía sequestro, roubo, assassinato, tortura e desaparecimento de pessoas. Para justificar a aliança, afirmavam que era contra a subversão e o comunismo, mas na verdade desejavam minar toda e qualquer forma de resistência ao regime em todos os países que compunham a Operação Condor. A América Latina viveu um de seus períodos mais críticos e marcados pela violência, dentro de um contexto de Guerra Fria e de fragilidade das instituições democráticas, conseguindo se recuperar dos efeitos das ditaduras no governo anos depois.

 

Resumo da Aula 09 – Redemocratização na América Latina

A região da América Latina foi marcada por diversos golpes militares, que a inseriram em um período de intensa repressão e violação aos direitos humanos. A ideia de um inimigo interno e da importância de combatê-lo foi um dos pilares de sustentação dos regimes, mas em um determinado momento esse discurso perde a validade. Nos EUA, assumia o cargo de presidente Jimmy Carter, um democrata que buscou modificar a política tanto na região do continente quanto na própria história. Em seu governo, Carter tornou-se mediador no conflito entre árabes e israelenses, através do acordo de Camp David, que buscava paz entre Israel e Egito, com a devolução pelos israelenses da Península do Sinai, ocupada por eles desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Carter também estabeleceu relações diplomáticas com a China comunista, buscou estabelecer com os soviéticos um controle maior no uso de armamentos e procurou reduzir tensões políticas com Cuba. No contexto da América Latina, Carter mostrou-se favorável ao fim das ditaduras militares na região, com o objetivo de estabelecer novas políticas econômicas junto aos latino-americanos.

Na Argentina, em março de 1982, foi organizada uma grande greve, marcando forte mobilização da oposição à ditadura. O governo do ditador Jorge Videla entra em crise, principalmente devido a disputas políticas entre os próprios militares e a insatisfação desses com a condução política por Videla, e sua “inabilidade” para lidar com a situação econômica do país e com a “intranquilidade” civil. Foi substituído por Roberto Viola, chefe do Estado Maior do Exército, que adotou medidas consideradas também ineficientes e com muitos fracassos econômicos. Uma junta militar declara Viola incapaz de continuar na presidência e, pouco depois, Leopoldo Galtieri assume a presidência do país. Foi no governo de Galtieri que as Forças Armadas, em 1982, invadiram as Ilhas Malvinas, situadas a 464km da costa argentina. Um dos principais objetivos de Galtieri era unir a nação em um desejo patriótico e garantir maior apoio ao governo militar. Com a morte de soldados argentinos e a indignação popular, Galtieri foi substituído pelo general Reynaldo Bignone. A crise interna se acirrou ainda mais e a ditadura argentina entrou em colapso.

No Brasil, o fim da ditadura militar coincidiu com o momento político que toda a região vivia. As lutas operárias começaram a avançar cada vez mais e uma forte onda grevista começou a se estruturar, junto com o movimento popular pelo fim da ditadura, com manifestações públicas em todo o país. O Deputado Dante de Oliveira apresentou uma Emenda Constitucional que objetivava reinstaurar as eleições diretas para Presidente no Brasil e houve forte pressão popular para que a emenda fosse aprovada pelo Congresso. Mas a emenda foi rejeitada. A campanha Diretas Já ganhou espaço intenso na sociedade, e nas principais capitais do país as pessoas iam às ruas demonstrar abertamente sua insatisfação com a ditadura. Em 1985, foi eleito Tancredo Neves que faleceu antes de tomar a posse, assumindo o então Vice-Presidente José Sarney. Assim, o Brasil deixava para trás os governos militares, mas continuava dentro de um sistema que não garantia a participação popular na escolha do Presidente, fator que se alterou no ano de 1989, com a primeira eleição direta desde o advento dos governos militares no Brasil.

No Chile de Pinochet, pressões políticas e internacionais passaram a desmobilizar a ditadura, principalmente diante das acusações de violação aos direitos humanos, que marcou a presidência de Pinochet. A continuidade de Pinochet havia sido colocada em questão por conta das dificuldades econômicas por que o país passava. O governo de Pinochet foi marcado por intensa repressão e crueldade na forma como tratava seus opositores, o que gerou grande insatisfação com ele. Em seguida, foi eleito o presidente democrata-cristão Patrício Alwin, marcando definitivo retorno do Chile à democracia.

Vários outros países viveram o término de suas ditaduras militares, na maioria das vezes por insatisfação de suas elites econômicas e por questões políticas internas. Muitos países buscaram formas de denunciar seus criminosos e buscar a real punição para eles, empreendendo julgamentos e revelando os bastidores de um período negro na história da região, de uma violência desmedida e que custou a vida de muitos que sonharam com um país mais justo.

 

Resumo da Aula 10 – A América Latina no Século XXI

O fim da Guerra Fria marcou mudanças profundas em todo o mundo e na América Latina isso também se efetivou. A redemocratização passou a ser a palavra de ordem e assim como as ditaduras foram ascendendo em períodos diferentes, também deixaram de existir em períodos diferentes. O Consenso de Washington foi um conjunto de 10 regras formulado por economistas de instituições financeiras de Washington que tinha como objetivo ajustar a economia de países que passavam por dificuldades. As medidas foram:

  1. Disciplina fiscal;
  2. Redução dos gastos públicos;
  3. Reforma tributária;
  4. Juros de mercado;
  5. Câmbio de mercado;
  6. Abertura comercial;
  7. Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições;
  8. Privatização das estatais;
  9. Desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas);
  10. Direito à propriedade intelectual;

Na Argentina, após o governo de Galtieri, foi eleito Raul Alfonsin, pela União Cívica Radical, dando início a uma fase republicana no país e em seu governo ocorreu o julgamento da Junta Militar, em 1985, que culminou na prisão de alguns das principais lideranças da ditadura. Durante o governo de Alfonsin, a Argentina passou, assim como vários outros países da região, por uma forte crise econômica. Na América Latina, a década de 1980 ficou conhecida como a Década Perdida e gerou fortes contestações e problemas em toda a região. Outro fator importante para a desestruturação da ditadura na Argentina, foi a Guerra das Malvinas ocorrida entre Argentina e Reino Unido. A Argentina argumentava que esse território fazia parte de seu território, argumentando que a região havia sido ocupada ilegalmente.

No Chile, em março de 1990, tomou posse o primeiro presidente eleito no país após o fim de 16 anos de ditadura militar, Patrício Alwyn. Após o fim da ditadura na América Latina, o Chile se mostrou pioneiro no processo de investigação de crimes cometidos durante os governos militares, investigando criminosos por violações dos Direitos Humanos. Em 1990, o presidente Patrício Alwyn criou a Comissão da Verdade e Reconciliação e a Comissão Nacional sobre Política e Tortura, ambas para investigar o que ocorreu no país durante o período do governo militar, que culminou na prisão de vários agentes da ditadura e na abertura de investigações contra o ex-presidente Augusto Pinochet. Em 2008, foi eleita a primeira mulher a governar o Chile, Michele Bachelet. Filha de um político perseguido na ditadura chilena de Pinochet, ela lutou para equalizar ainda mais o Chile e continuar consolidando seu crescimento.

No Brasil, ainda em 1979, foi dado início ao processo de anistia aos que participaram da ditadura através da instituição da Lei da Anistia, no governo do presidente militar João Figueiredo. Quando ele deu início ao processo, imaginou-se que o país passaria por um processo de redemocratização com eleições diretas, o que somente ocorrem no ano de 1989. O término do governo de Figueiredo gerou a expectativa de eleições para presidente, mas, em 1984, foi eleito indiretamente para a presidência do país Tancredo Neves, que faleceu antes de tomar posse, sendo sucedido pelo vice, José Sarney. Cabe destacar que ao término do governo dos militares, o país atravessava fortes dificuldades financeiras e com níveis de inflação extremamente altos e, para estabilizar a economia, foi implementado o Plano Real no ano de 1994.

A América Latina procurou desenvolver-se economicamente e superar anos de atrasos, e a superação da dependência econômica foi um fator que moldou sua trajetória ao longo da primeira metade do século XX e, ainda, ao longo da segunda metade, a região lidou com os governos militares, o que marcou a trajetória da democracia na região. No plano político interno, muitos partidos políticos tradicionais haviam perdido credibilidade devido a dois fatores primordiais: O papel que ocuparam durante as ditaduras; E suas responsabilidades na crise econômica vivenciada na região durante as últimas décadas do século XX. Como estratégia do plano político externo, a América Latina buscou a formação de blocos e alianças regionais que auxiliassem na estrutura da região que são: Mercosul, Alba, APEC, UNASUL e Nafta. Dentre outros buscando a integração como forma de estruturação e desenvolvimento.

 

E é só isso! 😉

 

Bons estudos!

Marcell