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Ola pessoal! Venho por meio deste post falar sobre o Antigo Egito! Eu ja tinha postado sobre o Egito Begins que fala apenas do início desse grande reino. Então, neste post, nós iremos mais afundo. Iremos falar de suas políticas e religiosidade.

A escolha de um Faraó, por se tratar de uma questão política, também envolve uma pitada de religião. Já na sua morte, não há um sucessor de imediato, mas um tempo de disputas entre as classes poderosas. Dependendo do contexto, a escolha de um faraó pode ser por meio de uma sucessão familiar ou, então, o trono pode ser dividido entre diferentes casas evitando disputas internas. No Antigo e Médio Império, a principal função do faraó era de manter o equilíbrio na sociedade egípcia e, aquele que conseguir manter essa proeza com pacificidade, era considerado o sucessor legítimo do deus hórus e seu nome seria marcado para a posteridade.

Por ser uma questão política, o poder faraônico possui suas burocracias e citaremos aqui alguns exemplos:

Vizir: Significa arquiteto. É quem toma as decisões administrativas cuidando do comércio, dos escravos e a estrutura das grandes construções.

Sacerdotes: No Egito havia vários templos e deuses, mas os sacerdotes do deus Amon eram o que tinham direito na escolha do Faraó. E isso também não significava que os outros templos não eram importantes. Podemos ver que durante o Novo Império, o Faraó decidiu abandonar o deus Amon e invocar o deus Aton em suas tarefas, tornando-o como um deus principal e único do Egito.

Deve-se ressaltar que o deus Amon como o principal do Egito, é devido a aristocracia. A estrutura aristocrática, localizada ao norte, foi o principal reforço para a unificação do Egito. E, já que esses aristocráticos cultuavam o deus Amon e possuíam seus templos, então Amon foi eleito o principal. Segundo Ciro Flamorion Cardoso, em sua obra Impérios na História, a aristocracia pode sofrer inúmeras mudanças dependendo da organização política e das disputas entre os grupos políticos e militares no decorrer das dinastias.

Durante muito tempo, o Egito perdeu sua autonomia devido a invasão dos Romanos, Bizantinos, Muçulmanos, Turcos e Ingleses. Os hicsos, por exemplo, entram no Egito e se auto-declaram governadores. Muitos acreditam que os hebreus se apresentaram no Egito durante a ocupação dos hicsos.

Mas, no Novo Império, o Egito dá o seu grito de guerra através da liderança militar de Amhoses. Foi através dele que a figura do Faraó passa não ser apenas um equilíbrio e divindade, mas sim também um guerreiro combatente. Através da consolidação dada por Tutmés, o poder militar de Amhoses bateu de frente contra os estrangeiros, dando início a uma formação una de grupos nomarcas. Essa união dos nomarcas trouxe uma grande necessidade de marcar o poder em todas as partes do Egito. Podemos ver que a tradição egípcia é o resultado do triunfalismo militar, pois é a partir desse momento que a quantidade de documentos aumentam no Novo Império. Com a autonomia egípcia, os estrangeiros (hicsos) são completamente deletados.

Ainda no Novo Império, o Egito vê no Faraó um personagem mítico e poderoso, mas de nada vale se não for consolidado. Por isso, o consolidador Tutmés III casa-se com a rainha Hatshepsut com o objetivo de receber apoio dos nomos. Hatshepsut representava uma aliança entre os nomos e, mesmo com o marido morto, ela continuava ao lado do poder. Devido a essa tradição, Tutmés fez com que a rainha morresse e, no seu túmulo, todas as inscrições sobre ela foram apagadas com o objetivo de eliminar a garantia de aliança com os nomos. Esse ocorrido foi durante uma vitória militar de Tutmés.

Apesar do Faraó representar um poder consolidado, ele não se torna um elemento único no poder. Amenhotep IV, por exemplo, ao sentar no trono faraônico, realizou uma reforma religiosa. O Egito possuía um panteão que era um conjunto de vários deuses que representavam os nomos. Isso significa que não havia uma unidade religiosa. E o Faraó precisava conviver com esses vários grupos. Através desses registros, nós podemos definir o Novo Império, onde o Faraó irá rejeitar tais conflitos religiosos, expulsando todos os deuses e decretando apenas um deus – Athon.

Através desse lance, sendo Athon o deus principal, Amenhotep se autodeclara sacerdote de Athon e muda seu nome de Amenhotep para Akhenaton. Através dos registros arqueológicos, Akhenaton foi um Faraó vitorioso tanto que seu filho, Tutankaton, torna-se o seu sucessor. Devido a esse sistema religioso ser complexo, houve uma série de disputas até que uma nova aliança se inicia. Tutankaton já sendo o Faraó, passa a valorizar o antigo deus Amon e muda o seu nome de Tutankaton para Tutancamon. Além disso, o retorno do deus Amon é associado a figura do e passa a ser chamado de Amon-Rá.

A mudança de Amon para Amon-Rá, apesar de ser algo religioso, também envolve questões políticas. Amon é o rei dos deuses e senhor dos templos de Luxor e Carnac. Sob o nome de Amon-Rá, ele se torna o sol que ilumina o Egito. Durante o reinado de Ramsés III, Amon se torna monárquico sendo representado como um homem vestido com uma túnica real e usando uma coroa com duas plumas altas do lado direito.

Como já foi falado, a escolha do nome do Faraó é uma questão política. Ramsés acaba se tornando o nome mais famoso do Novo Império. Ramsés II foi o Faraó que disputou mais batalhas em torno do governo egípcio. Ele comandou os egípcios na batalha de Kadesh e, provavelmente, foi um dos protagonistas do famoso Êxodo.

Ramsés II foi o terceiro Faraó da Décima Nona Dinastia, filho do Faraó Seti com a Rainha Touya, seu avô também foi um grande general do exército das dinastias que favoreceram o início do Novo Império.

De acordo com Christian Jacq, Nectanebo II foi o último Faraó do Egito. Foram 800 anos entre o final do reinado de Ramsés III e o inicio de Nectanebo II. E o Egito passou pela decadência ramessida. De 1153 à 1070 a.C, oito reis usarão o nome de Ramsés, mas ninguém conseguirá devolver o poder dinástico na formação do Novo Império. De 1070 à 715 a.C, vem o Terceiro Período Intermediário. Em 715 a.C, inicia a Baixa Época e foi decretado o seu término com a conquista de Alexandre no ano de 332 a.C. Através dessas disputas, o Egito não voltou mais com o seu antigo poder. Entretanto, as disputas entre norte e sul continuou existindo.

Muitos egiptólogos possuem inúmeras dificuldades em construir a história de determinados períodos do Egito, mas sabemos que quando Nectanebo II se torna o Faraó em 360 a.C, ele passa por uma situação bem apertada. Pois quando Teos, o rei antecessor, fugiu do Egito devido a sua derrota perante os Persas, Nectanebo era um soldado da Síria. Além disso, Teos se tornou muito impopular devido aos impostos lançados com o objetivo de equipar suas tropas. E Nactaneo reprimiu a revolta se tornando o novo Faraó. E, durante muito tempo, o Egito se deleitou com a Grécia para evitar a perda total de sua autonomia. O domínio da Pérsia (525 à 404 a.C) deixou vestígios em todas as memórias.

No ano 380 a.C, a trigésima e última dinastia, houve uma mudança de faraós em relação aos gregos. Há um clima de paz e uma estabilidade na economia permitindo o início de grandes construções. Mesmo assim, com o tempo, o Reino Egípcio se torna perdido, mas se levanta por várias vezes.

Temos a história da Cleópatra que é considerada uma das personalidades mais célebres da Antiguidade. Com as conquistas de Alexandre, o Delta do Nilo é dominado pela helenização (cultura grega). E, ao sul, os africanos tomam conta.

Segundo Jacq, em sua obra O Egito dos Grandes Faraós, Cleópatra nasceu no ano de 69 a.C, e o governo do seu país é uma representação do Império Romano. Cleópatra divide o seu reinado com o seu irmão de 13 anos de idade chamado Ptolomeu XIV. Seu nome se envolve em inúmeras batalhas romanas e muitos a consideram como a última Faraó do Egito.

No Antigo Império, seus representantes marcaram uma estrutura em torno do panteão egípcio em relação a vida, a morte, a história e a religião, a perpetuação e a eternidade. Infelizmente não há muitas informações arqueológicas para explicar com clareza certos momentos do Egito. Mas sabemos que o Faraó era tratado de uma forma tão especial que o seu corpo viveria para sempre através da mumificação. Foram muitas e muitas disputas onde os Faraós foram assassinados, substituídos, perderam forças e foram confidencialmente simbolizados. Um outro acontecimento importante é que, após uma série de invasões estrangeiras, os faraós são reabilitados pelos faraós do Novo Império. E lá tem-se escrito uma lista dos faraós militares que marcaram suas fronteiras e suas culturas para nos mostrar o passado egípcio. O Vale dos Reis é uma prova do quão os Faraós eram extraordinários em seus impérios.

Vale dos Reis

Vale dos Reis

Bom pessoal, agradeço pela paciência de vocês.
Publiquei esse post na base dos estudos sobre o Egito Antigo da disciplina História Antiga Oriental, Faculdade Estácio de Sá. Valeu!

moisesOla pessoal!

Estamos aqui mais uma vez pra entender um pouco mais dessa loucura mirabolante do mundo em que vivemos – cheio de histórias e filosofias. Portanto, venho por meio deste post falar um pouco sobre o monoteísmo.

Vocês sabiam que na Antiguidade, o monoteísmo NÃO significava a existência de um único Deus? Ao contrário do que muitos pensam, o monoteísmo nada mais era que destacar um Deus entre os outros Deuses. Um dos primeiros povos que se tem registro em adotar o monoteísmo foram os hebreus. Lá em Genesis, quando Deus diz a Abraão para sair de sua terra (Cidade de Ur dos Caldeus), estava iniciando o monoteísmo. Pois Abraão tinha saído de uma cultura politeísta para dar início a uma cultura monoteísta.

Entretanto, o monoteísmo daqueles hebreus não “abolia” a crença em outros deuses e sim apenas “destacava”, ou melhor dizendo, apenas cultuava um único Deus, Yahweh (Javé). Um grande exemplo deste lance está registrado no livro de Êxodo. Quando Moisés, líder dos hebreus, sobe no monte Sinai para receber a mensagem de Yahweh, ele demora tanto pra voltar que os hebreus ficaram impacientes. E, pensando que o seu líder não iria mais voltar, os hebreus decidiram construir e cultuar um novo deus – um bezerro de ouro. Dá pra perceber que, por questões sociais, a religião pode sofrer mudanças para atender a necessidade do povo.

O tio Alex Oliveira, um dos meus professores da faculdade, chama esse lance de “monolatria”. Pois, ao que parece, o monoteísmo ético foi fruto de um processo histórico no qual demarcou-se a exclusividade do povo hebreu ante seu Deus e o mundo. Esta ideia não nasceu pronta, mas foi construída pelos séculos.

Hoje em dia, podemos dizer que o monoteísmo é a existência de um único Deus porque não há mais aquela valorização de outros deuses como antigamente. Então por que será que o Deus dos hebreus foi o que mais prevaleceu durante a história da religiosidade? Porque muitos povos, como os gregos por exemplo, não carregavam em suas religiões uma ortodoxia. Não havia esses lances de pecado, de doutrinas, de seguir fielmente um livro sagrado, entre outros. Um outro fator interessante é que os hebreus carregavam Yahweh como um Deus acima de outros deuses, portanto eles não viram necessidade de construir um monumento para Yahweh – esqueça o lance da Arca da Aliança, pois é um outro contexto. Já os outros povos como os amonitas, os filisteus, tinham uma necessidade de construir um monumento para os seus deuses, para prestarem culto. No entanto, quando tais monumentos eram destruídos e não mais reconstruídos, tais deuses passaram a não existir mais e eram esquecidos. E, já que não havia monumento para Yahweh, não havia como ser destruído e muito menos esquecido. E um outro fator interessante é que os hebreus possuem uma literatura histórica e poética muito rica e que trouxe benefícios à sua religiosidade.

 

Enfim, por hoje é só!

E que o Deus dos hebreus vos abençoe. 😀

Egito Begins

Publicado: 23 de abril de 2015 em História Antiga
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Ola pessoal!

Venho, por meio deste post, falar sobre o surgimento do Egito que – segundo o historiador grego do Séc. V a.C chamado Heródoto – é uma dádiva do Nilo. A teoria de Heródoto é mais uma das provas de que na Antiguidade, o homem se desenvolvia de acordo com o terreno que era geograficamente favorável. Mas vale lembrar que o Egito nasceu além do Delta, cujas áreas passavam por principais inundações.

No início, a terra egípcia era povoada por um conjunto de aldeias chamada Nomos. Cada aldeia possuía suas próprias leis, seus próprios deuses e costumes. Os Nomarcas eram os líderes supremos de suas aldeias e eles eram responsáveis pela coleta de impostos e seleção de trabalhadores. Entretanto, as aldeias não viviam de uma forma amigável. Havia rivalidade entre elas, ocasionando conflitos e mais conflitos. Tais conflitos resultaram na divisão dos Reinos Baixo Egito e Alto Egito. Logo em seguida, não houve mais brigas entre aldeias, mas brigas entre os Reinos.

Vale ressaltar que, ao se aventurar na história do Egito, não existe uma cronologia fixa. A contagem do tempo é baseado em torno das dinastias. Nesse tempo das aldeias Nomos, nós chamamos de Período Pré-Dinástico, pois o Egito não era Unificado e não havia um faraó.

Logo em seguida, entramos no Reino Antigo, onde surge o primeiro Faraó como um grande líder e também autônomo. Ele acaba unificando as duas coroas do Egito (Baixo Egito e Alto Egito). O Faraó passa a ter um caráter político e religioso. Pois, além de administrar o Egito livrando-o da fome e da seca, também é declarado como sendo o próprio deus.

Logo depois, entramos no Primeiro Período Intermediário que é conhecida como uma época onde a unidade faraônica sofre uma decadência devido as disputas dos nomarcas que queriam tomar o poder. Nesse período, o historiador sofre com suas pesquisas pois não há muitos registros sobre as muitas dinastias que passaram. Isso por causa de muitos terem se auto-proclamados reis.

Em seguida, entramos no Reino Médio, onde o Faraó se torna novamente autônomo e os estrangeiros (iczus ou hicsos) chegam para fazer a festa. É nessa época onde o Faraó entra em conflito com os estrangeiros invasores. Tais estrangeiros se autodeclaravam faraós e influenciaram os egípcios na arte de utilizar o cavalo, carros e arco compósito nas batalhas.

A seguir, entramos no Segundo Período Intermediário, onde os estrangeiros são expulsos pelo Faraó e este retoma o papel de senhor supremo.

 

Bem, este é apenas um resumo bem básico sobre o surgimento do Egito. Estarei publicando mais post dando continuação com o assunto.

 

Agradeço pela atenção!

Marcell

mesopotamia

Ola pessoal!

Venho por meio deste post falar sobre a Mesopotâmia. E então! O que era a Mesopotâmia? Se você pensou que era um reino, ou um país, ou um estado, ou uma cidade, ou então um time de futebol, tu erraste feio! O nome Mesopotâmia surgiu devido a sua localização geográfica, Meso (entre/meio) e Pothamos (rio). Pra ficar mais fácil identificar a sua localização, a região mesopotâmica de hoje é a região do Iraque. Vejam lá no Google Maps a casa dos nossos amigos iraquianos… Mas enfim, na Antiguidade, era muito comum os povos se estabelecerem próximo aos rios. Pois os rios tornavam as terras mais férteis que beneficiavam na agricultura, na caça, na pesca e em outros tipos de atividades daquela época. Não é diferente da Mesopotâmia, onde chegavam povos e mais povos próximos aos rios, e haviam conflitos e mais conflitos por conquista de territórios e por aí vai…

A propósito, a Mesopotâmia é considerada um dos berços da civilização, pois, no início, a sociedade nada mais era que grupos de caçadores e coletores. Logo em seguida, se desenvolvia a agricultura e, mais tarde, os sistemas sociais foram ficando cada vez mais organizados. Logo depois, surgiram as primeiras cidades e, por fim, a elaboração da escrita – o famoso cuneiforme. Creio que quem já jogou o game Age of Empires, deve manjar muito bem nesses assuntos de desenvolvimento de uma sociedade…. mas vamos lá!

A Mesopotâmia, como foi falado acima, era um conjunto de cidades-estados situados às margens dos rios Tibre e Eufrates. Por isso o nome, “Meso” (meio/entre) e Pothamos (rio). Os povos mesopotâmicos foram os Sumérios, os Acadianos, os Amoritas, os Assírios e os Caldeus.

Os Sumérios (que surgiram antes de 2000 a.C) eram grandes construtores de barragens e de canais de irrigação, além de obras arquitetônicas como os Zigurates. Os Zigurates eram uma espécie de pirâmides para armazenar grãos e também serviam como templos religiosos.

Logo em seguida vieram os Acadianos (2350 a.C – 1800 a.C) que dominaram os Sumérios, porém o seu reinado foi curto. Eles tiveram como figura central o poderoso Sargão I que promoveu a unificação do centro-sul da Mesopotâmia.

Depois chegaram pra festa, os Amoritas (1800 a.C – 1590 a.C), que foram os primeiros babilônios da Mesopotâmia. Seu soberano, Rei Hamurabi, deixou registrado o famoso Código Hamurabi que eram leis bem pesadas de punição. Ah… se algumas dessas leis fossem legalizadas aqui no Brasil….

E não acaba por aí! Logo depois, chegaram os Assírios (1000 a.C – 612 a.C) que era um povo militar. A força do seu exército era muito conhecida devido as conquistas de diversos territórios. Sua cidade principal era Nínive, muito conhecida através da história bíblica do Profeta Jonas.

Profeta Jonas sendo cuspido por um peixe para pregar em Nínive

Profeta Jonas sendo cuspido por um grande peixe para pregar em Nínive

E, por último, chegaram os Caldeus (612 a.C – 539 a.C) que eram os neobabilônicos, comandado pelo Rei Nabucodonosor, que ficou famoso com a sua grandiosa obra conhecida como os Jardins Suspensos da Babilônia.

Jardins Suspensos da Babilônia

Jardins Suspensos da Babilônia

Lara Croft que iria curtir uma aventura nesse jardim do Nabucodonosor…

lara

 

Bem pessoal, este post é apenas um breve resumo sobre a Mesopotâmia. Com certeza, haverá outros posts com mais detalhes sobre esses assuntos.

 

Preciso dormir, cara! 3h da matina quase!

 

Valeu!

Marcell

romanos

 

Ola pessoal!

Levanto este post para falar sobre um povo que marcou profundamente a história mundial, cujas marcas se encontram até hoje em nosso meio ocidental. Enquanto os historiadores nos mostram que o Império Romano acabou, no meu ponto de vista, penso o contrário. Claro que não existe mais o Império Romano nos dias de hoje, mas vejo que esse grandioso Império ainda respira através da religião. Falaremos sobre isso em um outro post, não agora.

Como este é o primeiro post sobre Roma, vamos falar da sua origem até a República.

Geograficamente falando, a Itália é muito bem privilegiada por se situar em uma península, cujo litoral é banhado pelos mares Mediterrâneo, Tirreneo e o Adriático. E, no princípio, Roma nada mais era que uma vila largada e não muito conhecida no meio dessa península. Mas a sua região era beneficiada pelos rios Tibre e Pó que forneciam recursos e suprimentos em todas as estações. Ainda no século XVI a.C, os romanos dominavam a metalurgia com o bronze e realizavam decorações fantásticas em suas cerâmicas.

Não se sabe ao certo o tempo em que Roma surgiu, mas segundo registros deixados por um poeta romano chamado Virgílio e por um historiador que também é romano, chamado Tito Lívio, Roma foi fundada em 753 a.C. Porém, é uma data que os arqueólogos desconfiam muito… mas, vamos prosseguir!

De acordo com a tradição, um príncipe troiano chamado Enéas, filho do rei de Tróia (um mortal) e da deusa Vênus, fugiu de sua cidade devido a Guerra de Tróia. – Pesquisadores acreditam que os romanos utilizavam como personagens, os deuses e os nobres, para exaltar a origem de sua civilização. – Durante a sua fuga, Enéas seguiu para a península Itálica, onde seu filho Ascânio fundou uma cidade chamada Alba Longa. E é a partir daí que entramos na famosa história do Rômulo e Remo.

Rômulo e Remo sendo amamentos por uma loba

Rômulo e Remo sendo amamentos por uma loba

Rômulo e Remo eram irmãos gêmeos, filhos do deus grego Ares e da mortal Réia Silvia, filha de Numitor que é rei da Alba Longa – Numitor era descendente de Enéas. O irmão do rei Numitor, Amúlio – também descendente de Enéas -, roubou a coroa de seu irmão e fez dele um prisioneiro. Devido a esse golpe, a filha de Numitor, Réia Silvia, foi obrigada à castidade para que seu pai, sendo já um prisioneiro, não possua mais descendência. Mesmo assim, o deus Ares se casou com Réia e os gêmeos Rômulo e Remo nasceram.

Ao saber da existência dessas crianças, o malvado Amúlio que tomou a coroa de seu irmão Numitor, lançou-as no rio Tibre. As crianças foram levadas pelas correntezas do rio até serem encontradas por uma loba chamada Capitolina. A bondosa loba cuidou das crianças e amamentou-as. Por fim, os gêmeos foram encontrados por um pastor chamado Fáustulo que adotou-os, junto com a sua esposa, como filhos.

Quando Rômulo e Remo eram adultos, Remo causou algumas intrigas com os pastores vizinhos. Por causa de tais injúrias, os pastores levaram Remo até o rei Amúlio que o encarcerou. Quando ficou sabendo do ocorrido, Fáustulo decidiu revelar tudo para Rômulo sobre o seu nascimento. Desde então, Rômulo tomou coragem de ir até o palácio e libertar o seu irmão. Além de libertar seu irmão, Rômulo aproveitou para matar o rei Amúlio e libertar seu avô Numitor.

Com o assassinato do rei Amúlio, Numitor retoma a sua coroa e recompensa seus netos dando-lhes o direito de fundar uma cidade perto do rio Tibre. Com a recompensa recebida, Remo seguiu até o monte Aventino e Rômulo chegou ao monte Palatino. No entanto, Remo avistou seis abutres sobrevoando o monte e Rômulo, já no monte Palatino, avistou doze aves e construiu um sulco em volta da colina, e demarcou o Pomerium – recinto sagrado da nova cidade. Sentindo ciúmes, Remo zombou do Rômulo e isso fez com que Rômulo assassinasse seu irmão Remo. Rômulo então decidiu enterrar seu irmão no Aventino e deu nome à sua cidade – ROMA – em homenagem ao irmão.

Agora vamos deixar a lenda romana de lado e vamos partir para a sociedade em si.

Na região norte, havia um grupo de cidades-estados chamados etruscos. Pouco se sabe sobre suas histórias, mas pesquisadores acreditam que tais cidades-estados evoluíram nos séculos VII e VIII a.C. Já a região sul da península Itálica, era colonizado pelos gregos. Os gregos precisavam de cobre e ferro dos etruscos, e davam em troca seus vasos pintados cheios de âmbar, estanho e chumbo.

Quando os etruscos viajavam para o sul para negociar com os gregos, no caminho davam de cara com Roma. Ao ver as planícies férteis de Roma, os olhos dos etruscos engordaram. E não tardou para o domínio se concretizar e estabelecer ali, uma monarquia etrusca. Coitada de Roma que teve que lidar com Tarquínia, Ceveteri, Veios, entre outas cidades-estados etruscas.

Com o domínio dos etruscos, partimos então para a primeira fase da história romana: a Monarquia Etrusca (VIII a.C – VI a.C).

Na monarquia etrusca, a organização era feita em 3 Tribos (TRIBUS), e cada Tribo era composta por 10 Cúrias (CURIAE). Através dessa organização, nasceu o Senado. Os senadores eram escolhidos pelo rei entre os pater familiae. As cúrias se reuniam e formavam a Comitia Curiata que analisavam, com o apoio do senado, as decisões do monarca. Pesquisadores acreditam que através desse sistema, surgiu a organização militar romana. A partir de então, Roma cresceu e a monarquia etrusca foi derrubada. Mesmo assim, os romanos continuaram desconfiados temendo novas invasões de seus vizinhos.

Com o passar dos séculos, os romanos testemunharam muitas batalhas que decidiram partir para defensiva, protegendo suas fronteiras. Ao adotar essa política, os latinos, os équios, os volscos, os sabinos e os etruscos foram dominados por Roma. Com o poder nas mãos, os romanos reestruturaram sua política criando os CÔNSULES, o SENADO, a COMITIA CENTURIATA, os CENSORES, os PRETORES, os EDIS e os QUESTORES.

  • Cônsules: Administração, comando do exército, interpretar e executar leis;
  • Senado: Não executivo; Magistrados eleitos para resolver questões de política externa e interna, finanças e religião;
  • Comitia Centuriata: Cidadãos romanos; Escolhiam os senadores;
  • Censores: Ex-cônsules; Orientar construções públicas; Fiscalizar conduta moral dos cidadãos;
  • Pretores: Justiça;
  • Edis: Preservar a cidade, abastecer a polícia e o mercado;
  • Questores: Cobrança de impostos;

Se analisássemos mais ainda a Roma Antiga, podemos ver que a desigualdade social não é algo recente. Nessa mesma época, Roma carregava duas camadas de classes: Patrícios e Plebeus. Os patrícios eram a elite e se declaravam herdeiros de Rômulo e Remo – fundadores de Roma. Eles tinham o domínio dos cultos em consultar os deuses e o controle da política. Já os plebeus eram aqueles que não tinham onde cair morto. Eles não tinham nada além do seus próprios corpos e as roupas que vestiam. E, pra piorar, os plebeus eram a grande maioria da população romana. E, pra esquentar mais ainda a chapa, haviam plebeus prósperos e que não dependiam dos patrícios para sobreviverem. Esses plebeus mais prósperos aumentavam em número devido as conquistas romanas nas batalhas.

Os patrícios estabeleceram a relação de patronagem, ou seja, a relação entre o patrício e o cliente. O cliente era um cara livre que se dedicou a ajudar nos interesses do patrício em troca de proteção financeiro e jurídico. Até que esse lance acarretou uma certa estabilidade social. Mesmo assim, muitos plebeus protestavam pela falta de acesso à magistraturas. E os de menores posses protestavam por melhores condições de vida.

Os conflitos externos e internos eram tantos que um grande número de plebeus, ao ver suas terras arruinadas pelas batalhas se endividaram. E não tendo condições pra pagar tais dívidas se rebaixavam à servidão de acordo com as leis romanas. Portanto, ao saberem de sua tamanha importância para os patrícios, os plebeus ameaçaram fundar uma nova comunidade no monte Aventino. Tal ameaça surgiu efeito. O cargo de tribuno da plebe foi criado com o objetivo de interceder contra os atos da elite e proteger os plebeus de perseguições. Mas, mesmo assim, a situação dos plebeus não mudou. A fome, a peste e as guerras ainda feriam a sociedade. E, pra piorar, os plebeus não tinham conhecimento de seus direitos, pois as leis não eram escritas, mas interpretadas por colégios sacerdotais no domínio dos patrícios. Portanto, para evitar novos conflitos, em 451 a.C foi escrito a Lei das XII Tábuas que tratava dos direitos dos cidadãos romanos. Entretanto, tal lei não atendeu as necessidades dos plebeus. Então, no ano de 376 a.C foi escrita a Lei Licínia Sextia obrigando que um dos cônsules fosse plebeu. Anos mais tarde, os plebeus tiveram o direito ao cargo de censor.

Diante de toda essa disputa por direitos e por conquistas de espaço interno na sociedade romana, surgiu uma nova elite com os plebeus mais ricos. Os plebeus mais pobres receberam auxílio pela criação de um cargo exclusivamente deles – o pretor. Tais decisões ainda não trouxeram acordos definitivos, mas surgiram tempos de paz. E essa paz fez com que Roma expandisse para além das fronteiras da península Itálica.

 

Que texto! E vai ter mais por aí.

Agradeço pela paciência!

Deus os abençoe.

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Ola pessoal!

Levanto este post apenas para demonstrar a tamanha complexidade que o historiador passa ao realizar alguma pesquisa na área da Antiguidade. Quando falo de Antiguidade neste post, estou falando dos tempos de uns 10.000 a.C.

Como eram as coisas em uma época antes da invenção da escrita? Ora, se não existia a escrita também não existia documentos registrados. Sem a escrita e sem documentos significa que não havia historiadores ou escrivães para deixar algum registro simples sobre a cultura de sua sociedade daquela época. Como escrever se não existia a escrita??? Pode até ter existido, mas o tempo destrói a matéria.

Então, a que conclusão podemos chegar com isso? Simplesmente nenhuma! O historiador dessa área possui ao seu lado, o Indiana Jones em busca de fragmentos, relíquias e vestígios, para entender o nosso passado.

indiana

Através dos resultados de buscas arqueológicas, o historiador tende a levantar não uma conclusão, mas hipóteses de como era a vida das sociedades passadas. São hipóteses e mais hipóteses sendo coligadas resultando numa coerência, e há mais outras hipóteses sem coerência, mas que são armazenadas para se encaixar nos possíveis resultados através das futuras descobertas arqueológicas. Portanto, o historiador deve sempre levar muito a sério a famosa teoria do “texto fora do contexto, gera pretexto”.

No entanto, mesmo após a invenção da escrita (aproximadamente 4.000 a.C), o historiador ainda encontra uma imensa dificuldade de entender a sociedade daquela época. Ué! Mas por que?? Veja bem, existe alguma possibilidade de trabalhar com a história oral? Você pode muito bem entrevistar uma múmia, mas ela não vai te responder porque está MORTA!! Um outro ponto é: Quantos documentos foram corroídos com o tempo? E mais um: Quando um escrito antigo é encontrado, como vamos saber se o autor falava a verdade? Você já viu o filme Asterix e Obelix Contra César? No filme, os gauleses Asterix e Obelix estavam vencendo uma batalha contra os romanos, porém o Imperador César mandava o seu biógrafo registrar que o exército romano foi glorioso nessa mesma batalha. E aí? Apesar de ser um filme de comédia, mas baseado nesta linha de raciocínio, como vamos saber se aquela escrita encontrada é verdadeira ou uma simples visão particular e egocêntrica? Enfim, aguardaremos para que mais hipóteses se coliguem e que sejam coerentes…

Parece tedioso, né? Mas não! É uma aventura, cara. É uma aventura!

 

Boa noite e Deus os abençoe.