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adolescentes

Para muitos, foi a melhor época. Para outros, foi um pesadelo. A adolescência é a fase de transição da infância para a vida adulta e marca o início da puberdade, também denominado de Período das Operações Formais (Piaget). A adolescência é marcada por um período de adaptações às mudanças que podem ser difíceis e desgastantes, mas também é um período cheio de entusiasmos, desafios, crescimentos, oportunidades e riscos. Tais mudanças são universais e variam de acordo com o gênero, genes, alimentação, entre outros. As meninas e as crianças mais gordas atingem a puberdade antes dos meninos e das crianças mais magras.

As mudanças nas meninas são:

  • Surto de crescimento;
  • Crescimento dos seios;
  • Aparecimento dos pelos pubianos;
  • Crescimento na altura;
  • Alargamento dos quadris;
  • Primeiro ciclo menstrual;

E nos meninos são:

  • Aparecimento dos pelos pubianos;
  • Crescimento dos testículos e do pênis;
  • Primeira ejaculação;
  • Surto de crescimento;
  • Crescimento da barba;
  • Engrossamento da voz;

Tais mudanças são provocadas por uma sequência de produção de hormônios. Porém, alguns fatores podem interferir nesta produção, podendo ser genética, físico ou estresse.

  • Genética: A influência genética é visível na menarca que é o primeiro período menstrual das meninas (entre 9 e 18 anos), visto que a idade menarca da filha está relacionada com a idade menarca da mãe;
  • Físico: Os indivíduos mais baixos tendem a entrar na puberdade mais cedo. O início se correlaciona com o acúmulo de gordura em ambos os sexos e é mais evidente nas meninas. Meninas com pouca gordura no corpo tendem a menstruarem mais tarde;
  • Estresse: Crianças sob estresse tendem a crescer mais lentamente. Os homens e mulheres adultas também são menos propensos a produzirem espermas vivos e óvulos férteis quando estão estressados.

O surto de crescimento que ocorre é um salto súbito, desequilibrado e imprevisível no tamanho de quase todas as partes do corpo, que parte para as extremidades para o centro. Os dedos das mãos e pés ficam mais longos antes das mãos e pés. E as mãos e pés crescem antes dos braços e pernas. O tronco é o último a crescer. As crianças passam a comer mais, ganham mais peso e energia para novas mudanças. Sendo assim, o surto de crescimento ocorre logo após o início do aumento do peso chegando a queimar um pouco a gordura armazenada. Logo em seguida, há o crescimento muscular que ocupa o espaço onde fica a gordura queimada. A cabeça é a última parte do corpo a obter uma forma. As orelhas, os lábios e nariz crescem antes do crânio e, as vezes, a aparência fica meio que irregular trazendo incomodo ao adolescente. E, por fim, os órgãos internos crescem, como o pulmão aumentando sua capacidade de ar para o sistema respiratório. Há também o aumento da resistência física o que exige muito fôlego como correr e dançar sem descansar. Nesta ocasião, o educador deverá analisar se um determinado exercício físico é apropriado para um determinado adolescente de acordo com o seu peso e altura, para evitar lesões.

A adolescência é um período saudável, mas há muitos riscos de outras naturezas como: DST, gravidez indesejada, suicídios, abusos sexuais, consumo de álcool e outras drogas, cabendo aos pais e ao professor nas orientações. Um outro caso são os problemas nas vias respiratórias que NÃO são comuns, pois o adolescente possui o sistema linfático que inclui amígdalas e adenoides, diminui de tamanho. Mas as glândulas sebáceas, sudoríparas e odoríferas da pele tornam-se mais ativas ocasionando no surgimento da acne e da oleosidade, além de odores no corpo. O globo ocular também pode se alongar ocasionando miopia em muitos adolescentes.

Diante desse desenvolvimento, o adolescente precisa gostar do seu corpo. Pois se ele possuir uma autoimagem negativa, pode ocasionar em um forte impacto na autoestima. Por isso, muitos adolescentes passam horas na frente do espelho preocupando-se com o seu penteado ou apenas observando o seu rosto, ou o corpo, ou como a roupa lhe caiu bem ou não, etc. Hoje em dia, na onda dos selfies e redes sociais, nem se fala…

Entretanto, o abuso sexual pode destruir completamente a autoestima do adolescente. O abuso sexual é qualquer situação que a pessoa se envolva com outra em atividade sexual, verbal ou física sem que esta última tenha dado seu livre consentimento. O adolescente que sofreu abuso pode ficar deprimido pelo resto da vida se viciando em drogas, ou tornando-se também em um agressor sexual. Além disso, o álcool, o cigarro e outras drogas prejudicam o adolescente em termos biológicos e psicossociais. O seu uso em excesso pode levar a morte. Portanto, cabe aos pais e aos professores a levantarem orientações nessas áreas.

O desenvolvimento cognitivo dos adolescentes varia, pois muitos adolescentes são egocêntricos, enquanto outros já raciocinam lógica, hipotética e teoricamente. O desenvolvimento psicossocial também variam bastante, pois os adolescentes desenvolvem suas próprias identidades, escolhendo os inúmeros caminhos sexuais, morais, políticos e educacionais. Mas os desafios de desenvolvimento são os mesmos: eles precisam se adaptar ao tamanho e forma do corpo que se modifica e as novas maneiras de pensar. As habilidades de raciocinar, de aprender e de memorizar continuam progredindo levando o adolescente a obter novas capacidades intelectuais. Com o aperfeiçoamento da memória e o processamento cognitivo, eleva o nível de cognição. Isso caracteriza a um pensamento que é capaz de raciocinar não apenas na realidade, mas também a buscar por soluções possíveis aos problemas até definir a solução real.

Assim sendo, o adolescente apresenta a capacidade de pensamento hipotético, que envolve raciocínio sobre proposições que podem ou não, refletir a realidade. Por um outro lado, as crianças utilizam um raciocínio que parte do particular para o geral (raciocínio indutivo). Já o adolescente, à medida que desenvolve a capacidade de raciocínio hipotético se torna capaz de raciocínio dedutivo, ou seja, parte de uma premissa genérica ou de uma teoria, e raciocina através de uma ou mais etapas lógicas para chegar a uma conclusão específica e, por fim, a validade de sua conclusão é testada. A dedução e o raciocínio partem do geral para o particular.

Fatores cognitivos e motivacionais podem tornar difícil para os adolescentes fazerem julgamento criterioso nas suas escolhas existenciais. O contexto social e o apoio dos educadores podem ser fatores preponderantes para essas escolhas serem mais acertadas. É necessário uma contribuição para que o adolescente possa construir seu projeto de vida. Assim ele escolherá melhor a profissão, suas relações pessoais, reduzindo as incidências de atividades sexuais, como gravidez indesejada, entre outros.

O desenvolvimento psicossocial também pode caracterizar na busca de uma identidade – “Quem sou eu?” -, e de todas as mudanças que desafia o adolescente para se autoconhecer, se autodefinir, estando alinhado com a emoção, o pensamento e o comportamento. O psiquiatra Erikson, denomina esse lance de identidade e confusão de papéis que leva a principal crise da adolescência, onde o adolescente luta para conciliar “um sentimento consciente de exclusividade individual” com o “esforço inconsciente por uma continuidade da experiência e solidariedade com os ideais de um grupo”. Os pais têm uma influência sobre o adolescente e o grupo de colegas é uma fonte de informações e incentivo.

Existe também a questão do bullying que é um comportamento altamente destrutivo de pequenos grupos de crianças/adolescentes contra uma única criança/adolescente. Segundo Berger (2003), a prevenção da criminalidade na adolescência inclui a identificação de crianças em risco, que tem poucos amigos, consomem drogas precocemente, são tiranas, maltratadas ou negligenciadas.

 

Então é isso pessoal! Fiquem longe do álcool! Fiquem longe das drogas! Diga não ao bullying! E respeitem as diferenças do seu próximo! Se for argumentar, não ofenda! Sem discurso de ódio! Fiz esta postagem tendo como base os capítulos 9 e 10 da disciplina Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, 2º Período, Licenciatura em História. Faculdade Estácio de Sá.

 

Valeu!

Marcell

Ola pessoal!

Quando mergulhamos nos assuntos a respeito do desenvolvimento humano, automaticamente analisamos as características, as individualidades, as condutas, entre outras situações dentro de cada faixa etária do ser humano. Pois, tanto a criança quanto o adolescente possuem suas características próprias da sua idade e é o que vamos analisar nesta nova postagem.

Como já vimos na Teoria do Desenvolvimento, o desenvolvimento humano possui três domínios: Biossocial (modificações do corpo e cérebro; influências sociais), Cognitivo (processos do pensamento, percepção e linguagem) e Psicossocial (emoções, personalidades e relações interpessoais). Além disso, também há os fatores que determinam tal desenvolvimento que são: Hereditariedade (influência da carga genética com o potencial do indivíduo), Meio (influências ambientais sobre os padrões de conduta do indivíduo), Maturação Neurofisiológica (padrões de comportamento; segurar e manejar um lápis, por exemplo), Altura e Estabilização do Esqueleto (comportamentos e domínio do mundo que antes não existiam) e Crescimento Orgânico (desenvolvimento físico).

 

 

anos_desenvolvimentoOS DOIS PRIMEIROS ANOS DE DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento biossocial, nesse tempo de vida, é um processo significativo.

  1. Crescimento físico demasiadamente rápido;
  2. Adoção de novos comportamentos a todo momento;
  3. Desenvolvimento de várias habilidades: sentar, levantar, caminhar, correr, tocar, agarrar, apertar, etc.;
  4. Desenvolvimento do cérebro: crescimento do tamanho, densidade e complexidade;

O desenvolvimento nos sistemas de comunicação cerebral (neurônios interligados por fibras nervosas) é o que mais se manifesta nessa fase. Vejamos o caso:

anos_desenvolvimento2

Os neurônios se comunicam enviando impulsos elétricos por meio do seu axônio aos dendritos de outros neurônios. O axônio de um neurônio encontra os dendritos de outros neurônios nas interseções chamadas sinapses. Axônios e dendritos não se tocam nas sinapses. E os impulsos elétricos acionam substâncias químicas cerebrais denominadas neurotransmissores levando informações do axônio do neurônio “emissor”, através da lacuna sináptica, para os dendritos “receptores”.

Durante o início da vida humana, ocorrem grandes impulsos de crescimento e refinamento das redes, que se tornam visíveis no córtex, camada mais externa do cérebro (massa cinzenta), responsável por controlar a percepção e o pensamento. Com o passar do tempo, tais redes de comunicação cerebral é aprimorado através da mielinização. A mielina é uma substância gordurosa protetora que acelera a transmissão de impulsos neurais até a adolescência. Tal processo de mielinização permite um controle neurológico cada vez maior sobre as funções motoras e habilidades sensoriais.

As habilidades motoras no início da vida humana, consistem apenas em reflexos e respostas involuntárias (choro, sucção, respiração, tremedeira) a estímulos, e estão relacionadas a questão de sobrevivência. As habilidades motoras se subdividem em grossas e finas. As habilidades motoras grossas envolvem movimentos grandes como correr e saltar e, as finas, envolvem movimentos curtos e precisos, como pegar um lápis. Tais habilidades fornecem para a criança novas possibilidades de explorar o mundo ao seu redor. No entanto, tal desenvolvimento pode sofrer variações dependendo do indivíduo.

A criança pequena, desde o seu nascimento, possui sensações que envolvem seus cinco sentidos, porém suas percepções são bem limitadas. Ao nascer, a audição é mais desenvolvida que a visão. A propósito, é muito importante uma nutrição adequada para o crescimento físico e o domínio das habilidades motoras.

Partindo para o desenvolvimento cognitivo da criança, o psicólogo Piaget (Teoria do Desenvolvimento) estudou seus filhos e filhos de seus amigos, e descobriu que as crianças são co-autores de suas próprias aprendizagens. Através de seus resultados, Piaget dividiu o desenvolvimento humano em diferentes períodos. Cada período caracteriza-se no que o indivíduo consegue realizar em suas respectivas faixas etárias com flexibilidade.

Um neném gudi gudi na faixa de 0 a 2 anos de idade, para Piaget, está no período sensório-motor. Que é o período onde a criança explora o mundo através da manipulação. Ela conquista tudo por meio da percepção e dos movimentos. No início, a criança reduz sua vida mental ao exercício dos aparelhos reflexos, como a sucção. Tais reflexos melhoram com o treino, pois o bebê, por exemplo, mama melhor no 10º dia de vida do que no 2º dia. Nesta fase também, ocorre o desenvolvimento físico (ósseo, muscular, neurológico) ocasionando em novas possibilidades para sentar, andar, passando a ter mais domínio no ambiente. Quando o neném chega por volta dos seus dois anos de vida, ele evolui de uma atitude passiva para uma atitude ativa e participativa. Ainda segundo Piaget, a inteligência sensório-motora desenvolve-se de seis estágios:

Estágios 1 e 2 – São os estágios do nascimento a 1 mês e de 1 a 4 meses. Se baseiam nos reflexos e nas primeiras adaptações adquiridas por assimilação e coordenação dos reflexos (sugar chupeta agora fica diferente de sugar o peito materno);

Estágios 3 e 4 – São os estágios de 4 a 8 meses e de 8 a 12 meses. É onde começa as respostas das crianças a objetos e pessoas, fazendo durar as visões interessantes, respondendo ativamente as pessoas e objetos. A criança se torna mais planejadora;

Estágios 5 e 6 – Esses dois últimos estágios correspondem aos gudis de 12 a 18 meses e de 18 a 24 meses. Esses pimpolhos agora são mais espertos, criativos com ações e ideias. Novos recursos são acionados por meio da experimentação ativa e há novos recursos por meio de combinações mentais (pensar antes de agir), sem recorrer tanto a experiência de tentativa e erro;

No desenvolvimento Psicossocial, os bebês já nascem com um certo tipo de sociabilidade, pois são capazes de expressar suas emoções de angústia, raiva, alegria, tristeza, etc. Nas 6 semanas de vida, surge o primeiro sorriso. Nos 4 meses, surge a primeira gargalhada. Nos 6 meses vem os medos. Já os 14 meses, o temor já alcança o seu auge.

 

 

anos_desenvolvimento3A CRIANÇA DE DOIS A SEIS ANOS

Piaget denomina essa fase de Estágio Pré-Operatório e tem, como característica, a linguagem e as modificações nos aspectos afetivo e social da criança. A partir desse ponto, o pensamento se desenvolve de uma forma mais acelerada. Nessa fase, a criança ainda possui dificuldades de reconhecer a ordem em que mais de dois ou três eventos ocorrem e também não possui conceito de números. E, ao final deste estágio, o “por que???” é a palavra mais pronunciada. Piaget também observou que nessa fase, a criança tende a reconhecer os seus superiores e acabam que criando um determinado respeito por eles. É o lance dos sentimentos interindividuais. A medida que amplia seu domínio no mundo, a criança amplia seus interesses por diferentes atividades e objetos. Neste período, a maturação neurofisiológica é completada permitindo o desenvolvimento de novas habilidade, como a coordenação motora fina: como pegar um lápis corretamente.

No desenvolvimento Biossocial, quando o gudi chega aos dois anos de idade, o cérebro já desenvolveu 75% e, aos sete anos, o cérebro já está completamente desenvolvido. Em consequência disto, várias áreas experimentam essa expansão, especialmente o controle e a coordenação do corpo, das emoções e do pensamento. As crianças nessa etapa, tornam-se bons em jogos que exigem raciocínio rápido seguido de uma ação deliberada, ou seja, pensar e depois agir. A partir dos quatro anos, a visão é melhorada permitindo também melhorar a coordenação entre mãos e olhos.

A partir dos 5 anos, o corpo se conecta nos dois hemisférios direito e esquerdo do cérebro, tornando a comunicação entre eles mais eficiente. A criança passa a coordenar as funções como, por exemplo, pular com um pé levantando os braços pra manter o equilíbrio. E também passa a realizar ações mais complexas como, por exemplo, pensar antes de pular, atravessar a rua quando o sinal de trânsito permitir, entre outros. A partir dos 5 anos também que a criança interliga a linguagem falada com a escrita, e é nesse período que começa o aprendizado formal – ler em voz alta, contato com as letras, escritas, papel, lápis, etc. Podendo iniciar também o ensino da aritmética.

No desenvolvimento cognitivo, Piaget também constatou que a criança nessa fase já possui a capacidade de pensar simbolicamente. Isto é, um pensamento baseado no emprego de símbolos como palavras ou objetos para representar outros objetos, comportamentos, etc. Entretanto, a criança nesse estágio ainda não pode pensar operacionalmente, ou seja, não podem desenvolver um pensamento ou ideia com princípios lógicos. Pois a criança nesse estágio possui a tendência de focalizar o raciocínio em um único aspecto, além do aspecto egocêntrico que ela carrega. Pois essa criança contempla o mundo baseado na sua perspectiva.

Vygotsky (Teoria do Desenvolvimento) considerava o desenvolvimento cognitivo como um aprendizado, pois a criança adquire habilidades cognitivas por meio da participação dirigida nas experiências sociais que estimulam o crescimento intelectual.

No desenvolvimento psicossocial, os pais e educadores têm um papel fundamental nesse desenvolvimento, pois é onde a criança começa a aprender a controlar suas emoções em relação a si, ao meio e ao outro. Entre dois e seis anos, a criança começa adotar papel de gênero. A partir deste ponto que caberá na educação da criança fortalecer, dirigir ou superar as influências e estereótipos que a biologia e a sociedade em geral, passam sobre diferenças de sexo e gênero, apesar das tendências inatas das crianças.

E é através desse lance de biologia e sociedade, sexo e gênero que foi levantado a tão polêmica “ideologia de gênero” que, particularmente, sou do contra. E, infelizmente, sou forçado a aceitar essa ideologia porque, caso contrário, posso reprovar na matéria, sabe? Mas enfim, deixemos isso de lado e vamos para o próximo tópico!

 

 

anos_desenvolvimento4O DESENVOLVIMENTO HUMANO DOS SETE AO ONZE ANOS

No desenvolvimento biossocial, a criança passa por grandes novos desafios. Pois é o momento onde suas potencialidades e fragilidades estão expostas no ambiente escolar dos primeiros anos do fundamental. A criança nessa faixa etária é muito privilegiada, pois é o tempo saudável, com menor probabilidade de falecer ou de contrair doenças graves, ou então sofrer lesões físicas. Mas também, a criança nessa faixa etária é mais consciente de suas limitações e as dos outros. A frequência escolar e o desempenho estável são aspectos importantes nesta fase.

 

Uma pesquisa levantada pelo INEP mostrou uma taxa de abandono no ensino fundamental e médio no período de 1999 à 2011. Foi constatado que a tendência de abandono na adolescência permanece maior que na faixa dos 7 a 14 anos. Isso demonstra que cada ausência da escola precisa ser vista com atenção, pois o abandono tem uma relação direta com a vulnerabilidade do adolescente, bem como a diminuição da possibilidade de ascensão social através de atividades laborais. Sem escola, o jovem perde a oportunidade de ter acesso a cultura organizada e letrada.

No desenvolvimento das habilidades envolve diversas aptidões via prática ou dimensões corporais, desenvolvimento cerebral ou talento. A coordenação entre mãos e olhos, o equilíbrio e a noção de movimento são outras capacidades fundamentais que ainda estão se desenvolvendo nos anos escolares. Crianças de 12 anos são melhores que as de seis anos em todas essas aptidões. Em questões de gêneros, os meninos possuem mais força nos braços, enquanto as meninas possuem maior flexibilidade geral. Em relação aos aspectos culturais, a política nacional também afeta o desenvolvimento das habilidades motoras. Pois, os pais, os professores, os treinadores parecem que não dão muita importância quando a criança não consegue chutar uma bola com força e com precisão como as outras crianças. É algo tido como normal. Na França e Suíça, por exemplo, as crianças geralmente possuem 3h de educação física por semana, nos EUA têm 1h e meia, na Inglaterra e Irlanda do Norte uma hora e, no Brasil, a média de duração é de duas horas semanais.

Cabe as programações educativas e esportivas incluírem todas as crianças talentosas ou não, meninas ou meninos, para que se sintam felizes. Da mesma maneira também nas habilidades finas. Uma criança pode ter uma letra mais bonita que uma outra criança. Portanto, os adultos precisam planejar um tempo extra e motivação para as crianças com menos habilidades naturais.

Para avaliar o desenvolvimento cerebral durante os anos escolares, são utilizados testes de aptidão que focalizam o uso da linguagem, da capacidade e do raciocínio. E também da memória. Tais testes são medidas de desempenho que é definido como um comportamento do sujeito apresenta em circunstâncias reais. E a aptidão é definida como um potencial inato para a aprendizagem, os denominados testes de QI (Quociente de Inteligência).

Howard Gardner, um psicólogo cognitivo e educacional norte-americano, levantou oito inteligências distintas. Segundo o autor, toda pessoa pode ter aptidão para cada tipo de inteligência, mas cada um de nós é mais forte em algumas delas do que em outras que são elas: Naturalista, Musical, Linguística, Lógico-Matemática, Intrapessoal, Interpessoal, Espacial e Cinestésica-Corporal.

Um exemplo para a teoria de Gardner é a respeito de uma pessoa que pode ser um bom escritor devido a sua habilidade linguística, mas é um desajeitado ao dirigir um carro por ter uma habilidade espacial fraca.

Baseado nessas teorias, damos de cara com problemas de atraso no desenvolvimento cognitivo que são dislexia e discalculia. A dislexia é a dificuldade relacionada a leitura. As crianças com dislexia parecem brilhantes nos primeiros anos escolares e dão até respostas espontâneas para perguntas difíceis. Mas, com o tempo, fica notório que estão lendo com grande dificuldade e chegam a adivinhar palavras tão simples e explicam o que acabaram de “ler” falando sobre figuras. Além disso, a criança também tem problema na escrita e, muitas vezes, na aritmética. Não sabendo discernir muito bem o acima e o abaixo, o direito e o esquerdo. A dislexia é a incapacidade de reconhecer que as palavras consistem de unidades menores de som, que são representadas por letras impressas. Alguns pesquisadores constataram que uma criança com dislexia utiliza uma área cerebral cinco vezes maior que a utilizada por criança que não sofrem dislexia.

Enquanto a dislexia é problema na leitura e na escrita. A discalculia é a dificuldade de realizar cálculos. Este distúrbio aparece por volta dos oito anos. A criança com discalculia pode memorizar hoje que 3+3=6 e esquecer completamente desta operação no dia seguinte. Há também o transtorno de desenvolvimento pervasivo que é a deficiência nas capacidades de comunicação e interação social e que apresenta um interesse em atividades repetitivos e estereotipados.

E também, como foi falado nos Processos Psicológicos Básicos, há o lance do TDAH (Transtorno de Hiperatividade e Déficit de Atenção). Que é o transtorno onde a criança não consegue se concentrar por mais de alguns instantes e permanece em movimento constantemente. Este distúrbio é caracterizado pelo excesso de desatenção, distração, impulsividade, baixa tolerância à frustração e também excesso de atividade no momento e no lugar errado, por exemplo, na sala de aula.

Deixando os transtornos um pouco de lado, vamos entrar agora no desenvolvimento cognitivo da criança nessa faixa etária. Pois até agora nós falamos sobre assuntos apenas voltados para o desenvolvimento biossocial e as habilidades. No desenvolvimento cognitivo, a criança já possui a capacidade de progredir constantemente em suas habilidades de processar e reter informações, utilizando planos e estratégias para ajudá-los na memorização e resgatar informações quando necessárias.

A criança passa a ter uma capacidade de pensar com lógica, pois leva múltiplos aspectos de uma situação em consideração. Mas ainda a criança é limitada a pensar em situações reais no aqui e agora. Nos estágios de operações concretas, a criança pode realizar muitas tarefas em um nível mais elevado do que no estágio pré-operacional. A criança já sabe ir e voltar da escola sozinha, e possui uma ideia da distância entre um lugar e outro, e quanto tempo leva para chegar. Além da capacidade de julgar sobre causa e efeito.

Nesta faixa etária, a criança é capaz de compreender a categorização (raciocínio indutivo) através da seriação, da inferência transitiva e da inclusão de classe. A seriação é a capacidade de dispor objeto em uma série de acordo com uma de suas dimensões. A inferência transitiva é quando a criança reconhece uma relação entre dois objetos, conhecendo-se a relação entre cada um deles e um terceiro. E a inclusão de classe é a capacidade de identificar a relação entre o todo e suas partes. Uma outra capacidade que a criança nessa faixa possui é a de conservação – onde a criança sabe a resposta sem precisar medir ou pesar o objeto. Aos seis e sete anos, muitas crianças já sabem fazer conta mentalmente e também sabem contar adiante. As crianças com sete e onze anos já aprendem os princípios lógicos e os aplicam em situações concretas (visíveis, tangíveis e reais).

Piaget classifica duas estruturas lógicas que explicam o lugar do pensamento operacional concreto, e são eles:

  • Identidade – Ideia de que certas caraterísticas de um objeto permanecem as mesmas ainda que outras caraterísticas se modifiquem;
  • Reversibilidade – É a compreensão de que às vezes uma coisa que foi modificada pode voltar ao estado original revertendo-se processo de mudança;

No desenvolvimento Psicossocial, a criança em idade escolar desenvolve uma visão multifacetada nas interações sociais. Erikson denomina época de atividade e Freud afirma ser a época das preocupações sexuais latentes. A criança passa a ter a ciência das diferenças e complexidades nas personalidades, motivações e emoções subjacentes ao comportamento dos outros. O grupo de colegas torna-se cada vez mais importante à medida que as crianças adquirem sua independência dos pais em muitos aspectos, passando a se tornar mais dependentes dos amigos em termos de ajuda, compartilhando lealdade de interesses mútuos. Logo surgem os melhores amigos, os bons amigos, e aqueles que são apenas conhecidos.

 

 

BORA RESUMIR?

Então pessoal! Por ser uma questão de prova eu tive que queimar meu teclado digitando todo esse texto. Mas não sei se vocês perceberam, eu mostrei para cada faixa etária aqui apresentada, os aspectos biossociais, cognitivos e psicossociais. Portanto, vou dar uma breve resumida nesses lances.

  • OS DOIS PRIMEIROS ANOS DE VIDA
    • Desenvolvimento Biossocial: Crescimento físico demasiadamente rápido, adoções de novos comportamentos, desenvolvimento de várias habilidades (sentar, levantar), desenvolvimento do cérebro (tamanho, densidade, complexidade, sistemas de comunicação cerebral);
    • Desenvolvimento Cognitivo: Período Sensório-Motor (Exploração do Mundo através da manipulação, percepção de objetos, Estágios de 1 à 6);
    • Desenvolvimento Psicossocial: Bebês já nascem com certo tipo de sociabilidade, pois são capazes de expressar suas emoções (raiva, alegria, tristeza, etc.);
  • AS CRIANÇAS DE DOIS A SEIS ANOS
    • Desenvolvimento Biossocial: Cérebro desenvolvido em 75%, boas em jogos que exigem raciocínio rápido, pensar e depois agir. O corpo conecta-se nos dois hemisférios do cérebro;
    • Desenvolvimento Cognitivo: Capacidade de pensar simbolicamente, mas não pode pensar operacionalmente. A criança contempla o mundo baseado na sua perspectiva pessoal;
    • Desenvolvimento Psicossocial: É o lance onde se encaixa a ideologia de gênero (sic);
  • AS CRIANÇAS DE SETE A ONZE ANOS
    • Desenvolvimento Biossocial: Novos desafios, momento onde as potencialidades e fragilidades estão expostas, tempo saudável, teoria de Gardner, problemas (dislexia, discalculia e TDAH);
    • Desenvolvimento Cognitivo: Progressão constante, capacidade de memorização, pensamento com lógica, seriação, inferência transitiva e a inclusão de classe;
    • Desenvolvimento Psicossocial: Visão multifacetada nas interações sociais, formação de grupos de colegas e de níveis de amizades (melhores amigos, amigos e conhecidos);

 

Então pessoal, terminamos por aqui mais uma postagem sobre Psicologia. Para quem ainda não se lembra do conceito de Biossocial, de Cognitivo e de Psicossocial, dá uma olhada na postagem sobre a Teoria do Desenvolvimento onde é mostrado o significado dessas etapas do desenvolvimento humano. Caso vocês encontram algum erro de digitação, eu lamento. Já está amanhecendo e eu aqui acordado. Preciso dormir.

Para montar este post, eu utilizei como base os capítulos 5, 6, 7 e 8 da disciplina Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, 2º Período, Licenciatura em História. Faculdade Estácio de Sá.

 

Valeu!

Marcell

processos_psicologicos

Ola Pessoal! Depois de ter passado a madrugada estudando a Teoria do Desenvolvimento, vamos falar agora sobre os processos psicológicos. A propósito, curtiram a imagem acima? A imagem foi tirada do game Silent Hill 2! Um game estilo terror psicológico. Se você curte terror, vale a pena ter o jogo Silent Hill em suas coleções. O que a imagem tem a ver com a postagem? Bem… é um terror PSICOLÓGICO né? Sacou? Psicologia… Não? …

Err… As provas estão chegando e eu falando de jogo! Mas, vamos lá! Nesta postagem irei falar sobre os tipos de percepção e os sentidos que fazem parte dela. Irei falar também um pouco mais da aprendizagem, da memória e também o lance do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). Ok! Então vamos!

A Percepção é a função cerebral que atribui significado aos estímulos sensoriais. Ela é composta por quatro processos que são: aquisição, interpretação, seleção e organização das informações adquiridas através dos sentidos.

A percepção pode ser sensorial ou visual. A Percepção Sensorial é o processo ativo através do qual, cada objeto percebido é colocado num mundo ordenado de espaço e tempo. É a parte onde a criança começa a discriminar, analisar e abstrair as qualidades dos objetos. Já a Percepção Visual é a interface entre o cérebro e o meio ambiente. A visão é um sistema caracterizado por milhões de células que reagem detalhadamente aos aspectos que estão ao nosso redor. Tais células respondem a cada componente da imagem como a direção, o grau de inclinação, forma, cor, através da ativação de áreas especializadas dentro do córtex visual.

Os sentidos que fazem parte da percepção são: visão, audição, olfato, paladar, tato, tempo e espaço.

  • Na visão tudo trabalha de modo relativo e interdependente. Um fator específico (cor, por exemplo) pode afetar todos os demais;
  • Na audição está a percepção dos timbres, de alturas, de intensidade sonora, rítmica e origem do som;
  • No olfato é onde engloba a discriminação de odores, diferenciação e efeito de sua combinação;
  • No paladar temos a discriminação de sabores;
  • Já o tato é o que sentimos através da nossa pele e que permite reconhecer a presença, a forma, o tamanho e a temperatura de um objeto;
  • O tempo é a percepção que temos com as durações, os ritmos e simultaneidade;
  • E o espaço é o compartilhamento de demais modalidades e utiliza elementos da percepção auditiva, visual e temporal. Através desta percepção, é possível distinguir se um som procede especificamente de um objeto visto e se esse objeto (ou som) está se aproximando ou se afastando…. OLHA O TREM AÍ, CARA!!!;

Agora, vamos analisar as imagens abaixo:

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Na imagem 1, você consegue ver uma senhora ou uma moça de perfil? E na imagem 2? Duas taças ou quatro perfis? E na última imagem (3)? Um pato ou um coelho?

Essa pesquisa foi levantada com o objetivo de avaliar o processamento visual de figuras ambíguas em indivíduos disléxicos e compará-los a um grupo de leitores normais. É o conhecido método Survey utilizado por um grupo de pesquisadores – Alonso, Lamas, Sampaio e Rehder – que selecionaram 39 estudantes da primeira a quarta série do ensino fundamental. E, deste total, 26 não apresentaram dificuldade de leitura ou mau rendimento escolar e constituíram o grupo controle. As outras 13 crianças (grupo de estudo) eram portadoras de Dislexia do desenvolvimento. Os resultados mostram que as crianças com Dislexia perceberam um número menor de figuras em relação às do grupo de controle.

Baseado nessas pesquisas, podemos ver que a aprendizagem envolve a aquisição de novos significados – a chamada aprendizagem significativa. E são necessárias três condições:

  1. O material institucional com conteúdo estruturado de maneira lógica;
  2. A existência na estrutura cognitiva do aprendiz de conhecimento organizado e relacionável com o novo conteúdo;
  3. A vontade e a disposição do aprendiz de relacionar o novo conhecimento com aquele já existente;

Esses conceitos são chamados de subsunçores, ou conceitos âncora ou de esteio. Costuma-se dizer que a aprendizagem significativa transforma o significado lógico de determinado material em significado psicológico, na medida em que o aprendiz internaliza o saber de modo peculiar, transformando-o em um conteúdo idiossincrático. O conhecimento anterior do aprendiz será alterado com essa incorporação, tornando-se mais inclusivo, e o novo conhecimento se modificará pela maneira específica como se dará a absorção do aprendiz. No entanto, quando o aprendiz obtém novas informações e consegue fazer conexões entre o material apresentado e o seu conhecimento, ele estará construindo significados pessoais para essa informação.

processos_psicologicos3Como estamos vivendo em uma era computacional, foi levantado uma certa analogia entre o conceito que o computador carrega e os tipos de memória da aprendizagem. O sistema computacional apresenta a memória como um sistema de arquivamento em três etapas:

  1. Codificação – É o processo de colocação das informações em pastas a serem arquivadas na memória. Um código ou um rótulo é anexado à informação para prepará-la para o armazenamento, para que seja mais fácil encontrá-la quando necessário;
  2. Armazenamento – Consiste em guardar a pasta no armário de arquivos;
  3. Recuperação – Ocorre quando a informação é necessária. É o lance do reconhecimento ou recordação;

Portanto, baseado nesses conceitos, podemos levantar três tipos de modelo de memória da aprendizagem:

  1. Memória Sensorial – É o ponto de entrada das informações sensoriais. Mas, sem processamento, as informações desaparecem rapidamente;
  2. Memória de Trabalho – É um depósito de curto prazo para as informações sobre as quais o sujeito está ativamente trabalhando. É nesta memória onde as informações que são codificadas e recuperadas são mantidas. Por exemplo, a criança com cinco ou seis anos costumam lembrar de dois dígitos, já um adolescente pode lembrar de seis dígitos;
  3. Memória de Longo Prazo – É a capacidade ilimitada de informações. Um executivo central controla o processamento, ordena as codificações e faz a transferência das informações para a memória de longo prazo. Esse amadurecimento ocorre entre os oito e os dez anos de idade;

Temos também o lance da metamemória que é o conhecimento que se aperfeiçoa com a idade. Entre os cinco e os sete anos, os lobos frontais do cérebro podem sofrer significativo desenvolvimento e reorganização, tornando a metamemória possível. Na 1ª série, a criança sabe que precisa estudar mais para lembrar melhor do conteúdo. E também sabe que a pessoa pode esquecer uma informação com o tempo e reaprendê-la de uma maneira mais fácil do que aprender pela primeira vez. Já na 3ª série, a criança já sabe que uma pessoa pode ter mais memória que a outra. E, somente nas séries seguintes, onde a criança tem o conhecimento de que a memória pode ser distorcida por informações de terceiros.

A partir deste ponto, vamos falar de Pensamento e Linguagem. Noam Chomsky é um filósofo norte-americano que nos mostra ser a linguagem uma propriedade da espécie humana que não apresenta nenhuma analogia com o restante do reino animal. Apenas o homem possui a capacidade de expressar através do uso de signos linguísticos e do pensamento. É o sistema responsável pela formação da história, da cultura e da diversidade.

A linguagem é um “órgão da mente” assim como o sistema visual, o aparelho digestivo, o sistema imunológico ou qualquer outro órgão de uma dotação genética específica e exclusiva da espécie humana. O LAD (Language Acquisition Device) é o estado inicial da faculdade de linguagem que é compartilhado por todos os humanos. A criança, de uma maneira inata, utiliza o LAD para interpretar os dados linguísticos aos quais é exposta (a língua que é falada ao seu redor). Cada expressão gerada pela gramática tem som e significado facilitando instruções sobre como efetuar tal pronúncia e a sua interpretação conceitual. Se chama sistemas de desempenho (performance) o conjunto de subsistemas que servem para saber como pronunciar e como compreender cada expressão gramatical.

Nos estudos da linguagem, o tio Chomsky mudou a visão de língua de “objeto externo à mente” (comportamento e seus produtos, falas, textos) para “objeto interno à mente” (mecanismos mentais envolvidos nos atos da linguagem), uma abordagem mentalista que se propõe a estudar um objeto real no mundo, o cérebro, em seus estados e funções.

A partir dessas teorias, entramos no assunto do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). Esse tipo de transtorno repercute na vida da criança e do adolescente levando a prejuízos em muitas áreas, principalmente em meios acadêmicos e relações interpessoais. Embora não seja imprescindível para o diagnóstico, a pessoa portadora frequentemente apresenta suas queixas. As repercussões do mau desempenho escolar na vida do aluno com TDAH, como necessidade de turmas especiais, sofrimento pessoal e familiar, além da influência da vida adulta, justificam o investimento no diagnóstico e manejo precoce do problema.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é chamado as vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). – ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção)

Alguns pesquisadores levantam dados da literatura para revisar a respeito da relação entre desempenho escolar e o TDAH com o objetivo de fornecer informações aos profissionais da área de saúde. Outros pesquisadores analisam a relação da cognição com a música, objetivando lançar novas perspectivas para uma ideia a muito tempo presente na Psicologia, de que a atividade musical pode apresentar melhorias para o desenvolvimento emocional e cognitivo da pessoa. Infelizmente, algumas dessas ideias tem lá suas desvantagens, pois a música também pode levar à frustração e ao adoecimento tanto físico como psíquico.

Realmente, tais pesquisadores que exploram a música, aplicam diferentes estratégias com intensos estudos para resolverem determinados problemas. No estudo de um determinado instrumento musical, por exemplo, há a preocupação com a criação de uma regra capaz de permitir a execução de uma passagem do começo ao fim como uma unidade. O conhecimento torna-se procedimental e envolve uma redução de verbalização na medida em que a automatização aumenta. Já a memória procedimental acaba que codificando planos de ação. Assim, o objetivo de tocar uma sequencia musical torna-se uma fonte de ativação, que vai de encontro às regras de produção orientando a ação como um todo, prescindindo da ação dirigida. Na música, os problemas são caracterizados como mal definidos, permitindo que muitas respostas possam ser consideradas corretas, dependendo de perspectivas específicas.

A escolha estratégica de estudos parece ser por meios de peças particulares para os músicos. Estes são até um certo ponto cognitivos, mas parecem interagir com respostas intuitivas sobre o que sabemos muito pouco. Isto nos leva a investigar o conhecimento em um outro nível cuja natureza pode ser mais afetiva do que cognitiva. Devido as suas demandas físicas, afetivas e cognitivas, a aprendizagem da música instrumental talvez seja uma das mais complexas aventuras humanas, o que certamente tem implicações para o desenvolvimento cognitivo, cujos limites ainda não somos capazes de apontar.

 

Mais uma vez obrigado pela atenção, pessoal. Para a montagem desta postagem, utilizei como base o capítulo 3 e o capítulo 4 da disciplina Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, do curso Licenciatura em História. Faculdade Estácio de Sá.

Valeu!

Marcell

teoria_desenvolvimento

Boa noite, pessoal!

Venho por meio deste post falar sobre a teoria do desenvolvimento que é um assunto interessante voltado para a área da Psicologia! Em primeiro lugar, a Psicologia nada mais é que uma ciência que analisa a mentalidade e o comportamento humano e também dos animais. Quando falamos em mentalidade, estamos mencionando também os nossos sentimentos, os nossos pensamentos e o nosso método de raciocínio.

PiagetPara começarmos com essa teoria, vamos falar sobre Jean Piaget. Piaget nasceu em 1896 em Neuchatêl (Suíça) e faleceu em 1980 em Genebra. Ele fez biologia e se dedicou na área de psicologia, epistemologia e educação. Piaget foi o cara que revolucionou os estudos sobre a inteligência e o desenvolvimento cognitivo na história da Psicologia. Logo de início, suas pesquisas foram baseadas através da observação e de entrevistas realizados com crianças já investigando a natureza e a gênese do conhecimento, seus processos e estágios de desenvolvimento.

Piaget levantou duas questões distintas da Psicologia que são o desenvolvimento geral e a aprendizagem. A propósito, alguns psicólogos ou pesquisadores da área alegam que desenvolvimento geral e aprendizagem é tudo farinha do mesmo saco. Mas Piaget mostrou que há uma grande distinção entre essas duas questões. Vejamos:

Desenvolvimento Geral – Segundo Piaget, o desenvolvimento do conhecimento é espontâneo e está ligado em um processo de embriogênese. A embriogênese é o desenvolvimento do corpo, do sistema nervoso e das funções mentais que só termina na vida adulta. Para Piaget, tal desenvolvimento se relaciona com o biológico e psicológico, ou seja, é uma totalidade de estruturas do conhecimento.

Aprendizagem – Já a aprendizagem é o oposto do desenvolvimento. Para Piaget, a aprendizagem é provocada por desafios através de um experimentador psicológico, ou um professor, ou alguma outra situação de desafios extremos. Ou seja, ao contrário do desenvolvimento, a aprendizagem é provocada como oposta ao que é espontâneo.

Tais ideias levantadas por Piaget acabam que refutando a teoria que mostra ser o desenvolvimento como uma soma de unidades de experiências de aprendizagem. Portanto, para Piaget, ao invés da aprendizagem ser um elemento que explica o desenvolvimento, ela é formada por cada elemento que ocorre como uma função do desenvolvimento total sem desvalorizar a essência do processo do desenvolvimento. De uma forma bem resumida, Piaget dizia que o desenvolvimento explica a aprendizagem e não o contrário.

Para aprimorar essa ideia de desenvolvimento do conhecimento, Piaget baseou-se em uma operação. A operação, para Piaget, é um grupo de ações que modifica o objeto, e possibilita ao sujeito do conhecimento em alcançar as estruturas da transformação. Para conhecer um objeto, por exemplo, não é somente observá-lo. É preciso agir sobre ele.

Desde então, partiremos para o estudo do desenvolvimento. Este estudo tem como objetivo em levantar teorias sobre as modificações humanas no decorrer dos estágios da vida.

Durante o ambiente escolar, é dever do educador em conhecer o aprendiz, seu nível de desenvolvimento e limitações para estabelecer relações interpessoais favoráveis de troca, assim como elaboração e testagem de hipóteses. Dessa maneira, a Psicologia contribui para a humanização nas ações escolares oportunizando o pleno desenvolvimento e o aprendizado aos participantes. Portanto, para conhecer a criança, será necessário analisar a sua saúde (biossocial), sua curiosidade (cognitivo) e seu temperamento (psicossocial).

Biossocial – É o crescimento e as modificações que ocorrem no corpo da pessoa envolvendo questões de genéticas, nutricionais e de saúde. Além também das habilidades motoras, fatores sociais e culturais.

Cognitivo – São os processos mentais para obter conhecimento ou ter a conscientização do ambiente. É a percepção, imaginação, discernimento, memória e linguagem.

Psicossocial – É o desenvolvimento das emoções, do temperamento e das habilidades sociais. É o lance que também envolve as influências da família, dos amigos, entre outros.

As pesquisas de desenvolvimento é sempre baseadas nas mudanças ao longo de um período. Entretanto, nem sempre essas mudanças são diretas, podendo ocorrer de outras maneiras. Portanto, será necessário um projeto que visa analisar o tempo ou a idade como fatos. Dessa maneira, um projeto de pesquisa pode ser realizada com análises transversais ou longitudinais, ou então com os dois métodos (transequencial).

Transversal – Onde o grupo de pessoas diferem em idade, mas compartilham outras características importantes, como nível de instrução, condições sócio-econômicas, formação étnica, onde são comparadas em relação à variável que esteja sob investigação.

Longitudinal – O pesquisador compara informações sobre as mesmas pessoas em diferentes idades, eliminando os efeitos das variáveis relativas a formação, mesmo aquelas das quais o pesquisador é consciente. O método é útil no estudo do desenvolvimento durante um longo espaço de tempo. Tais pesquisas repetidas podem revelar não só o grau, mas também o processo dessas modificações.

Transequencial – Conhecida como sequencial por corte ou por tempo. O pesquisador estuda vários grupos de pessoas de idades diferentes (abordagem transversal) e depois acompanham esses grupos longitudinalmente.

Apesar dos estudos científicos relacionados ao desenvolvimento humano seja através da divisão de domínios, o desenvolvimento em si não se divide em partes. Tais divisões tem apenas como objetivo à didática. Essas teorias aqui analisadas tem levantado ideias do senso comum e da contemporaneidade. Essas teorias são divididas em dois grupos:

1º Grupo de Teorias: A psicanálise de Freud e a versão de Erikson sobre esta base teórica; o behaviorismo da aprendizagem; e as teorias que as pessoas procuram conhecer experiências no processo que forma conceitos estratégicos cognitivos;

2º Grupo de Teorias: Contribuições apresentadas pelas teorias sociocultural e epigenética para ampliar a compreensão acerca das visões teóricas sobre o desenvolvimento humano.

freudNa psicanálise de Freud, ao falar de desenvolvimento humano, ele mostra os impulsos e motivos intrínsecos que ocorrem de uma maneira irracional e inconsciente. Freud relata que o desenvolvimento nos seis primeiros anos, ocorre em três fases de acordo com o interesse e o prazer sexual concentrados em uma determinada parte do corpo. Tais fases são: Fase Oral (0 a 1 ano), Fase Anal (1 a 3 anos) e Fase Fálica (3 a 6 anos). Após essas três fases ocorre um interlúdio – entre os 7 e 11 anos – denominado latência. Por volta dos 12 anos a pessoa entra na fase genital.

As emoções para cada fase, segundo Freud, permanecem como forças poderosas, mas de uma maneira oculta na personalidade adulta. Pode ser até uma parte do legado inconsciente da infância, pois Freud dizia que a maneira como a pessoa resolve os problemas ou os suporta na infância, determinaria sua personalidade e seus padrões de conduta durante toda a vida.

Erik Erikson, um psiquiatra seguidor de Freud, reconhece a importância das forças inconscientes e irracionais, mas considera as fases que Freud sugeriu como insuficientes. Para suprir tais fases (Oral, Anal e Fálica) de Freud, Erikson levantou oito fases de desenvolvimento que cobrem todos os estágios da vida. Cada fase é caracterizada por uma crise de desenvolvimento que precisa ser resolvida. Essas fases são:

  1. Confiança x Desconfiança;
  2. Autonomia x Vergonha e Dúvida;
  3. Iniciativa x Culpa;
  4. Diligência x Inferioridade;
  5. Intimidade x Isolamento;
  6. Generatividade x Estagnação;
  7. Identidade x Confusão de Papéis;
  8. Integridade x Desesperança;

Baseado nessa teoria de Erikson, a solução de cada crise depende da interação do indivíduo e o suporte oferecido pelo ambiente social.

Logo em seguida, surge a visão behaviorista entrando em guerra com a teoria psicanalítica. O psicólogo John B. Watson, principal representante behaviorista, era contra as teorias de Freud, principalmente as ideias de impulsos e os fatos dos quais o paciente só conseguia se lembrar anos depois de sondagens psicanalíticas, sonhos ou manifestações disfarçadas. Para Watson, a análise do comportamento é o método muito mais objetivo e científico.

Os teóricos behaviorista nos ensinam que o desenvolvimento envolve um processo de aprendizagem e, portanto, não ocorre só em determinadas fases que dependem da idade e do amadurecimento. O behaviorismo da aprendizagem focam os meios pelos quais as pessoas aprendem comportamentos específicos.

Também temos a teoria da aprendizagem que analisa o estímulo e a resposta. É o lance da ação e reação. A aprendizagem é baseada em condicionamento podendo ser clássico ou operante.

Condicionamento Clássico – A aprendizagem se dá por meio de associações e o estímulo neutro torna-se um estímulo condicionado;

Condicionamento Operante – O reforço promove a aprendizagem de forma que respostas fracas ou raras tornam-se fortes ou frequentes;

Outro conceito é a aprendizagem social onde os comportamentos analisados são copiados por meio da modelagem.

Temos também, já falado anteriormente, a teoria cognitiva. Essa teoria foca no pensamento e no conhecimento, analisando suas estruturas e processos. Para o Piaget, há quatro períodos de desenvolvimento cognitivo que são: Sensório Motor, Pré-operacional, Operacional Concreto e Operacional Formal. Assim sendo, a adaptação cognitiva ocorre de uma forma assimilada ou acomodada. A assimilação é a representação de novas experiências de modo que se ajustem às ideias antigas. Já a acomodação é a modificação de ideias antigas de modo tal que possam acomodar as novas.

Em seguida, temos o cientista bielorrusso chamado Lev Semenovitch Vygotsky que levantou uma teoria sociocultural que analisa o desenvolvimento humano em termos da orientação, do suporte e da estrutura proporcionados pela cultura. Baseado nesta teoria, o educador deve atuar como mentor que orienta o aprendiz através da zona de desenvolvimento proximal. Segundo Vygotsky, as sociedades e as culturas se modificam quando os indivíduos escolhem qual conhecimento deve ser passado adiante. A zona de desenvolvimento proximal é a distância entre o nível atual de desenvolvimento da criança, determinado pela sua capacidade atual de resolver problemas individualmente e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de problemas sob orientação de adultos ou daqueles de maior capacidade.

Temos também a teoria dos sistemas epigenéticos onde a observação começa nos genes que são poderosos e onipresentes, potencialmente afetando todos os aspectos do desenvolvimento. Esta visão enfatiza os primeiros anos do desenvolvimento humano onde há diversos impulsos e reflexos que ajudam a garantir a sobrevivência. No que se refere à relação natureza-criação enfatiza que a natureza inicia o processo e a criação o afeta por meio de hormônios, enzimas, toxinas e adaptação seletiva.

 

Bem, pessoal! Obrigado pela atenção e desculpem pelo texto enorme para quem tem preguiça de ler! As provas estão chegando e eu estou pirando! Para realizar esta postagem, utilizei como base os dois primeiros capítulos da disciplina Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem (Faculdade Estácio de Sá). Teremos mais postagens sobre Psicologia.

 

Até mais!

Marcell