História Contemporânea [Parte II]

Publicado: 12 de outubro de 2017 em Mundo Contemporâneo
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Ola pessoal!

Nesta postagem irei apresentar o resumo das aulas da disciplina História Contemporânea II do 6o período do curso de Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

 

Resumo da Aula 01 – A Primeira Guerra Mundial

Para entendermos a Primeira Guerra Mundial ocorrida em 1914 à 1918, temos que voltarmos ao panorama político e econômico da Europa no século XIX. A industrialização desenvolveu uma nova demanda, tanto de mercados consumidores quanto de matérias-primas, fazendo com que a Europa voltasse para os continentes que ainda não haviam se industrializados – Ásia e África. A partir desse momento surge o Imperialismo, uma política de colonização que caracterizaria toda a segunda metade do século XIX e estaria ligada aos confrontos da Primeira Guerra Mundial.

As grandes potências Europeias, como a Inglaterra, a França, a Rússia e a Alemanha, tinham seus processos industriais e política imperialista bem diversificadas, por diferentes motivos. A Inglaterra aproveitou por um longo tempo sua supremacia econômica e marítima, mas logo foi ameaçada pela Alemanha, cuja unificação, em 1871, transformara em um império forte cuja indústria baseava-se na formação de carteis. Investindo na indústria pesada e estimulando a associação entre os bancos e as indústrias, a Alemanha deu um salto de desenvolvimento. A construção de uma intensa malha ferroviária tornou o país economicamente ágil e mais integrado.

No caso francês, a industrialização voltou-se para os produtos de luxo, já que havia uma tradição em remeter a França como lugar de civilidade e sofisticação. O mercado francês era único e não entrava em concorrência com os ingleses. Já a Rússia, embora tivesse uma pequena industrialização, a maioria de sua população era camponesa. O sistema de governo era monarquia czarista, totalitária e centralizadora. Era uma potência muito mais pelo seu tamanho e contingente populacional do que, propriamente, por questão bélica. Esta situação valeu-lhe a alcunha de “gigante com pés de barro”.

No ano de 1873, o marechal Otto von Bismarck, que unificou a Alemanha, formou a Liga dos Três Imperadores – Alemanha, Rússia e Áustria-Hungria. Em 1878, essa aliança foi rompida devido ao desacordo entre a Rússia e a Áustria-Hungria acerca dos Balcãs. Em 1882, uma nova aliança foi formada sendo a Rússia substituída pela Itália – Tríplice Aliança. Tais pactos alemães mexeram com a Inglaterra e com a França. A França guardava grande ressentimento devido à guerra franco-prussiana, ocorrida no final do século XIX, e da qual sairia derrotada. Esta derrota implicou na perda territorial francesa para os alemães, a Alsácia-Lorena (rica em minério). O revanchismo francês foi um dos fatores da Primeira Guerra Mundial. Em 1904, temendo o crescimento de um inimigo, Inglaterra e França se aliaram na Entente Cordiale. A adesão da Rússia à entente deu origem a Tríplice Entente. Configurava-se assim, o panorama político europeu – Tríplice Aliança e Tríplice Entente.

As potências europeias disputavam mercados e territórios devido a industrialização constante que demandava recursos. A Alemanha e a Itália, por terem sido unificados tardiamente, também entraram nesta disputa de territórios e consideravam suas posses insatisfatórias. Algumas regiões estratégicas estavam no centro desta disputa, é o caso dos Balcãs. Os alemães lutavam contra a independência desta região, já a Rússia estimulava esta independência para diminuir o poder da Alemanha, e levantar novos aliados.

Os Balcãs são uma região situada entre os mares Negro e Adriático. Foi ocupada por povos eslavos, que deram origem a vários países diferentes como Kosovo, Macedônia, Bósnia, Herzegovina, Bulgária, Montenegro e Servia. Durante muito tempo, esteve sob influência do Império Otomano, mas, no início do século XX, este império entrou em decadência e os países europeus, como a Alemanha, Áustria Hungria, França e Itália, passaram a disputar a região. Com o enfraquecimento Otomano, surgiu um processo de unificação liderada pela Sérvia e estimulada pela Rússia, conhecido como pan-eslavismo. Em 1908, a Bósnia-Herzegovina foi anexada pelo Império Austro-Húngaro, o que fomentou a Guerra dos Balcãs em 1912. Grécia, Bulgária, Montenegro e Sérvia desejavam a expulsão dos turcos com o objetivo de formar a Grande Sérvia, que se tornaria um país independente. A Áustria interferiu no expansionismo dos sérvios, reconhecendo a Albânia como país independente e provocando uma onda nacionalista servia.

No ano de 1914, em uma tentativa de acalmar os ânimos, o Arquiduque e herdeiro do trono Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, viajou até Saravejo, capital da Bósnia, para consolidar a posse da região e legitimar a expansão da Áustria-Hungria. Em junho de 1914, ele foi assassinado pelo sérvio Gavrilo Princip, que pertencia a uma organização nacionalista sérvia, denominada Mão Negra. O assassinato foi o estopim da Primeira Guerra Mundial.

A Primeira Guerra Mundial é dividida em duas fases: a guerra de movimento e a guerra de posição, também chamado de guerra de trincheira. Alguns historiadores defendem uma terceira fase, ofensiva, com a entrada dos EUA no conflito. A guerra de movimento, iniciada em 1914, marca a marcha alemã em direção à França. Para isso, foi necessário invadir a Bélgica para chegar ao território francês. Por essa razão, a Bélgica se uniu a Tríplice Entente para expulsar os alemães. Após vencerem os franceses, os alemães se preparavam para enfrentar seu pior inimigo – a Rússia. Foi no final de 1914 que teve início a nova fase: a guerra de posição ou de trincheira. Nesta fase, milhares de soldados ficavam entricheirados, em enormes condições de insalubridade, o que aumentava o número de mortos. Muitos soldados passavam dias em trincheiras lamacentas, sujeitos ao frio, à fome e às doenças, que matavam tanto quanto as balas do inimigo.

Em 1915, a Itália deixa a Tríplice Aliança e se alia a Tríplice Entente devido a uma promessa de que o país receberia territórios do império  Austro-Húngaro caso fosse derrotada. Em 1917, a Rússia se retira da guerra devido a um conflito interno – Revolução Russa – onde o czar foi deportado e um novo governo foi instaurado. A saída da Rússia parecia ser uma oportunidade para os alemães bombardearem a Inglaterra. Mas a entrada dos EUA na guerra foi uma surpresa. Embora apoiassem a Entente, os EUA ainda não haviam enviado tropas para o conflito, mas contribuíam, mandando suprimentos. Após o bombardeamento da Alemanha contra os navios norte-americanos, as tropas americanas começaram a chegar para por fim ao conflito. A Alemanha ficou isolada, pois os seus aliados haviam abandonado a aliança ou enfraquecidos com os anos de conflito. Em novembro de 1918, o Armistício de Compiègne foi assinado tendo como base a superioridade da Entente.

Em 1919, a paz foi selada com a assinatura do Tratado de Versalhes. O presidente norte-americano, Wodrow Wilson, era a favor de uma guerra sem vencedores e para isso estabeleceu os 14 Pontos de Wilson, uma lista de proposições que buscava a harmonia entre as potências europeias. Mas, no fundo, o Tratado de Versalhes foi um instrumento para subjugar a Alemanha, que foi responsabilizada pelo conflito que dizimara milhares de pessoas. O país perdeu uma boa parte de seus territórios e colônias, e foram distribuídos aos países aliados. A Alemanha ficou completamente destroçada, humilhada, o desemprego e a inflação levariam a população a um estado de fome e miséria. É neste contexto, sob as humilhantes condições de Versalhes, que emergem os movimentos nacionalistas, dentre os quais se destacaria o Nazismo e o início da Segunda Guerra Mundial.

A Europa antes da Primeira Guerra

 

A Europa após a Primeira Guerra

 

Resumo da Aula 02 – Revolução Russa

A história da Rússia na Era Moderna foi, sem dúvida, a história da construção de império, cujo número de habitantes e extensão territorial  faziam dela um dos mais importantes e poderosos países europeus. Contudo, ao chegar ao século XX, a sociedade e a economia do “gigante com pés de barro” pouco se modernizavam. A elite russa era formada pela nobreza, pelos grandes latifundiários, pela igreja e pelo exército. A propriedade de terras e os títulos de nobreza eram os símbolos da prosperidade e riqueza desta sociedade. O sistema era monárquico, regido pelo czar, a principal figura de autoridade.

Os nobres eram chamados de boiardos e a maior parte da população era formada por mujiques, camponeses que trabalhavam nas terras dos nobres. No entanto, os camponeses russos eram diferentes dos medievais. Em 1861, os Estatutos da Emancipação cederam a esta classe não só a liberdade individual, mas a possibilidade de comprar terras – significando que, teoricamente, a mobilidade social era possível. Na prática, nenhum camponês tinha condições para comprar uma terra e, também, não havia um apoio do Estado (empréstimos/financiamento) para o camponês conquistar sua terra. E, por outro lado, as terras que não pertenciam aos nobres, eram propriedades do Estado. Sendo assim, o camponês que não trabalhava para um nobre, acabava que trabalhando para o Estado.

O governo czarista tinha como principal característica sua centralização e autoritarismo. A mais importante dinastia foi a Casa dos Romanov. O czar Pedro I, cuja gestão ocorreu entre 1682 e 1725, foi um dos czares progressistas que modernizou o império, reformou a educação e a administração pública, tendo se tornado um dos maiores líderes políticos de seu tempo. Entretanto, o sentido de progresso era alterado de acordo com a concepção de cada czar. O czar Alexandre II, que reinou entre 1855 e 1881, defendeu o liberalismo e a modernização das estruturas do Estado, abolindo a servidão e anistiando as dívidas dos mujiques (Estatutos de Emancipação). O governo de Alexandre II, ainda que guardasse fortes características liberais, era uma nobreza centralista e por isso reprimia violentamente a oposição. Os niilistas – aqueles que defendiam o uso da razão sobre todas as coisas e a alfabetização dos servos -, embora pacíficos, foram igualmente reprimidos. E, portanto, a eles é atribuído o assassinato do czar em 1881. Alguns historiadores discordam que foram os niilistas que assassinaram Alexandre II, mas sim um grupo terrorista.

Com a morte do czar, Alexandre III subiu ao trono e iniciou o processo industrial russo, com o estímulo à entrada de capital estrangeiro no país. A Casa dos Romanov somente deixaria o poder com a Revolução Russa, de 1917, sendo Nicolau II o último czar. Ainda que tenham feito reformas e que a industrialização tenha sido um dos mais importantes assuntos, a centralização do poder, o autoritarismo, a perseguição política e a predominância dos interesses das elites eram características deste regime, os quais fomentaram a Revolução de 1917.

Em 1904, o czar Nicolau enfrentaria o Japão na Guerra Russo-Japonesa. O centro da discórdia foi a disputa por territórios das regiões da Manchúria e da Coreia. O Japão passara pela Revolução Meiji e possuía um potencial bélico muito superior ao dos russos. Logicamente os russos foram derrotados e tiveram enormes perdas materiais e humanas, o que levaram a já descontente população a empreender uma série de revoltas, motins e greves.

Em 1905, houve uma manifestação popular em frente ao palácio real em São Petersburgo. Os manifestantes eram trabalhadores e desejavam a implantação de uma assembleia constituinte. O povo queria o sufrágio universal e o fim da Guerra Russo-Japonesa. Além disso, a população não estava violenta, e nem armada. Porém, a guarda russa fuzilou os manifestantes e este episódio ficou conhecido como Domingo Sangrento. Se o regime russo já estava fragilizado devido a guerra contra o Japão, o Domingo Sangrento apenas piorou a situação e aumentou as animosidades antigovernistas. Este ato violento fomentou em uma greve geral entre os trabalhadores e até mesmo as forças militares aderiram aos protestos. Buscando conciliação, Nicolau II lançou o Manifesto de Outubro, que previa a instalação de uma Monarquia Constitucional. Os trabalhadores que haviam feito as greves passaram a se organizar em sovietes, conselhos que passaram a existir em todo o território russo.

A despeito da perseguição, a oposição crescia. Diversos grupos proliferaram pela Rússia. Dentre desses grupos, destacavam-se os anarquistas e socialistas. O grupo socialista possuía duas facções: os bolcheviques e os mencheviques. Os mencheviques (minoria) defendiam a aplicação das ideias de Marx. Já os bolcheviques (maioria) defendiam uma revolução, uma ditadura do proletariado. Seu líder, Vladimir Lênin, logo se tornaria uma das mais importantes figuras políticas do século XX.

O último golpe ao czarismo foi dado com a entrada da Rússia na Primeira Guerra Mundial. Entretanto, não se esperava que o conflito durasse tanto tempo, nem que contasse com a participação de tantos países. A Primeira Guerra Mundial apenas agravou as condições internas da Rússia tornando-se impopular e provocando uma fome generalizada, culminando com a deposição do czar. Em 1917, uma nova onda de greves envolvendo trabalhadores, soldados e marinheiros assolou o país. Com a renúncia do czar, a república foi instalada. Nesta revolução, logo após a monarquia, os mencheviques, sendo liderado por Alexander Kerensky, tomaram o poder. Entretanto, os mencheviques mantiveram a Rússia na Primeira Guerra, um dos fatores que contribuíram para sua derrocada. Os bolcheviques, liderados por Lênin, conseguiam um apoio cada vez maior junto à população, já que uma das primeiras reivindicações era abandonar a Primeira Guerra Mundial.

Sob a direção de Lênin, o revolucionário Leon Trotsky reunia os bolcheviques para um conflito armado formando o exército vermelho. Em outubro, os bolcheviques invadiram o Palácio do Governo e expulsaram os mencheviques que eram considerados burgueses e não proletariados. Os principais nomes deste novo governo eram o de Lênin, de Trotsky e de Josef Stálin. Em 1918, Lênin ordenou a execução da família real, que ainda vivia na Rússia. Os Romanov foram executados, não só Nicolau II, mas toda sua família, composta pela mulher, Alexandra e por 5 filhos, 4 meninas e 1 menino. Uma das filhas do czar, Anastácia, rendeu filmes, livros e um desenho animado devido a um mito levantado por causa do seu corpo não ter sido encontrado. Somente no século XXI, testes de DNA  feitos com restos mortais encontrados comprovaram que não havia sobreviventes. A monarquia russa acabara de fato.

Os bancos e as fábricas foram estatizados. O Estado também confiscou a produção agrícola e centralizou a distribuição de gêneros básicos, o que foi chamado de comunismo de guerra e provocou, como não podia deixar de ser, grande descontentamento. Lênin instituiu uma política econômica intitulada NEP prevendo a liberdade do comércio interno, regulando a propriedade privada e o comércio. De modo geral, a NEP aliava princípios socialistas e capitalistas. Esta modalidade estabelecida é única e por isso foi chamada de Marxismo-Leninismo. Isto quer dizer que o pensamento marxista jamais foi aplicado na íntegra, em nenhum dos países que adotou o socialismo. Além disso, foi estabelecido o sistema de partido único, o Partido Comunista Russo.

Lênin esteve no poder até a sua morte, em 1924. Em seguida, Trotsky e Stálin disputaram no governo. Trotsky pregava a Internacional Comunista e a ideia de revolução permanente. Já Stálin, defendia a consolidação do socialismo soviético em seu território e de seus aliados. Josef Stálin acabou vencendo a disputa e Trotsky foi perseguido até ser assassinado em 1940, no México.

De modo geral, a Revolução Russa marca um momento de transição de um regime monárquico e capitalista para um Estado republicano e socialista.

 

Resumo da Aula 03 – A Crise de 1929

Após a Primeira Guerra Mundial, a Europa entrou em fase de reconstrução. As economias internas estavam arrasadas, não só o processo de industrialização que havia sido interrompido, mas também a agricultura havia sofrido muitas perdas. Os operários foram convocados pelas forças armadas e, além disso, não havia um mercado ativo em tempos de guerra como existia antes do conflito.

Após o fim da Primeira Guerra, a Liga das Nações foi criada como sendo a primeira tentativa de agregar diversos países em torno do mundo para buscar uma negociação diplomática. O objetivo era evitar um outro conflito mundial. Esta Liga funcionou até a década de 1940 e participaram os países vitoriosos na guerra. A exceção foram EUA que jamais fizeram parte deste organismo, embora tenha sido Woodron Wilson, o Presidente do país, um dos principais defensores desta iniciativa. A Liga das Nações também deu origem à ONU, que é hoje uma das principais organizações políticas internacionais do planeta.

Por outro lado, com o fim da Primeira Guerra, os EUA acabaram emergindo como potência mundial, especialmente devido ao fato de sua produção industrial e agrícola não ter sofrido prejuízo, pois não houve nenhum combate em seu território. Os presidentes norte-americanos que sucederam Woodron Wilson, acreditavam na aplicação de uma política econômica liberal. O liberalismo é uma modalidade do capitalismo onde não exigia a interferência direta do Estado. Ou seja, os presidentes de então pouco faziam para regular os mecanismos econômicos, permitindo que estes se desenvolvessem sozinhos. Se por um lado, esta atitude aumentou o crescimento do país, por outro levou a um resultado desastroso: a crise de 1929.

Na década de 20, com a economia europeia desorganizada, os EUA  passaram a exportar para o continente todos os tipos de mercadorias industrializadas. Também houve uma aproximação com os países latinos, cujas economias agrárias eram de grande interesse para os norte-americanos. Ainda que a América Latina exportasse enormes quantidades de produtos, eles eram muito baratos, pois eram gêneros agrícolas ou matérias-primas. E o que os latinos importavam eram bens industrializados, que eram produtos muito mais caros. Isso significa que o balanço comercial era sempre desfavorável para os latino-americanos. Já o aumento das exportações fomentou o mercado de trabalho, bem como os salários dos trabalhadores. Esta prosperidade gerou um boom de consumo, o que aqueceu ainda mais a economia. A década de 20 não foi só marcado pela economia, mas, também, pela cultura como a “Era do Jazz”. Além da música, o cinema, que foi inventado no século XIX, ganhou força nos anos 1920. Nasciam as grandes estrelas do cinema, ainda mudo e preto e branco.

Do ponto de vista social, o feminismo tornou-se um dos mais importantes movimentos. Devemos lembrar que na Primeira Guerra, as mulheres acabaram ocupando parte do mercado de trabalho, que havia sido deixado vago pela ida dos homens para o front. Com o fim da guerra, esta demanda de ocupação de postos de trabalho, antes exclusivamente masculino, continuou. No ano de 1919, as mulheres norte-americanas conseguiram o direito ao voto, através da luta das chamadas “sufragetes”. As reivindicações logo transcenderam a questão do direito ao voto, sendo a ela acrescentados direitos trabalhistas e sociais, como a conscientização acerca dos direitos reprodutivos e do controle natalidade. Entre as décadas de 1910 e 1920, foram estabelecidos dias dedicadas às mulheres, instituindo o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

Por outro lado, os anos 20 também foram marcados pelos conservadores que defendiam valores como “a moral e os bons costumes”, condenando o comportamento dos “desviantes”, ou seja, aqueles indivíduos que não se adequavam a um padrão social. Mesmo assim, as vedetes continuavam fazendo sucesso, e o número de bares, boates, lugares dedicados à dança e a festas não paravam de aumentar. Contudo, a prosperidade econômica daquele país dava-lhe maior visibilidade e acabou por fazer surgir a expressão “american way of life”, o estilo de vida americano, que seria cobiçado e reproduzido ao longo do planeta.

Apesar do Estado não interferir na economia, a livre concorrência também não era praticada. A economia norte-americana era dominada por monopólios, que aconteciam sob a forma de trustes, holdings e cartéis. O primeiro truste data de 1870 – a Standard Oil, uma empresa de petróleo que pertencia a John D. Rockefeller. Esses monopólios eram ilegais, pois existiam leis antitruste desde finais do século XIX, o que na prática não impediu sua ocorrência.

Apesar do aumento do emprego e do consumo, havia uma desigualdade na distribuição de renda, além do surgimento de grandes fortunas baseadas na especulação do mercado de ações. As companhias que possuem ações na bolsa são chamadas de capital aberto e, nos anos 1920, a compra de ações era considerada um grande investimento. A euforia financeira aumentou a especulação e era como se os anos de prosperidade jamais fossem acabar. Porém, com a Europa se recuperando economicamente, ela deixava, cada vez mais, de importar as mercadorias norte-americanas. Com a diminuição do mercado externo, as indústrias também diminuíam sua produção, aumentando o número de desempregados. A agricultura sofreu crises de superprodução, ou seja, havia gêneros agrícolas, mas não havia consumidores o suficiente. Diversos fazendeiros foram a falência. Com as falências da agricultura e o aumento do desemprego, o poder de consumo também foi decrescendo. Os bancos, que haviam investido tanto na indústria quanto na agricultura, começaram a quebrar, já que não tiveram o retorno de seu investimento. Fortunas e mais fortunas foram perdidas do dia para a noite. Nova York foi tomada pelo desespero, por uma onda de suicídios jamais vista até então.

A crise de 1929 afetou boa parte dos países ocidentais. A América Latina, com sua economia agroexportadora, tinha os EUA como o principal parceiro econômico, foi uma das mais prejudicadas. O Brasil, por exemplo, cuja receita se baseava na agricultura cafeeira, sofreu uma crise de superprodução. Esta crise econômica brasileira, aliado a outros aspectos, foi um dos fatores que levaram ao fim da Primeira República e ao início da Era Vargas.

Para sanar suas finanças, o presidente Franklin Roosevelt instituiu um conjunto de medidas intitulado New Deal. Tais medidas tinham como objetivo a recuperação financeira e a diminuição do desemprego, e deveriam ser aplicadas rapidamente. Foi através de Roosevelt que o Estado passou a interferir na economia. Foi implantada a Previdência Social, bem como uma série de garantias aos cidadãos, como o salário mínimo e o amparo aos desempregados. Os sindicatos foram incentivados e foram estabelecidos subsídios, e crédito financeiro para a recuperação agrícola. Roosevelt se tornou um dos mais importantes presidentes da História dos EUA e teve quatro mandados presidenciais. Essa crise é estudada ainda hoje, e muitas teorias sobre ela são ainda elaboradas. É importante lembrar que a União Soviética não foi afetada pela crise de 1929, já que não havia adotado o capitalismo.

 

Resumo da Aula 04 – Regimes Totalitários: Nazismo e Fascismo

O período entre guerras que compreende os anos de 1919 a 1939, foi marcado por grandes transformações, especialmente na Europa. Entre as décadas de 1920 e 1930 emergem os regimes totalitários que dominariam não só a Alemanha e a Itália, mas também Portugal e Espanha. O Totalitarismo é como um regime tentacular, que age não somente no tocante à vida pública, mas na normatização da vida privada. O Estado determina o que a população pode ler, transmitir, as formas de se expressar, de vestir. De modo geral, podemos ver que, no período pós-guerra, uma crise política e econômica europeia, que se torna mais evidente na Alemanha derrotada, mas também na Itália, teve enormes perdas humanas e materiais. Países europeus mais pobres, como Portugal e Espanha também se tornaram terreno fértil para a disseminação do totalitarismo.

Na Itália, o sentimento nacionalista cultivado a partir da unificação do país, em 1870, ganhava força. O regime italiano era a monarquia parlamentarista. O parlamento estava dividido em Partido Socialista e o Partido Popular, cuja vertente era a democracia cristã e, portanto, apoiado pela Igreja Católica. As diferenças ideológicas provocavam um impasse no parlamento, impedindo a votação das grandes questões e das reformas que a Itália necessitava. Em meio a instabilidade política, é fundado o Partido Fascista, por Benito Mussolini.

Segundo o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva:

“O termo fascismo deriva de uma antiga expressão latina, fascio, que denominava o feixe de varas carregado pelos litores, na antiga Roma, e com os quais se aplicava a justiça. Dessa forma, tal símbolo foi, durante a Revolução Francesa, na Itália, utilizado pelos jacobinos, como representação de liberdade e Risorgimento, já no século XIX, como unidade nacional. Ao longo do século XIX, na Itália, assumiu o caráter de símbolo de ação política, valorizando a justiça e a igualdade. Foi assim, por exemplo, com o seu uso pelo movimento dos trabalhadores sicilianos, entre 1893-94, ou com os intervencionistas de esquerda, interessados na entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial em 1914.” (SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Os fascismos. In: ZENHA, Celeste, REIS FILHOS, Daniel Aarão e FERREIRA, Jorge (orgs.) O século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002, p. 112.)

Como podemos notar, Mussolini se apropria de um símbolo que já fazia parte da história política italiana e o utiliza para fortalecer seu partido ideologicamente. Seus militantes eram denominados de “camisas negras”, em alusão ao símbolo de vestimenta que se tornaria comum nos anos seguintes. Foi na Marcha sobre Roma, onde milhares de camisas negras confluíram para a capital italiana, exigindo que o Executivo ficasse a cargo de seu líder. Pressionado, o Rei Vitor Emanuel III cede e entrega a Mussolini o cargo de Primeiro Ministro. Em 1924, novas eleições são realizadas e os fascistas venceram. Aqueles que eram da oposição denunciavam fraude, mas foram perseguidos, presos e assassinados. Em 1929, foi assinado o Tratado de Latrão entre o Duce e o Papa Pio XI. Este tratado reconhecia a soberania do papa e fazia do Vaticano um Estado soberano eclesiástico. Rapidamente, o governo do Duce torna-se tentacular e estende-se pelas mais diversas áreas. A crise de 1929 e o colapso do sistema econômico norte-americano fizeram com que o Estado intensificasse a produção bélica e começasse uma política de expansão territorial, sobretudo, em direção à África. A Itália logo se aliaria a Alemanha, em uma aliança decisiva para os rumos da guerra que eclodiria em 1939.

Na Alemanha, após a primeira guerra, foi estabelecida a República de Weimar, que virou entre 1918 e 1933. O regime monárquico foi substituído pelo republicano e uma nova constituição foi feita, na cidade de Weimar, que daria nome ao período republicano alemão. Porém, a crise econômica deflagrava uma enorme insatisfação social. As clausulas de Versalhes inflamaram o sentimento nacionalista alemão, em uma combinação perigosa: crise e nacionalismo, da qual o regime nazista se aproveitaria para ascender ao poder. Não devemos esquecer que o país teve que pagar pesadas indenizações aos vencedores, além de ter perdido parte de seu território. Durante a década de 1920, um partido foi fundado em Munique e que começou a ganhar destaque – Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, também chamado de o Partido Nazista. Embora tenha a palavra socialista em seu nome, o Partido não carrega uma ideologia marxista e, além disso, combatia comunistas e socialistas, a quem vê como oposição ao Estado. Um de seus líderes, Adolf Hitler, prega o fim da República de Weimar e, em 1923, tenta dar um golpe de Estado na mesma cidade, em Munique.

O golpe foi um fracasso e Hitler foi preso. Na prisão, ele escreve a obra que seria a base da ideologia nazista – Mein Kampf (Mina Luta). O arianismo se tornaria fundamental durante todo o período nazista e seria um dos motivos à intensa perseguição e eliminação dos judeus do território dominado pela Alemanha. A crise de 29 piorou as condições de vida já intoleráveis na Alemanha. Em meio ao caos, a pobreza e ao desemprego, as palavras de Hitler ganharam corpo e os adeptos do nazismo cresceram em número e força política. Nas eleições de 1932, os nazistas ocuparam um grande número de cadeiras no parlamento e, em 1933, o então presidente da Alemanha, Paul von Hindemburg nomeou Adolf Hitler como chanceler, o que equivale ao cargo de primeiro ministro.

As primeiras medidas de Hitler como chanceler foram: a eliminação da oposição (socialistas, parlamentares, judeus); criação das Sessões de Segurança (SS), uma política que tinha como objetivo identificar e prender os oposicionistas; a instituição da Gestapo, constituindo em uma equipe de forças especiais. Em março de 1933, tem início o Terceiro Reich e, em 1934, falece o Presidente Hindemburg, o que permite a Hitler assumir também a presidência, sendo proclamado Führer. O racismo se torna uma política do Estado – e essa é uma das diferenças principais entre nazismo e fascismo – e tem início a perseguição aos judeus. Chamada de “solução final”, os judeus eram levados a campos de trabalhos forçados, os campos de concentração, onde eram submetidos as mais degradantes condições. Milhares perderam a vida nos campos, que se tornaram um símbolo do regime nazista.

O Estado Nazista  investiu maciçamente na produção bélica e no militarismo. Não ser um membro do partido era mal visto pelos vizinhos e havia o risco de denúncia como oposição, o que levaria, inevitavelmente, a prisão. Em 1939, a invasão da Polônia da início a Segunda Guerra Mundial e, seu término, em 1945, significaria também o fim do nazismo e do fascismo. Entretanto, nem todos os regimes terminaram ao  fim da guerra. Portugal e Espanha mantiveram seu regime até a década de 1970.

A Primeira Guerra Mundial e, em seguida, a crise de 1929, levou Portugal a uma crise econômica. Um dos temores da república era o socialismo e a possibilidade de reforma agrária, que afetaria diretamente a elite portuguesa. Deve-se lembrar que desde 1917 o Socialismo tornou-se uma ameaça na Europa devido a Revolução Russa. A intensificação da crise econômica portuguesa levou a um golpe militar na década de 1920. Em 1930, foi criado o partido União Nacional, liderado por um dos políticos que havia participado no regime militar, Antônio de Oliveira Salazar. Em 1933, a União Nacional chega ao poder e o Estado Novo passa a ser conhecido também como salazarismo, em referência ao líder deste partido. Como regime totalitário, o salazarismo era contra o liberalismo e perseguia seus opositores. Utilizou largamente a propaganda para fins políticos e foi claramente influenciado, sobretudo, pelo fascismo da Itália. Salazar deixa o poder em 1968, mas o salazarismo permaneceu até 1974, quando a Revolução dos Cravos iniciou um novo período, de abertura democrática no país.

O caso da Espanha tornou-se emblemático por envolver uma intensa guerra civil, que seria considerada um ensaio geral para a Segunda Guerra Mundial, diferente dos outros países, onde o totalitarismo se estabeleceu sem que houvesse uma guerra civil. Nos anos 30, havia duas posições políticas: os falangistas e a Frente Popular. Os falangistas eram um grupo fascista cujo líder, Francisco Franco Bahamonde, defendia o combate ao comunismo. Além da elite espanhola, Franco também era apoiado pela Igreja Católica. De forma gera, a Igreja Católica sempre se opôs ao socialismo e ao comunismo, pois estas ideologias pregam o fim da religião constituída. Por outro lado, a Frente Popular, que tinha o apoio soviético, era formada por trabalhadores, sindicalistas, comunistas e partidos de esquerda. Em 1936,  os falangistas  de Franco empreenderam um golpe de Estado, pondo fim à República Espanhola. A Frente Popular reagiu e teve início a Guerra Civil. Franco obteve apoio da Alemanha e da Itália para combater a Frente Popular. As forças aéreas alemã e italiana foram enviadas para a Espanha. Foram elas que protagonizaram o mais conhecido e trágico episódio do conflito, o bombardeio da cidade de Guernica, em abril de 1937, imortalizada na tela de Pablo Picasso. O apoio alemão e italiano foi decisivo e, em 1939, Franco toma o poder e inaugura o regime que levou seu nome, o franquismo.

 

Resumo da Aula 05 – A Segunda Guerra Mundial

Em 1919, após o fim da Primeira Guerra, teve início a uma onda de movimentos totalitários pela Europa. Em 1929, tais movimentos ganham força devido a quebra da bolsa de valores norte-americana. Em 1935, após a consolidação dos regimes alemão e italiano, tem início a uma política expansionista. A Itália tomou a Etiópia, na África. A Alemanha avançava por territórios franceses e, em nome da paz mundial, os demais países ignoravam esses movimentos.  A incapacidade da Liga das Nações em reagir demonstrou a fragilidade que a levaria à extinção. Em 1936, o apoio de Hitler e Mussolini a Franco, na guerra civil espanhola, permitiu a estes líderes perceberem o alcance de seu poder de fogo e estabelecerem sua aliança, que ficaria conhecida como Eixo Berlim-Roma. Enquanto isso, na Ásia, o avanço japonês provocaria a reação de outras potências que já disputavam a Manchúria chinesa, em especial, a União Soviética. Temorosos com a União Soviética, os japoneses se aliaram aos alemães e aos italianos, configurando o que seria chamado, na Segunda Guerra, de Eixo. Também foi assinado um pacto entre estes três países, o Anti-Komintern, cujo objetivo era impedir o avanço do Comunismo.

Outros países europeus, em especial a França e a Inglaterra, não viram com bons olhos a expansão alemã. Entretanto, com medo de um novo conflito mundial, tais países buscavam negociações e a diplomacia sem hostilidade. Como demonstração desta diplomacia, em 1938, houve a Conferência de Munique para debater sobre a situação da Checoslováquia. Neville Chamberlain da Inglaterra, Édouard Daladier da França, Mussolini da Itália e Hitler da Alemanha estiveram presentes, mas não houve nenhum representante da Checoslováquia. A Conferência cedeu o território para Alemanha e na repartição das Checoslováquia. Seria a última parte da expansão alemã e um erro diplomático que cobraria um enorme preço aos envolvidos. A cessão dos Sudetos tencionava proteger a Polônia de uma invasão Germânica. Porém, este país estava nos interesses dos nazistas que haviam perdido no Tratado de Versalhes. Com o desejo de invadir a Polônia, Hitler fez um acordo com a União Soviética, o pacto nazi-soviético (ou Ribbentrop-Molotov). Estrategicamente, Hitler estava eliminando o último entrave real à expansão nazista.

O pacto nazi-soviético foi muito perigoso. Primeiro, ambos foram obrigados a deixar para trás suas diferenças ideológicas – o nazismo era anti-socialista e anti-comunista, já a União Soviética os defendiam. De modo geral, Stalin acreditava que a vitória de Hitler ampliaria sua esfera de influência e haveria uma divisão política internacional apenas entre soviéticos e alemães. Foi naquela certeza de que não seria atacado, nesta frente, que permitiu a Hitler invadir a Polônia no ano de 1939, iniciando a Segunda Guerra Mundial.

A Polônia fora dominada em curto tempo, graças à técnica militar denominada blitzkrieg, que significa guerra-relâmpago. Com essa tática, a Alemanha conseguiu invadir e derrotar os exércitos da Dinamarca, Noruega, Bélgica e Países Baixos. Em 1940, os nazistas invadem a França e, para concretizar a vitória nazista na Europa, faltava invadir a Inglaterra. A RAF, força aérea inglesa, combatia a Luftwaffe no ar. Londres foi bombardeada e o Primeiro Ministro Winston Churchill conclamava o povo a lutar. Os londrinos foram às ruas defender a cidade.

No ano de 1941, os EUA que apoiavam os aliados com armas e suprimentos, foram bombardeados pelos japoneses em um ataque à base militar de Pearl Harbor, no Havaí. Neste mesmo ano, Hitler quebra o pacto com a URSS e invade seu território. Imediatamente, Stalin reage entrando para a equipe dos aliados que agora conta com diversos países como a Inglaterra, França, EUA e Brasil. A Itália tornou-se incapaz e rendeu-se declarando guerra à Alemanha, em 1943, com a deposição de Mussolini. No ano de 1944, no dia 6 de Junho, conhecido  como Dia D, tropas de diversas nações do mundo desembarcam na Normandia e definem o conflito. A Alemanha, obrigada a lutar em diversas frentes, não conseguia alinhar suas tropas. Em uma clara demonstração de nacionalismo, os nazistas se rendem marchando, jamais abandonando o ideal de germanismo que lhes havia sido incutido pelo Führer.

Com o conflito chegando ao fim, Franklin Rossevelt dos EUA, Winston Churchill da Inglaterra e Stálin da URSS se unem na Conferência de Yalta, com o objetivo de discutir os rumos da Europa no pós-guerra. A parte oriental da Alemanha seria zona de influência soviética e a parte ocidental, zona de influência norte-americana e inglesa. Configurava-se a Guerra Fria.

Apenas no final da Guerra, entre 1944 e 1945, à medida que as tropas aliadas avançavam, se deparavam com campos de trabalhos forçados, os campos de concentração, espalhados por todas as regiões dominadas pelos alemães. O mais famoso deles foi Auschwitz, mas estima-se que existiam outras dezenas destes campos, que foram destruídos pelos alemães ao se retirarem. Nestes campos estavam judeus, oposicionistas, comunistas, homossexuais, ciganos e todos os outros que eram considerados inimigos do regime nazista. Em relação aos judeus, a comunidade judaica internacional, horrorizada pelo genocídio, pressionou pela criação de um Estado Judaico, o que ocorreria em 1948, com a criação de Israel.

Após o Dia D, restavam Alemanha e Japão que mantinham o Eixo. Mussolini havia fugido, mas logo foi capturado pelos italianos. Em 1945, os soviéticos invadem Berlim e uma bandeira da URSS é hasteada no Reichstag, o parlamento alemão. No dia 8 de Maio de 1945, a Alemanha se rende. Hitler havia se suicidado no dia 30 de Abril, no bunker onde vivia com sua mulher e o Estado Maior alemão. O Japão foi o último país a se render e o fez de um modo trágico. Em agosto de 1945, os EUA lançaram bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, matando, instantaneamente, milhares de pessoas. Foi a única vez, na história, até o momento, que uma bomba atômica foi usada em um combate e tendo como alvo civis.

As perdas humanas estimadas em mais de 50 milhões de mortos, entre 22 milhões de russos e 6 milhões de judeus, foram algumas das mais notáveis consequências da guerra. A Europa sofreu um aumento geral de sua dívida pública com os EUA. Os alimentos foram racionados até os anos 1950, e os EUA foram obrigados a controlar rigidamente as áreas essenciais, como energia, preços, cambio e matérias-primas.

 

Resumo da Aula 06 – Guerra Fria

A divisão da Alemanha, ratificada em agosto de 1945, compreendia quatro zonas de ocupação, dividida entre franceses, ingleses, norte-americanos e soviéticos. Estava estabelecida a Guerra Fria, baseada na bipolaridade, e que consistia em uma disputa ideológica por zonas de influência entre dois blocos: EUA (Capitalista) e URSS (Socialista, liderado por Stalin). Cabe lembrar que a Guerra Fria não se restringiu a esses dois governos.

Em 1946, Winston Churchill cunhou uma expressão que seria sinônimo da ordem que se estabelecera: a Cortina de Ferro. A Cortina de Ferro referia-se ao isolamento que a URSS assumiu como postura após a Segunda Guerra. Por outro lado, há o medo de que um conflito aberto, entre EUA e URSS, significasse uma terceira guerra mundial e, desta vez, o horror de Hiroshima e Nagasaki, se repetisse em todo o planeta. Ainda que não tenha sido um conflito aberto, a Guerra Fria foi o pano de fundo para diversos outros conflitos que eclodiram nas décadas seguintes.

Em 1947, o presidente dos EUA, Harry Truman, o mesmo que autorizou as bombas em Hiroshima e Nagasaki, foi contra o avanço socialista. Truman viu no contexto da Guerra Fria, uma maneira de se afirmar na vida pública, fazendo do combate ao comunismo uma de suas principais bandeiras. Neste mesmo ano, a URSS estabeleceu o Kominform, cujo objetivo era a coordenação política dos diversos partidos comunistas na Europa e fora dela. Em 1949, foi criado o Comecon, o Conselho para Assistência Econômica Mútua, uma versão do Plano Marshall, mas para auxiliar os países socialistas, sobretudo aqueles do Leste Europeu. Devemos ressaltar que, no mundo socialista, não havia um presidente da república, mas do partido. O poder pertencia ao Partido Comunista e seu líder, neste caso, Josef Stalin. Lenin estabeleceu esta estrutura que permaneceu assim até o fim da URSS.

Em 1948, procurando formas para boicotar o lado Ocidental da Alemanha, a URSS estabeleceu um bloqueio isolando as partes oriental e ocidental. O bloqueio buscava impedir o abastecimento da parte Ocidental por meio terrestre, já que uma artilharia antiaérea significaria uma declaração de guerra. Porém, os EUA driblaram fácil o bloqueio, abastecendo a Alemanha por via aérea. Em 1961, começou a ser construído aquele que se tornaria o mais evidente símbolo de uma cisão internacional, o Muro de Berlim. O Muro de Berlim foi considerado o mais emblemático símbolo da Guerra Fria.

Nesse mesmo ano de 1948, houve um processo ao surgimento do Estado de Israel. Após a Primeira Guerra, foi criada a Liga das Nações para intermediar as relações internacionais e políticas, mas a Liga fracassou em seu intento. A prova deste fracasso é a Segunda Guerra Mundial. Mas podemos apontar diversas razões, políticas e ideológicas para a criação do Estado de Israel ter ocorrido neste período. No século XIX, o jornalista e escritor Theodor Herzl, considerado “pai do sionismo”, defendia o direito à soberania e a autodeterminação do povo judeu que para isso deveria retornar a sua região de origem a qual historicamente tinham direito. Durante o século XIX, os judeus eram muito perseguidos e, no século seguinte, Hitler sistematizou esta perseguição com o holocausto. Na Rússia também houve perseguições contra os judeus, casas e estabelecimentos pertencentes a judeus eram queimados e os judeus em si eram apedrejados. O sionismo é uma resposta a esta discriminação que existia há séculos, mas que ganhou evidência após a Segunda Guerra Mundial. Com o fim da Segunda Guerra, e com a revelação dos campos de concentração, a comunidade judaica passou a exigir, de uma forma mais contundente, seus direitos a um território, não só como uma forma de compensar a morte de 6 milhões de judeus durante a guerra, mas também como uma crítica à inércia dos países aliados sobre o massacre. Os EUA tinham uma comunidade judaica com grande influência política e que auxiliou na articulação da criação de Israel. Por outro lado, os EUA também tinham um grande interesse em formar um país que nasceria como apoio em uma região problemática. Os países do Oriente Médio, como a Palestina, não eram favoráveis às interferências norte-americanas, e ter um país judaico na região era uma estratégia de expansão importante na Guerra Fria. Logicamente, o maior opositor à criação de Israel foi a URSS. Ao final, a Palestina foi dividida entre um Estado Judeu e o outro Árabe. Tal divisão enfureceu os palestinos dando início a uma longa trajetória de conflitos, atentados e invasões que continuam até hoje.

Em 1949, os EUA criaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A OTAN era uma aliança política militar reunindo os principais países capitalistas da época, além dos EUA, Reino Unido, França, Bélgica, entre outros, compunham essa aliança. Em 1955, a URSS criou uma aliança nos mesmos termos da OTAN voltado para os países socialistas, o Pacto de Varsóvia. Quando a Alemanha foi dividida, ela foi considerada uma região desmilitarizada. Ou seja, nem os EUA e nem a URSS podiam fornecer armas e, também, nenhuma parte da Alemanha poderia constituir um exército. Quando a OTAN surgiu, as potências capitalistas quebraram este termo e passaram a estimular as forças armadas na Alemanha Ocidental. É neste contexto que o Pacto de Varsóvia surgiu.

Durante essa Guerra fria, houve um investimento maciço na indústria bélica, em ambos os blocos, o que aumentava ainda mais o clima de terror e tensão do planeta. Inovações tecnológicas, satélites espiões, agências de inteligência, espionagem industrial foram constantes dos dois lados. Também houve a corrida espacial, onde a URSS chegou perto, mas foram os EUA os primeiros a pousarem na Lua, em 1969. Na esfera cultural, o cinema americano alardava o perigo comunista em filmes como Invasores de Corpos. Os soviéticos criticavam a sociedade americana como fútil e consumista. Nos quadrinhos, o Capitão América tornou-se um símbolo de resistência derrotando o Caveira Vermelha, que personificava os soviéticos. Nas décadas de 1940 e 1950, nos EUA, o senador Joseph McCarthy deu início ao macarthismo ou Caça às Bruxas. McCarthy empreendeu uma verdadeira caçada contra os formadores de opiniões contando com a ajuda do FBI. O ator Charles Chaplin foi vítima das perseguições do senador o que o obrigou a deixar o país, acusado de ações antiamericanas.

No ano de 1949, ocorre a Revolução Chinesa. A China passara todo o século XIX sob a influência do imperialismo sendo mergulhado em diversos conflitos, sendo a Guerra do Ópio um dos mais significativos. O ano de 1911, foi o ano em que a China abandona sua monarquia e adota a República. Após a Primeira Guerra Mundial, a China estava sob ameaça do imperialismo japonês, o Partido Nacionalista – Kuomitang – era intensamente impressionado e sob estas condições cedia às investidas japonesas, que demandavam territórios, além de interferir politicamente no Estado chinês. Esta situação provocou a mobilização de vários setores nacionalistas, que promoviam marchas e manifestações em Pequim. Em 1920, influenciados pelo sucesso da Revolução Russa, foi fundado o Partido Comunista Chinês (PCC), um de seus membros foi o famoso Mao Tsé-Tung. O PCC crescia de uma forma assustadora. Em 1925, o Kuomitang passa a ser liderado por Chiang Kai-Shek, iniciando uma perseguição aos comunistas. Diante destas perseguições, Mao Tsé-Tung se refugia no interior do país, de onde organiza uma resistência ao governo do Kuomitang. Em 1931, foi proclamada a República Soviética da China.

Desde o período imperial, a China era dividida em regiões autônomas comandadas por chefes locais. Esta fragmentação manteve a China vulnerável às investidas estrangeiras. A República de 1911 tinha então, como maior desafio, construir uma unidade nacional, mas o preço desta unificação era alto. Em 1931, o Japão invadiu a Manchúria e as forças administrativas chinesas foram rompidas. Por sua vez, Mao Tsé-Tung organizava um exército formado por camponeses, estudantes e nacionalistas em geral. Seu discurso era a igualdade social e a exaltação ao nacionalismo. Entre 1934 e 1935, foi levantado a Longa Marcha onde Mao reuniu cerca de cem mil homens formando o Exército de Libertação Nacional. Tal demonstração de poder consagrou Mao Tsé-Tung como líder comunista e obrigou Chiang Kai-Shek a aceitar uma aliança com os comunistas. O objetivo era combater os japoneses. Porém, foi a derrota do Japão na Segunda Guerra que a China conseguiu se livrar do seu inimigo.

Em tempos de Guerra Fria, Chiang Kai-Shek passou a ser apoiado pelos norte-americanos. E, logicamente, a URSS passou a apoiar os comunistas chineses. O PCC acreditava que o apoio norte-americano seria uma nova forma de imperialismo e o Estado teria sido vendido ao capital estrangeiro. Com tais argumentos, o exército vermelho continuou a luta até marchar vitorioso sobre Pequim em 1949. Após a vitória, Mao fundou a República Popular da China, um regime comunista que manteve o país isolado durante décadas. Mas, nos últimos anos, a China pratica algo que denomina como socialismo de mercado, um sistema sem precedente na História, já que embora pratique o capitalismo como política externa, mantém a estrutura comunista no plano interno. Além disso, o desenvolvimento industrial fez do país um dos maiores consumidores e petróleo do mundo.

Nos finais da Guerra Fria, prevaleceu o lado capitalista como o sistema econômico regendo as relações do mercado internacional. Os EUA emergem de imediato como potência, mas não se mantém solitários nesta posição por muito tempo. Logo a Comunidade Econômica Europeia e a própria China viriam a se colocar igualmente como potências, inaugurando a era da multipolaridade, onde as esferas de influência política e econômica internacionais podem ser encontradas em diversos países, e não mais concentrada em um bloco de influência.

 

Resumo da Aula 07 – Descolonização Africana e Asiática

Durante o século XIX, o imperialismo europeu incorporou diversas possessões nestes continentes devido a questões econômica (Industrialização) e ideológica (fardo do homem branco). Esta conjuntura, que levou à Primeira Guerra Mundial, permaneceu até o final da Segunda Guerra Mundial. O caso da Índia que foi submetido aos ingleses, as duas forças políticas indianas – o Partido do Congresso (formado por hindus, em 1885) e a Liga Muçulmana, formada em 1906 – sempre fortaleceram o movimento nacionalista, que ganhou força após a Primeira Guerra Mundial através da participação política de Mahatma Gandhi, que logo se tornaria a principal figura na independência do país. Se, por um lado, a existência desses partidos lembra a possibilidade de uma autonomia política indiana, por outro evidencia a cisão religiosa – entre hindus e muçulmanos – dividindo o país. Esta cisão atuava a favor dos ingleses e, por isso, a atuação de Gandhi foi tão significativa que acaba por conciliar os interesses de autonomia tanto de hindus quanto de muçulmanos. A postura pacifista de Gandhi desestimulava os ingleses à repressão violenta, pois corriam o risco de transformá-lo em um mártir, o que só fortaleceria a causa da independência colonial. E foi esta atuação de Gandhi que obrigou a Inglaterra a conceder a independência da Índia, em 1947, e a forma pacífica permitiu aos ingleses manter seus interesses econômicos na região. Por outro lado, internamente, a cisão indiana acabou provocando o surgimento de dois países: a Índia (União Indiana), de maioria hindu; e o Paquistão, de maioria muçulmana. Sendo assim, Gandhi também foi considerado um traidor pelos nacionalistas por não combater esta divisão. E, em 1948, Gandhi foi assassinado por um radical hindu que não aceitava a formação do Paquistão.

Além da Índia, também houve conflitos em uma outra região. É o caso de Israel e Palestina. A primeira Guerra Árabe Israelense ocorre em 1948, quando a área destinada a Israel começa a ser efetivamente ocupada. Em tempos de Guerra Fria, se o Estado Judaico era aliado norte-americano, os países árabes eram apoiados pelos soviéticos. Já o caso das colônias francesas, na Ásia, foi bastante diferente do que ocorrera na Índia. Os franceses dominavam a região conhecida como Indochina, invadida pelo Japão na Segunda Guerra. A invasão japonesa motivou a reação das forças locais. O líder da resistência, Ho Chi-minh, fundou o movimento de libertação do Vietnã (que fazia parte da Indochina), denominada Vietminh, empreendendo uma guerrilha contra os franceses. A França perde a guerra e a posse da Indochina seria desmembrada em três países diferentes: Laos, Camboja e Vietnã. A independência destes países foi reconhecida em 1954, na Conferência de Genebra. Nesta mesma conferência, o Vietnã foi dividido em mais uma demonstração da Guerra Fria. O Vietnã do Norte, liderado por Ho Chi-minh, adotando o comunismo, e o Vietnã do Sul, o capitalismo. Esta cisão levaria à Guerra do Vietnã em 1965. Em 1955, ocorreu a Conferência de Bandung, na Indonésia, reunindo dezenas de países asiáticos e africanos, com o objetivo de impedir que a Guerra Fria “esquente” na região da Indochina. Pois, submeter-se à aliança a um dos blocos significaria uma nova forma de submissão a potências estrangeiras que poderia levar à dependência política e econômica.

Além disso, a África foi praticamente dividida em sua totalidade e qualquer ameaça a independência recém-conquistada era alvo de repúdio. Logo surgiu a expressão “terceiro mundo”, para se referir a estes países não alinhados. Em seguida, esta expressão se popularizou para se referir a países que ainda não haviam conseguido adquirir um grau de desenvolvimento econômico e político semelhante àquele dos países europeus e dos EUA. No século XIX, a França tomou posse da Argélia e este domínio se estendeu após a Segunda Guerra. Em 1952, houve um conflito que se acirra em 1954, com a Frente de Libertação Nacional (FLN) em confronto aberto contra os franceses que ocupavam a capital, Argel. O conflito trouxe de volta ao poder, na França, o General Charles de Gaulle, que havia sido um dos símbolos de resistência francesa ao nazismo. O general articula um plebiscito e negocia com a FLN. O resultado aconteceu em 1962, quando a maioria vota pela emancipação levando Ben Bella ao poder do novo país, a República Democrática Argelina.

O Sudão, um dos maiores países africanos, também foi marcado por intensos conflitos. Em finais do século XIX, o Sudão estava dividido entre a posse da Inglaterra e do Egito. Esta divisão também agravou uma intensa divisão entre cristãos (no Norte) e muçulmanos (no Sul). Com o fim da Segunda Guerra, o Egito viu uma oportunidade de dominar todo o Sudão, e exigiu a retirada dos ingleses do país. Após a independência, em 1956, o Sudão mergulha em uma situação de instabilidade política e conflito interno entre Norte e Sul que viria a se prolongar por mais de quatro décadas. Esta instabilidade é demonstrada através do Conflito de Darfur iniciada no século XXI. Desde 2003, disputas políticas internas no Oeste do Sudão, rico em petróleo e minérios, tem oposto grupos árabes e não árabes. Mas a questão vai muito além de religioso, assumindo contornos de conflito étnico e genocídio. Darfur foi um dos conflitos mais recentes, mas não o primeiro. E pela situação política sudanesa, dificilmente será o último.

Portugal foi um dos últimos países europeus a abrir mão de suas colônias africanas, o que só ocorre nos anos 1970 do século XX mediante a um conflito, a Revolução dos Cravos, que eclode em 1974. Esta revolução derrubou o salazarismo de Portugal e acabou libertando as colônias portuguesas, como Angola.

As independências promoveram fronteiras arbitrárias o que faz da África o único continente em que algumas fronteiras são linhas retas. Por outro lado, o mundo ocidental via na África como um bloco único, e não como regiões com culturas e sociedades próprias, provocando uma série de conflitos étnicos que resultaram em massacres, como o ocorrido em Ruanda, em 1994. Mesmo livre do jugo europeu, o continente ainda não foi capaz de resolver seus problemas internos.

 

Resumo da Aula 08 – Os Conflitos da Guerra Fria: Vietnã, Coréia e Cuba

As décadas de 1950 até 1980 do século XX foram repletos de guerras civis e crises internas, ocorridas em diversos países. Os mais emblemáticos foram: Coréia, Vietnã e Cuba.

Em 1949, com a Revolução Chinesa, o temor da expansão socialista provocou diversos conflitos na Coréia. E, em 1950, a Coréia da Norte invadiu a Coréia do Sul para unificar o país sob o regime comunista. A guerra civil se estendeu até 1953 com a morte do líder soviético, Josef Stálin, provocando alteração na política externa da URSS. Stálin foi sucedido por Nikita Khurshchev. Já nos EUA, Dwight Eisenhower foi eleito. E os dois novos líderes tentaram um acordo de paz, sem ninguém se interessar pela extensão da Guerra da Coreia. Por outro lado, durante o período imperialista, a Coreia foi invadida e ocupada pelo Japão. Os japoneses consideravam esta região estratégica, política e militarmente, além de terem interesses nos recursos locais. Com a entrada do japão na Segunda Guerra, a situação da Coreia se agravou, já que além de buscar recursos, muitos coreanos foram enviados para o exército japonês.

Já Cuba, após a sua independência no século XIX, passou a ser submetida à política norte-americana do Big Stick e da Doutrina Monroe, que justificava a intervenção dos EUA, nos países latinos, com o pretexto de manter a ordem e garantir a emancipação das ex-colônias latinas de suas respectivas metrópoles. Neste contexto, a Constituição Cubana possuía um mecanismo chamado Emenda Platt. Esta emenda permitia a presença militar dos EUA em Cuba, e quebrava a soberania do país, motivo de grande revolta entre a população cubana. Em 1933, Fulgencio Batista chega ao poder, cujo governo rapidamente assumiu o aspecto de uma ditadura. Batista não se opunha a intervenção estrangeira na ilha. Conforme a ditadura tornava-se cada vez mais opressora, iam crescendo também os grupos de resistência, normalmente, na clandestinidade. Com uma tática de guerrilha, os revolucionários foram tomando aos poucos as cidades do interior, até que, em 1958, entram vitoriosos em Havana, a capital cubana. Fulgencio se exilou em Portugal e, em seguida, na Espanha, onde faleceu em 1973. Nos anos 1950, surge um movimento guerrilheiro liderado por Fidel Castro, filho de um grande produtor de cana de açúcar, que havia estudado Direito na Universidade de Havana, onde começou a se interessar por questões políticas. Junto com o seu irmão, Raul, e com o apoio de Camilo Cienfuegos e do médico argentino Ernesto “Che” Guevara, Fidel iniciava um movimento sistemático de oposição a Fulgêncio Batista. No princípio, a Revolução Cubana deste grupo não era um movimento socialista. Che Guevara era um dos poucos que defendia a adoção deste regime em Cuba. Foi no ano de 1959 que é marcada a vitória da Revolução Cubana. Suas primeiras medidas foram a realização de uma intensa reforma agrária, além da nacionalização de diversos empreendimentos, como refinarias, usinas e indústrias, pois a maior parte desses setores pertenciam a norte-americanos. Em tempos de Guerra Fria e uma economia agrária, um embargo econômico seria uma sentença de morte. Este embargo significava que nem os EUA e nem seus aliados comprariam ou vendiam qualquer produto para os cubanos, sufocando o mercado e, por consequência, sua economia. Mas, por outro lado, a URSS recebeu Fidel de braços abertos. Foi desta forma que, em 1961, uma revolução sem pretensões socialistas, adota este regime e se coloca como aliado do bloco soviético. Ter um aliado socialista no “quintal dos EUA” era uma grande vantagem estratégica para os soviéticos. Logo, essa vantagem traria um incidente internacional – a  Crise dos Mísseis.

Já o Vietnã, que sofreu com a divisão a partir da Convenção de Genebra, onde o Sul seria comandado por Bao Dai (capitalista) e o Norte, comandado por Ho Chi Minh (Comunista), deveriam, em 1956, ser realizadas eleições livres, que novamente unificariam o país em um único regime. O presidente norte-americano Eisenhower, temendo que o país se consolidasse sob a liderança de Ho Chi Minh, enviou tropas para o Vietnã do Sul e mediante um plebiscito – que parece ter sido fraudado – colocou no poder, Ngo Dinh Diem, que apoiava abertamente os EUA. Ngo Dinh Diem logo se tornaria um ditador, cancelando as eleições e proclamando a independência do Sul. Porém, houve uma resistência interna no Sul independente, de orientação comunista, disposto a lutar contra a interferência norte-americana e pela redemocratização do país. A partir dos anos 1970, sem um avanço significativo contra o Norte, e contabilizando milhares de mortos, a derrota norte-americana era iminente. Diversos grupos protestavam abertamente contra o conflito. Feministas, hippies, músicos, intelectuais, jornalistas, formadores de opinião, levantavam suas vozes e pediam pelo fim do conflito. O Vietnã foi um dos primeiros conflitos a ter a cobertura maciça da imprensa e a divulgação das informações vindas diretamente do front revelavam o horror da guerra.

Três anos após a unificação do Vietnã, eclode, no Irã, uma guerra civil, que ficaria conhecida como Revolução Iraniana. O Oriente Médio era palco de disputa e alvo de muitos interesses, por ser a maior região petrolífera do planeta. O Irã era governado pelo Xá (monarca) Reza Pahlevi. Pahlevi favorecia os interesses norte-americanos o que provocava a oposição dos nacionalistas, que não desejavam interferências estrangeiras em sua soberania nacional. A população, insatisfeita, levou ao poder o aiatolá Ruhollah al-Khomeini no ano de 1979. Esta revolução levou ao poder o fundamentalismo islâmico, a ala radical dos muçulmanos. Logo, radicais e moderados passaram ao embate, provocando uma guerra civil. Em 1980, Saddam Hussein, líder do Iraque, invade o Irã em busca de territórios. É importante ressaltar que Hussein era apoiado pelos EUA do presidente Ronald Reagan. Este mesmo Hussein foi, anos mais tarde, acusado de crimes de guerra e retirado do poder por pressão norte-americana. A Guerra Irã-Iraque prosseguiu até os anos 1990, quando o Iraque finalmente reconheceu a posse do Irã de seu território original. Esta foi uma guerra sem vitoriosos e os dois países sofreram intensas perdas, humanas e materiais.

Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o posterior esfalecimento da União Soviética, teve fim uma das mais longas guerras da história, a Guerra Fria.

 

Resumo da Aula 09 – O Fim da URSS e a Nova Ordem Mundial

A década de 1970 foi caracterizada por uma série de acordos, objetivando, sobretudo, o controle da produção e a comercialização de armamentos entre os dois blocos envolvidos na guerra fria. Pois qualquer conflito poderia lançar mão de armas nucleares, o que seria devastador não só para os países envolvidos, mas para todo o planeta. O presidente dos EUA, no período, John F. Kennedy, foi assassinado no Texas, em 1963, por Lee Harvey Oswald. O atirador alegava ser inocente e estaria sendo incriminado somente por ter vivido parte da sua vida na URSS. Oswald foi morto enquanto era transferido para prisão. Com a morte de Kennedy, Lyndon Johnson assume a presidência. Seu governo recrudesce a participação dos EUA, na Guerra do Vietnã, empenhando no combate ao socialismo. É somente no governo do republicano Nixon, em 1968, que se inicia uma conciliação com os países comunistas, sem comprometer o bloco capitalista.

No início dos anos 1970, os EUA defende a entrada da China no Conselho de Segurança da ONU. Este Conselho foi criado em 1946, um ano depois da fundação da ONU, e é formado por 15 membros, dentre os quais apenas 5 são permanentes. Atualmente, são eles: EUA, Rússia, China, Reino Unido e França. As outras 10 vagas são preenchidas mediante eleição da Assembléia Geral e cada país pode ocupá-la por 2 anos. O apoio de Nixon à entrada da China comunista no Conselho de Segurança da ONU, demonstrou o início de um período que ficou comumente conhecido como detente (afrouxamento da austeridade política que dividia o mundo até então) e caracteriza a década de 1970. A aproximação entre China e EUA se consolidou, em 1972, com a visita de Nixon ao país, governado por Mao Tse Tung. Após a vitória do comunismo chinês e a ascensão de Mao Tse Tung ao poder, o líder comunista se referia ao Ocidente como “tigre de papel”, demonstrando que, na verdade, não havia nada a temer. O secretário do Estado norte-americano, Henry Kissinger, foi um dos principais articuladores da aproximação EUA/China e se tornou um dos maiores especialistas em política internacional na história recente. Por outro lado, a política de Nixon foi incrivelmente inovadora, já que quebrava o isolamento diplomático de décadas entre os blocos capitalista e socialista. Nixon também se encontrou com Brejnev, líder da URSS, rendendo a assinatura do primeiro SALT – Strategic Arms Limitation Talks – as conversações sobre limites de armas estratégicas, cujo termo envolve diversos tipos de armamentos, como aviões de guerra, armas nucleares e mísseis intercontinentais. No ano de 1972, Nixon caiu no “escândalo Watergate”, que obrigou-o a renunciar. Membros do Partido Republicano foram acusados de espionar o partido rival, Democrata. Watergate era o nome do complexo de prédios localizado em Washington onde abrigava a sede do Partido Democrata. Nixon foi obrigado a renunciar e esta renúncia ocorreu em 1974.

Os sucessores de Nixon, Gerald Ford e Jimmy Carter, continuaram com a política externa de Nixon. Entretanto, no governo de Ronald Reagan (1981-1989), esta política sofre alguns percalços. Em 1980, ainda na gestão de Carter, os norte-americanos boicotam as Olimpíadas realizadas em Moscou, devido a invasão soviética no Afeganistão ocorrida em 1979. Em 1984, foi a vez dos soviéticos boicotarem as Olimpíadas do mesmo ano sediadas em Los Angeles. Em 1985, Mikhail Gorbatchev assume o poder na URSS. O novo líder estabelece um conjunto de amplas reformas, fundado em dois pilares: a Glasnost (transparência) e a Perestroika (reconstrução/reestruturação). Em 1987, Gorbatchev assinou o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, implicando na destruição e controle de mísseis de médio e longo alcance. Pouco antes da assinatura do Tratado, em junho de 1987, Reagan, em visita a Alemanha, discursa pela queda do Muro de Berlim. Cabe lembrar que, ao imputar a Gorbatchev a decisão acerca da manutenção ou queda do muro, Reagan isentava os EUA da responsabilidade pela existência desta estrutura, já que, após a Segunda Guerra, o país havia apoiado a divisão da Alemanha. Em 1989, o muro caiu e surpreendeu o planeta. O ministro alemão Helmut Kohl proclamava ser aquele o início de uma Alemanha como jamais havia sido visto. Com a unificação, a Alemanha se tornava a terceira maior potência na época, atrás somente dos EUA e do Japão. A queda do muro e a adoção do capitalismo foi interpretado como a falência do regime socialista.

Apesar dos esforços de Gorbatchev, a Perestroika e a Glasnost conseguiram desagradar tanto aos socialistas radicais como aos simpatizantes do capitalismo. Para os socialistas, as medidas representavam a fraqueza do líder soviético que comprometia o regime. Para os capitalistas, tais medidas eram mudanças de pouco alcance, cujos resultados só poderiam ser vistos a longo prazo. Sem apoio, Gorbatchev viu as repúblicas soviéticas se organizarem sob uma nova bandeira, a CEI, Comunidade dos Estados Independentes, em dezembro de 1991. Logo depois da criação da CEI, no natal de 1991, Gorbatchev renunciou.

O fim da URSS implicou no término da Guerra Fria e, portanto, da bipolaridade. De imediato, os EUA emergem como potência nesta Nova Ordem Mundial, mas logo ficaria claro que, com o desenvolvimento europeu e chinês, a nova realidade seria multipolar. Os mercados mundiais passaram a ser unificados em torno do capitalismo – ainda que o socialismo e o comunismo se mantivessem em alguns países, como Cuba e China – e o processo de globalização foi acelerado.

 

Resumo da Aula 10 – Terrorismo e Política Externa Norte-Americana

Após o fim do governo Ronald Reagan, assumiu a presidência dos EUA, George H. W. Bush, cujo mandato se estendeu de 1989 a 1993. Essa foi a última gestão antes do fim da URSS e foi marcada pela Guerra do Golfo. Esta guerra eclode em 1990, mas não há uma interferência direta da Guerra Fria. Neste mesmo ano, Saddam Hussein, líder do Iraque, invade o Kuwait, rico em petróleo. Rapidamente, os EUA reagem, apoiados pelas Nações Unidas, pelo Reino Unido e pela França. Esta guerra mostrou a preocupação do Ocidente com os países do Oriente Médio, devido ao fato de estes concentrarem as maiores reservas de petróleo do planeta. A derrota do Iraque foi uma demonstração do poderio ibérico norte-americano. Apesar do enorme sucesso, a Guerra do Golfo provocou um enorme gasto financeiro. Por isso, o republicano George H. W. Bush não conseguiu ser reeleito, perdendo as eleições para o democrata Bill Clinton.

Embora a Guerra Fria trouxesse uma aparência de “passividade” às relações internacionais, logo esta realidade mostrou ser apenas ilusória. Como exemplo dessa ilusão, podemos citar os conflitos do Afeganistão. O país havia sido ocupado pela URSS, que apoiou a posse de Barbrak Kamal, em 1980. Visto como um governo que cedia aos interesses estrangeiros, cresce a resistência local pelos mujahedins (guerrilheiros) que buscam expulsar o invasor. Estes guerrilheiros eram apoiados pelos EUA, Paquistão e Arábia Saudita. Nos anos 1980, este grupo forma uma aliança levando o líder soviético Mikhail Gorbatchev a iniciar o movimento de desocupação das tropas soviéticas, concluído em 1988. A ocupação soviética levou o Afeganistão a uma guerra civil entre os nacionalistas e aqueles que defendiam o governo. Durante esses conflitos, o grupo Talibã, fundamentalistas islâmicos, ascendeu ao poder. Este grupo defendia o estabelecimento do Estado que seguisse rigidamente os princípios do Islamismo. Com a milícia talibã no poder, as mulheres foram proibidas de trabalhar fora de casa e foi restaurada a punição de apedrejamento até a morte. O adultério e o homossexualismo são considerados crimes em alguns países que professam a fé islâmica.

Paquistão e Arábia Saudita reconheceram o Talibã como o legítimo governo afegão. Medidas radicais foram tomadas, como a destruição das estátuas históricas de Buda, em 2011, considerado um patrimônio. Neste mesmo ano, em 11 de setembro, dois aviões de passageiros foram lançados contra as torres gêmeas do WTC, em Nova Iorque, no Pentágono e em Pittsburg, na Pensilvânia. Estima-se que tinha como destino a Casa Branca, em Washington, mas os sequestradores foram impedidos pelos passageiros de alcançar seu alvo. Os atentados, reivindicados pelo grupo terrorista Al Qaeda, liderado por Osama Bin Laden, deixaram milhares de mortos, quase todos civis. Tal ataque não só mudou os rumos do país, mas, também, de toda a política internacional. Foi formado uma coalizão antiterrorismo, liderada pelos EUA e apoiada pelo Reino Unido. O alvo era o Afeganistão, sede do grupo terrorista Al Qaeda. Os EUA exigiam a entrega de Osama Bin Laden para julgamento. Porém, o líder talibã, mulá Omar, recusou-se a cumprir a exigência. Esta atitude fez com que os países como Arábia Saudita e Paquistão, aliados do Afeganistão, rapidamente retirassem seu apoio e o país ficou sozinho para lutar contra a ameaça norte-americana. Em outubro de 2001, Cabul foi bombardeada e o governo talibã deposto pelas forças de coalizão. Um novo governo foi instituído, mas a guerra continuou por mais de uma década.

O presidente George W. Bush estipulou o que ficou conhecido como Doutrina Bush, uma série de princípios que justifica o combate ao terrorismo em qualquer parte do mundo. Segundo essa doutrina, os EUA podem interferir militarmente em qualquer país que considere uma ameaça terrorista ou que abrigue terroristas – como é o caso do Afeganistão. Além disso, podem depor regimes que considerem uma ameaça à segurança nacional – como no Iraque. Essa doutrina deu origem à chamada “guerra preventiva”, que busca impedir novos atentados em solo americano ou aliado.

Nos EUA existem diversos partidos, além de candidatos independentes, sem partido, que também podem ser eleitos. Mas, na prática, apenas dois partidos se revezam na presidência: republicanos e democratas. Como a eleição não é direta, e sim feita através de colégios eleitorais, Bush foi eleito sem ter recebido maior número de votos total da população. Esta eleição, ocorrida em 2000, também foi marcada por inúmeras acusações de fraude. Dessa forma, o novo presidente assume o cargo sob uma atmosfera de legitimidade, e o ataque terrorista marcou sua primeira grande atuação na presidência e garantiu sua eleição para um segundo mandato. No plano interno, foi assinado o Ato Patriótico, que cassava uma série de liberdades civis. A partir deste ato, tornou-se possível monitorar qualquer comunicação – internet, email, correios, ligações telefônicas, etc – de cidadãos americanos e estrangeiros, sem autorização prévia da justiça. Em 2004, a segunda gestão de Bush foi marcada pela guerra preventiva contra o Iraque. Além disso, houve inúmeras críticas internas contra o Ato Patriótico e, também, o furacão Katrina devastou a cidade de Nova Orleans, em 2005, mostrando uma certa inabilidade da parte do governo em lidar com as consequências naturais.

A Guerra do Iraque, que também caracterizou a segunda administração de Bush, levou a uma enorme crise financeira. Sob justificativa de que o Iraque possuía armas de destruição em massa, o país foi invadido em 2003. Bush e o primeiro ministro britânico, Tony Blair, temiam que Saddam Hussein, líder iraquiano, pudesse se constituir em uma ameaça imediata de terrorismo. Em 2003, Hussein foi deposto e, em 2006, foi condenado a morte pelos iraquianos. Mesmo após sua morte, a guerra continuou. Com efeito, em 2005, Londres sofreu um dos maiores ataques terroristas de sua História, também empreendido por fundamentalistas islâmicos. A guerra do Iraque prosseguia e, em Bagdá, foi criada a Zona Verde, uma área de não agressão, e mesmo com a cidade destruída e a ameaça terrorista aparentemente controlada, somente em 2011 o conflito teve fim.

O legado da Era Bush, além da manutenção de sua doutrina, foi uma intensa crise financeira. O investimento na indústria bélica deixou de lado questões internas, como a caótica situação da saúde. Em 2008, seu governo se encerra em meio a uma das maiores crises financeiras da História dos EUA, comparável com a Crise de 1929. As eleições seguintes deram vitória ao democrata Barack Obama, que assumiu o compromisso de sanear as finanças, desocupar o Afeganistão, acabar com o Ato Patriótico, revitalizar o sistema de saúde e fechar a base de Guantánamo. Mas, até meados de sua segunda gestão, nenhuma dessas plataformas foi cumprida. Além disso, houve uma crise no mercado mobiliário. De forma simples, Bush investia na construção de imóveis. Logo, havia mais residências que compradores, e os bancos passaram a estender seus financiamentos mesmo sem garantia de pagamento de empréstimos. Quando as pessoas passaram a não conseguir quitar seus empréstimos, os bancos retomavam estas casas e as colocavam no mercado novamente. Sem crédito, não havia como comprar imóveis, e os bancos se viram donos de diversas propriedades. Quando o Lehman Brothers, o quarto maior banco norte-americano, decretou falência, a situação já era irreversível.

 

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