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Ola pessoal!

Nesta postagem irei apresentar o resumo das aulas da disciplina História Contemporânea II do 6o período do curso de Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

 

Resumo da Aula 01 – A Primeira Guerra Mundial

Para entendermos a Primeira Guerra Mundial ocorrida em 1914 à 1918, temos que voltarmos ao panorama político e econômico da Europa no século XIX. A industrialização desenvolveu uma nova demanda, tanto de mercados consumidores quanto de matérias-primas, fazendo com que a Europa voltasse para os continentes que ainda não haviam se industrializados – Ásia e África. A partir desse momento surge o Imperialismo, uma política de colonização que caracterizaria toda a segunda metade do século XIX e estaria ligada aos confrontos da Primeira Guerra Mundial.

As grandes potências Europeias, como a Inglaterra, a França, a Rússia e a Alemanha, tinham seus processos industriais e política imperialista bem diversificadas, por diferentes motivos. A Inglaterra aproveitou por um longo tempo sua supremacia econômica e marítima, mas logo foi ameaçada pela Alemanha, cuja unificação, em 1871, transformara em um império forte cuja indústria baseava-se na formação de carteis. Investindo na indústria pesada e estimulando a associação entre os bancos e as indústrias, a Alemanha deu um salto de desenvolvimento. A construção de uma intensa malha ferroviária tornou o país economicamente ágil e mais integrado.

No caso francês, a industrialização voltou-se para os produtos de luxo, já que havia uma tradição em remeter a França como lugar de civilidade e sofisticação. O mercado francês era único e não entrava em concorrência com os ingleses. Já a Rússia, embora tivesse uma pequena industrialização, a maioria de sua população era camponesa. O sistema de governo era monarquia czarista, totalitária e centralizadora. Era uma potência muito mais pelo seu tamanho e contingente populacional do que, propriamente, por questão bélica. Esta situação valeu-lhe a alcunha de “gigante com pés de barro”.

No ano de 1873, o marechal Otto von Bismarck, que unificou a Alemanha, formou a Liga dos Três Imperadores – Alemanha, Rússia e Áustria-Hungria. Em 1878, essa aliança foi rompida devido ao desacordo entre a Rússia e a Áustria-Hungria acerca dos Balcãs. Em 1882, uma nova aliança foi formada sendo a Rússia substituída pela Itália – Tríplice Aliança. Tais pactos alemães mexeram com a Inglaterra e com a França. A França guardava grande ressentimento devido à guerra franco-prussiana, ocorrida no final do século XIX, e da qual sairia derrotada. Esta derrota implicou na perda territorial francesa para os alemães, a Alsácia-Lorena (rica em minério). O revanchismo francês foi um dos fatores da Primeira Guerra Mundial. Em 1904, temendo o crescimento de um inimigo, Inglaterra e França se aliaram na Entente Cordiale. A adesão da Rússia à entente deu origem a Tríplice Entente. Configurava-se assim, o panorama político europeu – Tríplice Aliança e Tríplice Entente.

As potências europeias disputavam mercados e territórios devido a industrialização constante que demandava recursos. A Alemanha e a Itália, por terem sido unificados tardiamente, também entraram nesta disputa de territórios e consideravam suas posses insatisfatórias. Algumas regiões estratégicas estavam no centro desta disputa, é o caso dos Balcãs. Os alemães lutavam contra a independência desta região, já a Rússia estimulava esta independência para diminuir o poder da Alemanha, e levantar novos aliados.

Os Balcãs são uma região situada entre os mares Negro e Adriático. Foi ocupada por povos eslavos, que deram origem a vários países diferentes como Kosovo, Macedônia, Bósnia, Herzegovina, Bulgária, Montenegro e Servia. Durante muito tempo, esteve sob influência do Império Otomano, mas, no início do século XX, este império entrou em decadência e os países europeus, como a Alemanha, Áustria Hungria, França e Itália, passaram a disputar a região. Com o enfraquecimento Otomano, surgiu um processo de unificação liderada pela Sérvia e estimulada pela Rússia, conhecido como pan-eslavismo. Em 1908, a Bósnia-Herzegovina foi anexada pelo Império Austro-Húngaro, o que fomentou a Guerra dos Balcãs em 1912. Grécia, Bulgária, Montenegro e Sérvia desejavam a expulsão dos turcos com o objetivo de formar a Grande Sérvia, que se tornaria um país independente. A Áustria interferiu no expansionismo dos sérvios, reconhecendo a Albânia como país independente e provocando uma onda nacionalista servia.

No ano de 1914, em uma tentativa de acalmar os ânimos, o Arquiduque e herdeiro do trono Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, viajou até Saravejo, capital da Bósnia, para consolidar a posse da região e legitimar a expansão da Áustria-Hungria. Em junho de 1914, ele foi assassinado pelo sérvio Gavrilo Princip, que pertencia a uma organização nacionalista sérvia, denominada Mão Negra. O assassinato foi o estopim da Primeira Guerra Mundial.

A Primeira Guerra Mundial é dividida em duas fases: a guerra de movimento e a guerra de posição, também chamado de guerra de trincheira. Alguns historiadores defendem uma terceira fase, ofensiva, com a entrada dos EUA no conflito. A guerra de movimento, iniciada em 1914, marca a marcha alemã em direção à França. Para isso, foi necessário invadir a Bélgica para chegar ao território francês. Por essa razão, a Bélgica se uniu a Tríplice Entente para expulsar os alemães. Após vencerem os franceses, os alemães se preparavam para enfrentar seu pior inimigo – a Rússia. Foi no final de 1914 que teve início a nova fase: a guerra de posição ou de trincheira. Nesta fase, milhares de soldados ficavam entricheirados, em enormes condições de insalubridade, o que aumentava o número de mortos. Muitos soldados passavam dias em trincheiras lamacentas, sujeitos ao frio, à fome e às doenças, que matavam tanto quanto as balas do inimigo.

Em 1915, a Itália deixa a Tríplice Aliança e se alia a Tríplice Entente devido a uma promessa de que o país receberia territórios do império  Austro-Húngaro caso fosse derrotada. Em 1917, a Rússia se retira da guerra devido a um conflito interno – Revolução Russa – onde o czar foi deportado e um novo governo foi instaurado. A saída da Rússia parecia ser uma oportunidade para os alemães bombardearem a Inglaterra. Mas a entrada dos EUA na guerra foi uma surpresa. Embora apoiassem a Entente, os EUA ainda não haviam enviado tropas para o conflito, mas contribuíam, mandando suprimentos. Após o bombardeamento da Alemanha contra os navios norte-americanos, as tropas americanas começaram a chegar para por fim ao conflito. A Alemanha ficou isolada, pois os seus aliados haviam abandonado a aliança ou enfraquecidos com os anos de conflito. Em novembro de 1918, o Armistício de Compiègne foi assinado tendo como base a superioridade da Entente.

Em 1919, a paz foi selada com a assinatura do Tratado de Versalhes. O presidente norte-americano, Wodrow Wilson, era a favor de uma guerra sem vencedores e para isso estabeleceu os 14 Pontos de Wilson, uma lista de proposições que buscava a harmonia entre as potências europeias. Mas, no fundo, o Tratado de Versalhes foi um instrumento para subjugar a Alemanha, que foi responsabilizada pelo conflito que dizimara milhares de pessoas. O país perdeu uma boa parte de seus territórios e colônias, e foram distribuídos aos países aliados. A Alemanha ficou completamente destroçada, humilhada, o desemprego e a inflação levariam a população a um estado de fome e miséria. É neste contexto, sob as humilhantes condições de Versalhes, que emergem os movimentos nacionalistas, dentre os quais se destacaria o Nazismo e o início da Segunda Guerra Mundial.

A Europa antes da Primeira Guerra

 

A Europa após a Primeira Guerra

 

Resumo da Aula 02 – Revolução Russa

A história da Rússia na Era Moderna foi, sem dúvida, a história da construção de império, cujo número de habitantes e extensão territorial  faziam dela um dos mais importantes e poderosos países europeus. Contudo, ao chegar ao século XX, a sociedade e a economia do “gigante com pés de barro” pouco se modernizavam. A elite russa era formada pela nobreza, pelos grandes latifundiários, pela igreja e pelo exército. A propriedade de terras e os títulos de nobreza eram os símbolos da prosperidade e riqueza desta sociedade. O sistema era monárquico, regido pelo czar, a principal figura de autoridade.

Os nobres eram chamados de boiardos e a maior parte da população era formada por mujiques, camponeses que trabalhavam nas terras dos nobres. No entanto, os camponeses russos eram diferentes dos medievais. Em 1861, os Estatutos da Emancipação cederam a esta classe não só a liberdade individual, mas a possibilidade de comprar terras – significando que, teoricamente, a mobilidade social era possível. Na prática, nenhum camponês tinha condições para comprar uma terra e, também, não havia um apoio do Estado (empréstimos/financiamento) para o camponês conquistar sua terra. E, por outro lado, as terras que não pertenciam aos nobres, eram propriedades do Estado. Sendo assim, o camponês que não trabalhava para um nobre, acabava que trabalhando para o Estado.

O governo czarista tinha como principal característica sua centralização e autoritarismo. A mais importante dinastia foi a Casa dos Romanov. O czar Pedro I, cuja gestão ocorreu entre 1682 e 1725, foi um dos czares progressistas que modernizou o império, reformou a educação e a administração pública, tendo se tornado um dos maiores líderes políticos de seu tempo. Entretanto, o sentido de progresso era alterado de acordo com a concepção de cada czar. O czar Alexandre II, que reinou entre 1855 e 1881, defendeu o liberalismo e a modernização das estruturas do Estado, abolindo a servidão e anistiando as dívidas dos mujiques (Estatutos de Emancipação). O governo de Alexandre II, ainda que guardasse fortes características liberais, era uma nobreza centralista e por isso reprimia violentamente a oposição. Os niilistas – aqueles que defendiam o uso da razão sobre todas as coisas e a alfabetização dos servos -, embora pacíficos, foram igualmente reprimidos. E, portanto, a eles é atribuído o assassinato do czar em 1881. Alguns historiadores discordam que foram os niilistas que assassinaram Alexandre II, mas sim um grupo terrorista.

Com a morte do czar, Alexandre III subiu ao trono e iniciou o processo industrial russo, com o estímulo à entrada de capital estrangeiro no país. A Casa dos Romanov somente deixaria o poder com a Revolução Russa, de 1917, sendo Nicolau II o último czar. Ainda que tenham feito reformas e que a industrialização tenha sido um dos mais importantes assuntos, a centralização do poder, o autoritarismo, a perseguição política e a predominância dos interesses das elites eram características deste regime, os quais fomentaram a Revolução de 1917.

Em 1904, o czar Nicolau enfrentaria o Japão na Guerra Russo-Japonesa. O centro da discórdia foi a disputa por territórios das regiões da Manchúria e da Coreia. O Japão passara pela Revolução Meiji e possuía um potencial bélico muito superior ao dos russos. Logicamente os russos foram derrotados e tiveram enormes perdas materiais e humanas, o que levaram a já descontente população a empreender uma série de revoltas, motins e greves.

Em 1905, houve uma manifestação popular em frente ao palácio real em São Petersburgo. Os manifestantes eram trabalhadores e desejavam a implantação de uma assembleia constituinte. O povo queria o sufrágio universal e o fim da Guerra Russo-Japonesa. Além disso, a população não estava violenta, e nem armada. Porém, a guarda russa fuzilou os manifestantes e este episódio ficou conhecido como Domingo Sangrento. Se o regime russo já estava fragilizado devido a guerra contra o Japão, o Domingo Sangrento apenas piorou a situação e aumentou as animosidades antigovernistas. Este ato violento fomentou em uma greve geral entre os trabalhadores e até mesmo as forças militares aderiram aos protestos. Buscando conciliação, Nicolau II lançou o Manifesto de Outubro, que previa a instalação de uma Monarquia Constitucional. Os trabalhadores que haviam feito as greves passaram a se organizar em sovietes, conselhos que passaram a existir em todo o território russo.

A despeito da perseguição, a oposição crescia. Diversos grupos proliferaram pela Rússia. Dentre desses grupos, destacavam-se os anarquistas e socialistas. O grupo socialista possuía duas facções: os bolcheviques e os mencheviques. Os mencheviques (minoria) defendiam a aplicação das ideias de Marx. Já os bolcheviques (maioria) defendiam uma revolução, uma ditadura do proletariado. Seu líder, Vladimir Lênin, logo se tornaria uma das mais importantes figuras políticas do século XX.

O último golpe ao czarismo foi dado com a entrada da Rússia na Primeira Guerra Mundial. Entretanto, não se esperava que o conflito durasse tanto tempo, nem que contasse com a participação de tantos países. A Primeira Guerra Mundial apenas agravou as condições internas da Rússia tornando-se impopular e provocando uma fome generalizada, culminando com a deposição do czar. Em 1917, uma nova onda de greves envolvendo trabalhadores, soldados e marinheiros assolou o país. Com a renúncia do czar, a república foi instalada. Nesta revolução, logo após a monarquia, os mencheviques, sendo liderado por Alexander Kerensky, tomaram o poder. Entretanto, os mencheviques mantiveram a Rússia na Primeira Guerra, um dos fatores que contribuíram para sua derrocada. Os bolcheviques, liderados por Lênin, conseguiam um apoio cada vez maior junto à população, já que uma das primeiras reivindicações era abandonar a Primeira Guerra Mundial.

Sob a direção de Lênin, o revolucionário Leon Trotsky reunia os bolcheviques para um conflito armado formando o exército vermelho. Em outubro, os bolcheviques invadiram o Palácio do Governo e expulsaram os mencheviques que eram considerados burgueses e não proletariados. Os principais nomes deste novo governo eram o de Lênin, de Trotsky e de Josef Stálin. Em 1918, Lênin ordenou a execução da família real, que ainda vivia na Rússia. Os Romanov foram executados, não só Nicolau II, mas toda sua família, composta pela mulher, Alexandra e por 5 filhos, 4 meninas e 1 menino. Uma das filhas do czar, Anastácia, rendeu filmes, livros e um desenho animado devido a um mito levantado por causa do seu corpo não ter sido encontrado. Somente no século XXI, testes de DNA  feitos com restos mortais encontrados comprovaram que não havia sobreviventes. A monarquia russa acabara de fato.

Os bancos e as fábricas foram estatizados. O Estado também confiscou a produção agrícola e centralizou a distribuição de gêneros básicos, o que foi chamado de comunismo de guerra e provocou, como não podia deixar de ser, grande descontentamento. Lênin instituiu uma política econômica intitulada NEP prevendo a liberdade do comércio interno, regulando a propriedade privada e o comércio. De modo geral, a NEP aliava princípios socialistas e capitalistas. Esta modalidade estabelecida é única e por isso foi chamada de Marxismo-Leninismo. Isto quer dizer que o pensamento marxista jamais foi aplicado na íntegra, em nenhum dos países que adotou o socialismo. Além disso, foi estabelecido o sistema de partido único, o Partido Comunista Russo.

Lênin esteve no poder até a sua morte, em 1924. Em seguida, Trotsky e Stálin disputaram no governo. Trotsky pregava a Internacional Comunista e a ideia de revolução permanente. Já Stálin, defendia a consolidação do socialismo soviético em seu território e de seus aliados. Josef Stálin acabou vencendo a disputa e Trotsky foi perseguido até ser assassinado em 1940, no México.

De modo geral, a Revolução Russa marca um momento de transição de um regime monárquico e capitalista para um Estado republicano e socialista.

 

Resumo da Aula 03 – A Crise de 1929

Após a Primeira Guerra Mundial, a Europa entrou em fase de reconstrução. As economias internas estavam arrasadas, não só o processo de industrialização que havia sido interrompido, mas também a agricultura havia sofrido muitas perdas. Os operários foram convocados pelas forças armadas e, além disso, não havia um mercado ativo em tempos de guerra como existia antes do conflito.

Após o fim da Primeira Guerra, a Liga das Nações foi criada como sendo a primeira tentativa de agregar diversos países em torno do mundo para buscar uma negociação diplomática. O objetivo era evitar um outro conflito mundial. Esta Liga funcionou até a década de 1940 e participaram os países vitoriosos na guerra. A exceção foram EUA que jamais fizeram parte deste organismo, embora tenha sido Woodron Wilson, o Presidente do país, um dos principais defensores desta iniciativa. A Liga das Nações também deu origem à ONU, que é hoje uma das principais organizações políticas internacionais do planeta.

Por outro lado, com o fim da Primeira Guerra, os EUA acabaram emergindo como potência mundial, especialmente devido ao fato de sua produção industrial e agrícola não ter sofrido prejuízo, pois não houve nenhum combate em seu território. Os presidentes norte-americanos que sucederam Woodron Wilson, acreditavam na aplicação de uma política econômica liberal. O liberalismo é uma modalidade do capitalismo onde não exigia a interferência direta do Estado. Ou seja, os presidentes de então pouco faziam para regular os mecanismos econômicos, permitindo que estes se desenvolvessem sozinhos. Se por um lado, esta atitude aumentou o crescimento do país, por outro levou a um resultado desastroso: a crise de 1929.

Na década de 20, com a economia europeia desorganizada, os EUA  passaram a exportar para o continente todos os tipos de mercadorias industrializadas. Também houve uma aproximação com os países latinos, cujas economias agrárias eram de grande interesse para os norte-americanos. Ainda que a América Latina exportasse enormes quantidades de produtos, eles eram muito baratos, pois eram gêneros agrícolas ou matérias-primas. E o que os latinos importavam eram bens industrializados, que eram produtos muito mais caros. Isso significa que o balanço comercial era sempre desfavorável para os latino-americanos. Já o aumento das exportações fomentou o mercado de trabalho, bem como os salários dos trabalhadores. Esta prosperidade gerou um boom de consumo, o que aqueceu ainda mais a economia. A década de 20 não foi só marcado pela economia, mas, também, pela cultura como a “Era do Jazz”. Além da música, o cinema, que foi inventado no século XIX, ganhou força nos anos 1920. Nasciam as grandes estrelas do cinema, ainda mudo e preto e branco.

Do ponto de vista social, o feminismo tornou-se um dos mais importantes movimentos. Devemos lembrar que na Primeira Guerra, as mulheres acabaram ocupando parte do mercado de trabalho, que havia sido deixado vago pela ida dos homens para o front. Com o fim da guerra, esta demanda de ocupação de postos de trabalho, antes exclusivamente masculino, continuou. No ano de 1919, as mulheres norte-americanas conseguiram o direito ao voto, através da luta das chamadas “sufragetes”. As reivindicações logo transcenderam a questão do direito ao voto, sendo a ela acrescentados direitos trabalhistas e sociais, como a conscientização acerca dos direitos reprodutivos e do controle natalidade. Entre as décadas de 1910 e 1920, foram estabelecidos dias dedicadas às mulheres, instituindo o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

Por outro lado, os anos 20 também foram marcados pelos conservadores que defendiam valores como “a moral e os bons costumes”, condenando o comportamento dos “desviantes”, ou seja, aqueles indivíduos que não se adequavam a um padrão social. Mesmo assim, as vedetes continuavam fazendo sucesso, e o número de bares, boates, lugares dedicados à dança e a festas não paravam de aumentar. Contudo, a prosperidade econômica daquele país dava-lhe maior visibilidade e acabou por fazer surgir a expressão “american way of life”, o estilo de vida americano, que seria cobiçado e reproduzido ao longo do planeta.

Apesar do Estado não interferir na economia, a livre concorrência também não era praticada. A economia norte-americana era dominada por monopólios, que aconteciam sob a forma de trustes, holdings e cartéis. O primeiro truste data de 1870 – a Standard Oil, uma empresa de petróleo que pertencia a John D. Rockefeller. Esses monopólios eram ilegais, pois existiam leis antitruste desde finais do século XIX, o que na prática não impediu sua ocorrência.

Apesar do aumento do emprego e do consumo, havia uma desigualdade na distribuição de renda, além do surgimento de grandes fortunas baseadas na especulação do mercado de ações. As companhias que possuem ações na bolsa são chamadas de capital aberto e, nos anos 1920, a compra de ações era considerada um grande investimento. A euforia financeira aumentou a especulação e era como se os anos de prosperidade jamais fossem acabar. Porém, com a Europa se recuperando economicamente, ela deixava, cada vez mais, de importar as mercadorias norte-americanas. Com a diminuição do mercado externo, as indústrias também diminuíam sua produção, aumentando o número de desempregados. A agricultura sofreu crises de superprodução, ou seja, havia gêneros agrícolas, mas não havia consumidores o suficiente. Diversos fazendeiros foram a falência. Com as falências da agricultura e o aumento do desemprego, o poder de consumo também foi decrescendo. Os bancos, que haviam investido tanto na indústria quanto na agricultura, começaram a quebrar, já que não tiveram o retorno de seu investimento. Fortunas e mais fortunas foram perdidas do dia para a noite. Nova York foi tomada pelo desespero, por uma onda de suicídios jamais vista até então.

A crise de 1929 afetou boa parte dos países ocidentais. A América Latina, com sua economia agroexportadora, tinha os EUA como o principal parceiro econômico, foi uma das mais prejudicadas. O Brasil, por exemplo, cuja receita se baseava na agricultura cafeeira, sofreu uma crise de superprodução. Esta crise econômica brasileira, aliado a outros aspectos, foi um dos fatores que levaram ao fim da Primeira República e ao início da Era Vargas.

Para sanar suas finanças, o presidente Franklin Roosevelt instituiu um conjunto de medidas intitulado New Deal. Tais medidas tinham como objetivo a recuperação financeira e a diminuição do desemprego, e deveriam ser aplicadas rapidamente. Foi através de Roosevelt que o Estado passou a interferir na economia. Foi implantada a Previdência Social, bem como uma série de garantias aos cidadãos, como o salário mínimo e o amparo aos desempregados. Os sindicatos foram incentivados e foram estabelecidos subsídios, e crédito financeiro para a recuperação agrícola. Roosevelt se tornou um dos mais importantes presidentes da História dos EUA e teve quatro mandados presidenciais. Essa crise é estudada ainda hoje, e muitas teorias sobre ela são ainda elaboradas. É importante lembrar que a União Soviética não foi afetada pela crise de 1929, já que não havia adotado o capitalismo.

 

Resumo da Aula 04 – Regimes Totalitários: Nazismo e Fascismo

O período entre guerras que compreende os anos de 1919 a 1939, foi marcado por grandes transformações, especialmente na Europa. Entre as décadas de 1920 e 1930 emergem os regimes totalitários que dominariam não só a Alemanha e a Itália, mas também Portugal e Espanha. O Totalitarismo é como um regime tentacular, que age não somente no tocante à vida pública, mas na normatização da vida privada. O Estado determina o que a população pode ler, transmitir, as formas de se expressar, de vestir. De modo geral, podemos ver que, no período pós-guerra, uma crise política e econômica europeia, que se torna mais evidente na Alemanha derrotada, mas também na Itália, teve enormes perdas humanas e materiais. Países europeus mais pobres, como Portugal e Espanha também se tornaram terreno fértil para a disseminação do totalitarismo.

Na Itália, o sentimento nacionalista cultivado a partir da unificação do país, em 1870, ganhava força. O regime italiano era a monarquia parlamentarista. O parlamento estava dividido em Partido Socialista e o Partido Popular, cuja vertente era a democracia cristã e, portanto, apoiado pela Igreja Católica. As diferenças ideológicas provocavam um impasse no parlamento, impedindo a votação das grandes questões e das reformas que a Itália necessitava. Em meio a instabilidade política, é fundado o Partido Fascista, por Benito Mussolini.

Segundo o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva:

“O termo fascismo deriva de uma antiga expressão latina, fascio, que denominava o feixe de varas carregado pelos litores, na antiga Roma, e com os quais se aplicava a justiça. Dessa forma, tal símbolo foi, durante a Revolução Francesa, na Itália, utilizado pelos jacobinos, como representação de liberdade e Risorgimento, já no século XIX, como unidade nacional. Ao longo do século XIX, na Itália, assumiu o caráter de símbolo de ação política, valorizando a justiça e a igualdade. Foi assim, por exemplo, com o seu uso pelo movimento dos trabalhadores sicilianos, entre 1893-94, ou com os intervencionistas de esquerda, interessados na entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial em 1914.” (SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Os fascismos. In: ZENHA, Celeste, REIS FILHOS, Daniel Aarão e FERREIRA, Jorge (orgs.) O século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002, p. 112.)

Como podemos notar, Mussolini se apropria de um símbolo que já fazia parte da história política italiana e o utiliza para fortalecer seu partido ideologicamente. Seus militantes eram denominados de “camisas negras”, em alusão ao símbolo de vestimenta que se tornaria comum nos anos seguintes. Foi na Marcha sobre Roma, onde milhares de camisas negras confluíram para a capital italiana, exigindo que o Executivo ficasse a cargo de seu líder. Pressionado, o Rei Vitor Emanuel III cede e entrega a Mussolini o cargo de Primeiro Ministro. Em 1924, novas eleições são realizadas e os fascistas venceram. Aqueles que eram da oposição denunciavam fraude, mas foram perseguidos, presos e assassinados. Em 1929, foi assinado o Tratado de Latrão entre o Duce e o Papa Pio XI. Este tratado reconhecia a soberania do papa e fazia do Vaticano um Estado soberano eclesiástico. Rapidamente, o governo do Duce torna-se tentacular e estende-se pelas mais diversas áreas. A crise de 1929 e o colapso do sistema econômico norte-americano fizeram com que o Estado intensificasse a produção bélica e começasse uma política de expansão territorial, sobretudo, em direção à África. A Itália logo se aliaria a Alemanha, em uma aliança decisiva para os rumos da guerra que eclodiria em 1939.

Na Alemanha, após a primeira guerra, foi estabelecida a República de Weimar, que virou entre 1918 e 1933. O regime monárquico foi substituído pelo republicano e uma nova constituição foi feita, na cidade de Weimar, que daria nome ao período republicano alemão. Porém, a crise econômica deflagrava uma enorme insatisfação social. As clausulas de Versalhes inflamaram o sentimento nacionalista alemão, em uma combinação perigosa: crise e nacionalismo, da qual o regime nazista se aproveitaria para ascender ao poder. Não devemos esquecer que o país teve que pagar pesadas indenizações aos vencedores, além de ter perdido parte de seu território. Durante a década de 1920, um partido foi fundado em Munique e que começou a ganhar destaque – Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, também chamado de o Partido Nazista. Embora tenha a palavra socialista em seu nome, o Partido não carrega uma ideologia marxista e, além disso, combatia comunistas e socialistas, a quem vê como oposição ao Estado. Um de seus líderes, Adolf Hitler, prega o fim da República de Weimar e, em 1923, tenta dar um golpe de Estado na mesma cidade, em Munique.

O golpe foi um fracasso e Hitler foi preso. Na prisão, ele escreve a obra que seria a base da ideologia nazista – Mein Kampf (Mina Luta). O arianismo se tornaria fundamental durante todo o período nazista e seria um dos motivos à intensa perseguição e eliminação dos judeus do território dominado pela Alemanha. A crise de 29 piorou as condições de vida já intoleráveis na Alemanha. Em meio ao caos, a pobreza e ao desemprego, as palavras de Hitler ganharam corpo e os adeptos do nazismo cresceram em número e força política. Nas eleições de 1932, os nazistas ocuparam um grande número de cadeiras no parlamento e, em 1933, o então presidente da Alemanha, Paul von Hindemburg nomeou Adolf Hitler como chanceler, o que equivale ao cargo de primeiro ministro.

As primeiras medidas de Hitler como chanceler foram: a eliminação da oposição (socialistas, parlamentares, judeus); criação das Sessões de Segurança (SS), uma política que tinha como objetivo identificar e prender os oposicionistas; a instituição da Gestapo, constituindo em uma equipe de forças especiais. Em março de 1933, tem início o Terceiro Reich e, em 1934, falece o Presidente Hindemburg, o que permite a Hitler assumir também a presidência, sendo proclamado Führer. O racismo se torna uma política do Estado – e essa é uma das diferenças principais entre nazismo e fascismo – e tem início a perseguição aos judeus. Chamada de “solução final”, os judeus eram levados a campos de trabalhos forçados, os campos de concentração, onde eram submetidos as mais degradantes condições. Milhares perderam a vida nos campos, que se tornaram um símbolo do regime nazista.

O Estado Nazista  investiu maciçamente na produção bélica e no militarismo. Não ser um membro do partido era mal visto pelos vizinhos e havia o risco de denúncia como oposição, o que levaria, inevitavelmente, a prisão. Em 1939, a invasão da Polônia da início a Segunda Guerra Mundial e, seu término, em 1945, significaria também o fim do nazismo e do fascismo. Entretanto, nem todos os regimes terminaram ao  fim da guerra. Portugal e Espanha mantiveram seu regime até a década de 1970.

A Primeira Guerra Mundial e, em seguida, a crise de 1929, levou Portugal a uma crise econômica. Um dos temores da república era o socialismo e a possibilidade de reforma agrária, que afetaria diretamente a elite portuguesa. Deve-se lembrar que desde 1917 o Socialismo tornou-se uma ameaça na Europa devido a Revolução Russa. A intensificação da crise econômica portuguesa levou a um golpe militar na década de 1920. Em 1930, foi criado o partido União Nacional, liderado por um dos políticos que havia participado no regime militar, Antônio de Oliveira Salazar. Em 1933, a União Nacional chega ao poder e o Estado Novo passa a ser conhecido também como salazarismo, em referência ao líder deste partido. Como regime totalitário, o salazarismo era contra o liberalismo e perseguia seus opositores. Utilizou largamente a propaganda para fins políticos e foi claramente influenciado, sobretudo, pelo fascismo da Itália. Salazar deixa o poder em 1968, mas o salazarismo permaneceu até 1974, quando a Revolução dos Cravos iniciou um novo período, de abertura democrática no país.

O caso da Espanha tornou-se emblemático por envolver uma intensa guerra civil, que seria considerada um ensaio geral para a Segunda Guerra Mundial, diferente dos outros países, onde o totalitarismo se estabeleceu sem que houvesse uma guerra civil. Nos anos 30, havia duas posições políticas: os falangistas e a Frente Popular. Os falangistas eram um grupo fascista cujo líder, Francisco Franco Bahamonde, defendia o combate ao comunismo. Além da elite espanhola, Franco também era apoiado pela Igreja Católica. De forma gera, a Igreja Católica sempre se opôs ao socialismo e ao comunismo, pois estas ideologias pregam o fim da religião constituída. Por outro lado, a Frente Popular, que tinha o apoio soviético, era formada por trabalhadores, sindicalistas, comunistas e partidos de esquerda. Em 1936,  os falangistas  de Franco empreenderam um golpe de Estado, pondo fim à República Espanhola. A Frente Popular reagiu e teve início a Guerra Civil. Franco obteve apoio da Alemanha e da Itália para combater a Frente Popular. As forças aéreas alemã e italiana foram enviadas para a Espanha. Foram elas que protagonizaram o mais conhecido e trágico episódio do conflito, o bombardeio da cidade de Guernica, em abril de 1937, imortalizada na tela de Pablo Picasso. O apoio alemão e italiano foi decisivo e, em 1939, Franco toma o poder e inaugura o regime que levou seu nome, o franquismo.

 

Resumo da Aula 05 – A Segunda Guerra Mundial

Em 1919, após o fim da Primeira Guerra, teve início a uma onda de movimentos totalitários pela Europa. Em 1929, tais movimentos ganham força devido a quebra da bolsa de valores norte-americana. Em 1935, após a consolidação dos regimes alemão e italiano, tem início a uma política expansionista. A Itália tomou a Etiópia, na África. A Alemanha avançava por territórios franceses e, em nome da paz mundial, os demais países ignoravam esses movimentos.  A incapacidade da Liga das Nações em reagir demonstrou a fragilidade que a levaria à extinção. Em 1936, o apoio de Hitler e Mussolini a Franco, na guerra civil espanhola, permitiu a estes líderes perceberem o alcance de seu poder de fogo e estabelecerem sua aliança, que ficaria conhecida como Eixo Berlim-Roma. Enquanto isso, na Ásia, o avanço japonês provocaria a reação de outras potências que já disputavam a Manchúria chinesa, em especial, a União Soviética. Temorosos com a União Soviética, os japoneses se aliaram aos alemães e aos italianos, configurando o que seria chamado, na Segunda Guerra, de Eixo. Também foi assinado um pacto entre estes três países, o Anti-Komintern, cujo objetivo era impedir o avanço do Comunismo.

Outros países europeus, em especial a França e a Inglaterra, não viram com bons olhos a expansão alemã. Entretanto, com medo de um novo conflito mundial, tais países buscavam negociações e a diplomacia sem hostilidade. Como demonstração desta diplomacia, em 1938, houve a Conferência de Munique para debater sobre a situação da Checoslováquia. Neville Chamberlain da Inglaterra, Édouard Daladier da França, Mussolini da Itália e Hitler da Alemanha estiveram presentes, mas não houve nenhum representante da Checoslováquia. A Conferência cedeu o território para Alemanha e na repartição das Checoslováquia. Seria a última parte da expansão alemã e um erro diplomático que cobraria um enorme preço aos envolvidos. A cessão dos Sudetos tencionava proteger a Polônia de uma invasão Germânica. Porém, este país estava nos interesses dos nazistas que haviam perdido no Tratado de Versalhes. Com o desejo de invadir a Polônia, Hitler fez um acordo com a União Soviética, o pacto nazi-soviético (ou Ribbentrop-Molotov). Estrategicamente, Hitler estava eliminando o último entrave real à expansão nazista.

O pacto nazi-soviético foi muito perigoso. Primeiro, ambos foram obrigados a deixar para trás suas diferenças ideológicas – o nazismo era anti-socialista e anti-comunista, já a União Soviética os defendiam. De modo geral, Stalin acreditava que a vitória de Hitler ampliaria sua esfera de influência e haveria uma divisão política internacional apenas entre soviéticos e alemães. Foi naquela certeza de que não seria atacado, nesta frente, que permitiu a Hitler invadir a Polônia no ano de 1939, iniciando a Segunda Guerra Mundial.

A Polônia fora dominada em curto tempo, graças à técnica militar denominada blitzkrieg, que significa guerra-relâmpago. Com essa tática, a Alemanha conseguiu invadir e derrotar os exércitos da Dinamarca, Noruega, Bélgica e Países Baixos. Em 1940, os nazistas invadem a França e, para concretizar a vitória nazista na Europa, faltava invadir a Inglaterra. A RAF, força aérea inglesa, combatia a Luftwaffe no ar. Londres foi bombardeada e o Primeiro Ministro Winston Churchill conclamava o povo a lutar. Os londrinos foram às ruas defender a cidade.

No ano de 1941, os EUA que apoiavam os aliados com armas e suprimentos, foram bombardeados pelos japoneses em um ataque à base militar de Pearl Harbor, no Havaí. Neste mesmo ano, Hitler quebra o pacto com a URSS e invade seu território. Imediatamente, Stalin reage entrando para a equipe dos aliados que agora conta com diversos países como a Inglaterra, França, EUA e Brasil. A Itália tornou-se incapaz e rendeu-se declarando guerra à Alemanha, em 1943, com a deposição de Mussolini. No ano de 1944, no dia 6 de Junho, conhecido  como Dia D, tropas de diversas nações do mundo desembarcam na Normandia e definem o conflito. A Alemanha, obrigada a lutar em diversas frentes, não conseguia alinhar suas tropas. Em uma clara demonstração de nacionalismo, os nazistas se rendem marchando, jamais abandonando o ideal de germanismo que lhes havia sido incutido pelo Führer.

Com o conflito chegando ao fim, Franklin Rossevelt dos EUA, Winston Churchill da Inglaterra e Stálin da URSS se unem na Conferência de Yalta, com o objetivo de discutir os rumos da Europa no pós-guerra. A parte oriental da Alemanha seria zona de influência soviética e a parte ocidental, zona de influência norte-americana e inglesa. Configurava-se a Guerra Fria.

Apenas no final da Guerra, entre 1944 e 1945, à medida que as tropas aliadas avançavam, se deparavam com campos de trabalhos forçados, os campos de concentração, espalhados por todas as regiões dominadas pelos alemães. O mais famoso deles foi Auschwitz, mas estima-se que existiam outras dezenas destes campos, que foram destruídos pelos alemães ao se retirarem. Nestes campos estavam judeus, oposicionistas, comunistas, homossexuais, ciganos e todos os outros que eram considerados inimigos do regime nazista. Em relação aos judeus, a comunidade judaica internacional, horrorizada pelo genocídio, pressionou pela criação de um Estado Judaico, o que ocorreria em 1948, com a criação de Israel.

Após o Dia D, restavam Alemanha e Japão que mantinham o Eixo. Mussolini havia fugido, mas logo foi capturado pelos italianos. Em 1945, os soviéticos invadem Berlim e uma bandeira da URSS é hasteada no Reichstag, o parlamento alemão. No dia 8 de Maio de 1945, a Alemanha se rende. Hitler havia se suicidado no dia 30 de Abril, no bunker onde vivia com sua mulher e o Estado Maior alemão. O Japão foi o último país a se render e o fez de um modo trágico. Em agosto de 1945, os EUA lançaram bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, matando, instantaneamente, milhares de pessoas. Foi a única vez, na história, até o momento, que uma bomba atômica foi usada em um combate e tendo como alvo civis.

As perdas humanas estimadas em mais de 50 milhões de mortos, entre 22 milhões de russos e 6 milhões de judeus, foram algumas das mais notáveis consequências da guerra. A Europa sofreu um aumento geral de sua dívida pública com os EUA. Os alimentos foram racionados até os anos 1950, e os EUA foram obrigados a controlar rigidamente as áreas essenciais, como energia, preços, cambio e matérias-primas.

 

Resumo da Aula 06 – Guerra Fria

A divisão da Alemanha, ratificada em agosto de 1945, compreendia quatro zonas de ocupação, dividida entre franceses, ingleses, norte-americanos e soviéticos. Estava estabelecida a Guerra Fria, baseada na bipolaridade, e que consistia em uma disputa ideológica por zonas de influência entre dois blocos: EUA (Capitalista) e URSS (Socialista, liderado por Stalin). Cabe lembrar que a Guerra Fria não se restringiu a esses dois governos.

Em 1946, Winston Churchill cunhou uma expressão que seria sinônimo da ordem que se estabelecera: a Cortina de Ferro. A Cortina de Ferro referia-se ao isolamento que a URSS assumiu como postura após a Segunda Guerra. Por outro lado, há o medo de que um conflito aberto, entre EUA e URSS, significasse uma terceira guerra mundial e, desta vez, o horror de Hiroshima e Nagasaki, se repetisse em todo o planeta. Ainda que não tenha sido um conflito aberto, a Guerra Fria foi o pano de fundo para diversos outros conflitos que eclodiram nas décadas seguintes.

Em 1947, o presidente dos EUA, Harry Truman, o mesmo que autorizou as bombas em Hiroshima e Nagasaki, foi contra o avanço socialista. Truman viu no contexto da Guerra Fria, uma maneira de se afirmar na vida pública, fazendo do combate ao comunismo uma de suas principais bandeiras. Neste mesmo ano, a URSS estabeleceu o Kominform, cujo objetivo era a coordenação política dos diversos partidos comunistas na Europa e fora dela. Em 1949, foi criado o Comecon, o Conselho para Assistência Econômica Mútua, uma versão do Plano Marshall, mas para auxiliar os países socialistas, sobretudo aqueles do Leste Europeu. Devemos ressaltar que, no mundo socialista, não havia um presidente da república, mas do partido. O poder pertencia ao Partido Comunista e seu líder, neste caso, Josef Stalin. Lenin estabeleceu esta estrutura que permaneceu assim até o fim da URSS.

Em 1948, procurando formas para boicotar o lado Ocidental da Alemanha, a URSS estabeleceu um bloqueio isolando as partes oriental e ocidental. O bloqueio buscava impedir o abastecimento da parte Ocidental por meio terrestre, já que uma artilharia antiaérea significaria uma declaração de guerra. Porém, os EUA driblaram fácil o bloqueio, abastecendo a Alemanha por via aérea. Em 1961, começou a ser construído aquele que se tornaria o mais evidente símbolo de uma cisão internacional, o Muro de Berlim. O Muro de Berlim foi considerado o mais emblemático símbolo da Guerra Fria.

Nesse mesmo ano de 1948, houve um processo ao surgimento do Estado de Israel. Após a Primeira Guerra, foi criada a Liga das Nações para intermediar as relações internacionais e políticas, mas a Liga fracassou em seu intento. A prova deste fracasso é a Segunda Guerra Mundial. Mas podemos apontar diversas razões, políticas e ideológicas para a criação do Estado de Israel ter ocorrido neste período. No século XIX, o jornalista e escritor Theodor Herzl, considerado “pai do sionismo”, defendia o direito à soberania e a autodeterminação do povo judeu que para isso deveria retornar a sua região de origem a qual historicamente tinham direito. Durante o século XIX, os judeus eram muito perseguidos e, no século seguinte, Hitler sistematizou esta perseguição com o holocausto. Na Rússia também houve perseguições contra os judeus, casas e estabelecimentos pertencentes a judeus eram queimados e os judeus em si eram apedrejados. O sionismo é uma resposta a esta discriminação que existia há séculos, mas que ganhou evidência após a Segunda Guerra Mundial. Com o fim da Segunda Guerra, e com a revelação dos campos de concentração, a comunidade judaica passou a exigir, de uma forma mais contundente, seus direitos a um território, não só como uma forma de compensar a morte de 6 milhões de judeus durante a guerra, mas também como uma crítica à inércia dos países aliados sobre o massacre. Os EUA tinham uma comunidade judaica com grande influência política e que auxiliou na articulação da criação de Israel. Por outro lado, os EUA também tinham um grande interesse em formar um país que nasceria como apoio em uma região problemática. Os países do Oriente Médio, como a Palestina, não eram favoráveis às interferências norte-americanas, e ter um país judaico na região era uma estratégia de expansão importante na Guerra Fria. Logicamente, o maior opositor à criação de Israel foi a URSS. Ao final, a Palestina foi dividida entre um Estado Judeu e o outro Árabe. Tal divisão enfureceu os palestinos dando início a uma longa trajetória de conflitos, atentados e invasões que continuam até hoje.

Em 1949, os EUA criaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A OTAN era uma aliança política militar reunindo os principais países capitalistas da época, além dos EUA, Reino Unido, França, Bélgica, entre outros, compunham essa aliança. Em 1955, a URSS criou uma aliança nos mesmos termos da OTAN voltado para os países socialistas, o Pacto de Varsóvia. Quando a Alemanha foi dividida, ela foi considerada uma região desmilitarizada. Ou seja, nem os EUA e nem a URSS podiam fornecer armas e, também, nenhuma parte da Alemanha poderia constituir um exército. Quando a OTAN surgiu, as potências capitalistas quebraram este termo e passaram a estimular as forças armadas na Alemanha Ocidental. É neste contexto que o Pacto de Varsóvia surgiu.

Durante essa Guerra fria, houve um investimento maciço na indústria bélica, em ambos os blocos, o que aumentava ainda mais o clima de terror e tensão do planeta. Inovações tecnológicas, satélites espiões, agências de inteligência, espionagem industrial foram constantes dos dois lados. Também houve a corrida espacial, onde a URSS chegou perto, mas foram os EUA os primeiros a pousarem na Lua, em 1969. Na esfera cultural, o cinema americano alardava o perigo comunista em filmes como Invasores de Corpos. Os soviéticos criticavam a sociedade americana como fútil e consumista. Nos quadrinhos, o Capitão América tornou-se um símbolo de resistência derrotando o Caveira Vermelha, que personificava os soviéticos. Nas décadas de 1940 e 1950, nos EUA, o senador Joseph McCarthy deu início ao macarthismo ou Caça às Bruxas. McCarthy empreendeu uma verdadeira caçada contra os formadores de opiniões contando com a ajuda do FBI. O ator Charles Chaplin foi vítima das perseguições do senador o que o obrigou a deixar o país, acusado de ações antiamericanas.

No ano de 1949, ocorre a Revolução Chinesa. A China passara todo o século XIX sob a influência do imperialismo sendo mergulhado em diversos conflitos, sendo a Guerra do Ópio um dos mais significativos. O ano de 1911, foi o ano em que a China abandona sua monarquia e adota a República. Após a Primeira Guerra Mundial, a China estava sob ameaça do imperialismo japonês, o Partido Nacionalista – Kuomitang – era intensamente impressionado e sob estas condições cedia às investidas japonesas, que demandavam territórios, além de interferir politicamente no Estado chinês. Esta situação provocou a mobilização de vários setores nacionalistas, que promoviam marchas e manifestações em Pequim. Em 1920, influenciados pelo sucesso da Revolução Russa, foi fundado o Partido Comunista Chinês (PCC), um de seus membros foi o famoso Mao Tsé-Tung. O PCC crescia de uma forma assustadora. Em 1925, o Kuomitang passa a ser liderado por Chiang Kai-Shek, iniciando uma perseguição aos comunistas. Diante destas perseguições, Mao Tsé-Tung se refugia no interior do país, de onde organiza uma resistência ao governo do Kuomitang. Em 1931, foi proclamada a República Soviética da China.

Desde o período imperial, a China era dividida em regiões autônomas comandadas por chefes locais. Esta fragmentação manteve a China vulnerável às investidas estrangeiras. A República de 1911 tinha então, como maior desafio, construir uma unidade nacional, mas o preço desta unificação era alto. Em 1931, o Japão invadiu a Manchúria e as forças administrativas chinesas foram rompidas. Por sua vez, Mao Tsé-Tung organizava um exército formado por camponeses, estudantes e nacionalistas em geral. Seu discurso era a igualdade social e a exaltação ao nacionalismo. Entre 1934 e 1935, foi levantado a Longa Marcha onde Mao reuniu cerca de cem mil homens formando o Exército de Libertação Nacional. Tal demonstração de poder consagrou Mao Tsé-Tung como líder comunista e obrigou Chiang Kai-Shek a aceitar uma aliança com os comunistas. O objetivo era combater os japoneses. Porém, foi a derrota do Japão na Segunda Guerra que a China conseguiu se livrar do seu inimigo.

Em tempos de Guerra Fria, Chiang Kai-Shek passou a ser apoiado pelos norte-americanos. E, logicamente, a URSS passou a apoiar os comunistas chineses. O PCC acreditava que o apoio norte-americano seria uma nova forma de imperialismo e o Estado teria sido vendido ao capital estrangeiro. Com tais argumentos, o exército vermelho continuou a luta até marchar vitorioso sobre Pequim em 1949. Após a vitória, Mao fundou a República Popular da China, um regime comunista que manteve o país isolado durante décadas. Mas, nos últimos anos, a China pratica algo que denomina como socialismo de mercado, um sistema sem precedente na História, já que embora pratique o capitalismo como política externa, mantém a estrutura comunista no plano interno. Além disso, o desenvolvimento industrial fez do país um dos maiores consumidores e petróleo do mundo.

Nos finais da Guerra Fria, prevaleceu o lado capitalista como o sistema econômico regendo as relações do mercado internacional. Os EUA emergem de imediato como potência, mas não se mantém solitários nesta posição por muito tempo. Logo a Comunidade Econômica Europeia e a própria China viriam a se colocar igualmente como potências, inaugurando a era da multipolaridade, onde as esferas de influência política e econômica internacionais podem ser encontradas em diversos países, e não mais concentrada em um bloco de influência.

 

Resumo da Aula 07 – Descolonização Africana e Asiática

Durante o século XIX, o imperialismo europeu incorporou diversas possessões nestes continentes devido a questões econômica (Industrialização) e ideológica (fardo do homem branco). Esta conjuntura, que levou à Primeira Guerra Mundial, permaneceu até o final da Segunda Guerra Mundial. O caso da Índia que foi submetido aos ingleses, as duas forças políticas indianas – o Partido do Congresso (formado por hindus, em 1885) e a Liga Muçulmana, formada em 1906 – sempre fortaleceram o movimento nacionalista, que ganhou força após a Primeira Guerra Mundial através da participação política de Mahatma Gandhi, que logo se tornaria a principal figura na independência do país. Se, por um lado, a existência desses partidos lembra a possibilidade de uma autonomia política indiana, por outro evidencia a cisão religiosa – entre hindus e muçulmanos – dividindo o país. Esta cisão atuava a favor dos ingleses e, por isso, a atuação de Gandhi foi tão significativa que acaba por conciliar os interesses de autonomia tanto de hindus quanto de muçulmanos. A postura pacifista de Gandhi desestimulava os ingleses à repressão violenta, pois corriam o risco de transformá-lo em um mártir, o que só fortaleceria a causa da independência colonial. E foi esta atuação de Gandhi que obrigou a Inglaterra a conceder a independência da Índia, em 1947, e a forma pacífica permitiu aos ingleses manter seus interesses econômicos na região. Por outro lado, internamente, a cisão indiana acabou provocando o surgimento de dois países: a Índia (União Indiana), de maioria hindu; e o Paquistão, de maioria muçulmana. Sendo assim, Gandhi também foi considerado um traidor pelos nacionalistas por não combater esta divisão. E, em 1948, Gandhi foi assassinado por um radical hindu que não aceitava a formação do Paquistão.

Além da Índia, também houve conflitos em uma outra região. É o caso de Israel e Palestina. A primeira Guerra Árabe Israelense ocorre em 1948, quando a área destinada a Israel começa a ser efetivamente ocupada. Em tempos de Guerra Fria, se o Estado Judaico era aliado norte-americano, os países árabes eram apoiados pelos soviéticos. Já o caso das colônias francesas, na Ásia, foi bastante diferente do que ocorrera na Índia. Os franceses dominavam a região conhecida como Indochina, invadida pelo Japão na Segunda Guerra. A invasão japonesa motivou a reação das forças locais. O líder da resistência, Ho Chi-minh, fundou o movimento de libertação do Vietnã (que fazia parte da Indochina), denominada Vietminh, empreendendo uma guerrilha contra os franceses. A França perde a guerra e a posse da Indochina seria desmembrada em três países diferentes: Laos, Camboja e Vietnã. A independência destes países foi reconhecida em 1954, na Conferência de Genebra. Nesta mesma conferência, o Vietnã foi dividido em mais uma demonstração da Guerra Fria. O Vietnã do Norte, liderado por Ho Chi-minh, adotando o comunismo, e o Vietnã do Sul, o capitalismo. Esta cisão levaria à Guerra do Vietnã em 1965. Em 1955, ocorreu a Conferência de Bandung, na Indonésia, reunindo dezenas de países asiáticos e africanos, com o objetivo de impedir que a Guerra Fria “esquente” na região da Indochina. Pois, submeter-se à aliança a um dos blocos significaria uma nova forma de submissão a potências estrangeiras que poderia levar à dependência política e econômica.

Além disso, a África foi praticamente dividida em sua totalidade e qualquer ameaça a independência recém-conquistada era alvo de repúdio. Logo surgiu a expressão “terceiro mundo”, para se referir a estes países não alinhados. Em seguida, esta expressão se popularizou para se referir a países que ainda não haviam conseguido adquirir um grau de desenvolvimento econômico e político semelhante àquele dos países europeus e dos EUA. No século XIX, a França tomou posse da Argélia e este domínio se estendeu após a Segunda Guerra. Em 1952, houve um conflito que se acirra em 1954, com a Frente de Libertação Nacional (FLN) em confronto aberto contra os franceses que ocupavam a capital, Argel. O conflito trouxe de volta ao poder, na França, o General Charles de Gaulle, que havia sido um dos símbolos de resistência francesa ao nazismo. O general articula um plebiscito e negocia com a FLN. O resultado aconteceu em 1962, quando a maioria vota pela emancipação levando Ben Bella ao poder do novo país, a República Democrática Argelina.

O Sudão, um dos maiores países africanos, também foi marcado por intensos conflitos. Em finais do século XIX, o Sudão estava dividido entre a posse da Inglaterra e do Egito. Esta divisão também agravou uma intensa divisão entre cristãos (no Norte) e muçulmanos (no Sul). Com o fim da Segunda Guerra, o Egito viu uma oportunidade de dominar todo o Sudão, e exigiu a retirada dos ingleses do país. Após a independência, em 1956, o Sudão mergulha em uma situação de instabilidade política e conflito interno entre Norte e Sul que viria a se prolongar por mais de quatro décadas. Esta instabilidade é demonstrada através do Conflito de Darfur iniciada no século XXI. Desde 2003, disputas políticas internas no Oeste do Sudão, rico em petróleo e minérios, tem oposto grupos árabes e não árabes. Mas a questão vai muito além de religioso, assumindo contornos de conflito étnico e genocídio. Darfur foi um dos conflitos mais recentes, mas não o primeiro. E pela situação política sudanesa, dificilmente será o último.

Portugal foi um dos últimos países europeus a abrir mão de suas colônias africanas, o que só ocorre nos anos 1970 do século XX mediante a um conflito, a Revolução dos Cravos, que eclode em 1974. Esta revolução derrubou o salazarismo de Portugal e acabou libertando as colônias portuguesas, como Angola.

As independências promoveram fronteiras arbitrárias o que faz da África o único continente em que algumas fronteiras são linhas retas. Por outro lado, o mundo ocidental via na África como um bloco único, e não como regiões com culturas e sociedades próprias, provocando uma série de conflitos étnicos que resultaram em massacres, como o ocorrido em Ruanda, em 1994. Mesmo livre do jugo europeu, o continente ainda não foi capaz de resolver seus problemas internos.

 

Resumo da Aula 08 – Os Conflitos da Guerra Fria: Vietnã, Coréia e Cuba

As décadas de 1950 até 1980 do século XX foram repletos de guerras civis e crises internas, ocorridas em diversos países. Os mais emblemáticos foram: Coréia, Vietnã e Cuba.

Em 1949, com a Revolução Chinesa, o temor da expansão socialista provocou diversos conflitos na Coréia. E, em 1950, a Coréia da Norte invadiu a Coréia do Sul para unificar o país sob o regime comunista. A guerra civil se estendeu até 1953 com a morte do líder soviético, Josef Stálin, provocando alteração na política externa da URSS. Stálin foi sucedido por Nikita Khurshchev. Já nos EUA, Dwight Eisenhower foi eleito. E os dois novos líderes tentaram um acordo de paz, sem ninguém se interessar pela extensão da Guerra da Coreia. Por outro lado, durante o período imperialista, a Coreia foi invadida e ocupada pelo Japão. Os japoneses consideravam esta região estratégica, política e militarmente, além de terem interesses nos recursos locais. Com a entrada do japão na Segunda Guerra, a situação da Coreia se agravou, já que além de buscar recursos, muitos coreanos foram enviados para o exército japonês.

Já Cuba, após a sua independência no século XIX, passou a ser submetida à política norte-americana do Big Stick e da Doutrina Monroe, que justificava a intervenção dos EUA, nos países latinos, com o pretexto de manter a ordem e garantir a emancipação das ex-colônias latinas de suas respectivas metrópoles. Neste contexto, a Constituição Cubana possuía um mecanismo chamado Emenda Platt. Esta emenda permitia a presença militar dos EUA em Cuba, e quebrava a soberania do país, motivo de grande revolta entre a população cubana. Em 1933, Fulgencio Batista chega ao poder, cujo governo rapidamente assumiu o aspecto de uma ditadura. Batista não se opunha a intervenção estrangeira na ilha. Conforme a ditadura tornava-se cada vez mais opressora, iam crescendo também os grupos de resistência, normalmente, na clandestinidade. Com uma tática de guerrilha, os revolucionários foram tomando aos poucos as cidades do interior, até que, em 1958, entram vitoriosos em Havana, a capital cubana. Fulgencio se exilou em Portugal e, em seguida, na Espanha, onde faleceu em 1973. Nos anos 1950, surge um movimento guerrilheiro liderado por Fidel Castro, filho de um grande produtor de cana de açúcar, que havia estudado Direito na Universidade de Havana, onde começou a se interessar por questões políticas. Junto com o seu irmão, Raul, e com o apoio de Camilo Cienfuegos e do médico argentino Ernesto “Che” Guevara, Fidel iniciava um movimento sistemático de oposição a Fulgêncio Batista. No princípio, a Revolução Cubana deste grupo não era um movimento socialista. Che Guevara era um dos poucos que defendia a adoção deste regime em Cuba. Foi no ano de 1959 que é marcada a vitória da Revolução Cubana. Suas primeiras medidas foram a realização de uma intensa reforma agrária, além da nacionalização de diversos empreendimentos, como refinarias, usinas e indústrias, pois a maior parte desses setores pertenciam a norte-americanos. Em tempos de Guerra Fria e uma economia agrária, um embargo econômico seria uma sentença de morte. Este embargo significava que nem os EUA e nem seus aliados comprariam ou vendiam qualquer produto para os cubanos, sufocando o mercado e, por consequência, sua economia. Mas, por outro lado, a URSS recebeu Fidel de braços abertos. Foi desta forma que, em 1961, uma revolução sem pretensões socialistas, adota este regime e se coloca como aliado do bloco soviético. Ter um aliado socialista no “quintal dos EUA” era uma grande vantagem estratégica para os soviéticos. Logo, essa vantagem traria um incidente internacional – a  Crise dos Mísseis.

Já o Vietnã, que sofreu com a divisão a partir da Convenção de Genebra, onde o Sul seria comandado por Bao Dai (capitalista) e o Norte, comandado por Ho Chi Minh (Comunista), deveriam, em 1956, ser realizadas eleições livres, que novamente unificariam o país em um único regime. O presidente norte-americano Eisenhower, temendo que o país se consolidasse sob a liderança de Ho Chi Minh, enviou tropas para o Vietnã do Sul e mediante um plebiscito – que parece ter sido fraudado – colocou no poder, Ngo Dinh Diem, que apoiava abertamente os EUA. Ngo Dinh Diem logo se tornaria um ditador, cancelando as eleições e proclamando a independência do Sul. Porém, houve uma resistência interna no Sul independente, de orientação comunista, disposto a lutar contra a interferência norte-americana e pela redemocratização do país. A partir dos anos 1970, sem um avanço significativo contra o Norte, e contabilizando milhares de mortos, a derrota norte-americana era iminente. Diversos grupos protestavam abertamente contra o conflito. Feministas, hippies, músicos, intelectuais, jornalistas, formadores de opinião, levantavam suas vozes e pediam pelo fim do conflito. O Vietnã foi um dos primeiros conflitos a ter a cobertura maciça da imprensa e a divulgação das informações vindas diretamente do front revelavam o horror da guerra.

Três anos após a unificação do Vietnã, eclode, no Irã, uma guerra civil, que ficaria conhecida como Revolução Iraniana. O Oriente Médio era palco de disputa e alvo de muitos interesses, por ser a maior região petrolífera do planeta. O Irã era governado pelo Xá (monarca) Reza Pahlevi. Pahlevi favorecia os interesses norte-americanos o que provocava a oposição dos nacionalistas, que não desejavam interferências estrangeiras em sua soberania nacional. A população, insatisfeita, levou ao poder o aiatolá Ruhollah al-Khomeini no ano de 1979. Esta revolução levou ao poder o fundamentalismo islâmico, a ala radical dos muçulmanos. Logo, radicais e moderados passaram ao embate, provocando uma guerra civil. Em 1980, Saddam Hussein, líder do Iraque, invade o Irã em busca de territórios. É importante ressaltar que Hussein era apoiado pelos EUA do presidente Ronald Reagan. Este mesmo Hussein foi, anos mais tarde, acusado de crimes de guerra e retirado do poder por pressão norte-americana. A Guerra Irã-Iraque prosseguiu até os anos 1990, quando o Iraque finalmente reconheceu a posse do Irã de seu território original. Esta foi uma guerra sem vitoriosos e os dois países sofreram intensas perdas, humanas e materiais.

Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o posterior esfalecimento da União Soviética, teve fim uma das mais longas guerras da história, a Guerra Fria.

 

Resumo da Aula 09 – O Fim da URSS e a Nova Ordem Mundial

A década de 1970 foi caracterizada por uma série de acordos, objetivando, sobretudo, o controle da produção e a comercialização de armamentos entre os dois blocos envolvidos na guerra fria. Pois qualquer conflito poderia lançar mão de armas nucleares, o que seria devastador não só para os países envolvidos, mas para todo o planeta. O presidente dos EUA, no período, John F. Kennedy, foi assassinado no Texas, em 1963, por Lee Harvey Oswald. O atirador alegava ser inocente e estaria sendo incriminado somente por ter vivido parte da sua vida na URSS. Oswald foi morto enquanto era transferido para prisão. Com a morte de Kennedy, Lyndon Johnson assume a presidência. Seu governo recrudesce a participação dos EUA, na Guerra do Vietnã, empenhando no combate ao socialismo. É somente no governo do republicano Nixon, em 1968, que se inicia uma conciliação com os países comunistas, sem comprometer o bloco capitalista.

No início dos anos 1970, os EUA defende a entrada da China no Conselho de Segurança da ONU. Este Conselho foi criado em 1946, um ano depois da fundação da ONU, e é formado por 15 membros, dentre os quais apenas 5 são permanentes. Atualmente, são eles: EUA, Rússia, China, Reino Unido e França. As outras 10 vagas são preenchidas mediante eleição da Assembléia Geral e cada país pode ocupá-la por 2 anos. O apoio de Nixon à entrada da China comunista no Conselho de Segurança da ONU, demonstrou o início de um período que ficou comumente conhecido como detente (afrouxamento da austeridade política que dividia o mundo até então) e caracteriza a década de 1970. A aproximação entre China e EUA se consolidou, em 1972, com a visita de Nixon ao país, governado por Mao Tse Tung. Após a vitória do comunismo chinês e a ascensão de Mao Tse Tung ao poder, o líder comunista se referia ao Ocidente como “tigre de papel”, demonstrando que, na verdade, não havia nada a temer. O secretário do Estado norte-americano, Henry Kissinger, foi um dos principais articuladores da aproximação EUA/China e se tornou um dos maiores especialistas em política internacional na história recente. Por outro lado, a política de Nixon foi incrivelmente inovadora, já que quebrava o isolamento diplomático de décadas entre os blocos capitalista e socialista. Nixon também se encontrou com Brejnev, líder da URSS, rendendo a assinatura do primeiro SALT – Strategic Arms Limitation Talks – as conversações sobre limites de armas estratégicas, cujo termo envolve diversos tipos de armamentos, como aviões de guerra, armas nucleares e mísseis intercontinentais. No ano de 1972, Nixon caiu no “escândalo Watergate”, que obrigou-o a renunciar. Membros do Partido Republicano foram acusados de espionar o partido rival, Democrata. Watergate era o nome do complexo de prédios localizado em Washington onde abrigava a sede do Partido Democrata. Nixon foi obrigado a renunciar e esta renúncia ocorreu em 1974.

Os sucessores de Nixon, Gerald Ford e Jimmy Carter, continuaram com a política externa de Nixon. Entretanto, no governo de Ronald Reagan (1981-1989), esta política sofre alguns percalços. Em 1980, ainda na gestão de Carter, os norte-americanos boicotam as Olimpíadas realizadas em Moscou, devido a invasão soviética no Afeganistão ocorrida em 1979. Em 1984, foi a vez dos soviéticos boicotarem as Olimpíadas do mesmo ano sediadas em Los Angeles. Em 1985, Mikhail Gorbatchev assume o poder na URSS. O novo líder estabelece um conjunto de amplas reformas, fundado em dois pilares: a Glasnost (transparência) e a Perestroika (reconstrução/reestruturação). Em 1987, Gorbatchev assinou o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, implicando na destruição e controle de mísseis de médio e longo alcance. Pouco antes da assinatura do Tratado, em junho de 1987, Reagan, em visita a Alemanha, discursa pela queda do Muro de Berlim. Cabe lembrar que, ao imputar a Gorbatchev a decisão acerca da manutenção ou queda do muro, Reagan isentava os EUA da responsabilidade pela existência desta estrutura, já que, após a Segunda Guerra, o país havia apoiado a divisão da Alemanha. Em 1989, o muro caiu e surpreendeu o planeta. O ministro alemão Helmut Kohl proclamava ser aquele o início de uma Alemanha como jamais havia sido visto. Com a unificação, a Alemanha se tornava a terceira maior potência na época, atrás somente dos EUA e do Japão. A queda do muro e a adoção do capitalismo foi interpretado como a falência do regime socialista.

Apesar dos esforços de Gorbatchev, a Perestroika e a Glasnost conseguiram desagradar tanto aos socialistas radicais como aos simpatizantes do capitalismo. Para os socialistas, as medidas representavam a fraqueza do líder soviético que comprometia o regime. Para os capitalistas, tais medidas eram mudanças de pouco alcance, cujos resultados só poderiam ser vistos a longo prazo. Sem apoio, Gorbatchev viu as repúblicas soviéticas se organizarem sob uma nova bandeira, a CEI, Comunidade dos Estados Independentes, em dezembro de 1991. Logo depois da criação da CEI, no natal de 1991, Gorbatchev renunciou.

O fim da URSS implicou no término da Guerra Fria e, portanto, da bipolaridade. De imediato, os EUA emergem como potência nesta Nova Ordem Mundial, mas logo ficaria claro que, com o desenvolvimento europeu e chinês, a nova realidade seria multipolar. Os mercados mundiais passaram a ser unificados em torno do capitalismo – ainda que o socialismo e o comunismo se mantivessem em alguns países, como Cuba e China – e o processo de globalização foi acelerado.

 

Resumo da Aula 10 – Terrorismo e Política Externa Norte-Americana

Após o fim do governo Ronald Reagan, assumiu a presidência dos EUA, George H. W. Bush, cujo mandato se estendeu de 1989 a 1993. Essa foi a última gestão antes do fim da URSS e foi marcada pela Guerra do Golfo. Esta guerra eclode em 1990, mas não há uma interferência direta da Guerra Fria. Neste mesmo ano, Saddam Hussein, líder do Iraque, invade o Kuwait, rico em petróleo. Rapidamente, os EUA reagem, apoiados pelas Nações Unidas, pelo Reino Unido e pela França. Esta guerra mostrou a preocupação do Ocidente com os países do Oriente Médio, devido ao fato de estes concentrarem as maiores reservas de petróleo do planeta. A derrota do Iraque foi uma demonstração do poderio ibérico norte-americano. Apesar do enorme sucesso, a Guerra do Golfo provocou um enorme gasto financeiro. Por isso, o republicano George H. W. Bush não conseguiu ser reeleito, perdendo as eleições para o democrata Bill Clinton.

Embora a Guerra Fria trouxesse uma aparência de “passividade” às relações internacionais, logo esta realidade mostrou ser apenas ilusória. Como exemplo dessa ilusão, podemos citar os conflitos do Afeganistão. O país havia sido ocupado pela URSS, que apoiou a posse de Barbrak Kamal, em 1980. Visto como um governo que cedia aos interesses estrangeiros, cresce a resistência local pelos mujahedins (guerrilheiros) que buscam expulsar o invasor. Estes guerrilheiros eram apoiados pelos EUA, Paquistão e Arábia Saudita. Nos anos 1980, este grupo forma uma aliança levando o líder soviético Mikhail Gorbatchev a iniciar o movimento de desocupação das tropas soviéticas, concluído em 1988. A ocupação soviética levou o Afeganistão a uma guerra civil entre os nacionalistas e aqueles que defendiam o governo. Durante esses conflitos, o grupo Talibã, fundamentalistas islâmicos, ascendeu ao poder. Este grupo defendia o estabelecimento do Estado que seguisse rigidamente os princípios do Islamismo. Com a milícia talibã no poder, as mulheres foram proibidas de trabalhar fora de casa e foi restaurada a punição de apedrejamento até a morte. O adultério e o homossexualismo são considerados crimes em alguns países que professam a fé islâmica.

Paquistão e Arábia Saudita reconheceram o Talibã como o legítimo governo afegão. Medidas radicais foram tomadas, como a destruição das estátuas históricas de Buda, em 2011, considerado um patrimônio. Neste mesmo ano, em 11 de setembro, dois aviões de passageiros foram lançados contra as torres gêmeas do WTC, em Nova Iorque, no Pentágono e em Pittsburg, na Pensilvânia. Estima-se que tinha como destino a Casa Branca, em Washington, mas os sequestradores foram impedidos pelos passageiros de alcançar seu alvo. Os atentados, reivindicados pelo grupo terrorista Al Qaeda, liderado por Osama Bin Laden, deixaram milhares de mortos, quase todos civis. Tal ataque não só mudou os rumos do país, mas, também, de toda a política internacional. Foi formado uma coalizão antiterrorismo, liderada pelos EUA e apoiada pelo Reino Unido. O alvo era o Afeganistão, sede do grupo terrorista Al Qaeda. Os EUA exigiam a entrega de Osama Bin Laden para julgamento. Porém, o líder talibã, mulá Omar, recusou-se a cumprir a exigência. Esta atitude fez com que os países como Arábia Saudita e Paquistão, aliados do Afeganistão, rapidamente retirassem seu apoio e o país ficou sozinho para lutar contra a ameaça norte-americana. Em outubro de 2001, Cabul foi bombardeada e o governo talibã deposto pelas forças de coalizão. Um novo governo foi instituído, mas a guerra continuou por mais de uma década.

O presidente George W. Bush estipulou o que ficou conhecido como Doutrina Bush, uma série de princípios que justifica o combate ao terrorismo em qualquer parte do mundo. Segundo essa doutrina, os EUA podem interferir militarmente em qualquer país que considere uma ameaça terrorista ou que abrigue terroristas – como é o caso do Afeganistão. Além disso, podem depor regimes que considerem uma ameaça à segurança nacional – como no Iraque. Essa doutrina deu origem à chamada “guerra preventiva”, que busca impedir novos atentados em solo americano ou aliado.

Nos EUA existem diversos partidos, além de candidatos independentes, sem partido, que também podem ser eleitos. Mas, na prática, apenas dois partidos se revezam na presidência: republicanos e democratas. Como a eleição não é direta, e sim feita através de colégios eleitorais, Bush foi eleito sem ter recebido maior número de votos total da população. Esta eleição, ocorrida em 2000, também foi marcada por inúmeras acusações de fraude. Dessa forma, o novo presidente assume o cargo sob uma atmosfera de legitimidade, e o ataque terrorista marcou sua primeira grande atuação na presidência e garantiu sua eleição para um segundo mandato. No plano interno, foi assinado o Ato Patriótico, que cassava uma série de liberdades civis. A partir deste ato, tornou-se possível monitorar qualquer comunicação – internet, email, correios, ligações telefônicas, etc – de cidadãos americanos e estrangeiros, sem autorização prévia da justiça. Em 2004, a segunda gestão de Bush foi marcada pela guerra preventiva contra o Iraque. Além disso, houve inúmeras críticas internas contra o Ato Patriótico e, também, o furacão Katrina devastou a cidade de Nova Orleans, em 2005, mostrando uma certa inabilidade da parte do governo em lidar com as consequências naturais.

A Guerra do Iraque, que também caracterizou a segunda administração de Bush, levou a uma enorme crise financeira. Sob justificativa de que o Iraque possuía armas de destruição em massa, o país foi invadido em 2003. Bush e o primeiro ministro britânico, Tony Blair, temiam que Saddam Hussein, líder iraquiano, pudesse se constituir em uma ameaça imediata de terrorismo. Em 2003, Hussein foi deposto e, em 2006, foi condenado a morte pelos iraquianos. Mesmo após sua morte, a guerra continuou. Com efeito, em 2005, Londres sofreu um dos maiores ataques terroristas de sua História, também empreendido por fundamentalistas islâmicos. A guerra do Iraque prosseguia e, em Bagdá, foi criada a Zona Verde, uma área de não agressão, e mesmo com a cidade destruída e a ameaça terrorista aparentemente controlada, somente em 2011 o conflito teve fim.

O legado da Era Bush, além da manutenção de sua doutrina, foi uma intensa crise financeira. O investimento na indústria bélica deixou de lado questões internas, como a caótica situação da saúde. Em 2008, seu governo se encerra em meio a uma das maiores crises financeiras da História dos EUA, comparável com a Crise de 1929. As eleições seguintes deram vitória ao democrata Barack Obama, que assumiu o compromisso de sanear as finanças, desocupar o Afeganistão, acabar com o Ato Patriótico, revitalizar o sistema de saúde e fechar a base de Guantánamo. Mas, até meados de sua segunda gestão, nenhuma dessas plataformas foi cumprida. Além disso, houve uma crise no mercado mobiliário. De forma simples, Bush investia na construção de imóveis. Logo, havia mais residências que compradores, e os bancos passaram a estender seus financiamentos mesmo sem garantia de pagamento de empréstimos. Quando as pessoas passaram a não conseguir quitar seus empréstimos, os bancos retomavam estas casas e as colocavam no mercado novamente. Sem crédito, não havia como comprar imóveis, e os bancos se viram donos de diversas propriedades. Quando o Lehman Brothers, o quarto maior banco norte-americano, decretou falência, a situação já era irreversível.

 

Obrigado pessoal!

Bons estudos!

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Ola pessoal!

Nesta postagem irei apresentar um resumo das aulas da disciplina História Contemporânea I do 5o Período do curso Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

Obs.: Favor não confundir esta postagem com a postagem História do Pensamento Contemporâneo. São estudos diferentes.

 

Resumo da Aula 01 – O Mundo Contemporâneo

A História Contemporânea tem seu início em 1789, com a Revolução Francesa e perdura até os dias de hoje. Essa periodização clássica nos mostra que categorizar uma era que já dura pouco mais de 3 séculos não é um período tão duradouro, se levarmos em consideração que a Idade Média durou mais de 100 anos. O historiador Eric Hobsbawm se referia ao século XX como um século breve. Essa definição se deve as intensas transformações vividas após a Primeira Guerra Mundial. Em pouco mais de 3 séculos, as transformações na geopolítica, nos costumes, na cultura e na tecnologia foram intensas e avassaladoras, isso provocou o uso de outras categorias para a Idade Contemporânea, como a expressão pós-modernidade.

É provável que analisar os fenômenos contemporâneos seja uma tarefa tão ou mais árdua que compreender as estruturas do império romano ou do feudalismo. Este temor reacende uma velha discussão sobre a objetividade e a subjetividade no estudo da História. Segundo Hobsbawm, o que dificulta a compreensão não são apenas nossas convicções apaixonadas, mas também a experiência histórica que as formou. Compreender a era nazista na história alemã e enquadrá-la em seu contexto histórico não é perdoar o genocídio. O esforço de compreensão pode ser facilitado ao entendermos os processos históricos interligados entre si e na era contemporânea, essa necessidade se torna ainda mais evidente.

Quando a Igreja Católica era hegemônica, antes da Reforma Protestante, ela ocupava um lugar de poder único em todos os reinos europeus. Sua influência chegou a América através da expansão marítima. Não é a toa que a América é atualmente, um dos continentes com o maior número de católicos do mundo. Mas a reforma possuía outras características, bem menos ressaltadas que a intensa perseguição que os protestantes sofreram dos católicos: a necessidade de tolerância religiosa. Como exemplo, podemos citar o caso da Irlanda, cujas disputas entre católicos e protestantes é um dos fatores da divisão do país e deu origem a diversos atentados terroristas. Hoje, o número de adeptos das religiões protestantes aumenta dia a dia.

Não menos importante é a questão do Estado. Nas revoluções burguesas ocorridas na Inglaterra e na França, é estabelecido o chamado Estado de direito, com base em uma Constituição. Esse modelo é hoje adotado por todos os países do mundo. E é também uma de nossas maiores dificuldades em analisar como processo histórico. Nossa tendência é olhar o mundo que conhecemos como normal, como se sempre tivesse sido assim, tendo dificuldades em compreender que certas “normalidades” são fruto de conquistas ocorridas há séculos.

A Era Moderna lança suas bases de estruturas que, devidamente reformadas, dariam origem não só aos Estados contemporâneos, mas a todos os aspectos da vida social, como os princípios de cidadania e republicanismo que se propagariam a partir da Europa. Na Era Napoleônica, quando Napoleão foi exilado em Elba, tiveram início as negociações de paz entre a França e os países que haviam sido invadidos durante os anos de guerra. Estas negociações levaram a assinatura do Tratado de Paris em 1814. A França se comprometeu a pagar indenizações aos países envolvidos e que haviam saído vencedores do conflito, como Prússia, Áustria, Rússia e o Reino Unido.

A Era Napoleônica também fez com que a família real de Portugal fugisse para o Brasil, em 1808, com o apoio da Inglaterra. Mas esse apoio teve um preço. Em 1808, foi proclamada a abertura dos portos às nações amigas e, em 1810, Dom João VI firmou com os britânicos uma série de acordos, dentre os quais o tratado de Navegação e Comércio. Um tratado que fez os produtos ingleses serem mais baratos do que os produtos portugueses, levando a economia de Portugal às ruínas.

Em torno de uma década, a Europa seria sacudida por uma série de revoltas, e uma enorme onda liberal. A França foi um dos primeiros lugares onde ocorreram os conflitos. O Congresso de Viena declarou a restauração das monarquias e do Rei Luís XVIII da dinastia Bourbon. Pela nova Constituição, a autoridade máxima do executivo seria o rei e o legislativo seria composto por duas câmaras: A Câmara dos pares, onde os representantes eram escolhidos diretamente pelo Monarca. E a Câmara dos deputados, eleito pelo voto censitário, ou seja, quem tinha renda estava habilitado como eleitor o que na prática quer dizer a burguesia.

 

Resumo da Aula 02 – Revolução Industrial

Quando pensamos em “revolução”, imediatamente imaginamos batalhas, soldados e conflitos. No entanto, a revolução não é sinônimo de guerra ou conflito, mas sim de transformação. De modo geral, podemos dizer que a Primeira Revolução Industrial se caracterizou pela mudança no modo de produção – de artesanal para manufaturado – e pela progressiva alteração de energia utilizada, que deixou de ser somente humana ou animal para ser substituída pelo carvão e, mais tarde, pela eletricidade. Na Segunda Revolução Industrial, embora a Inglaterra tenha sido pioneira, durante o século XIX, outros países também viveram suas revoluções industriais, tais como a França, a Alemanha, o Japão e os EUA. Atualmente, o desenvolvimento tecnológico, a mecanização da produção e a utilização da robótica, nos levaram a Terceira Revolução Industrial.

Durante a Idade Média, a mão de obra era servil e o centro da vida econômica estava no feudo, já que a economia era marcadamente agrária. Na Idade Moderna, temos uma ruptura com o modelo feudal: há o renascimento das cidades, a mão de obra livre e a produção artesanal, que alimentava o comércio. Na produção artesanal, o artesão era dono de sua força de trabalho e dos meios de produção. Também não havia divisão de trabalho. Um mesmo artesão estava presente em todas as etapas de confecção de um produto. Já na linha de fábrica, o trabalhador se torna responsável por uma única etapa da produção. Se ele for um trabalhador – como era o artesão da era moderna -, fará apenas uma parte do produto. Sendo assim, cada trabalhador faz um pedaço, que é montado no final da linha de produção.

A Inglaterra tornou-se pioneira na Revolução Industrial devido aos seguintes fatores:

  • Destaque político da classe burguesa, que ocupava cadeiras no Parlamento Inglês;
  • Acumulação primitiva de capital;
  • Existência de um exército de mão de obra;
  • Processo de cercamento de campos;
  • Jazida de carvão mineral, o que possibilitava o desenvolvimento de fábricas movidas a esse combustível;

Então, com a Revolução Industrial, o Capitalismo se consolida como o modo de produção predominante no século XX. Dessa forma, a partir do século XVIII, a indústria substitui o comércio como principal fonte de riqueza. A burguesia permanece, mas surge uma nova classe, o proletariado. Se na Idade Média havia uma burguesia comercial, na Idade Contemporânea nasce a burguesia industrial. Em primeiro lugar, é fundamental compreendermos que os direitos trabalhistas que usufruímos hoje são resultados de uma longa trajetória de luta operária. Em segundo lugar, as duas principais correntes do pensamento econômico dos séculos XIX e XX, Capitalismo e Socialismo, foram gestadas por meio do entendimento das relações entre o trabalho e os meios de produção.

Buscando aumentar a produtividade da fábrica, o trabalho passa a ser dividido em etapas. Essa divisão dava origem à linha de montagem, da qual Henry Ford foi o pioneiro ao aplicá-la à indústria automobilística. Além disso, esse tipo de divisão gera uma especialização da mão de obra, característica que pode ser percebida até nas linhas de montagem das fábricas atuais. Quanto maior o número de produtos, mais barato ele custa. Logo, maiores serão sua capacidade de venda e sua procura. Se analisarmos todas as crises de superprodução, como a que ocorreu em 1929, ou a queima do café no Brasil no período da República Velha, partiremos sempre desta premissa: quanto maior o número de mercadorias no mercado, menos custarão.

Todas essas mudanças promoveram também um amplo desenvolvimento tecnológico, percebido na utilização de diferentes formas de energia, como o carvão, e no investimento em transportes e em comunicação. Os transportes, como as ferrovias, tinham como objetivo sobretudo o escoamento de mercadorias, agora produzidas em grande quantidade e destinadas ao mercado externo, o que acabou por tornar a Inglaterra uma das maiores economias exportadoras de seu tempo. Com o resultado da Revolução Industrial Inglesa, temos: a urbanização, a transformação do mundo do trabalho, a produção em larga escala e o desenvolvimento da infraestrutura. Tais características se espalhariam pela Europa no século seguinte e configurariam a Segunda Revolução Industrial.

 

Resumo da Aula 03 – Os Modos de Produção: Capitalismo e Socialismo

Desde a Idade Média, o modelo produtivo passou por diversas transformações. O feudalismo baseou-se na mão de obra servil e seu centro de vida econômica era o feudo. Em seguida, veio o mercantilismo que, embora não seja um sistema econômico, o mercantilismo pode ser definido como um conjunto de práticas econômicas que daria origem ao Capitalismo. Sabemos que, durante a Idade Média, a religião dominante era o Catolicismo. A Igreja Católica condenava o lucro como prática religiosa. Entretanto, com a decadência do sistema feudal e a formação de uma classe burguesa cujos interesses mercantis eram exatamente para gerar lucro, passou haver uma incompatibilidade entre o que a Igreja Católica pregava e as necessidades burguesas. Esse é o pano de fundo para as reformas protestantes, que, mais do que um fenômeno social e de questionamentos do modelo católico, são uma resposta aos anseios burgueses, que abraçam o movimento reformista.

O mercantilismo como prática econômica própria dos estados nacionais possuía alguns princípios fundamentais: Metalismo, Balanço Comercia Favorável, Protecionismo e Pacto Colonial. De modo geral, para o mercantilismo, o sentido de riqueza eram as reservas de metal precioso; no feudalismo, a riqueza era medida pela posse da terra. A importância do metal precioso – ouro, prata, cobre – era para cunhar moedas. Então, isso fortalecia a economia monetária e, consequentemente, o comércio. O protecionismo marca a formação dos monopólios, ou seja, a necessária intervenção do Estado em todos os aspectos da economia. Como era necessário a interferência do Estado para regular a economia, é compreensível que ela tenha se desenvolvido durante o período absolutista. No entanto, conforme a burguesia se desenvolve e se afirma como classe, essa interferência real, que já foi necessária, torna-se um fardo, pois impede o livre desenvolvimento do comércio. Surgem então novas teorias econômicas, que vão compor o quadro que chamaremos de modo capitalista de produção.

Duas correntes do pensamento se destacam a partir do século XVIII: a fisiocracia e o liberalismo. As duas correntes se opunham à ingerência do Estado na economia. Entretanto, os fisiocratas defendem que a fonte de toda riqueza está na terra, enquanto os liberais defendem a preponderância das relações comerciais. Um dos principais nomes da fisiocracia foi o francês François Quesnay. As teorias fisiocratas diferem da economia medieval, pois a agricultura permite que seja gerado o excedente. Excedente é tudo aquilo que não é necessário à subsistência e, logo, pode ser comercializado. Dessa maneira, a fisiocracia não se posiciona contra o comércio, mas o entende como atividade acessória para o desenvolvimento agrário.

As teorias de François influenciaram o pensamento de Adam Smith criando a ideia de “oferta-procura”, isto é, quanto maior a procura do produto, maior será o seu preço. Smith defende a não intervenção do Estado em uma teoria que ficaria conhecida como liberalismo. Para Smith, a economia se autorregularia tendo como principal ferramenta a fixação de preços. Smith é o pai da economia moderna e é considerado o mais importante teórico do liberalismo econômico. Ele analisou a divisão do trabalho como um fator evolucionário poderoso a propulsionar a economia. As teorias liberais iam diretamente ao encontro dos interesses burgueses, que viam na liberdade de comércio e na livre concorrência o futuro do mercado. Das teorias clássicas, podemos inferir que o Capitalismo é sustentado pelo tripé: Lucro, Propriedade privada e Trabalho assalariado.

Além de Adam Smith, temos também David Ricardo que expande essas teorias aplicando-as sobretudo ao mercado externo, propondo as vantagens comparativas, na qual a relação econômica entre dois países, ainda que não seja igualitária, trará benefícios para ambas as partes. Em seguida temos as teorias do economista Thomas Malthus que serviram como base para as mais diversas áreas de pensamento, como a biologia. Além disso, a ideia de que se deveria produzir a partir de uma demanda inspiraram outros teóricos do capitalismo.

Eric Williams, um dos estudiosos sobre o tema que envolve o capitalismo e a escravidão, recorre a Smith para pontuar a questão do trabalho escravo:

O trabalho feito por escravos, embora pareça custar apenas o sustento deles, no final é o mais caro de todos. Uma pessoa que não pode adquirir bens não terá outro interesse senão comer o máximo e trabalhar o mínimo possível (Williams, 2012, p. 32)

O escravo não recebia salário; não era, portanto, consumidor. Logo, não demandava mercadorias, impedindo o pleno desenvolvimento do comércio. Entretanto, a sociedade brasileira neste momento, embora pautada no trabalho escravo, também se utilizava do trabalho assalariado e, após a chegada da família real em 1808, desenvolveu a manufatura. Dessa forma, não há um consenso acerca dessa questão de o Brasil, antes da abolição da escravatura, poder ser considerado uma economia capitalista.

O Capitalismo é fruto de transformações políticas e sociais que ocorreram ao longo da Era Moderna. É bem diferente das teorias socialistas, que se basearam na construção de um modelo ideal de modo de produção. Essa configuração social provocaria a desigualdade entre as classes sociais e, à medida que o capitalismo se desenvolvia, em especial no início da industrialização, o abismo entre pobres e ricos só aumentava. Então, ao observar o inchaço das cidades, a miséria do operariado e o enriquecimento da burguesia, com o apoio do Estado, foram surgindo novas teorias que se oporiam ao capitalismo, as teorias socialistas. Desde o século XVIII, essas teorias têm sido geradas, no que foi chamado por karl Marx e por seus contemporâneos de socialismo utópico. Logo, devemos dividir tais teorias em: Socialismo Utópico e Socialismo Científico.

O socialismo utópico foi reproduzido entre os séculos XVIII e XIX e criticavam, de modo geral, as condições de vida às quais eram submetidas a classe trabalhadora, além da desigualdade social provocada pelo capitalismo. Suas teorias são baseadas em uma nova visão do papel do Estado, atuante e coletivo, e, portanto, oposto ao liberalismo. O teórico Robert Owen defendia a existência de pequenas comunidades nas quais a desigualdade social fosse mínima ou inexistente. O teórico Saint-Simon defendia que o Estado deveria interferir na economia e distribuir recursos de acordo com a capacidade dos indivíduos, permitindo que cada um desenvolvesse suas potencialidades em harmonia. O teórico Charles Fourier elaborou a teoria das comunidades-modelo, formada por pequenas unidades produtivas e cooperativistas, sendo por isso conhecido como um dos pais do cooperativismo. O teórico Louis Blanc desenvolveu a ideia de que o Estado deveria incentivar as associações profissionais, semelhantes às corporações de ofício, em que os lucros seriam divididos igualmente entre Estado e trabalhadores que fizessem parte dessa associação. O teórico Pierre-Joseph Proudhon levantou teorias anarquistas recusando o título de socialismo utópico. Proudhon criticava as relações de trabalho capitalista e defendia uma sociedade sem Estado. Proudhon foi fortemente criticado por Marx, assim como os demais socialistas utópicos.

O socialismo científico se deve as teorias de Marx e Engels, pois propõem, de fato, uma modificação do Estado e a abolição de princípios capitalistas, em especial, da propriedade privada. Para Marx, a história da humanidade é uma história da luta de classes, e o trabalho é a atividade fundadora das sociedades. Ele funda a ideia de mais-valia que seria a base do lucro do capitalista, ou burguês, que é definido como dono dos meios de produção. O socialismo do século XIX chegará ao século seguinte como alternativa política e econômica ao capitalismo. As teorias marxistas foram incorporadas por Lenin, que as aplicou na Rússia após 1917, quando uma revolução derrubou o sistema monárquico e instaurou o regime socialista. O autoritarismo socialista se espalharia sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, quando tem início o período de Guerra Fria, uma disputa ideológica por zonas de influência liderada pela União Soviética, socialista, e pelos EUA, capitalista.

 

Resumo da Aula 04 – A Formação da Classe Trabalhadora: Primavera dos Povos

O grande marco do século XVIII na Europa foi, certamente, a Revolução Francesa, que consolidou um século de conquistas burguesas. O Antigo Regime, porém, deixou resquícios nos estados europeus, que seriam responsáveis pela nova onda revolucionária que eclodiria durante o século XIX. O século XIX é a época do triunfo do liberalismo. Quando a família real veio para o Brasil, em 1808, Portugal foi deixado à própria sorte, com um imenso vazio no poder. Com a abertura dos portos às nações amigas, todo o comércio ultramarino português passou a se dar por meio dos portos brasileiros, levando a burguesia mercantil portuguesa a uma grave crise econômica. Por outro lado, a vinda da família real para o Brasil foi um acontecimento inédito na história mundial, já que nunca antes uma corte completa havia deixado seu reino para se alojar em uma colônia, especialmente em terras tão distantes quanto o Brasil. Mas, em seguida, os revoltosos reivindicavam a volta imediata da corte de Portugal, uma nova Constituição baseada em princípios liberais e a recolonização do Brasil, que havia sido elevado a Reino Unido de Portugal e Algarves. Diante das pressões portuguesas, não restou outra saída a Dom João VI a não ser o retorno imediato a Portugal, deixando seu filho Dom Pedro I como regente do Brasil. Como podemos ver, a onda liberal se alastrou pelo planeta.

Frequentemente, liberal tem sido usado como oposição a conservador, tendo este o significado relacionado ao Antigo Regime. Como corrente filosófico, o liberalismo pode ser localizado no contexto do movimento iluminista, que, por sua vez, seria a base ideológica dos mais diversos movimentos, da independência dos EUA à Revolução Francesa. Na França, após a revolução de 1789, tem início a Era Napoleônica, que tem como um dos saldos mais importantes a redefinição do mapa geográfico europeu. Após a derrota de Napoleão, a monarquia na França foi restaurada pela dinastia Bourbon, assumindo o trono o rei Luís XVIII. Era necessário conciliar os interesses da aristocracia e da burguesia, as mais influentes classes políticas desse período. Isso implicou uma disputa pelo poder entre essas classes.

Luis XVIII outorgou uma nova Constituição, que aliava conquistas obtidas na Revolução Francesa, como a liberdade de pensamento e a igualdade jurídica, com princípios remanescentes do Antigo Regime. O voto censitário foi estabelecido, o que fez cair radicalmente o número de eleitores na França. Neste contexto, podemos destacar a atuação de três grupos: Ultrarrealistas – Constituído pela nobreza e liderado por Carlos de Bourbon; Liberais – Liderados por La Fayette e defendiam as conquistas da Revolução Francesa; Constitucionalistas – Desejavam a obediência irrestrita à Constituição, liderados por Guizot. Luis XVIII morre em 1824, e seu irmão, líder dos ultrarrealistas, sobe ao trono com o título de Carlos X.

Quando ocorreu a Revolução Francesa, muitos nobres foram perseguidos e alguns deles fugiram para outros reinos. Seus bens foram confiscados e incorporados ao patrimônio do Estado. Com a restauração, muitos nobres puderam retornar à França fazendo parte dos ultrarrealistas. O que Carlos X parecia não compreender é que as revoluções burguesas deram um fim ao absolutismo monárquico e as tentativas de restaurá-lo implicariam conflito. Então, o povo se revoltou. A imprensa recusou-se a seguir as leis e continuou exercendo a liberdade de expressão que havia sido tão duramente conquistada. Entre 27 e 29 de julho, houve uma intensa luta na capital francesa, que ficou conhecida como os três dias gloriosos. Ao final, o rei foi deposto e obrigado a fugir.

A Revolução de 1830 na França inspirou diversas obras. Entre os mais importantes está Os Miseráveis, de Victor Hugo. A deposição do rei permitiria a instalação de um regime republicano na França, a exemplo do que ocorrera em 1792, quando o país viveu sua Primeira República, mas não foi o que se deu. O governo de Luís Felipe I foi uma monarquia constitucional, como desejavam os burgueses. Não à toa, seu reinado pode ser considerado a era de ouro da burguesia. Apesar do estabelecimento de uma monarquia constitucional, os ideais republicanos não esmoreceram e, embora de início esse reinado tenha assumido uma aparência democrática, aos poucos, à medida que surgiam novos conflitos de interesses – entre burgueses e operários, por exemplo – e cresciam os movimentos republicanos, a política repressiva do Estado endureceu, causando grande descontentamento entre a população, o que levou à sua deposição em 1848 e à instauração da Segunda República Francesa.

No rastro da Revolução de 1830 na França, outros movimentos eclodiram na Europa. O Congresso de Viena havia reunido Holanda e Bélgica em um único reino denominado Países Baixos. Entretanto, as diferenças entre eles eram visíveis e, aparentemente, irreconciliáveis. Os belgas eram católicos e os holandeses eram protestantes. Mas não era somente a religião o grande obstáculo, mas também a marcada diferença acerca do papel do Estado no tocante à economia. Enquanto os holandeses já detinham um sistema mercantil organizado e, por isso, eram adeptos ao liberalismo, os belgas ainda necessitavam do controle e do protecionismo estatal para desenvolver sua indústria nacional. Além disso, o rei Guilherme I favorecia claramente os holandeses em detrimento dos belgas. Então, em 1830, eclodiu a Revolução Belga, que desejava a independência do reino. A Revolução Belga de 1830 fez os habitantes das províncias do sul – em sua grande maioria eram católicos romanos – do Reino dos Países Baixos rebelarem-se contra a hegemonia das províncias do norte, principalmente protestantes.

As revoluções de 1830 foram o ponto de partida para a Primavera dos Povos, ocorrida em 1848, que podemos definir como uma onda revolucionária em diversos reinos europeus. Embora haja a tendência de olhar a Primavera dos Povos do ponto de vista político ou econômico, esse movimento demanda outros olhares, tendo sido importante para a formação da sociedade europeia contemporânea. Entre 1846 e 1848, o continente sofreu uma severa crise agrária, resultando em parcas colheitas. A escassez de alimento fez com que este tivesse seu preço aumentado, causando uma enorme fome entre a população mais pobre. De forma menos aguda, a intranquilidade também afetou a Espanha, a Dinamarca e a Romênia; de forma esporádica, a Irlanda, a Grécia e a Grã-Bretanha.

O caso italiano é peculiar, pois, além dos reinos, havia os estados papais, sob o domínio da Igreja. Os estados do Norte e do Centro eram mais industrializados, e o Sul italiano marcadamente agrário. Essa diferença regional era também um entrave no processo de unificação. A partir de 1846, tanto o Papa Pio IX quanto o rei Carlos Alberto, do Piemonte-Sardenha, estabeleceram Reformas Liberais. Tais reformas inspiraram a eclosão de movimentos no Sul, cuja política era ainda bastante conservadora. É importante ressaltar que as monarquias não tinham interesses republicanos e buscavam reprimir esses movimentos onde quer que ocorressem para que pudessem manter a ordem estabelecida.

Na França, o movimento de 1848 culminou com a deposição do rei e a instauração da República. Três correntes principais se opunham ao rei Luís Felipe: Legitimistas – defendiam a volta de um Bourbon ao trono, o rei era da casa de Orleans; Republicanos e os Bonapartistas – que apoiavam Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão. Seguindo os passos do tio Napoleão, Luís deu um golpe de estado em 1851 e restaurou novamente a monarquia, sagrando-se imperador.

A Alemanha também não havia se unificado, mas vigorava, desde 1834, o Zollverein que era uma elite aduaneira liderada pela Prússia, e permitia o livre-comércio entre os estados germânicos. As monarquias alemãs possuíam forte influência absolutista, e as reformas liberais eram poucas ou insuficientes para suprir as necessidades de um mercado em constante expansão.

Em comum, todos esses movimentos possuem a participação ativa da classe trabalhadora. Os trabalhadores reivindicavam melhores condições de vida e, mais tarde, direitos trabalhistas. Essas demandas ganham força especialmente após a Revolução Industrial, pois o desenvolvimento econômico não implicou a melhoria das condições de vida dessa classe. Foi nesse contexto que as ideias socialistas ganharam força. Foi em 1848, o ano da Primavera dos Povos, que Karl Marx e Friedrich Engels publica O Manifesto Comunista. Nesta obra, Marx chama o operariado à união pela luta de seus direitos e pela transformação social em busca de melhores condições de vida e de trabalho. Se o iluminismo vinha ao encontro dos anseios burgueses, o socialismo era a resposta ideológica às necessidades do proletariado que surgia.

 

Resumo da Aula 05 – Resistência Operária: Ludismo e Cartismo

A formação da classe operária é tema de diversos trabalhos historiográficos ao redor do mundo. A classe acontece quando alguns homens, como resultado de experiências comuns, sentem e articulam a identidade de seus interesses entre si, e contra outros homens cujos interesses diferem dos seus. (E. P. Thompson, 2011) O título, as terras, a influência política, as relações sociais, o modo de vestir, os costumes, enfim, uma série de experiências compartilhadas entre seus indivíduos. Essa definição pode, portanto, ser aplicada para compreendermos qualquer classe social. De modo geral, a classe operária vivia mal, cumpria jornadas exaustivas de trabalho, não tinha direito a folgas ou férias, o trabalho infantil era comum, não havia um salário mínimo determinado, ou seja, tudo o que hoje consideramos direitos básicos é, na verdade, fruto das intensas lutas da classe trabalhadora.

Quando as máquinas começaram a ser usadas em larga escala no século XVIII, provocaram, de imediato, um enorme desemprego. Então, um dos primeiros movimentos de resistência à Revolução Industrial foi o luddismo, no início do século XIX. Seu nome deriva de um de seus líderes, Ned Ludd, que praticava a quebra das máquinas, pois atribuía a elas o aumento do desemprego. Também no século XIX, teve lugar outro movimento, o cartismo. Diferentemente do luddismo, o cartismo defendia a mudança das condições sociais do operariado pela via política. Feargus O’Connor e William Lovett lideraram o movimento e escreveram a Carta do Povo, documento no qual reivindicavam participação política e ampliação de direitos, como o voto universal e secreto, e a melhoria nas condições de trabalho.

A Carta do Povo possui as seguintes exigências:

  • Sufrágio universal masculino – o direito de todos os homens ao voto;
  • Voto secreto através da cédula;
  • Eleição anual;
  • Igualdade entre os direitos eleitorais;
  • Participação de representantes da classe operária no parlamento;
  • E que os parlamentos fossem remunerados;

O inglês William Cobbett visitou uma fábrica em 1824 e assim a descreveu:

Os primeiros dias de setembro foram muito quentes. Os jornais noticiavam que homens e cavalos caíam mortos nos campos de produção agrícola. Ainda assim a temperatura nunca passava de 29ºC durante a parte mais quente do dia. Qual era então a situação das pobres crianças que estavam condenadas a trabalhar quatorze horas por dia, em uma temperatura média de 28ºC? Pode algum homem, com um coração em seu peito, e uma língua em sua boca, não se habilitar a amaldiçoar um sistema que produz tamanha escravidão e crueldade?

Uma das principais táticas de luta era a greve, que paralisava a produção, causando prejuízos aos industriais; até hoje, é uma das táticas mais utilizadas de negociação trabalhista. O fortalecimento do operariado motivou a criação da Primeira Associação Internacional dos Trabalhadores, em 1864, na cidade de Londres. As lideranças trabalhistas, porém, recebiam diversas influências e, na maior parte das vezes, discordavam entre si.

A Comuna de Paris é o nome dado à primeira experiência histórica de um governo proletário, ocorrida entre março de 1871, na França. O movimento que levou à formação da comuna, entretanto, contou com a participação de outros extratos e segmentos político-sociais, como a pequena burguesia francesa, membros da Guarda Nacional e partidários do regime republicano, proclamado em setembro de 1870.

Por outro lado, após as revoluções burguesas, os estados nacionais procuraram se manter sólidos buscando uma relação harmônica e diplomática. Essa estratégia foi bem-sucedida por algum tempo, mas não evitou completamente a eclosão dos conflitos, como foi o caso da Guerra Franco-Prussiana, ocorrida entre 1870 e 1871. A guerra franco-prussiana foi um conflito ocorrido entre o Império Francês e o Reino da Prússia. Durante o conflito, a Prússia recebeu apoio da Confederação da Alemanha do Norte. A vitória dos alemães marcou o último capítulo da unificação alemã sob o comando de Guilherme I da Prússia. Também marcou a queda de Napoleão III e do sistema monárquico na França, com o fim do Segundo Império e sua substituição pela Terceira República Francesa. Também como resultado da guerra, ocorreu a anexação da maior parte do território da Alsácia-Lorena pela Prússia, território que ficou em união com o Império Alemão até o fim da Primeira Guerra Mundial.

Na Itália, a divisão dos seus estados se tornou mais nítida após o Tratado de Viena, que redefiniu as possessões na península itálica e alguns de seus territórios ficaram sob o domínio estrangeiro, como os territórios cedidos aos estados germânicos. Os estados do norte da Itália eram liberais e haviam feito sua própria revolução industrial, enquanto os estados do sul eram conservadores e de economia fortemente agrária. O apoio externo era fundamental para os ideias unificadores. A França de Napoleão III – não confundir com Napoleão Bonaparte – forneceu suporte necessário do ponto de vista da política externa, auxiliando na conquista dos territórios italianos que estavam nas mãos de estrangeiros. Em 1870, Vitor Emanuel finalmente unificou os estados sob um único país, estabelecendo Roma como capital. A questão dos estados papais foi resolvida em 1929, com a assinatura do Tratado de Latrão, que criava o Vaticano, Estado soberano e pertencente a Igreja Católica.

Na Alemanha, a unificação se deu em torno de seu Estado mais forte econômica e politicamente; nesse caso, a Prússia. Depois do Congresso de Viena, o território alemão encontrava-se dividido em 39 estados, denominados Confederação Germânica. Embora fossem autônomos, a Áustria, por ser um dos mais sólidos estados monárquicos, exercia enorme influência na política dessa confederação. O mais forte adversário austríaco era a Prússia, cujo desenvolvimento econômico ameaçava a posição política da Áustria. Em 1834, o Zollverein liderado pela Prússia é a liga dos estados germânicos, e derrubou as barreiras alfandegárias entre os reinos, mas deixou a Áustria de fora. Politicamente, a Áustria tinha melhores relações internacionais que a Prússia e, portanto, contava com um maior número de aliados. Em 1860, com o chanceler Otto von Bismarck, a Prússia iniciou um intenso programa de modernização militar. Bismarck acreditava que a unificação se daria pela superioridade das forças armadas e, por isso, buscou desenvolver ao máximo o exército prussiano. Em 1866, foi assinado o Tratado de Praga, que punha fim à Confederação Germânica e marcava a ascensão da Prússia como potência. O tratado foi favorável ao Império Austríaco, pois Otto von Bismarck convenceu Guilherme I que mantendo a posição da Áustria na Europa seria melhor no futuro para a Prússia do que aplicar severas condições.

A expansão prussiana tinha um perigoso inimigo, Napoleão III. A França temia que uma expansão alemã pusesse em perigo seu domínio sobre os territórios fronteiriços entre os dois países. Então, a política de Napoleão propiciou a declaração de guerra entre prussianos e franceses. Mas os franceses perderam e, em 1871, o processo de unificação alemã se completara. Estava criado o Segundo Reich, que significa Segundo Reino, tendo sido o primeiro império o antigo Sacro Império Romano-Germânico.

 

Resumo da Aula 06 – Era Vitoriana

Graças ao seu pioneirismo na Revolução Industrial, a Inglaterra chega ao século XIX como uma das mais importantes potências mundiais. Neste contexto, a classe operária surge como motor e grupo social explorado pelas necessidades de uma industrialização que embora cresça, não dá conta das necessidades básicas desta população. As primeiras organizações trabalhistas inglesas eram ilegais, mas a partir de 1824 elas passaram a ser legalizadas. A Inglaterra dava os primeiros passos na absorção dos trabalhadores. A partir dos anos 50, no século XIX, a economia inglesa ganha novo impulso e os grandes movimentos, como o ludismo e o cartismo, que haviam abalado a sociedade inglesa, foram ficando para trás. Em seu lugar surgem os sindicatos, atuando como um poderoso instrumento de negociação, utilizando, sobretudo, da greve, como forma de pressão e mobilização.

Um dos grandes símbolos do desenvolvimento e do progresso trazido pela Revolução Industrial foi a ferrovia. O desenvolvimento comercial inglês foi alavancado e o transporte de mercadorias se tornou mais barato. O período de grande prosperidade inglesa é conhecida como Era Vitoriana, devido a Rainha Vitória, que governou entre 1837 e 1901. A Era Vitoriana caracterizou-se pela chamada Pax britanica, período de paz no qual o reino não se envolveu em nenhum grande conflito que pudesse, de alguma forma, prejudicar sua política e economia internas. De fato, na Europa da época, não havia nenhum rival a altura da poderosa Inglaterra. A França que era uma inimiga histórica dos ingleses, estava abalada desde a derrota de Napoleão em 1815.

A região que forma a Irlanda havia sido ocupada e dominada pelos ingleses desde a Era Moderna. A maior parte da população da Irlanda era marcadamente católica, o que contrastava com a religião adotada na Inglaterra, o anglicanismo. Diferente da Inglaterra, a Irlanda não passara pela Revolução Industrial e sua economia ainda era fortemente agrária. A quebra das colheitas aumentou a miséria e a fome da população local e inflamou o espírito nacionalista e o sentimento de independência. Em 1800, foi emitido o Ato de União, que transferia para o parlamento britânico todas as questões de cunho político concernentes à Irlanda.

A situação irlandesa estimulou a imigração em massa, e a maior parte destas pessoas tinha os Estados Unidos como destino principal. Por isso, é possível notar hoje a intensa contribuição dos irlandeses para a cultura e a economia norte-americana. No início do século XX, por volta de 1905, foi fundado o movimento nacionalista Sinn Fein, que buscava lutar pela independência da Irlanda de forma legítima e política. Com o seu fortalecimento, o Sinn Fein declarou a independência das Irlandas, em um conflito que se arrastou por dois anos e teve como resultado a divisão do país. De um lado, foi estabelecida a República da Irlanda, independente, reconhecida somente em 1917 e do outro, a Irlanda do Norte, ainda submetida ao Reino Unido. Essa configuração motivou a criação de movimentos como o grupo terrorista IRA.

A questão da Irlanda não foi o único conflito abrangendo a Inglaterra vitoriana. Em 1853, eclode a Guerra da Criméia. Esta guerra envolveu o Império Russo que lutou contra a aliança formada pelo Reino Unido, o Império Turco-Otomano, a França e a Sardenha. Esta guerra também é fruto do projeto expansionista do Tsar russo Nicolau I. A Rússia sempre teve interessada em incorporar o território dos Balcãs, devido à importância estratégica da região. A Rainha Vitória temia que uma conquista russa prejudicasse o acesso dos ingleses as suas possessões asiáticas, notadamente, a Índia, um dos territórios mais ricos do Império Britânico. O início dos conflitos foi em 1854. Os aliados desembarcaram na Crimeia e forçaram o recuo russo valendo-se de um ostensivo cerco naval. A Rússia foi derrotada selando com a assinatura do Tratado de Paris em 1856.

O curioso é que na história britânica, embora tenha havido um número muito maior de reis do que de rainhas de fato governado, foram elas que entraram para a história como sido regentes dos tempos áureos: Elizabeth I, Vitória e Elizabeth II tiveram longos e prósperos reinados, em contraste com os reis que já ocuparam a mesma posição. De toda forma, a Era Vitoriana foi considerada a segunda era do ouro da Inglaterra – a primeira havia sido no reinado da Elizabeth I – e pela extensão com a política colonialista, a Inglaterra ganhou o título de Império onde o sol nunca se põe.

 

Resumo da Aula 07 – A Segunda Revolução Industrial: Alemanha, Japão e EUA.

A partir do século XIX, o modelo produtivo industrial estabelecido um século antes, na Inglaterra, espalha-se pela Europa e por alguns países fora do continente. A França colocava-se então como a principal rival inglesa, mas a sua derrota na Guerra Franco-Prussiana prejudicou seu desenvolvimento contínuo e, por outro lado, alavancou a industrialização alemã.

Itália e Alemanha tinham mantido, até finais do século XIX, sua estrutura interna fragmentada em diversos reinos. Somente entre os anos de 1870 e 1871 é que houve a unificação. Tal unificação foi fundamental para o desenvolvimento industrial alemão. Ainda que tenha se industrializado tardiamente, a Alemanha não ocupava um lugar de menor importância na economia europeia. Mesmo antes de sua Revolução Industrial, os reinos alemães possuíam importantes portos, bancos e cidades comerciais que dinamizava suas economias internas. A industrialização tardia da Alemanha fez com que o país também se lançasse na corrida imperialista depois das demais nações europeias. A disputa territorial que se seguiu pode ser considerada um dos fatores fundamentais para a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, que teria a Alemanha como um de seus principais atores.

A industrialização japonesa esbarrou, inicialmente, em entraves de cunho geográfico. O país possui um território restrito, por tratar-se, afinal de uma ilha, com poucas terras férteis e grande atividade vulcânica, sendo também pobre em minérios e em combustíveis fósseis, como o petróleo. A grande virada econômica e política ocorreu no século XIX, com o fim do sistema de xogunatos, que caracterizava o Japão feudal. A restauração do Império deu início a Era Meiji, que promoveu o grande salto industrial tornando o Japão na potência econômica pelo qual passou a ser reconhecido até os dias atuais. O imperador empreendeu um investimento de longo prazo em uma área que raramente é encarada como estratégia: a educação. Países que investiram nesta área e na consequente qualificação de mão de obra obtiveram um crescimento sólido como é o caso da Coréia do Sul. Outros, como o Brasil, mantém o discurso do crescimento econômico separado do investimento na qualificação profissional, criando uma contradição e enfraquecendo seu modelo de consolidação econômica. Apoiado pelo texto constitucional que estabelecia o poder Imperial e a instituição de um parlamento, foram feitas diversas reformas, para além da qualificação de mão de obra, como investimento em infraestrutura e abertura ao mercado externo, quebrando o isolamento econômico da ilha. Mas os problemas estruturais eram grandes. O acesso a matérias-primas era escasso, a demanda por energia era muito maior do que as fontes disponíveis e o mercado interno era bastante limitado. A solução encontrada foi expandir em direção ao continente, com uma política militar de invasão que provocou diversos conflitos. A prática expansionista levou a primeira Guerra Sino-Japonesa no início do século XIX. Esta guerra teve como objetivo a disputa pela Coreia.

A Coreia era um Estado vassalo da China desde o século XVII. As necessidades industriais japonesas fizeram este país voltar-se para o domínio do território coreano, entrando em guerra contra a China. Então a Coreia fica diretamente exposta a três grandes impérios: Japão, Rússia e China. Os japoneses consideravam a Coreia como um punhal no coração do Japão, pois sua localização geográfica facilitava sobremaneira um ataque chinês à ilha. Do ponto de vista econômico, a Coreia mantinha-se fechada ao comércio exterior e Japão precisava de parceiros comerciais. Dessa forma, Japão iniciou uma série de pressões militares que culminaram na assinatura do Tratado de Amizade Japão-Coreia ou Tratado de Kanghwa, em 1876, para a abertura do comércio internacional que forçou os coreanos a abrirem três portos destinados ao Japão.

Entre 1894 e 1895, eclodiu a guerra entre o Japão e a China pelo controle da Coreia. A China foi derrotada e obrigada a assinar o Tratado de Shimonoseki, onde reconhecia a independência coreana e se comprometia a ceder alguns territórios ao Japão, dentre eles, Taiwan, além de pagar uma indenização e sofrer sanções econômicas. No plano internacional, a superioridade japonesa passou a ser considerada uma potência bélica, e abriu caminho para a política imperialista do país.

Nos EUA, também eclodiu um intenso conflito, mas no plano interno, na grande guerra civil, que ficou conhecida como Guerra de Secessão. Após a sua independência em 1776, os EUA estabeleceram uma república federativa. Esse sistema dava autonomia às antigas ex-colônias e permitia que elas mantivessem suas estruturas próprias, o que acabou criando uma enorme desigualdade já que os estados do Sul mantiveram a escravidão. Os estados do Norte haviam aderido ao trabalho assalariado. O final da Guerra de Secessão permitiu aos EUA dar um salto em direção à industrialização maciça. Não só o Sul passava por um intenso processo de reconstrução, como o investimento na expansão da malha ferroviária e o estabelecimento de diversas indústrias mudaria definitivamente a economia norte-americana, que aderia, definitivamente, à Revolução Industrial. As dimensões continentais do país faziam que houvesse abundância de matéria-prima, como carvão e ferro. Logo, as forças armadas americanas se tornaram uma das mais poderosas do continente, sendo comparadas ao poderio bélico dos Estados europeus. A necessidade de mercados consumidores e de matéria-prima impulsionou a política imperialista norte-americana rumo a América Latina, em uma política de intervenções militares que perduraria até o século XX. Nascia assim o mais poderoso país das Américas e uma das principais forças políticas do mundo contemporâneo.

 

Resumo da Aula 08 – O Neocolonialismo do Século XIX

Apesar da grande crise ocorrida no ano de 1929, no século XIX também houve um período conhecido como grande depressão iniciado em 1873. Em um primeiro momento, temos a expansão da produção. A industrialização e a mecanização tornaram os produtos mais baratos, e poderiam ser produzidos em grande quantidade em um tempo menor. O desemprego tende a diminuir, pois as indústrias absorvem parte da mão de obra. Como o consumo não se expande no mesmo ritmo da produção, assim ocorre a crise de superprodução. Nessa conjuntura, as fábricas passam a diminuir sua produtividade e, portanto, a demitir trabalhadores. Para evitar a falência, muitas empresas abaixam os preços dos seus produtos, estimulando uma nova onda de consumo, revitalizando a economia e dando início a um novo ciclo. No caso do século XIX, as indústrias produziam a pleno vapor. As uniões de trabalhadores haviam conseguido obter alguns direitos trabalhistas, além de garantir o aumento de salários. Como mecanismo de sobrevivência, formaram-se os grandes monopólios, onde poucas empresas dominavam várias áreas dos setores produtivos. A busca por novas fontes de energia, matérias-primas e mercado consumidor dá origem a política imperialista, que é a expansão dos países industrializados em direção aos que ainda não haviam passado por este processo, notadamente os continentes asiático e africano.

De forma geral, o neocolonialismo se deu através da formação de colônias e protetorados. As consequências do imperialismo foram devastadoras. Grande parte dos problemas atuais da África teve sua origem na política colonial e, anos depois, no estabelecimento de fronteiras arbitrárias durante a descolonização. A expansão imperialista não foi de forma alguma pacífica e provocou diversos conflitos na Ásia e na África, fruto da resistência dos povos à dominação européia. Por outro lado, a industrialização dos EUA transformara aquele país não só na maior potência industrial do continente, mas na que possuía o mais poderoso exército, não só em recursos como em contingente. Tal supremacia levou a política do Big Stick, levada a cabo pelo presidente Theodore Roosevelt, que governou no início do século XX. O Big Stick pode ser considerado como parte da Doutrina Monroe, cujo corolário era: América para os Americanos. No caso do Big Stick, a filosofia era: fale macio e tenha nas mãos um porrete.

Na América, os costumes tornaram parte irreversível das culturas locais. Desde a adoção dos hábitos de vestir como tênis e jeans, até os hábitos alimentares, que culminaram na chamada indústria de fast food. Neste sentido, as indústrias norte-americanas foram uma ferramenta indispensável para a expansão imperialista. Também coube ao cinema o papel de divulgador dos costumes e valores. Como exemplo da política imperialista americana, podemos citar o caso cubano.

Após sua independência da Espanha, Cuba desenvolveu intensas relações econômicas com os EUA. Para garantir sua hegemonia sobre a ilha, foi instituída a Emenda Platt que dava aos EUA plenos poderes para intervir na política e militarmente na ilha. A Emenda Platt, símbolo do domínio americano, levaria à Revolução Cubana na década de 50 do século XX.

 

Resumo da Aula 09 – A Resistência dos Povos

O neocolonialismo, embora seja igualmente uma prática de dominação dos povos, possui mecanismos, ações e justificativas diversas daquele que ocorreu a partir do século XV e XVI. Apesar das inúmeras diferenças, podemos marcar: a conquista da América não foi pacífica; a submissão dos povos africanos e asiáticos também não. As disputas criadas em torno das novas colônias seria um dos principais fatores para a eclosão daquele que seria um dos maiores conflitos do século XX: a I Guerra Mundial.

Embora o mundo tenha mudado desde o século XV, a mentalidade europeia acerca dos povos fora do continente permanecia marcada pelo etnocentrismo, que entendia sua cultura como civilizada, e as demais, como bárbaras. A manutenção de uma estrutura agrária, em um mundo que se industrializava rapidamente, era vista como um dos sinais inequívocos do atraso e da incivilidade dos costumes. O mundo do século XIX reúne-se em torno do Capitalismo. O Socialismo como sistema e, a partir de 1945, como ameaça, seria fruto da Revolução Russa, que ocorreria em 1917. As últimas décadas do século XIX, a partir dos anos 70, viram os povos africanos e asiáticos passarem por um intenso processo de inserção política e cultural, bem como por acirradas rebeliões contra o domínio europeu. Mas a resistência, ainda que tenha se intensificado ao final do século XIX, não ocorre somente neste momento. Temos, como exemplo, as Guerras do Ópio de 1840. A guerra foi desastrosa para a China e culminou com a vitória inglesa e a assinatura do Tratado de Nanquim. Porém, em 1856, os chineses descumpriram com o contrato e os ingleses vieram junto com os franceses declarar uma nova guerra. E, mais uma vez, a Inglaterra vence obrigando os chineses a assinarem o Tratado de Tianjin.

Estas revoltas foram duramente reprimidas pelos soldados ingleses, e tiveram como resultado, a extinção do domínio da Companhia das Índias, e a interferência na administração do país passou a ser feita diretamente pelo estado inglês. Se a Ásia resistia ao europeu, na África não foi diferente. Os chefes tribais muitas vezes articulavam o fluxo do comércio de modo a fortalecer e a estender seu poder. Mas no século XIX, como parte da expansão colonialista, expedições lideradas por não africanos começaram a abrir caminho para o interior do continente e, muitas vezes utilizando a força, a criar sistemas de autoridade alternativas àqueles dos chefes tradicionais. Os conflitos que foram gerados a partir de então opõem não somente estrangeiros contra nativos, mas também grupos locais cujas rivalidades eram acirradas e estimuladas pelos europeus como tática de expansão de seus interesses comerciais.

No campo dos estudos sobre a resistência, destaca-se a Guerra dos Bôeres, dentre outros fatores, pela particularidade de ter sido um conflito entre brancos, ocorrido na África do Sul. Os diamantes e as jazidas de ouro africanas despertaram os interesses ingleses, que entraram em guerra contra os colonos. A vitória inglesa provocou a criação da União Sul-Africana, que reunia algumas colônias da região, entre elas a do Cabo, que ficariam sob o domínio britânico. A União Sul-Africana dava plenos poderes aos brancos e criavam leis que impediam os negros de exercer direitos básicos, como o de votar ou de ter acesso a posse de terras. Décadas depois, com a independência da África, as leis da União Sul-Africana foram mantidas e comporiam o conjunto jurídico do apartheid.

 

Resumo da Aula 10 – A Belle Époque

Entre o final do século XIX e o início do século XX, até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o mundo vive um período de prosperidade, proporcionado pela Segunda Revolução Industrial. Esse momento, pleno de avanços tecnológicos e inovações artísticas, ficou conhecido como Belle Époque. A expansão imperialista europeia em direção aos continentes africano e asiático, permitiu às metrópoles um enorme acúmulo de capital, além de um desenvolvimento maciço da indústria. Embora a paz aparente seja uma característica desta época, sabemos que haviam sementes que germinariam naquele que seria um dos maiores conflitos do século XX, a Primeira Guerra Mundial.

A modernidade se afirma como um embate aos valores clássicos de outrora, construindo uma nova concepção de mundo que transparece em diversos aspectos, nos hábitos, no divertimento, nos costumes, nos modos de vestir, enfim, na vida cotidiana como um todo. Podemos entender, de um modo geral, que a modernidade está ligada a alguns fatores: Ascensão da burguesia, fortalecimento do capitalismo e desenvolvimento industrial. Tais fatores provocariam uma mudança nas mentalidades e alterariam definitivamente a história que vivemos hoje. Com a contribuição dos Annales, a partir da década de 1920, foi ampliado o leque da historiografia e tornou possível o estudo de outros objetos, como a cultura e o próprio pensamento. O estudo da Belle Époque está inserido neste quadro: das mudanças sociais.

Não é por acaso que o estilo da belle époque seja, marcadamente, urbano. As cidades cresciam, se transformavam, e abrigavam os mais variados números de indivíduos, de diversas classes sociais. Neste aspecto, Paris se tornou o símbolo máximo desta época, lar dos famosos cabarés e berço do cinema. Criado em 1889, o mais famoso dos cabarés foi o Moulin Rouge, fonte de inúmeros filmes, pinturas, artigos e livros, se tornou rapidamente um símbolo da Paris Boêmia. É, ainda hoje, um importante ponto turístico francês. A arte clássica era, até então, baseada no realismo. Cabia ao pintor retratar, tão fielmente quando possível, o mundo que ele via. Nesse sentido, as pinturas funcionam mais como documentos do mundo do que, propriamente, como expressões da livre interpretação do artista. A fotografia, também uma das maiores invenções daquele século, rapidamente se espalhou pelo mundo. No Brasil, Dom Pedro II era um admirador desta arte e nos legou um acervo de fotografias, como álbuns de família, que constituem uma ferramenta fundamental para a recuperação da história imperial brasileira.

Temos também o impressionismo que rompe com a estética tradicional e valoriza as cores e a criação de ilusões de ótica nas suas obras. Ao impressionismo, seguiram-se outros movimentos como o fauvismo e o cubismo, já no início do século XX. Pablo Picasso, considerado um dos principais nomes do cubismo, fez de sua obra, Guernica, uma das maiores expressões artísticas a favor da paz após a violenta Guerra Civil Espanhola, que ocorreu entre 1936 e 1937.

A ciência deixou de ser a solução certa para os problemas da humanidade e converteu-se também em um foco de discussões militares e éticas que pode ser percebido até os dias atuais. A utilização de aviões para o combate foi apenas o primeiro de muitos recursos usados para fins militares. Em seguida vieram as armas químicas e biológicas, que aterrorizaram o século XX…

 

E é só isso, pessoal.

Obrigado,

Marcell

Ola pessoal!

Nesta postagem irei apresentar um resumo das aulas da disciplina História do Pensamento Contemporâneo do 4º Período do curso de Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

E lá vamos nós!

 

Resumo da Aula 01 – O Estado-Nação e o Nacionalismo: Conceitos e Aplicações

Quando falamos em Estado, nossa mente projeta primeiramente o conceito de local onde vivemos, porção territorial que está inserida dentro de algum país e que, no caso do Brasil, temos a presença de 27 estados, cada qual com uma representação política dentro de nossa instituição maior, o país. Mas para compreender o que é Estado e qual sua função dentro de uma sociedade, precisamos explorar um conjunto de análises e definições que procurem deixar claro o papel dessa instituição. O dicionário Aurélio define o Estado como um povo social, político e juridicamente organizado, dispondo de uma estrutura administrativa, de um governo próprio e que tem soberania sobre um determinado território.

O Estado Antigo (Oriental ou Teocrático) é visto como uma forma estatal definida entre as antigas civilizações do Oriente ou do Mediterrâneo, onde a família, a religião, o estado e a organização econômica formavam um conjunto confuso, sem diferenciação aparente. Já o Estado Grego pode ser entendido como Cidades-Estado, ou seja, a polis como sociedade política de maior expressão. Havia também uma elite com participação intensa nas decisões do Estado nos assuntos públicos. Nas relações de caráter privado, a autonomia da vontade individual é restrita. E o Estado Romano é caracterizado pela base familiar de organização; e a noção de povo era restrita, compreendendo faixa estreita da população. Os magistrados eram governantes superiores.

O Estado evoluiu muito ao longo de sua história, deixando para trás alguns resquícios que hoje não se encontram mais presentes em sua formação, dentre os quais podemos citar a forte influência religiosa que caracterizou o Estado Medieval e evoluiu para consolidar o poder da Igreja Católica dentro desse período. Com o advento das monarquias absolutistas, o Estado Medieval deixa de existir dando lugar ao Estado Centralizado, que tem em Nicolau Maquiavel um de seus árduos defensores. Maquiavel afirmava a necessidade de um Estado forte, com uma liderança que unificasse os diferentes reinos e repúblicas italianas que guerreavam entre si, o que lhes permitiria adquirir estabilidade tanto no âmbito político quanto no econômico.

O Estado-Nação é caracterizado por ser uma determinada região com delimitações próprias, fronteiras que as separam de outras regiões; uma população que tenha identificações comuns dentro daquela região; um governante com poder supremo reconhecido dentro do território; uma moeda própria e um exército preparado. Dentro dessa comunidade, o indivíduo passa a ter uma referência própria e surge, com isso, o sentimento de pertencer aquela localidade, o que será de fundamental importância para o desenvolvimento do nacionalismo.

De acordo com Ernest Geliner (1983), nacionalismo é a ligação entre o Estado e uma cultura nacionalmente definida. Benedict Anderson (1989) define nação como uma comunidade política imaginada e implicitamente limitada e soberana. Segundo Châtelet (1985), o Estado-Nação é entendida: “enquanto representação política que implica o fato de que as populações que constituem uma sociedade no mesmo território reconhecem-se como pertencentes essencialmente a um poder soberano que emana delas e que as expressa“. (p.85)

O nacionalismo moldou as sociedades contemporâneas e adquiriu diferentes formas ao longo dos últimos séculos, fortalecendo a ideia de que pessoas com as mesmas origens, com o mesmo idioma e as mesmas aspirações políticas deveriam pertencer ao mesmo território, o que é denominado por alguns teóricos como nacionalismo patriótico. E é esse tipo de nacionalismo que pode levar à ocorrência de guerras e conflitos e temos que ter muito cuidado ao lidarmos com isso. Temos o caso da Alemanha cujo nacionalismo foi cada vez mais fortalecido, tornando-se extremamente exacerbado. Apresentou características de valorização da pátria e ódio ao elemento estrangeiro, direcionado quase que exclusivamente aos judeus.

Outro importante processo de mudança na ótica governamental ocorreu na Revolução Francesa. A ideia de união dos indivíduos a partir de algo que liga a vontade de uns à dos outros, a ideia de dificuldades e aspirações comuns faz com que se queira constituir um poder nacional que lhes dê representatividade enquanto indivíduos. Nessa revolução, há o desenvolvimento de que a ideia de República é mais viável, pois encarnaria as aspirações do povo de uma forma mais concreta. A partir da Revolução Francesa, do momento em que a burguesia afirma que o poder deve emanar do povo e da nação, a concepção de nacionalismo ganha força e se expande pela Europa e pelo mundo.

 

Resumo da Aula 02 – Do Governo: Formas e Debates

Que tipo de governo seria o mais eficiente para manter a sociedade organizada e garantir os direitos mais importantes para os indivíduos? Seria um governo civil ou militar? Democracia ou ditadura? Antes de tentarmos responder tais perguntas, precisamos reconhecer um pouco mais sobre as diferentes formas de governo. O governo é uma autoridade política existente dentro de uma sociedade constituída e que, com regras próprias, procura garantir a organização de uma dada sociedade e consolidar a ideia de Estado-Nação, dando-lhe um aspecto mais seguro e organizado. Neste sentido, a existência do governo torna-se obrigatório e resta à sociedade decidir qual forma é mais viável para o exercício desse governo.

Aristóteles afirma que o governo pode ser exercido por um só, por poucos ou por muitos, com o objetivo de estabelecer o bem comum para todos, não devendo o governo, seja ele qual for, distanciar-se desse propósito. Segundo ele, essas formas de governo podem ser puras ou impuras.

  • Puras: Monarquia (governo de um), Aristocracia (governo de vários), Democracia (governo do povo);
  • Impuras: Tirania (corrupção da monarquia), Oligarquia (corrupção da aristocracia), Demagogia (corrupção da democracia);

Formas de Governo:

  • Democracia: Surge na Antiguidade, especificamente dentro da teoria clássica aristotélica. É entendida como “governo do povo”. Sua principal característica é a participação do povo de forma intensa nas decisões de forma direta ou indireta. Segundo Alexis de Tocqueville, o povo deveria participar plena e ativamente do exercício de liberdade através de suas ações políticas e participações nos negócios públicos. O Continente Americano, ao buscar seu processo de independência, adotou a democracia representativa como forma de governo e, apesar de diversos problemas de ordem política que a região apresentou, conseguimos perceber que o exercício desse poder de liberdade política conseguiu construir países sólidos, ainda que durante a segunda metade do século XX, uma grande parte da região tenha sido alvo de ditaduras militares.
  • Demagogia: Pode ser caracterizada como a deturpação da democracia e é um termo de origem grega que significa “a arte de conduzir o povo”. Na Grécia Antiga, aquele que era um bom orador e sabia conduzir o povo adequadamente fazia jus ao título. O fortalecimento da demagogia ocorreu de forma intensa a partir do advento da sociedade industrial, quando líderes passaram a surgir no seio de uma sociedade com muito mais demandas e aspirações. Muitos políticos são considerados demagogos quando manipulam a massa de acordo com seus próprios interesses, sujeitando-as e obtendo admiração e respeito, o que lhe garante a continuidade de sua participação dentro do jogo político, seja dentro de um modelo democrático, autoritário ou ditatorial.
  • Aristocracia: É o governo dos melhores, ou seja, onde a liderança é creditada a um grupo de pessoas que estariam aptas a conduzir uma dada sociedade. Seriam os melhores cidadãos, com formação moral e intelectual, mas com o único objetivo de atender aos interesses do povo. Na concepção aristotélica, esses homens não seriam escolhidos por suas origens de nascimento ou mesmo de riqueza, o que permitiria que qualquer um pudesse fazer parte da liderança. Mas, na Idade Média, a aristocracia passou a ser associada à nobreza e ao clero;
  • Oligarquia: Associada a abuso de poder e a opressão. Seu termo designava um governo marcado, muitas vezes, pelo uso da força sem limites. A oligarquia acabou por caracterizar o poder exercido pelos mais abastados em uma dada localidade, ainda que não fosse um país. Podemos citar as oligarquias no Brasil conhecido como República Velha (1889-1930). Os estados de São Paulo e Minas Gerais possuíam as oligarquias mais fortes da época, que juntas formaram a conhecida política do café com leite.
  • Ditadura (Inverso da Democracia): Esteve presente ao longo da história de diferentes formas. Na antiguidade, em Roma por exemplo, era utilizada para situações de emergência e dentro dos limites constitucionais, perdendo, ao longo do tempo, sua função de existir somente em situações de crise e passando a se tornar mais constante e com motivações diferentes daquela para as quais ela havia pensada. Na modernidade, ela ganha uma nova roupagem, onde o líder exerce seu poder de forma absoluta e se mantém no exercício desse poder por um longo tempo, mesmo inicialmente se autoproclamando temporária. É considerado um regime não democrático, pois não pressupõe a participação popular e as decisões são centradas na figura do líder.
  • Monarquia: Uma das mais antigas formas de governo, onde é exercido por uma liderança que o detém em suas mãos e que permanece no poder de forma hereditária. As monarquias absolutas, centradas exclusivamente na figura do rei, começaram a entrar em crise a partir da Revolução Francesa (1789), inaugurando uma nova fase na história do pensamento contemporâneo. Atualmente, ainda temos formas de governo monárquicas, mas não absolutas como antes do processo da França. Temos o exemplo da Inglaterra que predomina a monarquia constitucional.
  • Tirania: Abuso de poder e opressão. É uma forma de manter o poder com o uso da força e pode ser considerada como o desvirtuamento da monarquia.

Sistemas de Governo:

  • Presidencialismo:
    • Somente em repúblicas;
    • Presidente é o chefe do governo;
    • O presidente é eleito pelo povo, direta ou indiretamente;
    • O poder executivo é exercido pelo presidente da República auxiliado pelos ministérios de estado;
    • Adotado no Brasil, EUA, México, entre outros.
  • Parlamentarismo:
    • Monarquias ou Repúblicas;
    • O rei ou o presidente não é o chefe do Estado;
    • O premier é o chefe do governo ou primeiro ministro, indicado pelo chefe de Estado e escolhido pelos representantes do povo;
    • O poder executivo é exercido pelo Gabinete dos Ministros; Tais ministros são indicados pelo premier e são solidários, ou seja, se um sair todos saem em tese;
    • É o caso da Inglaterra, França, Alemanha…

Os sistemas presidencialista e parlamentarista só se aplicam em regimes democráticos, sejam monarquias ou repúblicas. Não são aplicados em ditaduras. Podemos encontrar modelos alternativos como os diretórios encontrados na Suíça.

 

Resumo da Aula 03 – O Positivismo e o Evolucionismo na História

O Positivismo pode ser entendido como uma busca pelo conhecimento científico. Foi uma teoria sociológica levantada por August Comte (1768-1857), que buscava nas ações dos indivíduos explicações para vários fatores sociais, contrariando, principalmente, a metafísica e a Teologia. Podemos afirmar que houve uma passagem do pensamento iluminista para o positivista. O iluminismo foi uma base importante para moldar a sociedade contemporânea, estando seus ideais presentes, por exemplo, na Revolução Americana, na Francesa e na Industrial. Defendia a valorização da experimentação e buscava explicações para além do universo religioso, que havia permeado épocas anteriores, atrelando o conhecimento a uma busca por luz dentro de um universo considerado de trevas, pois havia essa visão consolidada em relação à Idade Média, seria a Idade das Trevas e o iluminismo traria luz para esse mundo que habitava a escuridão.

De acordo com Barros (2011:91), o positivismo acrescentou ao ideal iluminista de Progresso, o conceito de Ordem, com o objetivo de conciliar as classes, uma maneira de encobrir a expressão marxista de dominação de classe. O discurso de ordem e progresso constituiu zelosamente uma das estratégias mais favoráveis ao desenvolvimento da burguesia ascendente. Pregava-se a conciliação das classes, mas buscava a submissão dos trabalhadores aos industriais, que seriam os responsáveis por garantir o progresso positivista.

O filósofo Karl Marx exerceu uma grande influência no pensamento socialista e nos movimentos políticos revolucionários dos séculos XIX e XX. No século XIX, o ideal positivista auxiliou ao consolidar a visão de que a sociedade era um corpo que precisava ter seus órgãos em correto funcionamento com cérebro (industrias), braços e pernas (classe trabalhadora). Assim, o ideal da revolução perde todo o seu sentido e espaço, calando as vozes que pudessem vir a se opor a essa mentalidade. O Positivismo afirmava que cada ramo do saber deveria passar por três estágios diferentes:

  • Teológico: O mundo é visto a partir de crenças religiosas. O espírito humano explica fenômenos por meio da vontade de agentes sobrenaturais;
  • Metafísico: É caracterizado pelo meio termo entre o homem e a sua relação com a religião e com a razão;
  • Positivo: O homem começa a buscar explicações para os porquês das coisas, substituindo a noção de causa pela de lei, principalmente o das leis positivistas da natureza, permitindo prever um determinado futuro. Neste estado, o espírito humano encontra a ciência;

Os positivistas defendiam que os acontecimentos históricos deveriam ser analisados à luz de uma intensa objetividade, com a utilização da razão, e a escrita da história deveria ser feita com o uso de fontes relacionadas a documentos escritos e legitimados pelo Estado. David Hume (1711-1776), por exemplo, defendia a experiência e a observação como elementos importantes para a construção da ciência do homem. Não pensava na natureza da alma e só se amparava na experiência.

As perguntas “de onde viemos? o que somos?” são algo que sempre intrigou a mente humana mas, antes do século XIX e das concepções de Charles Darwin, essa questão não havia ganho o espaço que conseguiu dentro das discussões nas sociedades. Até o século XVIII havia um reinar da Teoria Criacionista, mas isso começou a ganhar uma nova concepção a partir do século XIX. O teórico Jean-Baptiste de Lamarck considerava que um organismo podia ser modelado e determinado pelo meio no qual vivia, se adaptando para garantir a sua sobrevivência. Suas reflexões ficaram conhecidas como a Teoria dos Caracteres Adquiridos e após algum tempo elas passaram a não ter mais credibilidade, o que ainda assim não desmerece sua importante contribuição para a Biologia e seus estudos, obtendo a admiração de Charles Darwin. Charles Darwin coletava plantas, animais, rochas e todo tipo de elemento que julgava útil para sua análise. Sua grande questão era explicar como as espécies apareciam e desapareciam, surgindo em sua mente vários questionamentos. Suas coletas acabaram por fomentar a sua Teoria da Evolução que afirma a seleção natural, onde esse tipo de seleção impediria o aumento da população. Ele defende que alguns indivíduos de uma espécie são mais fortes, correm mais rápido, são considerados melhores e mais aptos, mais inteligentes e sobreviverão e se reproduzirão, enquanto outros, considerados mais fracos e inferiores, perecerão e isso, com o passar do tempo, levará a formação de uma espécie mais forte e superior. A teoria darwinista foi contestada por ter sido totalmente diferente daquilo que havia sido o pensamento dominante por séculos e gerou um grande número de questionamentos. A teoria de Darwin era importante para justificar a ascensão de uma burguesia que se via como a legítima condutora da sociedade que então se formava.

As teorias de Darwin acabaram por fomentar o que foi conhecido como o evolucionismo social, onde o pensamento político-social passou a receber forte influência da Biologia. A sociedade passa a ser comparada com a vida orgânica. Herbert Spencer (1830-1903) dizia que o progresso social é derivado de múltiplos fatores sociais e que o processo de evolução darwiniana se aplicava às sociedades, dando origem ao conhecido darwinismo social, proposta que levaria ao domínio dos socialmente mais fracos.

 

Resumo da Aula 04 – Socialistas Utópicos e o Anarquismo

O Socialismo é entendido como um sistema fundado na organização da sociedade de maneira igualitária e na administração pública como forma de garantir essa igualdade aos membros de uma dada sociedade. O objetivo de pensar o socialismo era analisar os problemas de forte desigualdade em uma sociedade onde a riqueza começa a evoluir aceleradamente. Assim vários teóricos passaram a pensar acerca dessa sociedade e de como seria possível fazer transformações nesse ambiente de constantes desigualdades e deram origem ao que ficou conhecido como o socialismo utópico.

Socialismo utópico tem esse nome porque muitos de seus pensadores acreditavam ser possível conseguir transformações na sociedade sem ocorrer o confronto entre as classes e disso deriva o termo utópico. A denominação utópico veio a partir de escritos de Marx e Engels. Viam no socialismo utópico uma função positiva, especialmente das contradições da sociedade industrial em formação e na proposta de reordenação da família dentro desse universo de contradições e na limitação da ação estatal, que passaria a ser um simples gestor da produção. Para os críticos, a proposta dos utópicos seria imatura diante de uma sociedade com problemas e contradições cada vez mais acirrados, não enxergando a necessidade de um ordenamento político para esse proletariado.

Conde Saint Simon (1760-1825), um dos precursores do socialismo utópico, dizia que o individualismo que se acirrava cada vez mais era prejudicial à construção de uma sociedade mais igualitária e a solução seria o progresso econômico, pois isso eliminaria os conflitos de uma sociedade considerada desordenada. Para Simon, os capitalistas deveriam assumir responsabilidades sociais e melhorar as condições de vida de seus trabalhadores.

Marie Charles Fourier (1772-1837), um dos pais do cooperativismo, criticava o capitalismo, o liberalismo, condenava a industrialização e a exploração de mulheres e crianças, defendendo a igualdade de gênero. Para Fourier, a sociedade existente impedia que o homem pudesse desenvolver livremente suas qualidades e, por isso, o trabalho deveria ser associado ao prazer pelo ofício. Robert Owen (1771-1858), proprietário de uma industria têxtil, propunha escolas e moradias para os trabalhadores. Dando continuidade ao projeto, Owen fundou cooperativas e inseriu nelas moradias considerando-as adequadas para os trabalhadores, criando escolas, reduzindo jornadas diárias de trabalho em uma busca por humanização do capitalismo sem destruí-lo, pois esse não era o seu objetivo. Foi o primeiro a usar a palavra socialismo para designar sua forma de pensar.

É interessante pensar que desta forma, todos propunham mudanças, mas não passavam pela eliminação do capital ou mesmo dos industriais e, sim, por uma reorganização desse mundo do trabalho e de todos os que dele faziam parte. Ao pensarmos ainda a estruturação da sociedade que se desenvolveu no período da Revolução Industrial, tivemos a formação do anarquismo, uma palavra de origem grega que significa “sem governo”, ou seja, um Estado constituído sem liderança que tivesse peso de autoridade, defendendo uma organização baseada na cooperação entre todos os indivíduos, que seriam então livres e autônomos, sendo abolidas todas as formas de poder por serem consideradas opressoras. Assim, os cidadãos se autogovernariam e conseguiriam garantir a igualdade para todos os membros de uma dada comunidade e todos teriam as mesmas capacidades de decisão.

Como características do anarquismo, podemos apontar: o socialismo libertário, o humanismo, a ausência de governo limitador, a realização da liberdade plena, o internacionalismo, o antiautoritarismo e o apoio mútuo. Alguns críticos tendem a afirmar que o anarquismo é uma utopia, pois o homem vive em constante disputa por poder e dinheiro. Então a ação do Estado se faz necessário, caso contrário, viveríamos em constante disputa. Entre os teóricos anarquistas está Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865) que questionava a ideia de propriedade e a posse da terra, e sendo contrário aos ganhos através da exploração do outro. Mikhail Aleksandrovitch Bakumim (1814-187) também foi um dos principais teóricos do anarquismo em meados do século XIX. William Godwin (1756-1835), considerado um dos proponentes modernos do anarquismo, atacava as instituições políticas e os privilégios da aristocracia.

No Brasil, o anarquismo ganhou força com a vinda de imigrantes europeus a partir da segunda metade do século XIX e início do século XX, desdobrando-se no movimento conhecido como anarcossindicalismo. Ocorreu dentro dos sindicatos que então se formavam e ganhou destaque durante grande parte do período conhecido como República Velha. Em 1919, foi instituído o Partido Comunista Anarquista, mas perdeu força com a criação do Partido Comunista do Brasil no ano de 1922.

 

Resumo da Aula 05 – A Arte e a Literatura do Pensamento Contemporâneo: Romantismo, Naturalismo e Impressionismo

A História e o mundo das artes passam a estabelecer um diálogo mais próximo e as transformações do mundo refletiram-se em diferentes campos artísticos tais como a literatura e a pintura. A Arte passa a ser vista como uma representação histórica, uma voz que se constrói para além do intelectual e do político e que se distancia de interesses gerais para retratar o indivíduo em sua essência.

O Romantismo foi uma escola literária que se desenvolveu na Europa a partir dos últimos 25 anos do século XVIII. Inicialmente, refletia tudo aquilo que se opunha ao clássico, com a difusão de uma arte que passou a valorizar mais o folclórico e o nacional, sendo este último elemento uma presença constante em várias obras românticas brasileiras. O indivíduo passa a estar no centro das atenções e a refletir sobre a história a partir da sua visão de mundo e com enfoque para seus sentimentos, o que resulta em uma interpretação um tanto quanto subjetiva da realidade e faz do romantismo uma escola interessante. É importante notarmos que o surgimento do Romantismo está ligado a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, ambas responsáveis pela formação de uma sociedade burguesa. A liberdade de expressão se torna algo latente e, assim, a arte romântica ganha as ruas, passando a fazer parte tanto do cotidiano das pessoas quanto a refletir esse próprio cotidiano em suas obras. O romantismo valoriza as emoções e os sentimentos, estabelecendo como ponto de partida a experiência individual de uma relação intuitiva com a realidade. Os anos 1800 (oitocentista) foram uma fase onde o nacionalismo esteve fortemente relacionado ao romantismo artístico e literário, principalmente pelo fato de que surgiram, na Europa, Estados-nações, tais como Alemanha e Itália, nos quais o romantismo foi um dos recursos artísticos mobilizados para legitimar culturalmente a existência desses Estados.

O Naturalismo, surgido no século XIX, é considerado como a radicalização do projeto realista e com um interesse em reproduzir a realidade em seus mínimos detalhes, vendo o homem a partir de diferentes determinismos dentre eles o histórico, o do meio no qual vive, da herança e dos caracteres e da raça. A obra naturalista analisa personagens patológicos, uma determinação instintiva do homem. O Naturalismo enxerga o homem e a sociedade como objetos de experiência, retratando a realidade de uma forma objetiva e abordando o homem como um ser materialista e um produto biológico que passa a agir de acordo com seus instintos e guiado por vários fatores, dentre eles o meio social no qual estava inserido. A literatura naturalista se caracteriza, dentre ela, na evocação da oralidade característica da linguagem falada e o tratamento aberto de temas até então considerados tabus e que começaram a ganhar espaço nesse período, como o sexo e a infidelidade, a miséria e a fome, os crimes e outros problemas sociais. Vincent Van Gogh pode ser considerado o representante da pintura naturalista. No Brasil, a literatura naturalista foi retratada nas obras de diferentes artistas, dentre eles, Aluízio de Azevedo.

O século XIX foi caracterizado por inúmeras transformações, avanços técnicos em diferentes áreas tais como nas comunicações e nos transportes. Diante disso surgiu o Impressionismo, movimento que resistiu às padronizações da elite europeia e se caracterizava por tentar captar os aspectos mais elementares e despretensiosos da vida, muitas vezes retratando ambientes rurais, atentando-se às cores do local, seus reflexos e sua realidade, sem as ambições do romantismo. Claude Monet (1840-1926) foi um dos principais representantes desse movimento. Sua pintura procurava retratar a realidade do jeito que era, principalmente, a questão do contato com a natureza. Outro pintor impressionista foi Pierre-Auguste Reonir (1841-1919), cujas obras também se destacam pela reprodução da natureza e das pessoas em sua forma mais simples, em ações diárias e sem uma preocupação romântica. Na literatura, quem se destaca é Charles Baudelaire (1821-1867). A obra de Baudelaire foi ainda hostilizada por ser considerada uma deturpação do romantismo.

A realidade passou a ser vista de forma mais latente e o homem se inseriu dentro de um universo mais intenso e forte, que transitou desde o romantismo e sua visão de mundo até o impressionismo e suas críticas à sociedade existente, passando pelo naturalismo e deixando um intenso legado para as artes no século posterior.

 

Resumo da Aula 06 – Racionalismo e Sua Crítica: Henry Bergson

Bergson (1859-1941) é um daqueles filósofos francês que marcaram sua permanência na história. Ele inaugurou uma linha de pensamento contemporâneo que criticava o racionalismo e alguns de seus derivados, enfocando ainda o cientificismo, o que aparece claramente em sua análise sobre o tempo. Para Bergson, a concepção de tempo é fundamental e sua filosofia apresenta claramente essa questão ao ver o tempo como um elemento fundamental em sua construção filosófica. Em sua obra, Bergson analisa que o tempo não é passível de ser calculado, por isso sua visão acerca dele é diferente de outras. O tempo vivido é incompreensível, diferente do tempo analisado pela ciência, que é passível de cálculo e análise. Bergson diferencia a concepção de tempo a partir de duas vertentes:

  • Tempo Vivido: Seria qualitativo e por isso mesmo se torna incompreensível para a lógica, não sendo passível de análise por já ter sido vivido. É considerado um tempo indivisível exatamente por ser qualitativo;
  • Tempo Físico: Quantitativo e por isso é passível de ser medido;

Ambos os tempos expostos não pertencem à mesma natureza e um pode ser alvo de medição enquanto o outro, não. Essa medição poderia ocorrer através do relógio, o que demonstra o tempo decorrido, traduzido pela lógica científica e diferente do tempo real que é o que o espírito experimenta. Esse não é passível de análise. O tempo se desdobra constantemente em presente e passado, entendendo o presente como algo que passa e o passado como algo que se conserva.

Para Bergson, os fenômenos do mundo físico seguem uma ordem imutável e intemporal. Para além dessas análises, Bergson considera o tempo dos físicos e matemáticos como um fenômeno reversível e mesmo que mudássemos as ordens das equações que descrevem acontecimentos já ocorridos ou ainda a decorrer, as equações utilizadas para esses cálculos permaneceriam as mesmas. Bergson ainda vê que tempo e espaço apresentam uma multiplicidade distinta, e por menor que seja o espaço temporal, ainda assim ele será composto por um número sem limites de momentos, o que nos leva a compreender então que nenhum momento dura, o tempo se pulveriza e o aspecto psíquico recomeçaria a cada instante e a própria unidade que liga os momentos não pode durar mais do que eles. Essa unidade seria a eternidade, uma essência intemporal do tempo, abstrata, vazia.

Segundo Bergson, o tempo real é aquele tempo sempre irreal, em constante mutação, extremamente inconstante. Seria o tempo em que agimos, o da vida prática, necessário para nossas ações do dia a dia, o tempo em que nos vemos como verdadeiros atores do processo da construção da vida. Já a realidade, para Bergson, não pode ser presa dentro de um espaço delimitado de tempo, pois isso faria com que não percebêssemos o verdadeiro sentido da vida. Quanto a questão da Memória, Bergson a define como a sucessão contínuo de mudança heterogênea, ou seja, a memória tem a função de evocar todas as percepções análogas passadas e uma percepção do presente, recordar o que o precedeu e o que o segue e, assim, sugerir a decisão mais útil a ser tomada. Em relação ao tempo de percepção de algo, Bergson o vê como se fosse uma fotografia instantânea, algo que no instante seguinte já não mais estaria ali, ou seja, cada instante é único e não se repetirá.

As reflexões de Bergson se inserem dentro de um contexto de aceleração do tempo vivida pelo indivíduo contemporâneo. O homem moderno, que vive as intempéries da modernidade, acaba por não perceber o mundo à sua volta e necessita tanto que seu tempo seja cada vez mais prolongado, que seu dia dure mais que 24 horas para que ele dê conta de todas as suas necessidades.

 

Resumo da Aula 07 – Racionalismo e Sua Crítica: Marx e a Lei de Acumulação Capitalista

Marx teve um papel preponderante na formação do pensamento contemporâneo a partir de suas análises e de sua crítica à sociedade capitalista, propondo uma análise aprofundada acerca do capital e suas atribuições na sociedade contemporânea. Marx escreveu muitos livros que se tornaram muito importantes para diferentes áreas do conhecimento, dentre os quais: A Ideologia Alemã (1845-1846), Miséria da Filosofia (1847), Manifesto do Partido Comunista (1848), Trabalho Assalariado e Capital (1849), O 18 Brumário de Luís Bonaparte (1852). Marx via a Filosofia crítica com a tarefa de desmascarar a ideologia capitalista então dominante e revelar a forma pela qual se produzia a violência e a opressão na estrutura das forças produtivas. Suas análises fomentaram a Revolução Russa, a Revolução Cubana e a Chinesa.

Sua obra mais famosa é o livro O Capital: Crítica da Economia Política (1867), um livro escrito em 8 tomos, onde Marx critica severamente o sistema capitalista, sendo considerada por muitos como o marco do pensamento socialista. Nessa obra, ele apontou como seu objetivo principal a inversão do homem hegeliano, criticando claramente o idealismo de Hegel. Marx trabalhou com a ideia de concepção materialista da história que, segundo ele, tinha como principal característica, analisar cientificamente a história das relações de produção. O principal direcionamento da filosofia de Marx é pensar a forma como o trabalho interfere na história e fomenta a condição de uma identidade de classe. Marx pensava ainda que dentro da própria estrutura do capitalismo existiria a contradição que iria destruí-lo, pois sua história era movida pela antítese entre a luta de classes.

Para Marx, a ideologia era o mascaramento da realidade impedindo que o homem vivenciasse sua própria exploração e se percebesse como oprimido. A ideologia seria uma forma utilizada pela classe dominante para camuflar a realidade e seus mais profundos interesses. Ainda sobre o materialismo histórico, Marx afirmava que o conjunto das relações de produção constituía a estrutura econômica da sociedade, e que ela seria a base concreta sobre a qual se elevaria uma superestrutura jurídica e política e a qual corresponde a determinadas formas de consciência social. Devemos ressaltar que Marx vivenciou a Revolução Industrial onde ele apontou todos os problemas que ele considera como os causadores dos males sociais: a opressão, a pobreza, as dificuldades do mundo do trabalho, as lutas por melhores condições de vida. Ele percebe a exploração do trabalhador se consolidar através do mais-valia. Marx define o mais-valia como sendo a diferença entre o valor da mercadoria produzida, incluídos nisso o valor do trabalho assalariado de quem produziu e o custo para a produção e o valor obtido pela venda daquela mercadoria, ou seja, é o lucro sobre a produção e todas as suas etapas. Para Marx, quando a capacidade de gerar riqueza e o produto final do trabalho são aumentados de um lado ou de outro, temos o aumento escalonado da miséria, da pobreza e das desigualdades.

O avanço da tecnologia, que tanto acreditamos ser algo maravilhoso, tem tirado cada vez mais trabalhadores das linhas de produção e fomentado o fosso das desigualdades. Essa acumulação capitalista tem se tornado algo cada vez mais constante, onde os grandes empresários e os industriais não aceitam reduzir sua margem de lucros e, quando assim o fazem, é com extrema insatisfação.

 

Resumo da Aula 08 – Racionalismo e Sua Crítica: Friedrich Nietzshe e Sigmund Freud

Os escritos de Friedrich Nietzshe (1844-1900) tornaram-se referência no campo da Filosofia e muitos autores a caracterizaram como uma crítica aos valores ocidentais e a moral cristã. Assim, política, religião e moral teriam a função de esconderem uma realidade nada agradável e difícil de ser suportada. Nietzshe se opõe as correntes igualitárias, humanistas e democráticas da época, sendo um afirmante da individualidade de forma intensa, sendo a própria vida considerada o bem máximo, que resulta na vontade de poder. Ainda segundo Nietzshe, a Filosofia estaria acima do bem e do mal por abdicar da pretensão de buscar a verdade. A própria ideia de verdade é criticada pelo filósofo ao ser considerada um valor superior, um ideal. Ela seria impossível de ser alcançada. Suas obras foram: O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (1873), Sobre a Verdade e a Mentira em Sentido Extramoral (1873), Considerações Extemporâneas (1873-1876), Aurora – Reflexões Sobre Preconceitos Morais (1881), A Gaia Ciência (1882), Assim Falou Zaratustra (1883-1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio a Uma Filosofia do Futuro (1886), Genealogia da Moral – Uma Polêmica (1887), O Anticristo (1895).

Na questão religiosa, Nietzshe dizia que Deus está morto. Seu objetivo era mostrar que o pensamento moderno tinha tirado Deus do espaço que ele ocupava a partir de uma visão religiosa e inserido o pensamento da razão, que passou a ocupar o espaço antes destinado ao Deus religião. Segundo ele, Sócrates e Platão preferiam a estética em detrimento da razão, o que teria gerado a decadência dos tempos modernos e por isso Nietzche foi interpretado como sendo um precursor do pós-modernismo, onde o nada se tornou cada vez mais presente, onde não haveria a existência de Deus e da razão, o nada e o vazio como característica do homem atual.

Sigmund Freud (1856-1939) foi um médico que teve contato com a Filosofia e, portanto, acabou desenvolvendo a Psicanálise. Foi a partir da Psicanálise que Freud conseguiu curar muitos de seus pacientes. Era uma forma de adentrar o mais obscuro do indivíduo e, assim, descobrir a fundo os seus problemas e medos. Freud levantou o método da interpretação livre, onde ele convidava o paciente a falar sobre o que lhe viesse à cabeça. Esse método permite que o paciente fale coisas que poderiam ser consideradas para ele como irrelevantes, mas dentro do quadro da Psicanálise, podem apontar as origens dos problemas que o paciente possui. Inicialmente utilizava a hipnose como método de tratamento, mas a abandonou por perceber que os problemas de seus pacientes poderiam ter origem psicológica e não orgânica. Algumas de suas obras foram: A Interpretação dos Sonhos (1900), Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901), Três Ensaios Sobre a Sexualidade (1905), Totem e Tabu (1913), O Ego e o Id (1923), O Futuro de Uma Ilusão (1927), O Mal-Estar da Civilização (1930). Além disso, Freud dá atenção ao fator sexual, até então desprezado nos estudos acerca do ser humano (inclusive ele afirma que a boca é uma zona erógena e para ele o ato de sugar é sexual), identificando a líbido como algo presente na vida de todos, uma energia sexual que está presente em diferentes campos da vida humana, no privado e no público, no individual e no social.

Nietzche e Freud são dois autores considerados muito polêmicos devido aos seus escritos e a sua forma de pensarem. Suas obras são consideradas um marco para o pensamento contemporâneo por exporem aspectos que caracterizaram as sociedades, buscando compreender o que forma o indivíduo contemporâneo, seus anseios, suas metas, as questões que ele é obrigado a viver apenas dentro de si em prol de um bem maior.

 

Resumo da Aula 09 – Diversidade e Multiculturalismo: A Cultura de Massa e a Globalização

Integramos uma sociedade cada vez mais diversificada, com valores, opções, decisões, direções cada vez mais plurais e que auxiliam na formação de várias identidades. Alguns podem se perguntar se isso é bom ou ruim. São muitos questionamentos que não proporemos aqui a responder, mas a analisar um pouco de uma forma básica. Vivemos em uma multiplicidade, principalmente no que diz respeito ao continente americano, formado a partir de identidades europeias e com os valores e a cultura de nossos colonizadores que acabaram por se misturar aos nossos, formando um grande emaranhado de heranças. No Brasil, por exemplo, sua matriz cultural se deu pelo contato entre índios, negros, brancos, alemães, italianos, japoneses, árabes dentre outros. Assim, formamos uma cultura híbrida e que tem à presença de várias influências, o que fortalece mais ainda o ideal de igualdade que tanto se busca na sociedade brasileira. Atualmente, vivemos a era do multiculturalismo, que pode ser definido como um tipo de hibridismo com variados tipos de diversidades sejam de caráter étnico, racial ou de qualquer outro que esteja presente em uma dada sociedade.

A Globalização é um dos processos de aprofundamento da integração econômica, social, cultural e política dos países do globo no final do século XX e início do século XXI, através do qual o mundo passa a ser visto como uma aldeia global. A globalização também se insere num contexto de padronização dos costumes, pois a constante propaganda e a exportação de produtos acabam por influenciar as culturas fazendo com que se perca um pouco do que há de nacional em cada país. Há um claro sentido de tornar o multiculturalismo uma realidade cada vez mais forte, mas, um dos efeitos mais claros desse tipo de proposta é a perda de identidade de grupos minoritários, com a criação de sociedades massificadas e que estranham aquilo que não lhes é conhecido. Há também a resistência em direção aos grupos que não se inserem nesse ambiente multicultural, de forma a identificar a sua cultura como não oficial, pois o oficial para todos é a pluralidade. Mas há outros que buscam equilíbrio entre as diferentes nuances culturais que caracterizam o mundo contemporâneo e a manutenção de valores e aspectos culturais próprios, de forma a evitar uma massificação que leve à perda de identidade, fator cada vez mais latente em um mundo globalizado.

Há uma forte preocupação em fortalecer a indústria cultural em todos os lugares do mundo e, nesse sentido, a globalização torna-se uma excelente aliada, pois dissemina modelos culturais e forja valores que direcionam os indivíduos rumo à modernidade, taxando de antiquados àqueles que não se integram ao mundo moderno e consumista. A proposta é manter todos os indivíduos conectados ao mesmo tempo, ávidos por fazerem parte de um universo em constante mutação, rumo à modernidade.

 

Resumo da Aula 10 – Teorias da Justiça em Rawls e Dworking e Igualitarismos em Peter Singer e Amartya Sem

A História do Pensamento Contemporâneo é formada por diversas nuances que, para compreendermos melhor ainda as relações que se processam ao longo do período, iremos analisar os conceitos sobre a Teoria da Justiça e o Igualitarismo. Quando pensamos em Teoria da Justiça, já imaginamos uma fórmula básica para a solução de todos os problemas da ordem da justiça… ledo engano! Não é o seu papel tecer soluções, mas fundamentar as discussões para uma prática mais adequada da noção de justiça e ampliar o olhar para as questões que envolvem essa temática.

John Rawls (1921-2002) foi um importante filósofo norte-americano que contribuiu largamente para a concepção de uma sociedade mais justa e seu mais importante trabalho, Uma Teoria da Justiça (1971), foi de extrema importância para a análise da questão da justiça e seu alcance, e fortaleceu o debate sobre os limites de sua atuação nas sociedades contemporâneas. Para ele, a liberdade é anterior a qualquer outro princípio e deve ser preservada ao máximo possível. Ralws se interessou por questões sociais devido ao envolvimento de sua mãe com movimentos feministas e por sua indignação diante da situação das populações negras da cidade de Baltimore, que viviam em condições muito inferiores aos brancos, além de ter tido contato com brancos pobres em outras regiões. Em seu livro O Liberalismo Político (1993), Rawls aponta dois princípios muito importantes de justiça:

  • Toda pessoa tem um direito igual a um sistema plenamente adequado de liberdades fundamentais iguais que seja compatível com um sistema similar de liberdades para todos;
  • As desigualdades sociais e econômicas devem satisfazer duas condições. A primeira é que devem estar vinculadas a cargos e posições abertos a todos em condições de igualdade equitativa de oportunidades; e a segunda é que devem redundar no maior benefício possível para os membros menos privilegiados da sociedade.

Ronald Dworkin (1931-2013) foi outro importante teórico e filósofo que viu a necessidade de reconhecer os direitos individuais e liberais como inerentes aos indivíduos e elementos primordiais para a lei. Ele enxergava a igualdade e a dignidade como fundamentais para o indivíduo, não devendo as decisões jurídicas serem rigidamente aplicadas de forma mecânica e as leis devem ser interpretadas levando-se em conta os princípios da justiça, procurando melhorá-la sempre que possível. A questão da igualdade balizou toda a obra de Dworkin, pois para ele, esse era um dos princípios mais importantes para as sociedades. Para Dworkin, o Direito está muito associado à questão da moral e, apesar de suas regras e princípios, a existência da moralidade política não pode ser de forma alguma desconsiderada, estando Direito e moral unidos de forma intrínseca. A prática jurídica é claramente passível de interpretação e deve ser comum a todos os âmbitos sociais, de forma a enfocar a justiça como princípio básico.

Peter Singer é um outro pensador e filósofo australiano que aborda diversos temas acerca da liberdade e seus desdobramentos e da ética aplicada, debatendo esses aspectos na defesa do direito à vida, também no âmbito mundo animal aplicando a máxima de que todos têm os mesmos direitos de igualdade e liberdade. Singer defende que os juízes devem ser formados a partir de uma análise universal, a fim de evitar que posições exclusivas possam interferir em determinadas decisões. Ele defende ainda que a distribuição de renda entre ricos e pobres deve ser feita de forma igualitária, e a necessidade de indivíduos sempre agirem moralmente e de forma ética na defesa de seus pontos de vista, agindo de acordo com o certo e convencidos de que sua ação resultará em algo positivo. No entanto, o filósofo chama a atenção para o tema igualdade considerando os interesses de cada um, pois oportunidades iguais para quem tem interesses é algo que também deve ser pensado. Em seu livro Ética Prática (2000), Singer aborda os seguintes temas: A natureza da ética, a noção de igualdade, os direitos dos animais, a eutanásia, o aborto, a fome no mundo, o problema dos refugiados, a ética do meio ambiente, a desobediência civil, a natureza da ação ética e o sentido da vida.

Amartya Sen é um economista indiano que se propõe a analisar a temática de que o desenvolvimento de um país está diretamente ligado às oportunidades que ele oferece para os seus cidadãos, de poderem fazer as suas próprias escolhas e praticarem o exercício da cidadania, principalmente no que diz respeito à igualdade. Sen procura analisar, em suas obras, diversos assuntos que caracterizam a sociedade contemporânea e, apesar de desenvolver vários estudos na área de Filosofia, sempre defendeu seu amor pela Economia. Em sua obra Desigualdade Reexaminada (2008), ele analisa a questão do igualitarismo e inicia seu trabalho questionando a igualdade com duas perguntas: Por que igualdade? e Igualdade de quê? A Igualdade pode ser compreendida como um desejo a ser alcançado pelas sociedades, mas devemos nos questionar sobre como os seres humanos são desiguais.

Agora, de acordo com os estudos aqui mostrados, devemos construir a nossa análise crítica acerca desses assuntos e ampliar o nosso olhar, fugindo do senso comum e consolidando nosso saber acadêmico.

 

The End!

Bons estudos pessoal!