Prática de Pesquisa em História

Publicado: 12 de novembro de 2017 em Filosofia/Sociologia/Outras Overdoses
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Ola pessoal!

Nesta postagem, irei apresentar o resumo das aulas da disciplina Prática de Pesquisa em História do 6o período do curso de Licenciatura em História da Faculdade Estácio de Sá. Esta disciplina nos auxilia no desenvolvimento do Trabalho de Conclusão de Curso.

 

Resumo da Aula 01 – O Conhecimento Histórico Como Uma Ciência Especializada

O historiador Leopold von Ranke é considerado o pai da historiografia científica devido aos seus estudos que foram fundamentais para a transformação da História como uma disciplina autônoma. Os historiadores contemporâneos são herdeiros da proposta metodológica desenvolvida pela primeira geração do historicismo germânico em pelo menos um aspecto: a centralidade da análise da documentação, aquilo que Ranke chamou de “fontes”, para o estudo do passado. Os historicistas levam muito além a crítica documental e, ainda hoje, passado mais de 150 anos da primeira geração do historicismo germânico, a crítica documental continua a ser o elemento fundamental para a identidade científica histórica. Para o filósofo Paul Ricoeur, a documentação é uma espécie de “presença fictícia” do passado, o que faz com que a imaginação do historiador encontre limites. Por isso que todo trabalho de História precisa apresentar uma discussão específica a respeito do trato metodológico com a documentação.

A História como ciência especializada trata-se de uma possibilidade que não estava dada no conhecimento ocidental antes do século XVIII. É claro que a História já se constitui como prática intelectual desde a Antiguidade. Mas, até o século XIX, os estudos históricos não tinham uma identidade disciplinar específica. Mas o que mudou na experiência cultural da modernidade que permitiu a História como um campo disciplinar e autônomo? Podemos apontar a aceleração da temporalidade moderna, que fundou uma nova relação entre presente e passado. E a proposta de conhecimento moderno, que através do tratamento cartesiano (O Discurso do Método) é baseado no primado da especialização. Uma das principais características da modernidade é a aceleração do ritmo das mudanças sociais. Se na experiência histórica pré-moderna, na sociedade tradicional onde as instituições sociais se modificam mais lentamente, a relação entre passado e presente é caracterizada pela continuidade, pelas semelhanças. Nas sociedades modernas isso se transforma radicalmente, o que foi fundamental para a fundação da Ciência Histórica. Nesse sentido, são as demandas do tempo presente que condiciam e formatam o interesse pelo estudo do passado. No tipo da experiência cultural, a História é definida como um conhecimento pragmático e voltado a um exercício pedagógico moral e cívica.

Foi exatamente no século XVIII, quando as revoluções modernas, em particular a francesa, transformaram intensamente as instituições sociais e políticas vigentes que se inaugurou uma nova relação entre passado e presente. O passado não poderia ser mais utilizado como fonte de exemplos e de lições morais, já que passa a ser mais diferente do que semelhante quando comparado ao presente. O passado passa a ser pensado como um objeto de estudos que precisa ser conhecido em suas particularidades. Surge, então, a possibilidade de fundação de uma ciência especializada no estudo desse passado, o que aconteceu no século XIX nos quadros do historicismo germânico.

Os escritos filosóficos de René Descartes traduzem a concepção moderna de racionalidade científica. Descartes utiliza quase sempre a primeira pessoa do singular, o que se configura como uma espécie de reivindicação de sua autoridade sobre aquele estudo. Esta individualização é uma das grandes marcas da concepção moderna de ciência, na qual o cientista é um especialista em um determinado conjunto de saberes. Com o tempo, a concepção especializada de conhecimento foi ganhando força no século XIX, no momento do nascimento da maior parte dos campos científicos que hoje são fundamentais para a nossa cultura acadêmica. No século XIX havia duas tradições científicas: “Ciências Humanas” ou “Ciências do Espírito”, e “Ciências Duras” ou “Ciências Exatas”.

Wilhelm von Humboldt foi um dos principais historiadores envolvidos nos debates teórico-metodológicos da Ciência Histórica. Ele dialogou com a tradição filosófica representada por grandes autoridades como Aristóteles e Kant, e tentou definir o conhecimento histórico como uma ciência interpretativa baseada no princípio da subjetividade autoral. Por outro lado, Leopold Ranke defendeu a apropriação do conhecimento histórico a partir da proposta das “ciências duras” e, segundo ele, as fontes históricas são a única via de acesso do historiador à experiência utilizada; por isso, o pesquisador precisa se esforçar ao máximo para narrar da forma mais imparcial possível os eventos estudados.

 

Resumo da Aula 02 – O Projeto de Uma Ciência Histórica de Inspiração Sociológica

No século XX, o movimento historiográfico francês chamado “Escola dos Annales”, afirmou que a “História problema”, de cariz sociológico, era a melhor forma de produzir o conhecimento histórico. Segundo o professor Peter Burker, os historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre se conheceram na Universidade de Estrasburgo, e ali conviveram durante treze anos (1920 à 1933). Estes dois historiadores fundariam, em 1929, a Revue des Annales. A ideia inicial de criar um periódico de estudos históricos foi de Lucien Febvre, onde teve a ideia de fundar uma revista dedicada à História Econômica, que seria dirigida pelo historiador Henri Pirenne. Henri Pirenne foi cotado para assumir o cargo de editor chefe da revista, mas, por algum motivo, recusou. Marc Bloch e Lucien Febvre, então, tornaram-se os editores.

O primeiro título da revista, lançada em 1929, foi Annales d`histoire économique et sociale e tinha como modelo o periódico Annales de Géographie, de Vidal de la Blache. A revista pretendia exercer uma liderança intelectual nos campos da História Social e Econômica. Segundo o historiador François Dosse, o projeto de Marc Bloch e Lucien não deve ser reduzido a uma simples resposta dos historiadores à crise que explodiu de Walt Street em outubro de 1929, mas que já vinha se desenhando desde o término da Primeira Guerra Mundial. Esta crise está relacionada às novas questões que valorizam os aspectos econômicos e sociais, por sua vez mergulhados na deflação, na recessão e no desemprego. Todo o processo de cientifização da História envolveu, entre outras questões, uma ampla discussão teórico-metodológica na qual o movimento dos Annales foi buscar os elementos fundamentais do seu projeto historiográfico. Em um primeiro momento, as análises políticas e biografias de grandes líderes tinham a predileção da maioria dos historiadores. Mas, Michelet e Burckhardt tinham uma visão mais ampla da História do que os seguidores de Ranke. Burckhardt interpretava a história em que interagiam três forças – Estado, Religião e Cultura. Já Michelet defendia a história daqueles que sofreram, trabalharam, definharam e morreram sem ter a possibilidade de descrever seus sofrimentos.

As críticas à historiografia política e biográfica também vieram da historiografia econômica, do Marxismo e da Sociologia. O paradigma historiográfico dos Annales teve grande capacidade de influenciar as pesquisas desenvolvidas em vários países. Os Reis taumaturgos, de 1924, foi um dos principais estudos de Marc Bloch. Seu tema é a crença compartilhada pelas sociedades inglesa e francesa da Idade Média, onde o toque dos reis era milagroso e capaz de curar doenças. Esta obra abriu caminho para os “historiadores das mentalidades”. O livro contribuía para a “psicologia religiosa”. Esta discussão sobre a psicologia da crença não era desenvolvida pelos historiadores ao longo da década de 1920, sendo mais comum entre antropólogos, psicólogos e sociólogos. A abordagem de Marc Bloch fundamentou a ênfase nas estruturas, nas coletividades e na longa duração, o que traduziu certo otimismo epistemológico característico para os modelos interpretativos modernos. Já Lucien Febvre elegeu o Renascimento e as reformas religiosas como seus principais temas de pesquisa. A biografia do reformador Martinho Lutero, por exemplo, não se trata de uma mera biografia, mas sim de uma tentativa de resolver um problema da relação entre o indivíduo e o grupo, entre a iniciativa pessoal e a necessidade social.

No ano de 1956, quando Lucien Febvre morreu, marcou a ascensão definitiva de Fernand Braudel, administrador da Maison de Sciences de l`Homme, ao comando dos Annales. Para isso, houve uma disputa com Robert Mandrou, que também reivindicava a herança intelectual de Febvre. A relação dos dois herdeiros tornou-se harmoniosa e, em 1962, Mandrou se demitiu do cargo de secretário executivo da Revista. O principal trabalho de Braudel foi O Mediterrâneo. O Mediterrâneo é um livro de grandes dimensões para os padrões editoriais da época e é dividido em três partes, cada uma abordando o passado de uma forma diferente: a longa temporalidade da natureza; a média temporalidade das estruturas; e a curta temporalidade dos eventos. Braudel não abre mão da narrativa factual, e a sua preocupação é situar indivíduos e eventos em um contexto, em seu meio, mas ele os torna inteligíveis ao preço de revelar sua fundamental insignificância.

Claude Lévi-Strauss ganhou fama internacional em 1955, com o seu livro Tristes Trópicos, no qual o autor analisa a relação entre a América e a Europa, a partir das experiências de sua viagem ao Brasil. Segundo Lévi-Strauss, o historiador permanece no plano empírico e do observável, incapaz, portanto, de modelar e de ter acesso às estruturas profundas da sociedade. A diferença essencial entre a História e a Etnologia, ainda segundo Lévi-Strauss, não é nem o objeto, nem o objetivo. Ambas têm o mesmo objeto: a vida social, e o mesmo objetivo: uma melhor compreensão do homem. A História trata de expressões conscientes, e a Etnologia, das condições inconscientes da vida social.

O estruturalismo historiográfico foi, durante décadas, hegemônico no campo disciplinar da História. Porém, este cenário está se transformando nos últimos anos, quando os modelos estruturalistas vêm sendo esvaziados, enquanto outras propostas de análise, pós-estruturalistas, ganham cada vez mais força. Cada vez mais os objetos de pesquisa precisam ser recortados com precisão a partir de critérios de delimitação cronológica e geográfica. Por exemplo:

  1. Uma pesquisa sobre as forças armadas: Não é adequado uma pesquisa sobre a “História do Exército” ou sobre a “História do Exército Brasileiro”. O mais adequado poderia ser “História das relações entre o Exército e a política no Brasil ao longo da década de 1980”.
  2. Escravidão Africana no Brasil: Um bom exemplo seria propor uma “História das relações de parentesco no plantel de escravos no Vale de Paraíba na década de 1780”.

 

Resumo da Aula 03 – Os Marxismos e a Análise Histórica

O século XIX foi caracterizado pelo surgimento de alguns sistemas filosóficos e o marxismo foi um deles. Com a sua ênfase nas estruturas econômicas e produtivas, a historiografia marxista não se preocupa com a ação dos sujeitos ou com eventos isolados, que fez com que o materialismo histórico tivesse uma recepção relativamente boa por parte da história social francesa. Foi ao longo de 1840 que Karl Marx travou contato com leituras e pensadores que seriam fundamentais para o seu sistema filosófico; em Berlim, Marx conviveu com os discípulos de Hegel, que eram chamados de “jovens hegelianos” ou “hegelianos de esquerda”. Em Paris, ele conheceu os socialistas utópicos Proudhon e Fourier, e começou a amizade com Friedrich Engels. No ano de 1847, Marx e Engels, através dos diálogos sobre o Capitalismo, fundaram o Partido, ou a Liga (Bund), Comunista. Em 1852, Marx publicou o 18 Brumário de Napoleão Bonaparte, que foi um dos seus principais trabalhos enquadrados no gênero histórico. Na área da Economia, os trabalhos mais importantes foram: Manuscritos econômicos-filosóficos (1844), Crítica da economia política (1859) e O Capital (1876). Na área da Filosofia, destacam-se: Sagrada Família (1845), Ideologia Alemã (1846) e Miséria da Filosofia (1847).

O sistema filosófico de Karl Marx dialogou diretamente com o racionalismo. O racionalismo se fundamenta em dois princípios:

  1. a definição da razão como uma capacidade elementar do homem e
  2. o compromisso dessa capacidade racional com o conhecimento da verdade.

O marxismo pressupõe um fim ideal para o sistema capitalista de produção, que seria, de acordo com os prognósticos de Karl Marx, o momento da revolução do proletariado, quando os trabalhadores, agindo como um sujeito coletivo da história e impulsionados por uma identidade de classe, colocariam fim à opressão burguesa. O momento da revolução era o desenlace óbvio do capitalismo por conta da contradição que é inerente ao sistema, ou seja, a luta entre as classes. Para Marx, os trabalhadores somente serão capazes de colocar fim ao capitalismo e salvar a modernidade se, e somente se, tiverem consciência da sua situação. Por isso, é a razão que funciona como uma espécie de “messias laico” na teoria marxista. O marxismo se desdobrou em várias correntes de análise, tornando essa tradição bastante complexa e diversificada.

Lenin, o principal representante do Partido Comunista da URSS, interpretou as obras de Karl Marx priorizando a dimensão político-revolucionário do materialismo histórico, e é original em diversos aspectos; ao contrário da defesa do proletariado como o sujeito coletivo responsável pela destruição do capitalismo, Lenin enfatizou o papel do indivíduo, do intelectual revolucionário e do partido como a vanguarda do proletariado. Já a interpretação desenvolvida por Georg Lukács, conhecida como “marxismo ocidental”, pois não teve muita influência do leninismo da URSS, alega que a identidade de classe não precisa traduzir a origem de classe no sujeito. Nesse sentido, o intelectual burguês pode se identificar com a causa do proletariado. Louis Althusser, um dos marxistas mais influentes do século XX, priorizou o lado científico do materialismo histórico, buscando o diálogo dessa corrente de pensamento com os estruturalismos então em voga nas ciências humanas. Ele se afastou dos primeiros escritos de Marx para visar a capacidade científica dessa corrente de pensamento. E, por último, temos a Escola de Frankfurt que é um grupo de intelectuais que se reuniu em torno do Instituto de Pesquisas Sociais fundado, em Frankfurt, em 1924. Theodor Adorno e Max Horkheimer, principais líderes do movimento, escreveram o tratado A Dialética do Conhecimento, em 1947. Os pensadores desta Escola procuraram desenvolver uma teoria crítica do conhecimento e da sociedade inspirados na obra de Marx e em suas raízes hegelianas, relacionando o marxismo com a tradição crítica moderna. Tais intelectuais formularam uma crítica a racionalidade técnica e propuseram uma racionalidade emancipatória. A indústria cultural torna-se a principal manifestação dessa racionalidade técnica que transforma tudo em objeto de consumo.

A historiografia brasileira também oferece exemplos de interpretação marxista, como os estudos de Caio Prado Jr., Jacob Gorender e Nelson Werneck Sodré. Examinar tais estudos é fundamental para qualquer historiador brasileiro que tenha o interesse de se aproximar do materialismo histórico.

 

Resumo da Aula 04 – A Derrocada dos Macromodelos e a Proposta do Giro Linguístico

A partir da década de 1960, ganhou fôlego, dentro das ciências humanas, o interesse pela análise da linguagem científica. Diante da crise do otimismo científico, alguns pesquisadores dialogaram diretamente com a tradição dos estudos retóricos, e passaram a manifestar interesse pela construção das interpretações científicas, sem estarem propriamente preocupados com o problema da verdade e da objetividade científica. No campo da ciência história, esta questão foi proposta pelo livro Meta História de Hayden White, e publicado em 1962. White não reivindica um estatuto científico para História, mas sim destaca a dimensão narrativa desse conhecimento. O livro A Escrita da História, de Michel de Certeau, publicado em 1982, mostrou que o problema da linguagem estava na agenda dos historiadores profissionais. Tanto White como Certeau apontam para o clima de desconfiança que caracterizou o campo científico da História ao longo do século XX. Os historiadores passaram a se preocupar com a construção da sua linguagem científica, ampliando, portanto, sua abordagem para além da pretensão de escrever sobre eventos passados.

Se o século XIX foi o momento da euforia científica e da crença de que todos os problemas da humanidade seriam resolvidos pela capacidade racional, o século XX, com as experiências das guerras mundiais e da mobilização da tecnologia científica para a destruição, frustrou os prognósticos otimistas do século XIX, o que possibilitou o desenvolvimento de perspectivas céticas em relação à atividade científica. O campo de produção do conhecimento histórico não ficou indiferente à crise do racionalismo científico moderno. Surgiram outras propostas investigativas de modelos pós-estruturalistas. Jürgen Habernas, herdeiro da Escola de Frankfurt, levou em conta os interesses da humanidade no processo do conhecimento científico. Neste sentido, Habernas levantou a seguinte tipologização dos interesses: interesses técnicos; interesses produtivos; e interesses emancipatórios ou libertadores. E apresentou a possibilidade de examinar as suas condições de produção, inspirando importantes historiadores como Hayden White, Michel de Certeau, Fançois Hartog e Frank Ankersmith.

Um dos aspectos mais importantes do giro linguístico, na historiografia, foi a instrumentalização da retórica para o exame de textos historiográficos. Aristóteles é a principal referência da retórica clássica para os debates linguísticos caros à historiografia contemporânea. Para Aristóteles, a retórica é composta de três partes fundamentais:

  1. A invenção, marcada pelo uso de silogismos e entimemas;
  2. A disposição, comprometida com a organização dos argumentos em um plano narrativo;
  3. A elocução, relacionada ao estilo no qual o discurso é falado ou narrado;

O silogismo refere-se às verdades necessárias e inquestionáveis que dispensam os maiores reforços retóricos já que a sua constatação é óbvia. Já a entimema refere-se às verdades que são prováveis, mas que não são óbvias e, por isso, a sua validade depende do esforço retórico. Ao produzir um texto, o historiador põe em prática uma série de procedimentos científicos que têm o objetivo de construir uma trama discursiva e apresentar uma determinada representação de um evento passado como verdadeira. A proposta do giro linguístico é justamente examinar a construção dessa representação e analisar os exercícios persuasivos mobilizados pelos historiadores para conferir sensação de verdade aos textos, sem com isso negar a validade heurística da historiografia.

A proposta dos estudos historiográficos chegou ao Brasil no final dos anos 1980, tendo Manoel Luiz Salgado Guimarães como um dos seus principais fundadores. Em 1988, o autor publicou o artigo Nação e civilização nos trópicos, na Revista de Estudos Históricos da Fundação Getúlio Vargas. Ao longo dos últimos anos, a pesquisa historiográfica se fortaleceu bastante no Brasil, formando, inclusive, uma associação de historiadores especializados nessa temática. Autores como Rebeca Gontijo, Valdei Lopes Araújo, Maria da Glória Oliveira, Temístocles César Jr. e Durval Muniz de Albuquerque Jr. estão entre os mais importantes representantes dos estudos historiográficos brasileiros.

 

Resumo da Aula 05 – A Derrocada dos Macromodelos e a Proposta da Micro-História

Clifford Geertz, antropólogo norte-americano, desenvolveu uma discussão relacionada à redução do conceito de cultura e aos consequentes ajustes no exercício da análise antropológica. Geertz critica as grandes abstrações estruturalistas e defende uma análise mais próxima da materialidade dos fenômenos, um estudo antropológico mais circunscrito e delimitado geográfico e cronologicamente. Ainda ele, a cultura não é uma estrutura que serve como objeto de conhecimento científico, mas sim um entremeado de valores mobilizados circunstancialmente. Pode-se dizer que Geertz propôs o redimensionamento das pretensões da análise antropológica; não mais a estrutura, a coletividade e aquilo que é comum, mas sim o evento, o particular e aquilo que é único. O princípio da análise científica não é descartado por Geertz, mas sim redimensionado.

Na década de 1970, um grupo de historiadores italianos desenvolveu um programa de pesquisa que em muitos aspectos se opôs ao estruturalismo da História Social francesa desenvolvida pelos Annales. Ao rejeitar as abordagens estruturalistas, os micro-historiadores italianos não questionaram o estatuto científico da História, mas sim tentaram desenvolver uma proposta de análise baseada em outro critério de cientificidade. Esse esforço teórico foi desenvolvido no livro Mitos, Emblemas, Sinais, escrito por Carlos Guinzburg e publicado em 1986. Trata-se do “paradigma indiciário” que Carlos Guinzburg afirma ser o mais adequado para o atual estágio da historiografia pós-estruturalista. Guinzburg também apresenta um outro modelo científico chamado “galileana”. A ciência galileana tinha uma natureza totalmente diversa, que poderia adotar o lema escolástico do individum est ineffabile, do que é individual não se pode falar. O argumento do autor é que ambos os modelos, o galileano e o indiciário, fazem parte do repertório científico ocidental. Porém, o modelo galileano era inadequado, pois era uma disciplina qualitativa, que tem por objeto casos, situações e documentos individuais, enquanto individuais, e justamente por isso alcançam resultados que têm uma margem ineliminável de causalidade.

Diante dessa crise dos macromodelos, Ginzburg propõe uma saída semelhante com aquela desenvolvida por Geetz: o ceticismo controlado dentro dos valores científicos ocidentais e a proposição de uma abordagem científica mais empírica e menos pretensiosa. O autor defende a ideia de que a crise que o campo científico dos historiadores estava vivenciando naquele momento não colocava em risco a identidade científica da História, mas sim sua definição como uma ciência estruturalista. Ginzburg afirma ser possível encontrar nas discussões artísticas e científicas do século XIX, elementos que nos permitem visualizar a importância do modelo científico indiciário, que ele alega ser uma alternativa ao modelo galileano. O autor destaca três elementos:

  1. o método morelliano de identificação de falsificação em obras de arte;
  2. os romances de Conan Doyle, especialmente a ação do personagem Sherlock Holmes;
  3. os primeiros estudos de Freud;

Ginzburg defende a adoção de uma identidade epistemológica para a história, que não seria aquela que caracterizava o estruturalismo da história social francesa, nem tampouco a dimensão retórica, considerada exagerada, proposta por Hayden White. É como se o autor estivesse dizendo que a história é uma ciência, mas não uma ciência das totalidades, e sim dos indícios, das experiências e das ações individuais. Dessa forma, sem se afastar da tradição científica, mas buscando se afastar no estruturalismo da história social francesa, os micro-historiadores italianos desenvolveram uma perspectiva historiográfica de cariz monográfico que hoje funciona como uma espécie de cânone metodológico para os historiadores profissionais. No atual estágio dessa história, o estruturalismo da História Social desenvolvida por autores como Marc Bloch, Lucien Febvre e Fernand Braudel não é mais o fundamento do modelo defendido pelo grupo.

Os anos de crise mundial foram um momento de revisão brutal, que anunciava inclusive as revisões suaves das quais em 1968 havia sido o sintoma generalizado nas sociedades ocidentais. O progresso deixava de ser uma certeza ao mesmo tempo em que se começava a duvidar da capacidade indefinida dessas sociedades para resolver seus problemas latentes (Revel; 2000,p. 14).

Revel informa que a Micro-História nasceu dos debates desenvolvidos por um pequeno grupo de historiadores reunidos em torno da revista Quaderni Storici, que questionaram o rendimento das macroanálises historiográficas. As obras O Queijo e os Vermes, de Carlos Ginzburg, e Herança Imaterial, de Giovanni Levi, são considerados dois clássicos da Micro-História.

 

Resumo da Aula 06 – A Derrocada dos Macromodelos e a Proposta da “Nova” História Cultural

As discussões teóricas que passaram a ser cada vez mais frequentes no campo disciplinar da História após a década de 1970 chegaram também aos estados culturais. Após o final de 1980, quando surgiram os primeiros textos da historiadora norte-americana Lynn Hunt, os estudos sobre História Cultural passaram a ser menos abrangentes e mais atentos às práticas sociais. A “Nova” História Cultural, que também ficou conhecido como “História das Mentalidades”, foi apontada por Jacques Le Goff no texto As mentalidades: uma história ambígua. O projeto da História das Mentalidades era apagar ao máximo as diferenças e buscar categorias compartilhadas pelos membros de uma determinada sociedade. Em seguida, Philippe Ariès, um outro representante do projeto historiográfico das mentalidades, afirma que essas particularidades são diluídas e quase imperceptíveis da longa duração, que é por definição o recorte cronológico privilegiado pela História das Mentalidades. Outros representantes da História das Mentalidades como Robert Mandrou, afirmaram que o essencial desse modelo analítico estava no “nó que liga as distâncias entre as maneiras de pensar e de sentir e as diferenças sociais” (1961, p. 46). É justamente a dimensão ampla dessa abordagem o alvo das críticas dos autores que começaram a formular o programa da “nova” História Cultural no final dos anos 1990.

A partir de então, cada vez mais historiadores interessados nesse tipo de temática passaram a se distanciar da proposta analítica das mentalidades e a se aproximar dos estudos mais atentos às práticas e representações específicas. Para Roger Chartier, essa nova História Cultural levou os historiadores a refletir sobre as suas próprias práticas e, em particular, sobre as escolhas conscientes ou as determinações ignoradas que comandavam o seu modo de construir as narrativas e as análises históricas. Para Lynn Hunt, a “nova” História Cultural possui uma característica fundamental de centrar sua atenção sobre as linguagens, as representações e as práticas. A nova História Cultural propõe um modo inédito de compreender as relações entre as formas simbólicas e o mundo social.

A “nova” História Cultural parte o princípio de que toda prática produz uma representação, que pode ser letrada, artística, religiosa, etc. Ao distinguir as práticas das representações, a “nova” História Cultural, de alguma forma, traduz o ceticismo característico do cenário intelectual desse período. A historiografia seria então um estudo das representações sociais, buscando sempre entender o que essas representações têm de conflitivas e como isso traduz a dinâmica imprevisível das experiências. Redimensionada para o plano do indivíduo ou da comunidade, o conceito de representação foi pensando como o conjunto de mecanismos através do qual os indivíduos ou grupos atribuem sentido aos seus atos e aos atos dos outros.

Os bons livros tidos como exemplos para a “nova” História Cultural são: Em Busca da Oralidade Perdida de Andrea Daher, O Espelho de Heródoto de François Hartog, e As Armas e as Letras de Rodrigo Perez de Oliveira.

 

Resumo da Aula 07 – A Derrocada dos Macromodelos e a Proposta da “Nova” História Politica

Durante as décadas em que a proposta da História Social foi hegemônica, as investigações interessadas nos fatos políticos e nas biografias foram consideradas menos importantes pelas universidades francesas. Esse quadro vem se transformando desde a década de 1980, quando, na esteira da crise dos paradigmas estruturalistas, as perspectivas política e biográfica foram retomadas pelos historiadores profissionais. Após a década de 1980, um grupo de estudiosos como René Remond, Beatriz Sarlo, Serge Berstein e Michel Winock, começou a trazer para a pauta dos estudos históricos, os eventos políticos e as trajetórias biográficas. Por outro lado, tais temas não faziam parte do cânone historiográfico da História Social francesa proposta pela ‘Escola’ dos Annales. De acordo com René Remond, a história política de hoje não pode negar que buscou no passado da ciência histórica alguns exemplos daquilo que precisava ser retomado. Ao formular a reflexão nesses termos, Remond chama atenção para o fato de que a Ciência Histórica é marcada pela presença dos estudos sobre os fenômenos políticos.

O nome Charles Seignobos tem destaque nos estudos a respeito da História Política desenvolvida no século XIX. Para Remond, Seignobos foi o primeiro a se dar conta de dois fatos importantes que foram determinantes nos primórdios da sociologia eleitoral: a diversidade dos “temperamentos” políticos regionais e a profundidade do seu enraizamento. Remond apresenta mais uma advertência: o cuidado com o risco de supor que a interpretação que os Annales propuseram a respeito da Ciência Histórica é a única possível.

André Siegfried é considerado por muitos o pai da geografia eleitoral. Para Siegfried, é no comportamento politico dos eleitores e dos candidatos que é possível compreender os valores que condicionam o funcionamento do poder, o que para o autor significava também o funcionamento do Estado. Essa perspectiva priorizava o exame das disputas pelas posições de poder na estrutura do Estado, que no século XIX havia se consolidado como o fundamento dos nacionalismos. Para Remond, a historiografia precisa ser pensada a partir do diálogo entre as interrogações internas à comunidade dos historiadores profissionais e as inquietações que caracterizam a realidade na qual o conhecimento histórico é produzido. Remond também afirma que as duas Grandes Guerras provocaram o aumento da necessidade de intervenção do Estado no cotidiano das sociedades e que isso também provocou a valorização do elemento político. Já os estudos de Michel Foucault a respeito do poder e das suas diversas formas de atuação e manifestação, foram fundamentais para o desenvolvimento da “nova” História Política. A principal contribuição de Foucault para a formulação teórica da “nova” História Política foi:

a complexificação do conceito de poder, que se tornou plural e diversificado o suficiente para não mais se enquadrar apenas na esfera de atuação do Estado, como afirmavam os historiadores do século XIX.

No século XIX, segundo François Dosse, a escrita biográfica e a História Política eram abordagens historiográficas tão próximas que chegavam a se confundir uma com a outra. O tempo passou e esse tipo de pesquisa foi se enfraquecendo na medida em que se fortalecia o estruturalismo da História Social francesa, sendo revitalizado a partir da década de 1980. Mas é importante que você saiba que as pesquisas biográficas vivem em um momento de intenso fortalecimento, podendo servir, inclusive, como um possível tema para o seu TCC. O sociólogo Pierre Bourdieu tinha uma certa tendência a negar a perspectiva biográfica, criticando especialmente a biografia que Jean Paul Sartre escreveu sobre a vida de Gustav Flaubert. Para Bourdieu, os biógrafos incorrem no erro de supor que a trajetória individual pode ser analisada de forma isolada das outras instâncias da vida social, como se fosse possível ao sujeito viver só e sem nenhum tipo de interação com o mundo.

Para bons exemplos de práticas de pesquisa que dialogaram com a perspectiva da História Política, são os livros: Capítulos de História do Império de Sérgio Buarque de Holanda, e Duque de Caxias de Adriana Barreto de Souza. O bom exercício historiográfico, que se materializará na produção do seu TCC, demanda um grande esforço de leitura, para que os procedimentos da pesquisa se tornem claros para o autor.

 

Resumo da Aula 08 – A Historiografia Pós-Moderna em Perspectiva

O pós-modernismo é um daqueles conceitos que padecem de um mal-estar quase ontológico, o que torna a sua definição uma tarefa árdua que alguns afirmam ser impossível. Diante disso, o passado, pensado como uma experiência concreta, parece perder espaço, o que possibilitou o fortalecimento da dimensão interpretativa da representação historiográfica. Assim, a historiografia especializada tornou-se uma grande arena de conflitos entre interpretações diferentes e por vezes rivais. Segundo François Lyotard, o aspecto mais fundamental da condição pós-moderna é a morte dos centros, o colapso das propostas racionalistas que se ancoravam no princípio de que de fato era possível conhecer a realidade e que a realidade era um dado objetivo, com existência própria e independente da cognição humano, sendo, por isso, passível de ser conhecida. A condição pós-moderna se fundamenta na incredulidade diante das metanarrativas modernas. Segundo Keith Jenkins, a definição do “pós-modernismo” é particularmente difícil devido a um dos princípios fundamentais que caracterizam essa experiência cultural: a definição da experiência como algo líquido, incerto e, no limite, impossível de ser objetivada. Já Durval Muniz, diz que o simbolismo do século XIX se condensa todo o fracasso da modernidade, a falência do humanismo e o fim do sonho iluminista. E, por fim, Franklin Rudolf Ankersmit acredita em dois aspectos desta superprodução não intencional. Em primeiro lugar, a discussão sobre a obra de Hobbes torna-se uma discussão sobre a interpretação da obra de Hobbes, em vez de ser uma discussão sobre a obra em si. E, em segundo lugar, por evidentemente prestar-se a múltiplas interpretações, o texto original de Hobbes perdeu sua capacidade de funcionar como árbitro no debate dentro da História.

O historiador Pierre Nora alega que nunca antes na História os homens demonstraram tanto interesse pelo passado, o que traduz a combinação da curiosidade com o medo da perda. Diante do grande interesse pelo passado, como manter a identidade epistemológica da história quando existe uma multiplicidade de vozes interessadas em falar algo sobre o passado? Quais recursos precisam ser mobilizados pelos historiadores visando qualificar o resultado do seu trabalho como o produto de uma ação especializada? Para Durval Muniz, por mais que o historiador também utilize da imaginação no trato com a documentação e com a bibliografia secundária, ele jamais pode ter a mesma liberdade de especulação que o literato. Para Jorn Rusen, por mais que existam hoje diferentes formas de tratar o passado e que essa multiplicidade seja legítima, é importante que a comunidade profissional dos historiadores continue tentando apresentar ao público uma apropriação técnica e especializada das experiências pretéritas.

Quando o historiador apresenta seu trabalho, ele se coloca em diálogo com uma comunidade científica. Por isso, é necessário o intenso exercício de leitura da produção bibliográfica, que se torna cada vez mais extensa em todos os ramos da pesquisa histórica. Não existe um “ponto zero” do conhecimento; no limite, todo trabalho historiográfico é coletivo em alguma medida, já que o tempo todo precisamos nos remeter a outros trabalhos, sempre com o esforço de conversar com eles.

 

Resumo da Aula 09 – O Cariz Monográfico das Pesquisas Históricas na Pós-Modernidade

Toda pesquisa precisa ser prefigurada por um projeto, que é onde o historiador organiza seu trabalho, escolhe seu tema de estudos, delimita o problema que será abordado, dialoga com a bibliografia especializada e define um tratamento metodológico para a documentação disponível. O século XVIII pode ser pensado como a matriz dos estruturalismos que dominaram as ciências humanas do final do século XIX até a segunda metade do século XX. “A História é considerada a construção e realização da subjetividade universal, um processo racional, inteligível. Seu desfecho é previsível: a vitória da razão, que governa o mundo” (Reis, 2006, p. 68). Neste sentido, a ambição estruturalista em conhecer a totalidade da realidade somente tem sentido na modernidade científica, que foi caracterizada pela definição do homem como um ser naturalmente racional e capaz de conhecer o mundo que o cerca.

A expressão teria dois sentidos: “História de Tudo” e “História de Todo”. No primeiro sentido, seria a consideração de que tudo é História, não havendo mais regiões interditadas ao historiador. No segundo sentido, seria a ambição de apreender o todo de uma época, uma abordagem holística de uma sociedade, o que levaria, talvez, a uma contradição com a História-problema. Portanto, no atual estágio do campo histórico, as abordagens totalizantes não são consideradas apropriadas pela maioria dos historiadores. É ponto pacífico entre os historiadores que nos últimos anos a pesquisa histórica passou por um processo de especialização temática. O historiador brasileiro José D’Assunção escreveu o livro O Campo da História, em que analisa essa fragmentação e seus desdobramentos na prática profissional do historiador. Para François Dosse, o instante da fragmentação pode ser situado em algum momento da década de 1980, quando a fragmentação do campo histórico tornou-se notório para todos os seus integrantes. Já Michel Vovelle, defendeu uma historiografia comprometida com as grandes sínteses. Pois, ainda ele, subordinar o conhecimento histórico às historietas e curiosidades é o maior perigo que hoje se coloca àqueles que praticam profissionalmente esse tipo de atividade. Vovelle também dizia que o fundamento da especialização profissional está justamente na síntese, na capacidade do historiador em conseguir dizer algo com o seu trabalho; de dizer algo sobre a sociedade, sobre as pessoas e sobre o tempo (1989, p. 143).

O historiador brasileiro Ciro Cardoso ataca as propostas historiográficas que ele chama, pejorativamente, de “pós-modernos”, acusando-as de serem frágeis do ponto de vista epistemológico e de enfraquecerem a identidade científica da História. Já o historiador norte-americano Jack Hexter, um crítico da História Total, acusa de ser impreciso e vago. Para ele, uma história global jamais atingiu a articulação do real que pretendia. Era mais uma reunião colossal de dados e informações, uma superposição de temas incontáveis do que uma integração do real. Já Michel Foucault, analisou a História Total e afirmou que o seu projeto é de restituir o conjunto da civilização, do princípio de uma sociedade, da lei que dá conta de suas coesões, do “rosto de uma época”. Uma proposta que traduz com perfeição os ânimos epistemológicos dos homens modernos. Para Jean Louis Flandrin, a História Total corre o risco de ficar limitado às abstrações que têm mais a ver com as especulações teóricas dos historiadores do que com as práticas sociais dos atores históricos.

Todo texto historiográfico precisa ser pensado como o produto final de um intenso trabalho de pesquisa, que é sempre motivado pelo interesse em conhecer certo aspecto da realidade passada. Como o alcance da pesquisa é sempre limitado, o historiador precisa se esforçar para delimitar um conjunto de experiências e propor uma interrogação sobre elas. Esta interrogação é o problema, e o problema é a pergunta que motiva o historiador ao esforço da pesquisa. Uma das principais transformações da transição da História Total para a História Fragmentada foi justamente a maior delimitação na formulação dos problemas.

 

Resumo da Aula 10 – O Projeto de Pesquisa Como o Primeiro Passo da Operação Historiográfica

Todo trabalho historiográfico é produto de um intenso exercício de pesquisa, o que envolve, entre outras coisas, a delimitação de um tema e de um problema, a análise da bibliografia especializada e a redação do texto. Para que tais etapas sejam concluídas, é necessário o planejamento, que se materializa em um projeto de pesquisa. O projeto nada mais é do que um horizonte que precisa ser maleável o suficiente para se acomodar aos imprevistos da caminhada do pesquisador, que podem se manifestar na indisponibilidade de alguma documentação ou na insuficiência do tempo previsto para a conclusão do trabalho. Os projetos de pesquisa podem ter vários formatos e serem compostos por diversas nomenclaturas.

É importante que o projeto seja constituído por cinco partes:

  • Introdução: É o momento onde o pesquisador apresenta o problema da sua pesquisa, ou seja, o objeto de estudos que será desenvolvido;
  • Objetivos e Hipóteses: Para que fazer? Onde quero chegar?;
  • Quadro Teórico: É o lugar onde o pesquisador analisa algumas abordagens que o ajudam a pensar de forma mais abstrata sobre o seu objeto de estudo;
  • Metodologia e Fontes: É onde o pesquisador define seu trabalho como pertencente ao gênero histórico. É necessário de uma sensibilidade para desenvolver uma metodologia adequada ao seu problema e aos documentos disponíveis. O termo correto é exatamente este: desenvolver;
  • Bibliografias: É a parte mais simples do projeto. Informar as fontes consultadas: livros, revistas, sites, etc. Logicamente seguindo as normas da ABNT;

 

Tenha um ótimo TCC, pessoal.

 

Marcell

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