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Ola pessoal!

Nesta postagem irei apresentar um resumo das aulas da disciplina História da América II do 5o Período do curso Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

Há também o resumo História da América I do 4o período.

 

Resumo da Aula 01 – O Continente Americano nas Primeiras Décadas do Século XX e a Revolução Mexicana

A história do continente americano sempre foi marcada por acontecimentos de suma importância. O continente é formado por um conjunto de países que foram colonizados principalmente por Portugal, Espanha e Inglaterra. O processo de independência das colônias inglesas serviu de inspiração para que outras colônias também buscassem sua liberdade. As colônias da Espanha e de Portugal deram origem, em grande parte, à região conhecida como América Latina. A influência dos Estados Unidos se consolidou com a Doutrina Monroe e sua “América para os americanos” (1823).

O intervencionismo estadunidense na América Latina durante o início do século XX foi um fator sólido e se consolidou por meio de algumas ações do país na área, como a Emenda Platt, que dava aos EUA o direito de intervirem militarmente na ilha para garantir os seus interesses. Outro fator que consolidou a posição estadunidense na América Latina foi a implementação da diplomacia do dólar, criada pelo presidente William Taft. Tal diplomacia realizava empréstimos para fortalecer a dependência econômica da América Latina, iniciando o imperialismo econômico norte-americana. Um outro lance também é o interesse dos EUA em construir um canal marítimo que ligasse os oceanos Atlântico e Pacífico. As obras deram início em 1880, mas houve paradas por questões financeiras.

A primeira revolução no continente americano no século XX ocorreu no México e marcou a história das lutas camponesas na região. O México se tornou um país independente e proclamou-se república em 1824, após uma guerra empreendida contra a Espanha, sua metrópole. A história do México sempre foi envolvida em lutas pela terra, conflitos de interesses entre grandes proprietários rurais e a população camponesa, em um país eminentemente agrário e indígena, marcando uma relação de tensões que ultrapassou séculos e gerou uma sociedade cada vez mais desigual. A Revolução Mexicana foi o movimento de contestação mais violento e de maior amplitude ocorrido nas Américas. Teve, como traços peculiares, o intenso envolvimento popular, sobretudo camponês, e um processo de institucionalização que a faz presente até os nossos dias. Os EUA avançaram bastante sobre o território mexicano. A guerra entre EUA e México durou dois anos e os mexicanos foram derrotados, e tiveram que assinar o Tratado de Guadalupe Hidalgo. Com o Tratado, o México teve que ceder aos EUA o Novo México e a Califórnia por U$$15 milhões.

A questão da política interna mexicana, a aliança dos centralistas com o capital inglês acabou conduzindo ao governo do general mexicano Porfírio Díaz, que governou entre 1877 e 1910. Os três pilares do seu governo eram a grande propriedade, o capital estrangeiro e seu poder autoritário. No começo do século XX, iniciou-se um processo de contestação do governo de Díaz, desencadeando um movimento revolucionário no âmbito nacional que contou com forte adesão popular. Em seguida, Francisco Madero, um advogado que pertence a uma das famílias mais ricas do México, foi candidato à presidência para se opor à Díaz. Madero defendia a democratização e o respeito à Constituição, sendo um liberal por formação e preocupado com as liberdades políticas. No México, muitos líderes falaram em nome da revolução, que assumiu numerosas vertentes ao longo de sua história, adquirindo diferentes significados para os envolvidos.

Para a história de lutas na região, a Revolução Mexicana levantou uma bandeira que, durante muito tempo, acompanhou a América Latina: A Reforma Agrária. O alto índice de concentração de terras foi um fator marcante na região e gerou movimentos de contestação em diferentes partes.

 

Resumo da Aula 02 – Estados Unidos, Primeira Guerra, Crise de 1929 e a América Latina nas Décadas de 1930 e 1940

Nas primeiras décadas do século XX, os EUA se consolidaram como forte potência regional e, posteriormente, mundial. Os países latino-americanos inciaram o processo de mudança em sua ordenação política sobretudo em virtude do desencadeamento com uma Europa arrasada pela Primeira Guerra Mundial. Os EUA consolidaram sua prosperidade sobretudo após a Primeira Guerra Mundial, conflito que adquiriu proporções mundiais e marcou a história contemporânea, inserindo todas as regiões do planeta na lógica da guerra. A Primeira Guerra e também a Segunda Guerra, os EUA se beneficiaram do fato de estarem distantes da luta e serem o principal arsenal de seus aliados, e da capacidade de sua economia de organizar a expansão da produção de modo mais eficiente que qualquer outro.

O crescimento estadunidense se consolidou cada vez mais após a Primeira Guerra Mundial e o país viveu o “American Way of Life”, o estilo de vida americano que tornou os EUA um modelo de consumo. Os EUA adotaram uma postura isolacionista em relação à Europa, e seu crescimento econômico propiciou intensa euforia e a certeza, ainda que falsa, de uma prosperidade sem limites, marcada pelo alto grau de consumo de produtos, que rapidamente se tornaram bens de consumo. O período que antecedeu a crise foi de intensa efervescência cultural nos EUA. Era a época de jazz, embalado pelo foxtrote e pelo blues, pelas melindrosas e seu estilo solto, cabelos curtos, o boxe se desenvolvia, eram os famosos anos 1920. Então, a crise de 1929 foi causada, sobretudo, pela insistência americana em manter depois da guerra o mesmo ritmo de produção alcançado durante o conflito, quando abastecia os países envolvidos nos combates, fornecendo desde gêneros alimentícios até produtos industrializados e combustível. Com a paz, os países europeus recomeçaram a produção de bens que importavam dos EUA durante o conflito. Com isso caíram as exportações do país e o mercado interno americano viu-se abarrotado de produtos que não conseguia absorver. A solução seria reduzir a produção em determinados setores, o que provocaria séria crise econômica e social.

A crise se acirrou ainda mais, pois apenas 5% da população estadunidense detinha 35% da riqueza do país, o que demonstra a intensa disparidade que marcava os EUA. A bolsa de valores refletia esse momento sobretudo pelo fato de muitas empresas serem de capital aberto, ou seja, as ações estavam nas mãos de muitas pessoas que, alarmadas com os acontecimentos, começaram a querer vender suas ações até o momento em que começou a haver mais vendedores que compradores, o que fez com que as ações passassem a ser vendidas a preços históricos, culminando em sua desvalorização praticamente total. Muitos investidores que haviam perdido tudo se suicidaram pulando das janelas dos edifícios, ao passo que muitos pobres passaram a contar com a caridade alheia, aumentando a fila da sopa gratuita para os desempregados.

A América Latina sempre esteve na esfera da influência estadunidense através da Doutrina Monroe: “América para os americanos”. Uma grande parte do comércio empreendido pelos países latino-americanos era realizada com a Europa e outra parte com os EUA, tanto no âmbito das importações quanto no das exportações. Com a crise, todos começaram a estabelecer certo protecionismo, o que complicou bastante a vida financeira de algumas nações da América. O Brasil teve a economia afetada intensamente, pois sua balança comercial dependia das exportações do café, e os EUA eram os principais compradores. Houve um forte desequilíbrio na balança de comércio brasileira; além do café, diversos produtos agrários sofreram os efeitos da crise. A crise de 1929 também contribuiu para piorar a situação econômica de Cuba, ocorrendo a Revolta dos Sargentos, liderada por Fulgêncio Batista. Ele afastou-se do poder em Cuba durante oito anos e depois retornou, governando como ditador e contando com o apoio dos EUA. Foi derrubado pela Revolução Cubana de 1959.

Entre os anos de 1930 e 1940, a própria condução da política estadunidense para a América se modificou. A política do Big Stick (Grande Porrete) foi substituída por uma política mais amena, a de boa vizinhança, que consistia basicamente em estabelecer laços de amizade com os países da América Latina a fim de expandir cada vez mais o modelo de vida e de consumo americanos. O objetivo dos EUA era ampliar sua esfera da atuação na América Latina e, para isso, utilizou-se de todas as formas possíveis para fortalecer essa política. No Brasil, estreitou laços com Getúlio Vargas e até visitou nosso país. A América Latina se viu cada vez mais influenciada pelos estadunidenses e por sua busca de atuação internacional, o que fortaleceu a presença dos EUA em todo o continente e consolidou a política de alianças estabelecida entre os países da região.

 

Resumo da Aula 03 – O Populismo na América Latina

Segundo Angela de Castro Gomes (2011), o populismo é um fenômeno vinculado à proletarização dos trabalhadores na sociedade complexa moderna, sendo indicativo de que tais trabalhadores não adquiriram consciência de classe: não estão organizados e participando da política como classe. O populismo está igualmente associado a uma certa conformação da classe dirigente, que perdeu sua representatividade e poder de exemplaridade, deixando de criar os valores e os estilos de vida orientadores de toda a sociedade.

Para a construção do modelo populista, alguns elementos se fazem necessários, como um proletariado sem consciência de classe, uma classe dirigente em crise e um líder que possa arregimentar essas massas, transcendendo todas as fronteiras pessoais. Quando pensamos a relação do populismo como política de manipulação de massas, temos a interação entre Estado e classes populares no centro das discussões. As massas são o objeto das políticas populistas, que visam manter aquela sob controle e utilizá-las dentro do jogo político da contemporaneidade.

A Revolução Russa produziu o fantasma do comunismo, e a crise do liberalismo e da democracia após a Primeira Guerra Mundial abriu caminho para correntes de pensamento de cunho antiliberal e antidemocrático, pregando a necessidade de um Estado forte, intervencionista e capaz de promover a ordem. O fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha foram exemplos claros desse tipo de pensamento. O movimento populista também é tido como de manipulação de massas, com políticos estigmatizados como enganadores e manipuladores por promessas não cumpridas.

Octavio Ianni (1989) destaca que a natureza do governo populista está na busca de uma nova combinação entre as tendências do sistema local e as determinações da dependência econômica. No Dicionário de Política, o populismo é visto como um fator que tende a permear ideologicamente os períodos de transição, particularmente na fase aguda dos processos de industrialização. A ideia de demagogia, as promessas e o personalismo (carisma) fazem parte dos líderes populistas. Cárdenas (México) e Perón (Argentina) foram eleitos democraticamente para a presidência de seus países, enquanto Vargas assumiu o poder por meio do que denominou revolução. O principal objetivo desses líderes era fazer frente ao domínio oligárquico que havia se estabelecido em seus países. Contavam fortemente com o apoio das massas, e seus discursos eram sempre direcionados a essa classe.

Lázaro Cárdenas foi presidente do México entre 1934 e 1940. Seu principal objetivo era modernizar a economia e a sociedade mexicana. Durante seu governo, realizou a reforma agrária, uma demanda do México que vinha desde a época da Revolução Mexicana. Cárdenas também nacionalizou a exploração do petróleo mexicano, acabando com o privilégio das companhias petrolíferas estrangeiras que dominavam esse comércio no país, em sua maioria inglesas e estadunidenses. Alguns historiadores não classificam o governo de Cárdenas como populista, mas sim como um governo nacionalista e corporativista. Para obter o apoio popular, Cárdenas se remetia aos signos da Revolução Mexicana, que tinham um forte apelo no imaginário social das massas, uma vez que canalizavam as expectativas de diferentes grupos. Juan Domingo Perón governou a Argentina entre 1946 e 1955, e depois foi eleito para um novo mandato em 1973, falecendo um ano depois. Ele assumiu a Secretaria de Trabalho e ali iniciou sua consolidação na política argentina, baseando-se na inserção popular, um modo inovador de fazer política, com a participação de trabalhadores e dos sindicatos. Getúlio Vargas assumiu o poder por meio de um golpe militar em 1930 e governou até 1945. Vargas buscou consolidar-se junto aos trabalhadores e também buscou o apoio dos sindicatos, inserindo as massas na vida política brasileira. Esses três presidentes analisados caracterizam a política da América Latina de forma diferente, marcada pela inserção das massas e dos trabalhadores, que passaram a ocupar um espaço importante na vida politica dos países.

 

Resumo da Aula 04 – O Continente Americano e a Segunda Guerra Mundial

Os EUA adotaram uma postura de distanciamento em relação aos acontecimentos europeus, buscando se aproximar cada vez mais de seus parceiros latino-americanos. Com a ascensão de Franklin Roosevelt à presidência da República em 1933, houve uma reorientação da política estadunidense. O Big Stick, política estabelecida no final do século XIX, dá lugar à política da boa vizinhança. O objetivo era diminuir ainda mais a influência europeia, em especial a alemã e a italiana, na região. As décadas de 1930 e 1940 marcaram essa política de aproximação dos EUA com a América Latina por meio de uma forte massificação cultural, inserindo em todos os países da região, sobretudo no Brasil, sua cultura, seus costumes, etc. No campo político, os EUA procuraram afirmar sua soberania sobre a América formando alianças que visavam sobretudo impedir a penetração dos países fascistas e garantir a supremacia dos estadunidenses diante de seus irmãos latinos.

A Conferência de Buenos Aires, 1936, tinha a preocupação de assegurar uma defesa continental comum para a região diante de um possível conflito internacional. Essa preocupação com a segurança continental foi reforçada nas conferências seguintes, que contaram com a participação de todos os países do continente americano. A Conferência de Lima (Peru), 1938, implementou a Declaração de Buenos Aires de 1936, que instituía que qualquer ato suscetível de perturbar a paz do hemisfério dizia respeito a todos os Estados e justificavam uma consulta. Os países do eixo (Alemanha, Itália e Japão) acompanhavam atentamente os acontecimentos da Conferência de Lima. A imprensa italiana destacava que tal conferência era um sonho de Roosevelt e que não se consolidaria. Já a Alemanha dizia que era uma manifestação do imperialismo político e econômico dos EUA. Foi estabelecido a Declaração de Lima onde princípios importantes a consagração da não intervenção estrangeira nas questões continentais e, quando houvesse necessidade, a convocação de reuniões extraordinárias por qualquer país signatário da Conferência de Lima.

Após a primeira eclosão da guerra na Europa, ocorreu a 1a Reunião Extraordinária de Ministros de Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, em setembro de 1939, que apresentou alguns pontos principais: Neutralidade do Novo Mundo; Proteção de paz no hemisfério ocidental; Cooperação econômica continental. Ao final dessa reunião foram geradas algumas declarações: Declaração de Neutralidade, Declaração de Solidariedade Continental e Declaração do Panamá. A Declaração do Panamá tornou efetiva a neutralidade e a paz no continente americano e criou uma zona de segurança continental marítima no Atlântico.

A Conferência de Havana buscava posicionar o continente americano acerca dos acontecimentos internacionais, e objetivava fornecer uma visão comum acerca do contexto internacional e reforçar as decisões adotadas nas conferências e reuniões anteriores. Em dezembro de 1941, os EUA tiveram uma frota naval localizada em Pearl Harbor, no Pacífico, atacado pelos japoneses, o que gerou uma imediata declaração de guerra, mergulhando o Novo Mundo em um conflito de proporções internacionais. Foi então convocada uma nova conferência, reunida na cidade de Rio de Janeiro, em janeiro de 1942, a Conferência do Rio de Janeiro, que definiu os rumos adotados pela região no conflito. O rompimento de relações diplomáticas e comerciais de diversos países do continente americano com os países do Eixo gerou retaliações, com o afundamento de vários navios comerciais que trafegavam no Atlântico, incluindo diversas embarcações brasileiras, tanto comerciais quanto de passageiros, o que levou à entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

A participação da América na Segunda Guerra Mundial foi forte elemento de integração da região com o restante do mundo e, ao mesmo tempo, posicionou os EUA como grande potência internacional, pois sua participação na vitória dos Aliados foi de grande importância para consolidar sua posição internacional no contexto contemporâneo. Ao término da Segunda Guerra, toda a América se reorganizou e várias mudanças ocorreram. Muitos países, antes exportadores de produtos primários, iniciaram um processo de industrialização que se consolidou ao longo do tempo, refletindo-se em certas mudanças.

 

Resumo da Aula 05 – A Guerra Fria no Continente Americano

Ao fim da Segunda Guerra, a participação dos EUA e da União Soviética na vitória dos Aliados consolidou uma rivalidade que se estendeu por toda a segunda metade do século XX. Em alguns países, por causa do prestígio obtido pelos soviéticos ao término da Segunda Guerra Mundial, os partidos comunistas passaram a ganhar um pouco mais de espaço. Podemos citar aqui o Brasil, que teve seu Partido Comunista do Brasil legalizado ao término do conflito, podendo disputar cargos eleitorais. Ao fim da Segunda Guerra, a democracia passou a ser o caminho buscado pelos países em virtude de fortes pressões políticas internas e do novo rumo que estava sendo dado na região. O mundo do trabalho começou a ser fortemente controlado, e o alinhamento internacional com os estadunidenses se consolidou efetivamente, passando a ocupar um espaço central na política latino-americana em toda a segunda metade do século XX.

Com a vitória dos Aliados na guerra, houve uma expansão do comunismo em todo o mundo, com a ascensão dos partidos comunistas ao poder e sua inserção na vida política de alguns países. Cada país buscou se inserir na lógica da Guerra Fria de acordo com os seus interesses, mas é fator consolidado que a América se alinhou com os EUA, e isso fez com que o continente passasse a estar sob a ótica capitalista, buscando repelir qualquer influência soviética. Havia um forte temor do crescimento do comunismo, e era fundamental que os governos constituídos, utilizando todos os recursos necessários, conseguissem impedir esse crescimento. Houve a Revolução Cubana em 1959, liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara.

Os EUA saíram da Segunda Guerra Mundial como a mais poderosa nação da terra, pois detinham a maioria do capital de investimento, produção industrial e exportações no mundo, controlando até dois terços do comércio mundial, enquanto grandes partes da Europa e Ásia estavam devastadas. A Guerra Fria na América Latina surgiu no final dos anos 1940, quando movimentos favoráveis à mudança política e econômica surgiram em muitos países do continente e acabaram refreados ou esmagados pelas elites locais com a ajuda dos EUA. Manipulando a retórica do anticomunismo, os EUA mantiveram os países latino-americanos na esfera da influência ocidental por meio da invasão, orquestração de golpes, obstáculos à reforma social e apoio técnico e político a regimes militares repressivos.

No contexto da Guerra Fria, houve um temor muito forte de que os pensamentos e grupos de esquerda ocupassem um espaço ampliado no continente americano, o que conduziu a região a vários golpes militares em diferentes países. O principal fator que marcou a inserção da América Latina na Guerra Fria foi o estabelecimento de diversas ditaduras militares na região, sobretudo em virtude do temor do avanço da esquerda.

 

Resumo da Aula 06 – Esquerdas na América Latina

No início da Guerra Fria, os movimentos de esquerda começaram a ganhar um destaque maior no mundo, amparados em: um forte desenvolvimento da classe trabalhadora e na ascensão de movimentos reformistas em toda região; na ascensão de partidos comunistas inspirados na União Soviética. No Brasil, o Partido Comunista do Brasil se organizou em muitas regiões do país e cresceu significativamente, participando do pleito eleitoral de 1945 e obtendo 90% dos votos, elegendo 14 deputados e 1 senador, que, posteriormente, foram cassados. Na Argentina, o comunismo empreendeu uma franca retirada depois do final da Segunda Guerra, quando a ascensão de Perón mergulhou o partido em erros e confusões, principalmente ao ver no peronismo uma extensão do fascismo europeu. No caso do Chile, que na época do início da Guerra Fria possuía o partido comunista mais poderoso do continente, o partido também foi proscrito através da Lei de Defesa da Democracia, aprovada em 1948.

A instauração de ditaduras militares, em praticamente toda a região, tentava calar fortemente a esquerda e para consolidar a Guerra Fria no continente. Alguns exemplos são significativos de como a esquerda estava se posicionando: A Revolução Bolivariana (1952); A Revolução Guatemalteca (1954); A Revolução Cubana (1959). A Bolívia passou por momentos de crise e de insatisfação por parte de seu povo. Seu envolvimento com o Paraguai na Guerra do Chaco, foi por motivos econômicos e estratégicos devido à descoberta do petróleo na região dos Andes, e à necessidade da Bolívia em ter uma região de acesso ao Oceano Atlântico, o que facilitaria muito o seu comércio. Assim, em 1951, ocorrerão eleições para presidente e o MNR (Movimento Nacional Revolucionário), lançou a candidatura de Victor Paz Estenssoro. O MNR tinha como aliados os sindicatos mineiros, mas a maioria dos trabalhadores eram analfabetos e, portanto, sem direito a voto. Por outro lado, o partido recebeu o apoio de Juan Lechin, importante líder sindical, e celebrou a união da oposição de Paz Estenssoro. Mas os emenerristas não conseguiram os 50% mais 1, necessários para empossar o presidente, em eleição direta, porém, Paz Estenssoro e seus correligionários esperaram a decisão do Congresso. Pressionado pelas Forças Armadas, o então presidente Urriolagoitia fugiu do país, e uma junta militar, encabeçada pelo General Balliván, tomou o poder. Pouco tempo depois, os militares foram forçados a deixar o governo em razão de pressões populares em torno do Movimento Nacionalista Revolucionário. A 9 de Abril de 1952, o MNR se estabeleceu como governo na Bolívia.

Em 1954, a Guatemala foi alvo de uma operação militar organizada pela CIA para derrubar o então presidente eleito Jacobo Arbenz. Ao assumir o governo, uma das primeiras atitudes de Arbenz foi efetuar a reforma agrária. A reforma agrária afetava as terras não cultivadas das grandes fazendas, o que gerou confisco de terrenos das oligarquias locais. O conflito se iniciou quando o presidente tentou nacionalizar uma companhia norte-americana que existia no país, a UFCO (United Fruit Company), corporação que controlava a maior parte da agricultura do país. O governo norte-americano ficou insatisfeito com Arbenz e preparou uma reação ao governo reformista, isolando a Guatemala em toda a região da América e estimulando os governos regionais a adotarem postura agressiva contra o país. Sendo assim, a Guatemala foi invadida e o presidente foi forçado a renunciar. Após sua renúncia, o governo passou a ser uma ditadura militar liderada pelo chefe das Forças Armadas sendo considerada a primeira intervenção direta da CIA na América Latina.

Cuba é uma pequena ilha no Caribe que foi colônia da Espanha e obteve sua independência em 1898, contando com o apoio dos norte-americanos, que operava dentro da lógica “América para os americanos”. Em 1902, foi implantada a República na ilha e os norte-americanos adquiriram, através da Emenda Platt, o direito de intervir na ilha caso seus interesses estivessem ameaçados. De 1934 a 1959, a presidência da República foi ocupada por Fulgencio Batista, um militar que havia liderado a Revolta dos Sargentos, resultando na instauração de um governo provisório liderado por Ramon Grau de San Martin. A insatisfação com o governo de Batista crescia rápido. A maioria do povo vivia no campo e não contava com água encanada e nem luz elétrica, e faltava trabalho para muitos. A ilha era considerada um local de divertimento de norte-americanos, famosa por seus cassinos e bordéis. Em 1953, um jovem advogado, Fidel Castro, surge em oposição ao governo de Batista. Ainda em 1953, os companheiros de Fidel iniciaram o assalto ao quartel, que resultou em fracasso, pois houve uma grande falta de coordenação entre os grupos que fizeram parte da operação. Alguns dos companheiros foram presos, inclusive Fidel, enquanto outros faleceram na luta. Em 1955, o grupo condenado conseguiu anistia, se reorganizou e tramou uma nova investida para derrubar o governo de Fulgencio Batista. Iniciou-se então, um período de lutas de guerrilhas e, ao término do processo, em 1959, Fidel e seus companheiros obtiveram vitórias. Fulgencio Batista fugiu. Inicialmente, o novo governo de Fidel Castro foi reconhecido pelos principais países do continente. Iniciou-se a reforma agrária, a redução no preço dos aluguéis, nos livros escolares, nas tarifas de eletricidade. Um forte e amplo programa reformista foi administrado para melhorar a situação da ilha.

Nos anos de governo do Presidente Kennedy e diante do quadro gerado pela Guerra Fria, as preocupações com a América Latina e seus movimentos cresceram significativamente e, de início ele se tornou motivo de inquietações por parte dos norte-americanos.

 

Resumo da Aula 07 – Golpes Militares na América Latina

O século XX se iniciou com a Revolução Mexicana, que refletiu em uma luta de camponeses para buscar melhorias em suas condições de vida, passando pela tentativa de toda a região em se afirmar diante do cenário imposto pela primeira metade do século XX. Ocorreram também outros movimentos, principalmente nos anos 50, como a Revolução na Bolívia (1952), o golpe perpetrado na Guatemala (1954) e a Revolução Cubana (1959). Com certeza, o temor do crescimento das ideias plantadas pela Revolução Cubana, aliado ao próprio contexto da Guerra Fria, trouxe incertezas quanto ao futuro da região. Entre as décadas de 1960 e 1980, a América Latina foi alvo de uma sucessão de golpes militares. Cada país apresentou uma conjuntura interna que facilitou a tomada do poder pelos militares e isso não pode e não deve ser desconsiderado, principalmente devido ao aumento da luta de guerrilha que se espalhou pela região e começou a questionar os rumos políticos do país. Não podemos esquecer de que os partidos comunistas cresceram muito após o fim da Segunda Guerra Mundial e isso os colocou em destaque, apesar de alguns passarem por processos legais de cassação de seu registro político (caso do Partido Comunista do Brasil) ou de adentrarem em um ostracismo (caso do Partido Comunista da Argentina). Analisando ainda os golpes militares que ocorreram, é possível compreender que eles modificaram bastante a história da região, inaugurando um período de ditaduras em praticamente todos os países e consolidando um forte alinhamento com os EUA.

Na Bolívia, em 1964, foi derrubado o governo civil do Movimento Nacionalista Revolucionário, considerado herdeiro da revolução de 1952. René Barrientos Ortuño liderou as Forças Armadas nessa ação, iniciando um processo que se estendeu por grande parte da América Latina ao longo de 20 anos. O novo governo que se instaurou foi apoiado pelos norte-americanos, sendo fortemente marcado por: perseguições a lideranças populares, demissões de trabalhadores, rebaixamento de salários e perpetuamento de massacres. Barrientos morre em um acidente de avião em 1969, tendo seu governo marcado pelo assassinato de Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana e que se encontrava na Bolívia, em uma tentativa de promover ali também alguma forma de contraste ao governo que havia se instalado no país.

No Brasil, tivemos a instauração de uma ditadura militar que derrubou o governo de João Goulart. Nesse golpe, é interessante destacar o apoio norte-americano para a ação, consolidado na figura do embaixador Lincoln Gordon, que tinha estreitas relações com o palácio presidencial durante e após a orquestração do golpe de 1964. Na Argentina, em 1966, um levante organizado pelo exército e liderado por Juan Carlos Onganía, derrubou o governo civil de Arturo Illia do Partido Radical. A ditadura encarregou-se de dissipar a ilusão de uma possível volta dos peronistas e adotou algumas atitudes radicais como, por exemplo, tirar a autonomia das universidades por serem considerados o berço de ideais comunistas. O governo de Organía agiu com forte repressão a movimentações dos trabalhadores na região, atingindo seu auge com a jornada conhecida como “Cordobaço”. Depois do movimento, o governo de Ongania tornou-se enfraquecido, sendo destituído pelas Forças Armadas, sob a liderança de Roberto Marcelo Levingston, que também não deu respostas ao movimento dos trabalhadores. Devido ao fato de que as mobilizações populares colocavam em risco a estabilidade do Governo, foi efetuado um novo golpe de Estado, levando ao poder o General Alejandro Agustin Lanusse, em março de 1971, que governou até 1973. Perón decidiu articular seu retorno à política, mas quem venceu foi Hector José Cámpora. Cámpora renunciou meses depois e as novas eleições foram vencidas pela chapa Perón-Perón composta por Juan Domingo e sua esposa, Maria Estela Martinez de Peron. O presidente morreu meses depois e sua esposa assumiu a presidência, posteriormente destituída por um golpe militar perpetrado por Jorge Rafael Videla.

O Chile também foi alvo de um golpe militar que marcou os rumos políticos do país durante os anos seguintes. Em 1970, Salvador Allende foi eleito e a ultradireita chilena ficou temerosa de ter mais um governo socialista na região. Pois o governo de Allende havia se comprometido com o processo de reforma agrária e nacionalização da economia, acreditando em reformas econômicas que pudessem melhorar a vida dos trabalhadores. Então, apoiados pela CIA e chefiada pelo General Augusto Pinochet, um golpe foi articulado contra o presidente. Segundo seu médico pessoal, Allende cometeu suicídio para não se entregar, disparando contra si com uma arma dada a ele por seu amigo, Fidel Castro, um AK-47.

A América Latina foi palco de um conjunto de ditaduras que marcaram sua história e a transformaram em uma região de intensos conflitos e mortes, fator que marcou os governos militares na América Latina durante as décadas de 1960 a 1980.

 

Resumo da Aula 08 – Governos Militares na América Latina

A América Latina viveu, entre as décadas de 1960 e 1980, uma série de golpes militares que instauraram na região um clima de terror e incertezas quanto ao seu futuro político. O crescimento das ideias comunistas era uma realidade em várias regiões do mundo e isso se deveu principalmente ao fortalecimento da União Soviética no pós-Segunda Guerra Mundial.

Há quem considere o caso do Chile como a primeira experiência neoliberal da região da América Latina. Por conta dessa experiência, houve reduzida diminuição nos postos de trabalho e a repressão ao movimento trabalhista acabou por minimizar as contestações ao regime. Houve aumento significativo da pobreza, gerando um intenso retrocesso no país. Na Argentina também houve um intenso processo de perseguições que marcaram a ditadura estabelecida naquele país. Com a tomada do poder por uma junta militar que depôs a Presidente Isabelita Perón, tivemos a consolidação das ditaduras no Cone Sul e em grande parte do restante da região. Apesar da Argentina ter ficado pouco tempo sob domínio dos militares, sua história não se tornou muito diferente de outros países da região, com repressões, crescimento de dívidas, violações aos Direitos Humanos, e busca pela eliminação de opositores. O governo foi exercido por Jorge Videla, que ficou na presidência de 1976 e 1981, sendo substituído por outro general devido ao desgaste de seu governo. Como ocorreu em outros países, a economia argentina passou por crises e teve um forte aumento da corrupção, elevada a níveis muito altos e que acabou por aumentar significativamente a dívida externa do país. Entre 1976 e 1983 funcionaram na Argentina 362 campos de concentração e extermínio. Para reclamar os desaparecidos na Argentina, várias entidades foram criadas, sendo a mais famosa delas as Madres de Plaza de Mayo, surgida em 1977. As mães se reuniam nas praças todas as quintas-feiras dando voltas portando fotos de seus filhos desaparecidos.

No Brasil, a ditadura se instaurou em 1964 e se autodenominou Revolução de 1964. A ditadura no Brasil foi uma das mais longas da região, durando 21 anos e contando largamente com o apoio norte-americano para a sua consolidação, que buscava ver resguardados seus investimentos financeiros na região. O combate ao comunismo foi o principal motivador do golpe, contando com o apoio de grande parte da classe média brasileira, que posteriormente iria ver as reais intenções dos militares ao permanecerem no poder por longos anos. Após o início da ditadura, o país viu sua estrutura política ser alterada pela implantação de Atos Institucionais que passaram a reger a vida política do país: estabelecendo a censura, suspendendo as garantias constitucionais e as eleições indiretas para presidente da república e criando o bipartidarismo. Formaram-se, no Brasil, vários grupos de resistência à ditadura tais como o MR-8 e a Guerrilha do Araguaia.

Para se consolidar na América do Sul, as ditaduras militares estabeleceram uma rede de comunicação que lhes garantia obter informações e prender vítimas do esquema de repreensão conjunta organizada entre as ditaduras do Cone Sul. É a chamada Operação Condor que incluía sequestro, roubo, assassinato, tortura e desaparecimento de pessoas. Para justificar a aliança, afirmavam que era contra a subversão e o comunismo, mas na verdade desejavam minar toda e qualquer forma de resistência ao regime em todos os países que compunham a Operação Condor. A América Latina viveu um de seus períodos mais críticos e marcados pela violência, dentro de um contexto de Guerra Fria e de fragilidade das instituições democráticas, conseguindo se recuperar dos efeitos das ditaduras no governo anos depois.

 

Resumo da Aula 09 – Redemocratização na América Latina

A região da América Latina foi marcada por diversos golpes militares, que a inseriram em um período de intensa repressão e violação aos direitos humanos. A ideia de um inimigo interno e da importância de combatê-lo foi um dos pilares de sustentação dos regimes, mas em um determinado momento esse discurso perde a validade. Nos EUA, assumia o cargo de presidente Jimmy Carter, um democrata que buscou modificar a política tanto na região do continente quanto na própria história. Em seu governo, Carter tornou-se mediador no conflito entre árabes e israelenses, através do acordo de Camp David, que buscava paz entre Israel e Egito, com a devolução pelos israelenses da Península do Sinai, ocupada por eles desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Carter também estabeleceu relações diplomáticas com a China comunista, buscou estabelecer com os soviéticos um controle maior no uso de armamentos e procurou reduzir tensões políticas com Cuba. No contexto da América Latina, Carter mostrou-se favorável ao fim das ditaduras militares na região, com o objetivo de estabelecer novas políticas econômicas junto aos latino-americanos.

Na Argentina, em março de 1982, foi organizada uma grande greve, marcando forte mobilização da oposição à ditadura. O governo do ditador Jorge Videla entra em crise, principalmente devido a disputas políticas entre os próprios militares e a insatisfação desses com a condução política por Videla, e sua “inabilidade” para lidar com a situação econômica do país e com a “intranquilidade” civil. Foi substituído por Roberto Viola, chefe do Estado Maior do Exército, que adotou medidas consideradas também ineficientes e com muitos fracassos econômicos. Uma junta militar declara Viola incapaz de continuar na presidência e, pouco depois, Leopoldo Galtieri assume a presidência do país. Foi no governo de Galtieri que as Forças Armadas, em 1982, invadiram as Ilhas Malvinas, situadas a 464km da costa argentina. Um dos principais objetivos de Galtieri era unir a nação em um desejo patriótico e garantir maior apoio ao governo militar. Com a morte de soldados argentinos e a indignação popular, Galtieri foi substituído pelo general Reynaldo Bignone. A crise interna se acirrou ainda mais e a ditadura argentina entrou em colapso.

No Brasil, o fim da ditadura militar coincidiu com o momento político que toda a região vivia. As lutas operárias começaram a avançar cada vez mais e uma forte onda grevista começou a se estruturar, junto com o movimento popular pelo fim da ditadura, com manifestações públicas em todo o país. O Deputado Dante de Oliveira apresentou uma Emenda Constitucional que objetivava reinstaurar as eleições diretas para Presidente no Brasil e houve forte pressão popular para que a emenda fosse aprovada pelo Congresso. Mas a emenda foi rejeitada. A campanha Diretas Já ganhou espaço intenso na sociedade, e nas principais capitais do país as pessoas iam às ruas demonstrar abertamente sua insatisfação com a ditadura. Em 1985, foi eleito Tancredo Neves que faleceu antes de tomar a posse, assumindo o então Vice-Presidente José Sarney. Assim, o Brasil deixava para trás os governos militares, mas continuava dentro de um sistema que não garantia a participação popular na escolha do Presidente, fator que se alterou no ano de 1989, com a primeira eleição direta desde o advento dos governos militares no Brasil.

No Chile de Pinochet, pressões políticas e internacionais passaram a desmobilizar a ditadura, principalmente diante das acusações de violação aos direitos humanos, que marcou a presidência de Pinochet. A continuidade de Pinochet havia sido colocada em questão por conta das dificuldades econômicas por que o país passava. O governo de Pinochet foi marcado por intensa repressão e crueldade na forma como tratava seus opositores, o que gerou grande insatisfação com ele. Em seguida, foi eleito o presidente democrata-cristão Patrício Alwin, marcando definitivo retorno do Chile à democracia.

Vários outros países viveram o término de suas ditaduras militares, na maioria das vezes por insatisfação de suas elites econômicas e por questões políticas internas. Muitos países buscaram formas de denunciar seus criminosos e buscar a real punição para eles, empreendendo julgamentos e revelando os bastidores de um período negro na história da região, de uma violência desmedida e que custou a vida de muitos que sonharam com um país mais justo.

 

Resumo da Aula 10 – A América Latina no Século XXI

O fim da Guerra Fria marcou mudanças profundas em todo o mundo e na América Latina isso também se efetivou. A redemocratização passou a ser a palavra de ordem e assim como as ditaduras foram ascendendo em períodos diferentes, também deixaram de existir em períodos diferentes. O Consenso de Washington foi um conjunto de 10 regras formulado por economistas de instituições financeiras de Washington que tinha como objetivo ajustar a economia de países que passavam por dificuldades. As medidas foram:

  1. Disciplina fiscal;
  2. Redução dos gastos públicos;
  3. Reforma tributária;
  4. Juros de mercado;
  5. Câmbio de mercado;
  6. Abertura comercial;
  7. Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições;
  8. Privatização das estatais;
  9. Desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas);
  10. Direito à propriedade intelectual;

Na Argentina, após o governo de Galtieri, foi eleito Raul Alfonsin, pela União Cívica Radical, dando início a uma fase republicana no país e em seu governo ocorreu o julgamento da Junta Militar, em 1985, que culminou na prisão de alguns das principais lideranças da ditadura. Durante o governo de Alfonsin, a Argentina passou, assim como vários outros países da região, por uma forte crise econômica. Na América Latina, a década de 1980 ficou conhecida como a Década Perdida e gerou fortes contestações e problemas em toda a região. Outro fator importante para a desestruturação da ditadura na Argentina, foi a Guerra das Malvinas ocorrida entre Argentina e Reino Unido. A Argentina argumentava que esse território fazia parte de seu território, argumentando que a região havia sido ocupada ilegalmente.

No Chile, em março de 1990, tomou posse o primeiro presidente eleito no país após o fim de 16 anos de ditadura militar, Patrício Alwyn. Após o fim da ditadura na América Latina, o Chile se mostrou pioneiro no processo de investigação de crimes cometidos durante os governos militares, investigando criminosos por violações dos Direitos Humanos. Em 1990, o presidente Patrício Alwyn criou a Comissão da Verdade e Reconciliação e a Comissão Nacional sobre Política e Tortura, ambas para investigar o que ocorreu no país durante o período do governo militar, que culminou na prisão de vários agentes da ditadura e na abertura de investigações contra o ex-presidente Augusto Pinochet. Em 2008, foi eleita a primeira mulher a governar o Chile, Michele Bachelet. Filha de um político perseguido na ditadura chilena de Pinochet, ela lutou para equalizar ainda mais o Chile e continuar consolidando seu crescimento.

No Brasil, ainda em 1979, foi dado início ao processo de anistia aos que participaram da ditadura através da instituição da Lei da Anistia, no governo do presidente militar João Figueiredo. Quando ele deu início ao processo, imaginou-se que o país passaria por um processo de redemocratização com eleições diretas, o que somente ocorrem no ano de 1989. O término do governo de Figueiredo gerou a expectativa de eleições para presidente, mas, em 1984, foi eleito indiretamente para a presidência do país Tancredo Neves, que faleceu antes de tomar posse, sendo sucedido pelo vice, José Sarney. Cabe destacar que ao término do governo dos militares, o país atravessava fortes dificuldades financeiras e com níveis de inflação extremamente altos e, para estabilizar a economia, foi implementado o Plano Real no ano de 1994.

A América Latina procurou desenvolver-se economicamente e superar anos de atrasos, e a superação da dependência econômica foi um fator que moldou sua trajetória ao longo da primeira metade do século XX e, ainda, ao longo da segunda metade, a região lidou com os governos militares, o que marcou a trajetória da democracia na região. No plano político interno, muitos partidos políticos tradicionais haviam perdido credibilidade devido a dois fatores primordiais: O papel que ocuparam durante as ditaduras; E suas responsabilidades na crise econômica vivenciada na região durante as últimas décadas do século XX. Como estratégia do plano político externo, a América Latina buscou a formação de blocos e alianças regionais que auxiliassem na estrutura da região que são: Mercosul, Alba, APEC, UNASUL e Nafta. Dentre outros buscando a integração como forma de estruturação e desenvolvimento.

 

E é só isso! 😉

 

Bons estudos!

Marcell

sacagawea

Ola pessoal,

Estarei apresentando nesta postagem o resumo das aulas da disciplina História da América I do 4º Período de Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

Bora lá!

 

Resumo da Aula 01 – Povos Ameríndios Originais

Duas teses básicas se confrontam quando analisamos a origem de seres humanos no continente americano. A primeira tese defende um único ponto de entrada de grupos humanos oriundos da Ásia. Tal tese é defendida pela arqueologia estadunidense. Eles acreditam que a entrada de humanos no continente americano se deu através do Estreito de Bering há cerca de 12000 anos. Tal tese é sustentada devido a descoberta de fósseis humanos descobertos no Alaska. Assim sendo, os arqueólogos norte-americanos aceitam que “ao fim da última era glacial, quando o Estreito de Bering era na verdade uma ligação entre os continentes asiático e americano, grandes levas de grupos humanos migraram por aquela região em busca de alimentos. A partir do Alaska, então, ocuparam o oriente.” Por um outro lado, o fóssil de Luzia foi uma das mais importantes descobertas arqueológicas dando início a uma segunda tese. Encontrada em Lagoa Santa, Minas Gerais, esse fóssil recebeu datação entre 11500 e 16400 anos, ou seja, não poderia o ser humano ter entrado no continente há 12000 anos, pelo norte, e estar em 11500 anos no meio da parte do sul do continente.

A partir daí foram feitas novas descobertas no Chile e no Peru que levaram a novos questionamentos. Desta vez, o ponto principal não era a data, mas a origem cultural, pois objetos descobertos não conectavam os povos que ali viviam com as sociedades de origem asiática. Apresentava uma inclinação cultural para povos africanoides como na Austrália, Nova Zelândia, Papua. Essas descobertas, somadas àquela feita no Brasil, gerou a tese da múltipla entrada em múltiplas datas. Mas é importante ressaltar que uma boa parte da arqueologia estadunidense ainda se mantém apegada à tese da entrada única pelo Estreito de Bering.

Ao longo do tempo, as áreas que foram conhecendo uma grande concentração populacional, foram aquelas em que as exigências climáticas e ambientais levaram o ser humano a desenvolver a agricultura. Tais características da natureza também impuseram comportamentos culturais a esses povos. O comportamento cultural nômade se dava de maneira variada e por motivos diferentes. No planalto estadunidense, os motivos eram as mudanças climáticas sazonais. No inverno, a escassez de alimentos obrigavam os povos que ali viviam a migrar em busca de áreas com maior oferta de alimentos. Como essas sociedades viviam da caça, da pesca e da coleta de alimentos, sendo a agricultura tratada como forma complementar de obtenção de alimentos, habitar uma área com grande diversidade de fauna e flora eram essenciais e as mudanças também eram fundamentais para que o ambiente explorado pudesse se recuperar. Já o sedentarismo na América ocorreu de forma similar em outras áreas do mundo. A agricultura foi sendo desenvolvida para atender às necessidades alimentares dos povos, que ampliavam em número de indivíduos, mas não conseguem obter da natureza uma fonte regular e permanente de recursos. A domesticação de plantas e de animais foi a saída encontrada por diversos povos para garantir a sua existência. Os povos que buscaram na agricultura e na criação de animais a saída para suas deficiências alimentares, eram aqueles que habitavam em regiões escassas. A região da América Central foi a que conheceu o maior nível de sedentarização e durante uma grande extensão temporal. Os arqueólogos apontam vestígios de povos sedentários desde 1000 a.C., com um bom grau de desenvolvimento cultural.

Pouco antes da chegada dos espanhóis na região da América Central, existiam diversos povos sedentarizados com níveis elevadíssimos de desenvolvimento cultural naquela região. Olmecas, Maias e Astecas são apenas alguns dos exemplos que podemos citar de sociedades sedentarizadas daquela região.

 

Resumo da Aula 02 – As Grandes Civilizações Ameríndias

Os Maias – Os Maias eram um povo sedentário que ocupou geograficamente os territórios da Guatemala e Honduras, entre os séculos III e XV. Eles construíram grandes templos e grandes cidades como Nakbé, San Bartolo, Tikal, Palenque, Copán, Calakmul e Uaxactún, Piedras Negras. Os monumentos mais notáveis são as pirâmides maias que construíram em seus centros religiosos. Os historiadores e arqueólogos apontam três fases de desenvolvimento da sociedade Maia. São eles:

  • O Período Pré-Clássico: Quando implanta a agricultura em meio a floresta, surgindo as primeiras aldeias e centros cerimoniais. Também é estabelecido a base da estrutura política que iria reger a conduta daquela sociedade pelos séculos seguintes.
  • O Período Clássico: Tem o seu início no século III, onde houve um grande desenvolvimento técnico da agricultura, da hierarquia política, social, militar e sacerdotal. Também foram construídos grandes centros cerimoniais e cidades, onde as ciências, as artes e a historiografia florescem.
  • O Período Pós-Clássico: Tem o seu início no século X e se estende até o século XVI, quando a América foi ocupada pelos espanhóis. Foi nesse período que os Maias ultrapassaram os limites da floresta e perderam sua proteção. Passaram a conviver com ataques de outros povos e as divisões tribais que caracterizavam a sociedade Maia dificultaram os mecanismos de defesa. Antes mesmo da chegada dos espanhóis, já estavam vulneráveis.

Podemos ver que os Maias se organizavam em pequenas aldeias e o que as uniam eram o aspecto cultural, e a necessidade de apoio nos momentos de hostilidades inimigas. A vida dos povos Maias dependia inteiramente dos recursos naturais e do cultivo e colheita de produtos que eles mesmos desenvolveram, como o milho. Essa relação com a floresta, que os protegia e provia, gerou um sistema religioso baseado na adoração simples da natureza e de elementos relacionados ao plantio, como sol, chuva, vento, montanhas e água. Os sacerdotes tornaram-se detentores do conhecimento científico e dominaram com esse saber o poder político. Na época do florescimento da civilização Maia, a hierarquia do poder consistia em: governantes sacerdotes, o sacerdote maia (Ah-Kin-Maio), o sacerdote (Halach Uinic), chefes e senhores (Bacab) real mordomo do Conselho de Estado, composto de sacerdotes e principais senhores da guerra (Nacon). A economia era baseada na agricultura de subsistência complementada pelo processo de caça e coleta na floresta provedora. Os excedentes eram comercializados com outros povos, o que gerou influências na rede cultural maia, estabelecendo novas necessidades às quais a floresta não era mais capaz de atender. Os maias usavam canais de irrigação, o que permitia o aumento da produção agrícola e, também, passaram a comercializar produtos como mel, copaíba, algodão, cacau e látex de sapoti.

O Estado Maia era teocrático e seus habitantes eram politeístas. Seus deuses estavam relacionados aos elementos do seu cotidiano. Os principais deuses eram Hunab Ku (criador, senhor do céu e deus do dia), Itzamná (filho de Hunab Ku), Chac (deus da chuva, da fertilidade e agricultura), Ah Puch (deus da morte), Kaax Yun (milho deus). Para os maias, os deuses não eram necessariamente maus ou bons, suas concessões ou determinações obedeciam aos desígnios de um equilíbrio de forças no ambiente natural. Sendo assim, o respeito à natureza era algo essencial. Temos também o calendário Maia que atraiu muita gente dos nossos dias devido ao prenúncio do fim do mundo. O calendário também era estabelecido por um caráter ritualista. Por isso o calendário foi estabelecido obedecendo a vários ciclos celestiais relacionados aos deuses pelos maias.

Os Astecas – A capital da Confederação Asteca era Tenochtitlán, uma das maiores cidades do mundo na época em que os espanhóis alcançaram suas terras. A cidade ocupava a região do lago Texcoco, e tanto as suas ilhas quanto suas margens serviram de território aos povos que formavam a confederação asteca. As ilhas eram interligadas por pontes e todos os caminhos levavam à parte central da cidade, onde ficava o centro cerimonial que era o elemento fundamental na cultural asteca e essencial aos sacerdotes que controlavam o poder naquela sociedade. A economia asteca era baseada na agricultura e na produção de manufaturas. O processo de comércio era feito por escambo com outras sociedades. Os excedentes das áreas conquistadas pelos astecas eram dados como tributo aos astecas. Os principais gêneros agrícolas eram o milho, fumo, pimenta, frutas e grave. Além disso, os astecas utilizavam pictogramas e hieróglifos para estabelecer registros e mensagens. Eles eram um povo politeísta que acreditava que o mundo tinha sido criado e destruído quatro vezes e somente na quinta vez é que os deuses se ocuparam de produzir uma terra perfeita, os céus se abriram e os homens e mulheres puderam ocupar e povoar a terra. Os deuses astecas eram Coatlicue (deusa da terra), Huitzilopochtli (deus da guerra), Xochipill (deus das flores, do amor, da fertilidade e do sexo ilícito), Xochiquetzal (esposa de Xochipill e deusa da prostituição), Tlazolteotl (deusa do prazer, da sensualidade), entre outros.

Grande parte do embasamento religioso desse povo vinha do conhecimento da astronomia, e foi uma das ciências mais desenvolvidas pelos astecas. Conheciam a existência de cometas, a frequência de eclipses do sol e da lua, e criaram um calendário complexo. A medicina também apresentava um elevado grau de desenvolvimento. O conhecimento da natureza, das plantas e minerais permitiu aos astecas encontrar a cura para algumas das enfermidades que os afligiam. Os sacrifícios humanos de caráter sagrado, onde removiam o coração e realizavam desmembramento do corpo, permitiu o conhecimento de anatomia humana e a compreensão de diversas doenças que afetavam os órgãos humanos. Embora a medicina fosse praticada por homens e mulheres, somente as mulheres eram autorizadas a empreender partos. A medicina asteca também estava intimamente ligada à magia. Além disso, a capacidade de manusear metais e o desenvolvimento de técnicas apuradas de moldagem levou os astecas a desenvolver a ourivesaria. Foi esse ouro que encantou os espanhóis quando chegaram aqui. As artes visuais também contaram com belíssimas esculturas, sempre relacionadas a temas religiosos e ao poder asteca, e pinturas realizadas em paredes ou em objetos decorativos que demonstram a riqueza dessa cultura.

O imperador asteca tinha poder ilimitado que cobria todas as coisas e todas as pessoas. Em seguida, os guerreiros e sacerdotes eram o grupo social mais poderoso. O único grupo social intermediário era formado pelos ricos comerciantes da capital que conseguiram adquirir sua riqueza através das trocas comerciais. A maioria da população era composta por artesãos, agricultores, funcionários públicos, etc., que foram organizados em grupos de parentesco chamados calpulli. Haviam também escravos, alguns temporários, que ficavam nessa condição até pagar uma dívida ou uma condenação. Outros eram prisioneiros de guerra que poderiam ser sacrificados a Huitzilopochtli.

Os Incas – Os Incas eram líderes do maior império americano. Perto do fim do século XIV, o império começou a expandir de seu território inicial, na região de Cuzco, para a região sul da Cordilheira dos Andes da América do Sul. Isso terminou brutalmente com a invasão espanhola liderada por Francisco Pizarro em 1532. No momento de sua rendição, o império, que controlou uma população de quase 12 milhões de pessoas, o que representa hoje o Peru, Equador, Chile, Bolívia e Argentina, viu sua cultura sucumbir diante da supremacia militar espanhola e de táticas e estratégias de guerra que sua cultura não admitiria. Os Incas chamaram seu território Tawantinsuyu, que em quíchua, a língua inca, significa quatro partes. Uma terra de diversos terrenos e climas marcada que incluía um deserto ao longo da costa, intercalada com rios e vales irrigados, picos elevados e profundos vales férteis dos Andes.

A origem dos Incas está ligada aos povos Proto-incas que viviam na região norte que hoje é a Argentina. As disputas tribais entre grupos indígenas diferentes levou esses grupos a percorrer uma longa distância, fazendo inúmeras trocas culturais com outros grupos ao longo de alguns séculos. Quando alcançaram a área dos Andes, foi uma espécia de terra prometida para os Incas. Desenvolveram a agricultura em terraços, criavam lhamas e vicunhas, cultivavam a coca, que tinha efeitos químicos que auxiliavam no ambiente pobre em oxigênio. Os incas construíram estradas que ligavam os pontos mais remotos a Cuzco, construíram cidades, centros de observações astronômicos, templos. Diante das conquistas de territórios, todos os que faziam parte do Império Inca deveriam pagar tributos, que poderiam ser em espécie ou em trabalho, a Mita. A mita era cumprida em obras públicas, construíam estradas, cidades ou templos para homenagear os deuses. Os Incas desenvolveram um estilo altamente funcional da arquitetura pública que era notável para a sua engenharia avançada e trabalho de pedra fina. Em regiões montanhosas, como a espetacular cidade dos Andes, localizada no Machu Picchu, a arquitetura dos Incas refletiu adaptações frequentemente engenhosas de relevo natural.

A religião do Estado Inca foi baseada na adoração dos imperadores. Os Incas eram considerados descendentes do deus Sol e adorados como deuses. O ouro, símbolo do deus Sol, foi utilizado para roupas, decorações e rituais. A religião dominou toda a estrutura politica. Do Templo do Sol, no centro de Cuzco, nós poderíamos extrair uma linha imaginária para os lugares de culto de diferentes classes sociais na cidade.

 

Resumo da Aula 03 – Os Europeus na América: A Cruz, a Espada e a Fome

O Século XV foi marcado pela definição de novas rotas marítimas que interligaram de forma mais rápida os continentes. A navegação passou a ser a alternativa para o comércio das potências ibéricas. Com os italianos dominando o mar Mediterrâneo, os portugueses controlando as rotas africanas para as Índias, os espanhóis precisavam encontrar uma alternativa. Com a chegada de Cristóvão Colombo no novo continente, ele encontrou culturas diferentes de todas as que eram de conhecimento na Europa. Além do ouro, Colombo também encontrou árvores, frutas e outros elementos naturais que interessaram à burguesia espanhola. A partir das descobertas de Colombo, a Coroa Espanhola passou a estabelecer a empresa colonial estimulando a conquista, controlando os recursos e exigindo vassalagem absoluta dos colonos para com a Coroa Hispânica.

Após estabelecer os princípios fundamentais entre colônia e metrópole (famoso Pacto Colonial), os habitantes originais das terras que interessavam aos espanhóis viram-se obrigados a se defender dos ataques ou aceitar a submissão ao novo conquistador. As técnicas militares utilizadas na conquista de Granada na Espanha, também passaram a ser aplicadas com os indígenas no novo mundo. O período da Conquista é demarcado por historiadores como Romano e Todorov, no período entre a chegada de Colombo e meados do século XVI. Os três elementos combinados foram destrutivos por suas características peculiares.

  • A espada indica a desproporção militar que havia entre conquistadores e conquistado. As estratégias de guerra dos europeus eram infinitamente mais eficientes do que as das sociedades americanas, os caras usavam armas de fogo, cavalos, armaduras e até mesmo cães treinados e bem furiosos. Já os indígenas, contavam com arcos e flechas, tacapes, boleadeiras e setas venenosas. Entretanto, os cães dos espanhóis os deixavam aterrorizados.
  • A cruz refere-se a presença dos padres juntos com os espanhóis, com a missão estrita de catequizar as tribos e sociedades facilitando o processo de conquista. Ao catequizar, criava-se um conflito cultural entre a tradição e a nova fé e isso fragilizava os povos que viviam no impasse entre respeitar os desígnios de Deus e aceitar a dominação, ou combater os invasores com seu Deus cheios de culpas e limites.
  • A fome não era apenas a falta de alimento para o corpo, mas também para a alma. Era a fome de utilizar a terra de acordo com a sua cultura, de cultuar seus deuses, de respeitar a natureza sua principal fornecedora de alimentos. E, também, a exigência do trabalho compulsório nas haciendas limitava o tempo para produção de alimentos para subsistência dos ameríndios.

O trabalho da conquista foi estimulado pela distribuição de títulos de adelantados que geravam altos lucros aos aventureiros. Tais títulos beneficiavam o conquistador no direito de administrar as riquezas das terras por ele conquistada, inclusive dava a ele controle sobre a mão de obra. No primeiro momento, os colonos se basearam na exploração das Antilhas (1492-1519). O segundo momento foi a conquista do México, quando Hermán Cortés submeteu Montezuma II, utilizando-se de uma estratégia de guerra perversa, mas eficaz. O terceiro momento foi a conquista do Império Incaico por Pizarro, Almagro e Luque. O grande interesse dos conquistadores na primeira fase da conquista era o ouro de aluvião que ocorria nos rios das ilhas antilhanas. Mas a produção aurífera com bateias nas beiras dos rios aos poucos foi se tornando desvantajosas e, por outro lado, as doenças trazidas pelos conquistadores e as guerras empreendidas, foram eliminando o potencial de mão de obra que aquela região oferecia.

Para resolver o problema da mão de obra, a Coroa Espanhola estabeleceu o sistema de encomiendas, no qual um espanhol recebia o título de encomendero e administrava a utilização da força de trabalho indígena nas haciendas (unidades produtivas da colônia espanhola). Cada indígena era obrigado a trabalhar para os espanhóis durante quatro meses no ano, e ao encomendero cabia determinar quem trabalharia e em qual unidade produtiva. Logicamente houve muita corrupção nesse meio termo, o encomendero cobrava dos fazendeiros para destinar um número maior para ele ou cobrava dos chefes tribais para não requisitar nenhum dos seus indígenas. Além de muitos que se ocupavam por mais de quatro meses em condições similares ao tratamento dado aos escravos no Brasil. O bispo Bartolomeu de Las Casas passou a criticar veementemente o sistema de encomiendas.

A conquista do México com a vitória de Cortés sobre os Astecas foi um momento crucial para o estabelecimento da colônia espanhola. Cortés buscou conhecer os Astecas, saber sobre sua cultura, seus inimigos, suas táticas e estratégias. A partir desse conhecimento, conseguiu submeter Montezuma II ao seu comendo, mas os interesses dos conquistadores fez com que o governador de Cuba tentasse derrubar Cortés. Cortés deixou Tenochtitlán para combater Pánflio de Narvaéz, que saiu vitorioso, mas quando retornou à capital Asteca viu a desordem estabelecida. Alvarado, homem que Cortés havia deixado no comando, tentou submeter os astecas à força e estes mataram Montezuma II, a quem não reconheciam mais como líder, e expulsaram os espanhóis. Então, Cortés se refugiu para Cuba, aliou com os inimigos dos Astecas e atacou Tenochtitlán derrotando definitivamente o poderio Asteca.

A partir de 1524, a Coroa espanhola financia diversas expedições à região andina. Uma dessas expedições foi liderada por Pizarro, Luque e Almagro, que tinham respectivamente as funções de diretiva militar, logística e financiamento da missão. A tríade aproveitou a crise do Império Inca com a morte de Huayna Cápac, o inca. Como as regras sucessórias não eram definidas, os dois herdeiros, Huáscar e Atahualpa, passaram a lutar pelo direito de assumir o trono. Os espanhóis se aliaram a Huáscar que foi morto, depois sequestraram e mataram Atahualpa. Pizarro, então, avançou com suas tropas até Cuzco e dominou aos poucos todo o Império Inca. Os espanhóis exploraram a prata daquela região por mais de 300 anos e até hoje há empresas explorando prata naquela região.

 

Resumo da Aula 04 – Sistema Colonial Espanhol

A conquista da América começa logo após o descobrimento, em 1492, tendo início com a ocupação das Antilhas, seguida do Império Asteca (por Hernan Cortez em 1521) e do Império Inca (por Francisco Pizarro em 1533). Durante a conquista, funcionava o sistema de adelantado, onde o Rei concedia o título de adelantado aos conquistadores que empreendessem expedições com meios privados e que se convertiam em representantes da Coroa no território que conquistassem. Após a conquista e dominação, os espanhóis adotaram diferentes posturas em relação às sociedades já estabelecidas na América. As sociedades encontradas podiam ser divididas em três grupos: Caçadores e Coletores, Agricultores Sedentários, Impérios e Cidades-Estados. Interessavam-lhes apenas os grupos que pudessem ser úteis aos seus objetivos, dessa forma, caçadores e coletores não se enquadravam nos interesses espanhóis e, por isso, eram descartados (exterminados ou expulsos de seus territórios). A dominação espanhola estabelece-se tendo por base a extração de mineral, secundada por uma agricultura de subsistência e de um complexo comercial que permitia a chegada dos minerais à Espanha e dos produtos europeus à América Colonial.

Ao longo dos primeiros duzentos anos de dominação colonial, os espanhóis desenvolveram um setor mineiro que permitiu a manutenção da economia metropolitana e da posição internacional espanhola em meio as demais nações da Europa Ocidental. As primeiras descobertas ocorreram no Peru e no México, no curto período de 20 anos (1545-65). Os territórios necessitavam de grande quantidade de mão de obra indígena que era encaminhada periodicamente às minas, retornando a seguir às comunidades de origem para ser substituída por novos contingentes requisitados de igual maneira. A mita era a prática dos Incas (e dos Astecas, chamada de Cuatequil), que consistia no trabalho forçado das aldeias durante quatro meses, com o benefício revertido ao Estado. Os espanhóis se aproveitaram desse esquema na mineração, assumindo o antigo papel representado pelos estados indígenas.

Por outro lado, temos a Encomienda que era uma concessão feita pelo Rei da Espanha e empreendedores particulares, que tinham o direito de exigir das aldeias indígenas prestação de serviços sem remuneração, sobretudo na agricultura. Os Estados absolutistas estabeleceram o monopólio do comércio colonial, onde a metrópole vendia caro os seus produtos à população das colônias e comprava barato às exportações americanas. O Estado espanhol manteve esse monopólio até o século XVIII, quando, após a derrota da Guerra de Sucessão (1701-1713), assina o tratado de Utretch, permitindo à Inglaterra comerciar com as colônias hispânicas.

A divisão étnica como elemento de divisão de classes na América Espanhola pode ser compreendida em:

  • Chapetones: Brancos nascidos na Espanha que monopolizavam os altos cargos da administração, da Igreja, da Justiça e das forças militares coloniais;
  • Criollos: Brancos nascidos na América, com descendentes nascidos na Europa. Formavam a verdadeira elite econômica, proprietários de terras e de minas. Eram impedidos de atuar no comércio externo e ocupavam cargos inferiores nas instâncias burocráticas, militares e religiosas da colônia.
  • Mestiços: Originários da miscigenação entre brancos e índios que ocupavam funções intermediárias, tais como de artesão, capataz e pequenos negócios.
  • Negros: Eram mais comum nas colônias das Antilhas, sendo a maioria escravos.
  • Indígenas: Os mais numerosos na sociedade. Não podiam ser legalmente escravizados, tendo seu trabalho explorado através da mita e da encomenda.

A Casa de Contratación de las Índias foi fundada em 1503 em Sevilha, e foi o principal órgão administrativo referente à colônia de natureza econômica. A Casa era destinada a fomentar e regular o comércio e a navegação com os novos territórios. Sevilha era o centro comercial da região mais rica da Espanha e, além disso, o rio Gaudalquivir era uma importante artéria do comércio interno. Os carregamentos chegavam das Índias que, além de valiosos, exigiam um eficiente sistema de vendas. O metal precioso, de suma importância para a Coroa, na Casa de Contratação em Sevilha, estava relativamente seguro. Logo, a escolha de Sevilha para a Capital administrativa das Índias foi lógica e natural. A Casa não era dedicada ao comércio, mas ao seu controle. Teve, inicialmente, as funções de uma alfândega, examinando as cargas e as importações e exportações, bem como recolhendo os tributos, especialmente o que iam para a Coroa.

Na terceira década do século XVI, tendo a Espanha se tornado a maior potência da Europa, o poder real promove uma série de mudança no setor administrativo. O interesse da realeza era recuperar cada vez mais os seus poderes para arrecadar com mais eficiência as rendas dos novos territórios ultramarinos. O poder político passou dos conquistadores para os funcionários da máquina estatal, pagos pelo erário régio. O cargo político mais importante nos territórios ultramarinos era o de vice-rei, que recebia uma alta remuneração. Entretanto, não podia tornar-se independente do controle da metrópole, nem tampouco dispor do dinheiro público por sua própria autoridade. Em 1535, foi criado o Vice-reino de Nova Espanha, abrangendo o México e parte da América Central; em 1544, o Vice-reino do Peru, englobando boa parte da América do Sul espanhola (atuais Bolívia, Equador, Peru, Paraguai e Argentina). Na prática, o poder do vice-rei dependia de sua habilidade. Antes mesmo da criação do vice-reino, um importante passo na organização administrativa das colônias havia sido dado pela metrópole, com a criação em 1511, da audiência de Santo Domingo. A audiência era um tribunal composto por juízes profissionais, os oidores, que tinham formação jurídica e seguiam o direito civil geral. Embora fosse uma instância de caráter exclusivamente jurídico, desempenhou um papel altamente político durante a história colonial. Já os cabildos eram uma importante instituição de autogoverno na colônia, que futuramente centralizariam os movimentos de independência.

 

Resumo da Aula 05 – O Trabalho Compulsório na América Ibérica

As necessidades que abarcavam o sistema produtivo ibérico, notadamente o hispânico, não se limitavam à mão de obra. Os trabalhadores precisavam de alojamento, armazéns, igrejas, tavernas. Por sua vez, as minas precisavam de escoras para os poços, de alvenaria, de escadas, de grande quantidade de couro. Além, também, da necessidade de mulas e cavalos nas cidades e nas minas para transportar as barras para os locais de cunhagem e portos de exportação. Também precisava de transporte para produtos de plantações e das estâncias, para o carregamento das mercadorias europeias que aportavam ao litoral e que eram requisitadas pelos centros de mineração.

Os espanhóis necessitaram de setenta e oito anos para ocupar o território que viria a se tornar o seu império na América. Levaram duzentos anos em tentativas e erros para estabelecer os elementos de uma economia colonial vinculada à Espanha, através desta, à Europa Ocidental. Em se tratando da América Portuguesa, a colonização por meio de agricultura tropical, como a inauguraram pioneiramente os súditos da Coroa, aparece como solução inicial através da qual se tornou possível valorizar economicamente as terras descobertas, e dessa forma garantir-lhes a posse.

O sistema de colonização que a política econômica mercantilista visa desenvolver tem em mira os mesmos fins mais gerais do mercantilismo e a eles se subordina. Por isso, a primeira preocupação dos Estados Colonizadores será de resguardar a área de seu império colonial face às demais potências. O Monopólio do Comércio das colônias pela Metrópole define o sistema colonial porque é através dele que as colônias preenchem a sua função histórica. E, realmente, reservando a si com exclusividade a aquisição de produtos coloniais, a burguesia mercantil metropolitana pode forçar a baixa de seus preços até o mínimo além do qual a produção se tornaria antieconômica. A colonização agrícola no Brasil dá início dentro da estrutura monopolista do sistema colonial. No mais, o grande comércio açucareiro fica dentro do monopólio da classe mercantil portuguesa. Por outro lado, num esforço para revigorar o comércio ultramarino português e inspirando-se no êxito da experiência holandesa, a política colonial lusitana se orienta para o regime das companhias de comércio (Cia. Geral do Comércio do Brasil – 1649), que representam um fortalecimento do regime monopolista.

A Encomienda (1509) foi a primeira forma institucionalizada de uso de trabalho indígena. O Rei espanhol concedia uma permissão ao encomendero que, por sua vez, poderia utilizar-se da mão de obra de toda uma comunidade indígena, podendo exigir-lhes trabalho (encomienda de serviço) e gêneros (encomienda de tributos). A encomienda proporcionou o enriquecimento de muitos conquistadores e primeiros colonizadores, tendo sido a base das primeiras fortunas coloniais. Para barrar a catástrofe demográfica e os ímpetos senhoriais dos encomienderos, em 1542 foram promulgadas as Leyes Nuevas (novas leis), proibindo a escravidão indígena. Em 1549, proibiu-se a prestação de serviços dos índios aos encomenderos, mantendo-se a obrigação de tributos. Na segunda metade do século XVI, a instituição de encomienda foi sendo progressivamente abandonada no México (1570) e no Peru, persistindo por muito tempo em áreas periféricas como o Paraguai, Chile, Tucumán, Yucatán, inclusive com o direito de prestação de trabalho.

O repartimiento que são prestações compulsórias e relativas de trabalho, substituiu a encomienda. Esse tipo de sistema era administrado através de um sorteio onde os índios selecionados deveriam trabalhar compulsoriamente durante um certo tempo. Ao fim da jornada, os índios receberiam uma compensação financeira de baixo valor. Os trabalhadores eram designados pela autoridade comunal indígena, que os entregava a um “juiz repartidor” espanhol, que, por sua vez, os distribuía entre os colonos espanhóis. Este cargo passou a ser disputado por criollos pobres, pois oferecia uma forma de enriquecimento: índios e comunidades subornavam os juízes para obter isenções do trabalho, e os hacendados espanhóis da mesma forma, para obterem um maior número de trabalhadores.

No período anterior à conquista e durante o da encomienda, o indígena produzia seus meios de subsistência e o excedente imposto por seus dominadores, geralmente no mesmo espaço e sob as mesmas condições de produção. Com o repartimiento, houve uma cisão: a produção por meios de subsistência continuou a ser efetuada nas terras comunais, enquanto o trabalho excedente era realizado fora delas, sob condições de produção distintas, em atividades especializadas da economia espanhola. Eram os funcionários espanhóis, e não mais as autoridades indígenas, que fixavam os tempos do trabalho compulsório, suas condições de execução, o salário e a divisão dos trabalhadores. O novo sistema colocava os índios à disposição do crescente número de espanhóis que chegavam ao Novo Mundo.

A hacienda foi um sistema que consistia no endividamento de trabalhadores, afim de retê-los na propriedade. A relação é amplamente conhecida como peonaje, na qual o trabalhador recebia como salário um crédito na tienda de raya (onde retirava alimentos, roupas, etc), além de um lote mínimo de subsistência. Enfim, muitos índios se dirigiam voluntariamente para as haciendas, sobretudo no século XVII, a fim de escaparem do repartimiento, dispondo-se a trabalhar gratuitamente para os fazendeiros em troca de um exíguo lote de subsistência. Já os escravos africanos, na colonização espanhola, passaram a ser um recursos estratégico no processo por serem vistos como mais confiáveis, resistentes e flexíveis que a população nativa.

Os primeiros africanos levados para o Novo Mundo vinham quase sempre das Ilhas Canárias, ou da própria Península Ibérica, por isso, sabiam falar espanhol e já haviam adaptado suas habilidades à sociedade colonial. Em 1518, foi preparado o primeiro asiento (tratado através do qual um grupo de comerciantes recebia da coroa espanhola uma rota comercial ou o monopólio de um produto) para o comércio de escravos. É bem possível que houvesse contrabando de escravos, já que os comerciantes portugueses vendiam-nos a preço mais baixo que os asientistas oficiais. Bartolomé de Las Casas, o dominicano que lutou contra os maus-tratos impostos aos índios, achou aceitável a escravidão de africanos em seu período inicial, e propôs num texto de 1516 que os colonos tivessem permissão de utilizar africanos em vez de índios, como reação ao impacto completamente destrutivo da exploração, pelos colonos espanhóis, daqueles que lhes haviam sido confiados, retratando de maneira impressionante a ganância, a rapacidade sexual e a arrogância do encomendero. Las Casas reveria suas opiniões sobre a aceitação da escravidão africana quando grande número desses escravos ficou disponível e foi submetido aos trabalhos mais pesados. No fim de sua vida, escreveu que se arrependia amargamente de ter recomendado a importação de mais escravos africanos, e não tinha certeza se Deus o perdoaria por isso.

É importante registrar que apesar da redução assustadora do tamanho das populações indígenas, elas ainda representavam uma ameaça potencial aos conquistadores. Apesar de diferente da escravidão negra adotada no Brasil, a exploração do trabalho indígena também é tratada por muitos historiadores como escravismo. Já o trabalho negro adotado em Cuba e nos países da América do Sul espanhola se assemelha muito ao trabalho escravo do Brasil, ao contrário do trabalho escravo negro adotado no sul dos Estados Unidos, onde os escravos eram bem tratados, incentivados a formar famílias, a se reproduzirem, como forma de reposição de mão de obra, sem que houvesse grande miscigenação de raças. Nas colônias onde não foi possível se dedicar imediatamente à mineração dos metais nobres, como na América espanhola, a colonização se especializaria na produção de produtos agrícolas tropicais.

A cultura da cana e o fabrico do açúcar nas regiões quentes e úmidas do Brasil tropical apresentam-se, assim, na quarta década do século XVI, como uma solução que permitia ao mesmo tempo valorizar economicamente a extensa colônia, integrando-as nas linhas do grande comércio europeu, e promover o seu povoamento e ocupação efetiva, facilitando a sua defesa ante a concorrência colonial das grandes potências. E assim que, com a instituição das donatárias, se inicia na América portuguesa as cessões territoriais com vistas a implantação da cultura canavieira e manufatura do açúcar para o mercado europeu.

A produção para o mercado europeu posteriormente se desdobrará nos outros produtos (tabaco, algodão, etc.) em toda a América Colonial (portuguesa, espanhola, inglesa, francesa); mas será sempre em torno deste tipo de produção – ou da mineração – que se desenvolverá a economia colonial. A maneira de se produzir os produtos coloniais fica subordinada ao sentido geral do sistema, isto é, a produção devia se organizar de modo a possibilitar aos empresários metropolitanos ampla margem de lucratividade, o que obviamente impunha a implantação, nas colônias, de regimes de trabalho necessariamente compulsórios, semi-servis ou propriamente escravistas. O Brasil-Colônia se encaixa com exatidão no quadro representativo do antigo sistema colonial e, pode-se dizer, o representa de forma exemplar. Assim, observando os movimentos históricos dos três séculos de nossa formação colonial é possível enxergar seus desdobramentos até os dias atuais.

 

Resumo da Aula 06 – Sistema Colonial Anglo-Saxônico na América

Enquanto os portugueses empreenderam sua expansão africana objetivando as riquezas orientais, que só obteve êxito com a viagem de Vasco da Gama à Índia em 1497, e os espanhóis, em seu processo de reconquista da Península Ibérica contra os mouros, forjaram seu Estado Nacional, os ingleses passaram a iniciar seu processo de unificação política. Já no século XV, a Inglaterra enfrentava o mais longo conflito da história: a Guerra dos Cem Anos (1337-1453). Entretanto, mal terminava a Guerra dos Cem Anos já se viam envolvidos numa violenta guerra civil: a Guerra das Duas Rosas (1455-1485). A família York (representada por uma rosa branca) e a família Lancaster (representada por uma rosa vermelha) submergiram o país em mais três décadas de violência. Tais conflitos enfraqueceu a nobreza e despertou no país o desejo de um poder centralizado. A Dinastia Tudor (1485-1603), que emerge desse processo, torna-se de fato, a primeira dinastia absolutista na Inglaterra. O poder dos Tudors aumentou ainda mais a Reforma Religiosa (Séc. XVI). O Rei Henrique VIII rompe com o Papa e funda o anglicanismo, tornando-se chefe da Igreja na Inglaterra e confiscando as terras da Igreja Católica. Estava em formação o Estado Centralizado que permitiria a realização do projeto colonizador Inglês no século XVIII. Depois da França, a Espanha torna-se uma nova inimiga para a Inglaterra. Atacar o rei, condutor da nação, diante do risco nacional permanente, parecia uma traição. A Espanha, o mais poderoso Estado Ocidental, cuja frustrada tentativa de invasão pela invencível armada resultou numa fragorosa derrota aos Ibéricos, promovendo uma guinada no jogo de forças entre os Estados europeus a favor da Inglaterra, que abriria caminho para as suas navegações.

Na Inglaterra não havia um “projeto colonizador” propriamente dito, e sim tentativas de seguir o sucesso dos Ibéricos nas Grandes Navegações. Giovanni Gaboto tentava descobrir uma rota pelo noroeste da América, em 1497, visando alcançar a Ásia. No ano seguinte realiza nova empreitada, tendo em suas viagens navegado pelas costas da América do Norte e encontrado rios e baías que futuramente seriam as portas de entrada da colonização. Somente no reinado de Elizabeth I, em fins do século XVI, que os ingleses, em crescente rivalidade com os espanhóis, deram um impulso à construção naval e ao comércio marítimo, envolvendo também a atividade corsária. A ideia de exploração vai se tornando uma necessidade aos súditos dos Tudor. Cada ataque que o corsário inglês Francis Drake fazia aos ricos galeões espanhóis no atlântico estimulava essa ideia. A Rainha Elizabeth I chegou a conceder permissão a Sir Walter Raleight para que iniciasse a colonização da América. Sir Walter estabeleceu em 1584, 1584 e 1587, expedições à terra que batizou de Virginia, em homenagem a Elizabeth, a rainha virgem.

O projeto que estava sendo montado no final do século XVI em muito se assemelhava ao Ibérico. Pouca coisa diferenciava Sir Walter de um donatário brasileiro do período das capitanias hereditárias. A aventura de Sir Walter, todavia, fracassou. Os ataques indígenas aos colonizadores, a fome e as doenças minaram a experiência inicial da Inglaterra. O rei James I da Inglaterra começou o período quando também já reinava na Escócia como James VI, os ingleses puderam retomar suas investidas coloniais na América. Agora, dona dos mares, a Inglaterra e sua burguesia crescente dispunham de condições para realizar negócios comerciais. No início do século XVII, já sob a Dinastia Stuart, a Inglaterra reviveu o impulso colonizador. Não seriam mais nobres individuais, mas as companhias como a de Londres e Plymouth. Tais companhias foram organizadas por comerciantes e apresentavam todas as características de empresas capitalistas. A Cia. de Plymouth recebia as terras e o monopólio do comércio entre a região da Flórida e o rio Potomac, restando a Cia. de Londres as terras entre os atuais cabo Fear e Nova York. Também havia uma região neutra para evitar conflitos de jurisdição. Foi nessa área em que os holandeses aproveitaram para fundar colônias, das quais a mais famosa daria origem à cidade de Nova York. No século XVII, Nova York era chamada de Nova Amsterdã.

Foi um começo muito difícil para os ingleses. Apenas 105 colonos tinham desembarcados e, passados alguns meses, a fome mataria outra parcela dessa comunidade. A fome era tanta que cães, gato e cobras foram utilizados como alimento, e um colono foi acusado de fatiar o corpo de sua esposa falecida para se alimentar. Havia também problemas de traições. George Kendall, por exemplo, foi o primeiro inglês executado por espionagem em Virgínia, acusado de trabalhar para o rei da Espanha. As duas Cias. não duraram muito. Em 1624, a Cia. de Londres teria a sua licença caçada e, em 1635 a Cia. de Plymouth também devido a grandes dívidas das duas empresas.

A história das rebeliões sempre foi desfavorável aos indígenas, embora provocasse perdas consideráveis aos colonizadores. Em 1637, em Connecticut, 3 mil indígenas pequot rebelaram-se contra o avanço dos colonos em suas terras. Reprimida a rebelião, muitos deles foram vendidos como escravos para as ilhas antilhanas. Em 1763, ocorreu a principal revolta, ao final da Guerra dos Sete Anos (1756-1763) entre França e Inglaterra. Liderada pelo grande chefe Pontiac, líder dos Indígenas Ottawa, travaram uma guerra contra os britânicos que se estendeu do vale do Ohio até a Pensilvânia, Virgínia e Maryland. Pontiac foi derrotado em 1769.

A Inglaterra faria da colonização um meio de descarregar no Novo Mundo tudo o que não fosse mais desejável no Velho. Impressiona como a ideia de “colônias de povoamento” sobrevive até os dias atuais. As colônias do Norte da costa atlântica apresentam o clima temperado, semelhante ao europeu. Essa área era complexa para oferecer recursos que a Inglaterra necessitava, o que explica, em partes, o fracasso dos primeiros empreendimentos colonizadores. A agricultura das colônias setentrionais destacava o consumo interno, com produtos como o milho. Nas colônias da Nova Inglaterra (parte norte das 13 colônias) surge uma próspera produção de navios. Desses estaleiros, saem grande quantidades de navios que seriam usados no chamado Comércio Triangular. O Comércio Triangular pode ser descrito como a compra de cana e melado das Antilhas, que seriam transformados em rum. O Comércio Triangular também poderia envolver a Europa, para onde os navios levavam açúcar das Antilhas, voltando com os porões repletos de produtos manufaturados. Próximo a um dos grandes pesqueiros do mundo, as colônias da Nova Inglaterra também exploraram largamente a atividade pesqueira. A venda de peles também foi importante na economia dessas colônias. Milhares de peles de animais foram utilizadas para adornar roupas elegantes contra o frio do Velho Mundo. Apesar de as leis estabelecerem limites, os comerciantes das colônias agiam com grande liberdade e seguiam mais a lei da oferta e da procura do que as leis do Parlamento de Londres.

Na segunda metade do século XVII, uma nova onda de colonização ocorreu na faixa central do litoral atlântico norte-americano. Foi o caso de Nova York, tomada pelos ingleses durante as guerras anglo-holandesas de 1652-1670. Antes, a cidade foi criada pelos holandeses e batizada em Nova Amsterdã. Com a vitória inglesa, 1664, foi rebatizada como Nova York, sede de uma vasta região concedida ao duque de York, irmão do rei da Inglaterra, Carlos II. As colônias do sul abrigaram uma economia diferente. Seu solo e clima eram propícios para uma colonização voltada aos interesses europeus. O produto que a economia sulina destacou desde cedo foi o tabaco. O fumo tornou-se um produto fundamental para o sul. A falta de braços para a lavoura do tabaco em pouco tempo impôs o uso do escravo. A sociedade sulina que acompanha essa economia é marcada por uma grande desigualdade. Com essa economia mais voltada para o mercado externo, as colônias do Sul resistiram mais à ideia de independência. Os plantadores meridionais das 13 colônias temiam que uma ruptura com a Inglaterra pudesse significar uma ruptura com sua estrutura econômica. As colônias centrais teriam sua vida econômica mais ligada à agricultura, principalmente de cereais. Últimas colonias conquistadas pela Inglaterra, predominaram nelas as pequenas propriedades e, a exemplo do Norte, desenvolveram atividades manufatureiras.

  • Colônias do Norte: predominância da pequena propriedade, do trabalho livre, de atividades manufatureiras, e com um mercado interno relativamente desenvolvido, realizando o comércio triangular;
  • Colônias do Sul: predomínio do latifúndio, voltado quase que inteiramente para exportação, ao trabalho servil e escravo e pouco desenvolvidas quanto às manufaturas;

Essas diferenças serão fundamentais tanto no momento da Independência quanto no da Guerra Civil americana.

 

Resumo da Aula 07 – As Reformas Bourbônicas e a Reestruturação do Modelo Colonial Espanhol

O reinado de Carlos II (1664-1700) revelou-se um completo desastre, uma melancólica história de derrota militar, bancarrota da coroa, retrocesso intelectual e fome generalizada. Por volta de 1700, a própria população descera a pelo menos um milhão abaixo de seu nível no reinado de Felipe II. Foi nessa década, quando uma série de más colheitas geraram fome em Castela, que foram tomadas as primeiras medidas para resolver os problemas financeiros da monarquia, através de uma rejeição parcial do pesado ônus das dívidas herdadas de reinados anteriores. Nada disso, no entanto, obscureceria de alguma forma o fato de haver a Espanha perdido suas indústrias e estar reduzida à exportação de sua produção agrícola em troca de manufaturas estrangeiras. No comércio colonial, Cádiz era um mero entreposto de troca do metal precioso americano por mercadorias europeias.

Na década de 1680, a constante preocupação com o Velho Mundo havia conduzido a uma notável erosão no poder imperial na América. Na verdade, durante as primeiras décadas do século XVIII, a Espanha fez pouco mais que repelir as incursos estrangeiras a seu território e consolidar sua posse nas fronteiras ameaçadas. Foi nessa década também que os portugueses fundaram a Colônia de Sacramento no estuário do Prata e os franceses avançaram para o Sul a partir do Canadá para fundar Nova Orleans. No Novo México, os índios pueblos expulsaram os colonos e missionários de uma província que esteve sob ocupação efetiva por quase um século. A Espanha havia se tornado tão fraca que, durante a Guerra da Sucessão, precisou pedir proteção de navios franceses para escoltar até a metrópole a frota do tesouro de Veracruz. O papel relativamente passivo que a Espanha desempenhou na guerra que decidiu seu destino tornou-se totalmente manifesto no tratado de Utrecht. Com essa cláusula, foi dada a Grã-Bretanha o monopólio de tráfico de escravos africanos para todo o império espanhol e, mais ainda, foi-lhe garantido o direito de enviar um navio com quinhentas toneladas de mercadorias para negociar com as colônias espanholas do novo mundo. Se o tratado despejou a Espanha de suas possessões europeias que haviam enredado a monarquia numa guerra constante, a quebra de seu monopólio comercial deveria revelar-se uma fonte poderosa de conflitos futuros.

O Tratado de Madri foi assinado em 1750 e definia os territórios da América do Sul atribuídos a portugueses e a espanhóis. A divisão do mundo pelo Tratado de Tordesilhas foi abolida e Portugal passou a ter o direito de ocupar as terras da margem oriental do Rio Uruguai e a possuir o Rio Grande do Sul, enquanto renunciava a posse das ilhas das Filipinas e cedia a Espanha a colônia de Sacramento e o território da margem norte do Rio da Prata. Nos primeiros anos do Novo Estado Dinástico, vários cargos de secretários (de Guerra, de Estado, etc.) foram agrupados nas mãos de um ministro poderoso. Em nível provincial, o intendente era a figura mais importante, o símbolo da nova ordem. Somente em 1749 que esses funcionários passaram a ser designados em toda Espanha, encarregados do recolhimento de taxas, do serviço de intendência do exército, da execução de obras públicas e do incentivo geral à economia. Desde então, a receita pública subiu progressivamente fazendo com que a política e a economia da Espanha renasça. Era de conhecimento de todos os ministros e secretários que a chave para manutenção e um pujante incremento nesse renascimento deveria ser buscado no Novo Mundo.

A Monarquia afirmou seu poder sobre a Igreja quando, em 1767, Carlos III seguiu o exemplo de Portugal e decretou a expulsão de todos os jesuítas de seus domínios. Por um outro lado, em todas as principais cidades do Império, os colégios jesuítas educavam a elite crioula. Além disso, ao contrário de outras ordens religiosas, os jesuítas preservavam uma relativa harmonia entre seus membros americanos e europeus. Quando Carlos III, atendendo a seus ministros jansenistas (movimento católico que buscou reavivar a soteriologia agostiniana), suas ênfases teológicas se concentravam nas doutrinas da graça, buscando uma coerência maior que os jesuítas, em seu Semipelagianismo, tinham alcançado a fundir as doutrinas de Agostinho e Pelágio.

Em 1776, estabeleceu-se um novo vice-reino com a capital em Buenos Aires, cobrindo uma vasta região agora ocupada pela Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. O resultado foi uma mudança radical no equilíbrio geopolítico do continente, pois com o seu monopólio comercial já rompido pela abertura da rota comercial através do cabo Horn, Lima, a antiga capital de todo o império da América do Sul, sofreu uma grande perda de prestígio. A inclusão do Peru no novo vice-reino, com o propósito de fornecer a Buenos Aires os lucros fiscais de Potosí, preparou o caminho para a divisão política permanente de toda a zona andina. Algumas províncias, como o Chile e a Venezuela, até então esquecidas, eram agora colocadas em contato direto com a Espanha através da abertura de novas rotas comerciais. Com a promulgação do commercio libre, o ritmo das atividades econômicas acelerou, e as costas e ilhas do mar dos Caraíbas produziram uma safra maior do que nunca de produtos tropicais.

Nesse período, a principal província do império americano era Nova Espanha que registrava exportações de mais de onze milhões de pesos em média nos anos de 1796-1820. No Chile, de um valor total de um milhão de pesos em exportações, o ouro e a prata eram responsáveis por 856 mil contra 120 mil pesos representados pelo cobre. Mais ao norte, na Colômbia, o ouro respondia por 90% das exportações, num valor de dois milhões. Na América Central, as remessas de anil da Guatemala contribuíam com 1,2 milhão de pesos, uma soma próxima dos 1,4 milhão de pesos conseguidos com a cochonilha mexicana e que excedia em muito os 250 mil pesos da produção anual estimada das minas de prata de Honduras. Foi o crescimento da produção de açúcar, cacau e fumo que desafiou o predomínio dos metais do comércio atlântico da Espanha. Na década de 1790, o valor das exportações da Venezuela havia se elevado em mais de 3 milhões de pesos, distribuídos entre cacau, anil e café. E Cuba, junto ao tradicional cultivo de fumo, a produção de açúcar se expandiu extraordinariamente após a revolução de Saint-Domingue (Haiti, 1789-1792). Se no início da década de 1790 as exportações eram estimadas em mais de 3 milhões de pesos, nos anos entre 1815-1819, atingiram uma média de cerca de 11 milhões, um total que equiparava ao das exportações de prata da Nova Espanha.

De modo análogo, em 1789 as exportações do açúcar, algodão e café de Saint-Domingue eram estimadas em 27 milhões de pesos e uma outra fonte avaliava o valor total de produtos enviados das ilhas das Índias Ocidentais francesas em 30,5 milhões de pesos. Esses números dão uma ideia das realizações dos Bourbons, pois se reunirmos todas as estatísticas das províncias do império espanhol no Novo Mundo, a soma total das exportações no início da década de 1790 não excede 34 milhões de pesos.

 

Resumo da Aula 08 – A Independência dos Estados Unidos

O final do século XVII e todo o século XVIII foram acompanhados de muitas guerras na Europa e na América. A primeira dessas guerras ocorreu no final do século XVII, trata-se da Guerra da Liga de Augsburgo, que, nas colônias inglesas, foi chamada de Guerra do Rei Guilherme (William). Essa guerra foi uma reação da Inglaterra à política expansionista do rei Luís XIV da França. Essa guerra (1668-1697) inicia-se na Europa e conta, na América, com a participação dos índios. Dois anos antes de começar na Europa a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), começavam na América os conflitos nomeados de Guerra Franco-Índia.

A 1a Conferência das 13 Colônias realizada em Junho de 1754, foi uma conferência organizada das colônias inglesas em Albany (Nova York). Nesta conferência surge um plano de união entre as colônias elaborado pelo bostoniano Benjamin Franklin, como forma de dar mais força aos colonos em sua luta contra os inimigos. A ideia de uma união desagradou o governo inglês, que temia os efeitos posteriores dela. As próprias colônias desconfiara também dessa união, temendo a perda da autonomia. A Guerra Franco-Índia e a dos Sete Anos acabaram por eliminar o Império Francês na América do Norte. A derrota da França afastou o perigo permanente que as invasões francesas representavam na América, deixando os colonos menos dependentes do poderio militar inglês para sua defesa.

Essas guerras obrigaram a uma maior presença de tropas britânicas na América, causando inúmeros atritos. Os acordos finais desses conflitos nem sempre foram favoráveis aos colonos. Por fim, guerras como a dos Sete Anos, mesmo terminando com a vitória da Inglaterra, implicaram altos gastos. A Coroa decidiu manter um exército regular na América, a um custo de 400 mil libras por ano. Para o sustento desse exército, os colonos passariam a ver aumentada sua carga de impostos. Situação desagradável para os colonos: pagar por um exército que, a rigor, estava ali para policiá-los. O final da Guerra dos Sete Anos também trouxe novos problemas entre colonos e índios. Vencido o inimigo francês, os colonos queriam uma expansão mais firme entre os montes Apalaches e o rio Mississipi, áreas tradicionais de grandes tribos indígenas. O resultado disso foi uma nova fase de guerra entre os índios e os colonos.

Apesar da derrota dos índios, o governo inglês decidiu apaziguar os ânimos e, em setembro de 1763, o rei Jorge III proibiu o acesso dos colonos a várias áreas entre os Apalaches e o Mississipi. O decreto de Jorge III reconhecia a soberania indígena sobre essas áreas. Por outro lado, a Declaração de 1763 fere os interesses de expansão dos colonos. Além disso, representava uma mudança grande da Coroa inglesa em relação às colônias na América: o início de uma política de interferência nos assuntos internos dos colonos. O ano de 1763 foi uma mudança histórica entre a Inglaterra e suas colônias.

A Independência das 13 colônias foi influenciada por muitos autores do iluminismo. O inglês John Locke tinha suas ideias profundamente relacionadas com a Revolução Gloriosa Inglesa (1688-1689), que estabeleceu o governo de Guilherme e Maria e consagrou a supremacia do Parlamento na Inglaterra. O filósofo desenvolveu a ideia de um Estado de base contratual. Para o filósofo, a maioria tem o direito de fazer valer o seu ponto de vista e, quando o Estado não cumpre seus objetivos e não assegura aos cidadãos a possibilidade de defender seus direitos naturais, os cidadãos podem e devem fazer uma revolução para depô-lo. Os estudantes das colônias, que iam para a Europa em busca das universidades, voltavam influenciados por Locke e outros pensadores liberais. Por várias vezes, os colonos recusaram-se a aceitar as leis votadas por um parlamento no qual eles não tinham assento, reclamando o direito de participar de decisões que os afetariam. O filósofo inglês, ao pretender justificar um movimento em sua terra, acabou servindo como base, quase um século depois, para um movimento contra o domínio da Inglaterra, a mesma Inglaterra tão amada por Locke.

O Massacre de Boston ocorreu quando a Guarda Metropolitana tentou acabar com uma manifestação na colônia dos Estados Unidos, o que resultou na morte de cinco pessoas no dia 5 de março de 1770. Este incidente foi um dos que deu origem à Guerra da Independência. A continuidade de medidas inglesas para as 13 colônias levou os colonos a organizarem o Congresso da Filadélfia, mais tarde conhecido como Primeiro Congresso Continental. Os representantes de quase todas as colônias (menos Geórgia) elaboraram uma petição ao rei Jorge, protestando contra tais medidas. O conservadorismo da elite colonial reunida no Congresso não foi suficiente para uma generosa influência de Locke no texto enviado ao rei. Ao mesmo tempo em que houve tentativas de conceder maiores regalias aos colonos, foi aumentando o número de soldados ingleses na América. Em Lexington e Concord ocorreram os primeiros choques armados. Então, houve um Segundo Congresso da Filadélfia, onde foram reunidos todas as colônias, inclusive a Geórgia. O rei acabou se decidindo a declarar as colônias “em rebeldia”.

A opinião dos congressistas estava dividida enquanto panfletos como o do ativista Thomas Paine, Senso Comum, pregavam enfaticamente a separação e atribuíam ao rei os males das colônias. O teor da Declaração de Independência é típico desse “pensamento ilustrado”, presente nas colônias no século XVIII. Thomas Jefferson não é o único, mas é o mais importante autor deste documento. O sucesso dos escritos de Paine está ligado ao que chamamos de “espírito de Macbeth”. Paine afirma que “a sociedade é produzida por nossas necessidades, o governo por nossa iniquidade”. A 2 de Julho de 1776, o Congresso da Filadélfia acaba decidindo-se pela separação e encarrega uma comissão de redigir a Declaração da Independência, estando pronta no dia 4 de Julho.

Os representantes das colônias resolveram expor ao mundo 27 atitudes da Inglaterra que prejudicaram as colônias. Os problemas que a Declaração de Independência enumera já são nossos conhecidos: as leis mercantilistas, as guerras que prejudicavam os interesses dos colonos, sua calma e ponderação são destacadas em oposição à posição intransigente e autoritária do rei da Inglaterra, no caso, Jorge III. A Declaração, no entanto, resolve concentrar seus ataques na figura do rei, tentando, talvez, “criar” um inimigo conhecido e fixo. As colônias declaram-se estados livres e independentes, sem qualquer ligação com a Grã-Bretanha. Em Nova York, a estátua do rei Jorge III foi derrubada pela população entusiasmada. Em quase todas as colônias houve festas.

As colônias tiveram que enfrentar uma guerra para garantir essa independência diante da Inglaterra. George Washington, fazendeiro da Virgínia, foi nomeado comandante das forças rebeldes. Foi organizado o Exército Continental, uma força regular a cargo de Washington. A tradição política e a historiografia norte-americana elegeu alguns homens como “pais da pátria” ou “pais fundadores”. George Washington e Benjamin Franklin são dois mais destacados.

Nascido em 1732, Washington pertencia à elite colonial. Sua participação no Primeiro e Segundo Congressos da Filadélfia não é algo estranho. A Independência e a construção do novo regime republicano foi um projeto levado adiante pelas elites das colônias. Escravos, mulheres e pobres não são os líderes desse movimento, a Independência norte-americana é um fenômeno branco, predominantemente masculino e latifundiário ou comerciante. Já Benjamin Franklin foi um dos mais intelectuais do século XVIII. Nascido em Boston em 1706, Franklin representa o elemento urbano que participou do processo de independência. Franklin foi alimentado ao longo de sua vida ideias sobre liberdade e a democracia. Crítico da escravidão, foge do pensamento padrão dos outros líderes, tendo em vista que a escravidão foi um dos elementos em que não chegaram as ideias de liberdade pregadas pelos colonos. Franklin defendera desde muito cedo a unidade das colônias. O bom trabalhador protestante, que envolve Deus em seus negócios: esse é o retrato de Benjamin Franklin. Trabalhar de sol a sol, não desperdiçar, poupar e acumular, regras franklinianas para um viver feliz. Franklin é o pai de outra parte da pátria: os protestantes, dedicados a guardar o dinheiro que Deus lhes envia em retribuição a seus esforços.

 

Resumo da Aula 09 – A Crise do Sistema Colonial na América

O fim do Antigo Regime nas últimas décadas do século XVIII foi consequência das transformações ideológicas, econômicas e políticas produzidas pelo Iluminismo, Revolução Industrial, Independência dos Estados Unidos e Revolução Francesa. As elites da América colonial encontraram na filosofia iluminista o embasamento ideológico para seus ideais libertários. Como consequência da Revolução Industrial inglesa, que inaugurava a era da indústria fabril e da produção mecanizada, viu-se a necessidade de substituir o monopólio comercial pela livre concorrência.

O exclusivo comercial favorecia apenas as metrópoles que lucravam duplamente revendendo os produtos coloniais à Europa e as manufaturas inglesas às suas colônias. Essa política prejudicava tanto a burguesia inglesa quanto as elites coloniais e, assim, o desenvolvimento do moderno capitalismo industrial acelerou a crise do antigo sistema colonial mercantilista. Em seguida, com a ascensão de Napoleão Bonaparte, a imposição da supremacia francesa à Europa e o estabelecimento do Bloqueio Continental contra a Inglaterra desferiram um golpe de morte no decadente sistema colonial ibero-americano.

Por outro lado, a exploração colonial, quanto mais opera, mais estimula a economia central, que é o seu centro dinâmico. A industrialização é a espinha dorsal desse desenvolvimento, e quando atinge o nível de uma mecanização da Indústria, todo o conjunto começa a se comprometer porque o capitalismo industrial não se incomoda nem com as barreiras do regime de exclusivo colonial nem com o regime escravista de trabalho. O processo da Independência dos povos coloniais americanos, entretanto, foi único, embora tivesse encontrado diferenças e particularidades, conforme as condições dominantes nas diversas zonas, desde o Vice-Reinado do México até o do Brasil, passando por Nova Granada, Peru e Prata.

Com relação ao Brasil, sabe-se que a presença inglesa já era notada desde o século XVIII, através do contrabando e principalmente devido à sujeição de Portugal, em parte, devido ao Tratado de Methuen. Foram seus negociadores o embaixador extraordinário britânico John Methuen, por parte da Rainha Ana da Inglaterra, e D. Manuel Teles da Silva, Marquês de Pombal. Pelos seus termos, os portugueses se comprometeram a consumir os têxteis britânicos e, em contrapartida, os britânicos consumiam os vinhos de Portugal.

A vinda da Família Real portuguesa no Brasil, sob a proteção dos ingleses, veio colocar a nu esses interesses e a presença inglesa tornou-se marcante e sem disfarces. A Abertura dos Portos foi a primeira exigência inglesa, mas o marco fundamental do predomínio britânico são os Tratados de 1810 – o Tratado de Aliança e Amizade e o de Comércio e Navegação -, concedendo determinados privilégios alfandegários aos produtos ingleses. A submissão portuguesa aos interesses ingleses fez com que a Inglaterra passasse a ter o controle quase exclusivo de nosso mercado, ao mesmo tempo em que possíveis iniciativas industrializantes ficaram seriamente prejudicados. Como poderia abrir fábricas no Brasil para concorrer com os produtos ingleses?

O caso do Sistema Colonial Espanhol ainda é mais complexo do que o caso do Brasil. Quando os espanhóis foram obrigados a ceder aos interesses ingleses, permitindo que produtos ingleses chegassem às suas colônias, mesmo que em quantidades pequenas, permitiu que os colonos percebessem as vantagens de comercializar sem a Metrópole como intermediária. Posteriormente, as guerras napoleônicas, os bloqueios e contrabloqueios conectaram ainda mais os interesses comerciais dos criollos com os do britânicos, que passaram a estimular sem pudores a independência das colônias hispânicas. As reformas bourbônicas não surtaram o efeito esperado, ao contrário, aprofundaram ainda mais as rivalidades entre criollos e chapetones.

A pressão econômica oriunda da Revolução Industrial inglesa, a influência política da revolução francesa e estadunidense, com peso maior para esta última pelo fato de ser independentista, as questões das disputas internas entre criollos e chapetones, os interesses econômicos desta mesma elite criolla são todos causa e efeito da crise do sistema colonial espanhol, que já se dissolvia pela própria fragilidade intrínseca do binômino absolutismo e mercantilismo.

 

Resumo da Aula 10 – A Independência da América Ibérica e a Construção dos Estados Nacionais na América

Depois de alcançada a independência, os novos Estados Latino-Americanos passavam por uma nova luta: obter o conhecimento internacional, conseguir ajuda econômica para sua reconstrução, restabelecer os sistemas produtivos e comerciais e estabelecer internamente as novas fronteiras. Este período foi caracterizado por lutas civis que, somado a outros fatores, levaram à instabilidade política. Em seguida, tivemos o pensamento bolivariano que visava garantir as soberanias nacionais e a segurança do continente, obter reconhecimento internacional e alcançar a igualdade entre os seus integrantes. Foi no ano de 1821 onde Bolívar convoca todos os estados latino-americanos a criarem uma aliança contra a invasão ou ataque de qualquer outra potência em solo americano.

Logo depois tivemos o Congresso do Panamá em 1826, com a participação da Grande Colômbia, Peru, México e América Central. Os holandeses, americanos e britânicos também chegaram a participar. Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Brasil e Uruguai não participaram. Neste Congresso saíram o Tratado de União, Liga e Confederação Perpétua, pelo qual os países signatários se confederavam para a ajuda e proteção mútua em tempos de guerra ou paz. Porém, era quase impossível efetivar o projeto de defesa conjunta, já que os novos estados mal conseguiam manter a unidade interna em seus solos.

Os primeiros países a conquistarem a independência foram o Rio da Prata e o Paraguai. Eram regiões com boas comunicações e propícias ao comércio exterior, o que era garantido pelos rios navegáveis da região. O Paraguai tinha conexão direta com o mundo exterior através do Rio Paraguai, que se une ao Rio Paraná e atravessa a Argentina, o que tornou motivo de muitos conflitos. Com José Gaspar Rodrigues da Francia no poder em 1814, o Paraguai optou por um isolamento do mundo, e essa escolha levou a economia do país a se tornar basicamente de subsistência, ficando sua política exterior basicamente reduzida ao controle de entrada e saída de estrangeiros. Essa posição de isolamento do Paraguai assumida por Francia evitou um enfrentamento maior com Buenos Aires. Ele não chegou a proclamar formalmente a independência do Paraguai, o que ocorreria apenas em 1842.

Na Argentina, não havia a presença de rios navegáveis, mas a situação econômica e politica dependia do humor dos governantes de Buenos Aires. Muitos acordos interprovinciais foram assinados na tentativa de organizar o país: o pacto federal (1831) assinado entre Buenos Aires e as províncias litorâneas, foi o de maior relevância. Em oposição, as províncias do interior argentino formaram a Liga do Interior, que foi vencida e paulatinamente incorporada à hegemonia de Buenos Aires. Apenas em 1853, convocaram um Congresso Constituinte, que teve como resultado a atual constituição Argentina. Entretanto, Buenos Aires não aceitou as novas condições e por quase dez anos existiram dois estados: a Confederação Argentina e Buenos Aires. Tais Estados só se uniram após a batalha de Pavón (1861)

No caso do Uruguai, o país foi reconhecido independente pelo Brasil e pela Argentina em 1828, através de uma mediação da Inglaterra. Em 1830, o Uruguai criou sua constituição, tendo como primeiros presidentes Frutuoso Riviera e Manuel Oribe. E foram através deles que sugiram os grupos: os colorados e os brancos, que tinham maior ou menor aproximação com as potências vizinhas. Apesar da Independência, o Brasil e Argentina continuaram influenciando as decisões políticas de tal país. Durante os anos de 1835-1836, quando o branco Oribe governava o Uruguai, o colorado Riviera, com apoio dos vizinhos argentinos e Rio Grande do Sul, levantaram as armas ao governo. Mas no final, Riviera saiu derrotado. Com a queda de Oribe (1839), a Grande Guerra começou (1839-1852). Logo após a Independência, os países latino-americanos buscavam aprimorar sua economia na produção de matérias-primas, que eram vendidas para a Europa, principalmente a Inglaterra, e que depois voltavam ao continente americano manufaturadas.

O Império Britânico foi importante para o reconhecimento dos novos países, pois outorgou empréstimos que foram imprescindíveis para a reconstrução dessas nações e suas reorganizações políticas. Na guerra, os colorados, liderados por Riviera, contavam com o apoio dos antirrositas argentinos, dos rio-grandenses, e da armada inglesa e francesa. Enquanto que os braços de Oribe só contavam com o apoio da confederação rosita: a Argentina. Por estar apoiando os novos estados, a Inglaterra teve um tratamento de nação favorecida e isso incomodou a França. Entre 1838 e 1840, com a negação de Rosas à um tratamento igualitário entre França e Inglaterra, o porto Buenos Aires foi fechado pelos franceses, que só retiraram o bloqueio após um tratado pelo qual seja considerada nação favorecida as relações comerciais e a garantia de que a independência do Uruguai seria respeitada pela Argentina. As oposições entre Riviera e Oribes continuaram na década de 1840 que, devido a pressão, em 1845, Buenos Aires sofreu um bloqueio anglo-francês.

Riviera percebeu que sem um apoio internacional, não conseguiria sobreviver politicamente, então encontrou outros aliados: o Brasil e o governador de Entre Rios, o caudilho Urquiza. Com o fortalecimento da ascendência brasileira, Rosas rompeu relações diplomáticas com o Império e em 1851 declarou guerra à aliança Brasil/Uruguai/Urquiza, sendo derrotado na batalha de Caseros e exilado na Inglaterra. Então, a queda de Rosas, em 1852, significou o reconhecimento da independência uruguaia.

O Peru tornou-se independente em 1824, mas também passou por momentos de instabilidade política e econômica. Bolívar, o primeiro dirigente, conquistou a inimizade de muitos grupos políticos, o que mais tarde o fez renunciar a presidência. Seu sucessor, Andrés de Souza Cruz, alimentava o sonho de unir Peru e Bolívia mas, após conseguir sua Independência em 1825, a Bolívia se declarou autônoma. No governo da Bolívia, Santa Cruz retomou sua vontade de um estado peruano-boliviano, que entre 1836-1839 concretizou a unidade política dos atuais estados do Peru, Bolívia e Norte do Chile. Esses lances de agrupar nações andinas fracassaram devido à imensa desigualdade econômica e social entre seus membros. E, mesmo dentro de cada um, as diferenças entre capital e interior, dificultavam a união e a convivência pacífica entre os membros.

Os países da América Central também tentaram se manter unidos: para isso, uniram-se ao império do México em 1822, para em seguida se separarem e criarem a República Federal das províncias Unidas da América Central, sob a liderança da Guatemala. Entretanto, com o eminente domínio guatemalteco, as demais províncias iniciaram uma disputa política regional, que foi associada a partidos políticos e que levou à dissolução da confederação em 1839. Com a América Central dividida, a Inglaterra que já tinha interesse na região, começou a planejar um canal que ligasse os dois oceanos através do estado da Nicarágua. Insatisfeito com os ingleses, os EUA começaram a fortalecer sua influência na América Central, e logo após a iniciativa inglesa de construção do canal nicaraguense, os EUA propuseram ao Governo Colombiano a construção de um canal com o mesmo intuito na região do Panamá.

No Caribe, sua geografia era importante para a comunicação inter-oceânica. Cuba, a última joia do império espanhol na América, foi a mais cobiçada: além de politicamente estratégica, a ilha era a maior produtora do açúcar da região, o que potencializou sua cobiça. Os EUA estudaram uma possibilidade de anexar a ilha ao seu território, mas os tratados de amizade com a Espanha não permitiram a intromissão direta americana. O México tornou-se independente em 1821, e os EUA reconheceu a independência mexicana, ratificando os limites entre ambos os estados, fixado em um tratado anteriormente estabelecido. Os cidadãos americanos passaram a migrar para o novo território mexicano, e eram aceitos com a condição de respeitar as leis nacionais, entre elas o não estabelecimento de regime escravocrata. Mas como o México tinha problemas com fiscalização, os americanos começaram a estabelecer as próprias normas e costumes entre eles. Diante disso, o governo norte-americano foi aconselhado a comprar o território texano do México. Em 1825, 1827 e 1829 propostas foram feitas, mas os mexicanos se recusavam a vender. A colonização americana não cessava e a tentativa de mexicanização dos territórios texanos fracassou. Assim, em 1830, o presidente mexicano Anastácio Bustamante limitou a migração americana e decretou a união da legislatura do Texas à de Coahulla. Os colonos texanos não aceitaram e, em 1831, começaram a surgir movimentos separatistas. O Texas tornou-se independente do México e pediu para ser anexado aos EUA, que adiaram a decisão por cerca de dez anos.

Esse período de intensas lutas civis foi uma etapa extensa e marcada pela instabilidade política na região hispano-americana. As indefinições territoriais e o precário estabelecimento das relações comerciais com o resto do mundo foi modificado a partir do século XIX, quando os países latino-americanos começaram, finalmente, a se reconstruírem. No caso do Brasil, deve-se ressaltar que o fato de a “independência”, isto é, o processo de separação política da metrópole (1822), não ter coincidido com o da consolidação da unidade nacional (1840-1850), nem ter sido marcada por um movimento propriamente nacionalista ou revolucionário. Caio Prado Junior mostra um Brasil com contradições e conflitos sociais internos sem condições de gerar forças autônomas capazes de criar uma consciência nacional, e um desenvolvimento revolucionário apto a reorganizar a sociedade e constituí-la em nação. O mesmo autor analisa as graves e profundas tensões sociais que vieram à tona quando a revolução liberal do Porto fez difundir na colônia as aspirações de liberalismo constitucional, suscitando desordem e um sentimento generalizado de insegurança social e acarretando de imediato a reação conservadora, característica principal dos acontecimentos que então se desenrolaram no Brasil.

Sérgio Buarque de Holanda refere-se mais objetivamente às lutas de independência como uma guerra civil entre portugueses desencadeada aqui pela Revolução do Porto e não por um processo autônomo de arregimentação dos nativos visando a reivindicação comuns contra a metrópole. A consumação formal da separação política foi provocada pelas dissidências internas de Portugal, expressa no programa dos revolucionários do Porto e não afetaria o processo brasileiro já desencadeado com a vinda da Corte em 1808. Os políticos da época eram bem conscientes da insegurança das tensões internas, sociais, raciais, da fragmentação, dos regionalismos, da falta de unidade que não deram margem ao aparecimento de uma consciência nacional capaz de dar força a um movimento revolucionário disposto a reconstruir a sociedade.

 

Termino por aqui, pessoal!

Bons estudos!