História da América II

Publicado: 6 de março de 2017 em Americanos
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Ola pessoal!

Nesta postagem irei apresentar um resumo das aulas da disciplina História da América II do 5o Período do curso Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

Há também o resumo História da América I do 4o período.

 

Resumo da Aula 01 – O Continente Americano nas Primeiras Décadas do Século XX e a Revolução Mexicana

A história do continente americano sempre foi marcada por acontecimentos de suma importância. O continente é formado por um conjunto de países que foram colonizados principalmente por Portugal, Espanha e Inglaterra. O processo de independência das colônias inglesas serviu de inspiração para que outras colônias também buscassem sua liberdade. As colônias da Espanha e de Portugal deram origem, em grande parte, à região conhecida como América Latina. A influência dos Estados Unidos se consolidou com a Doutrina Monroe e sua “América para os americanos” (1823).

O intervencionismo estadunidense na América Latina durante o início do século XX foi um fator sólido e se consolidou por meio de algumas ações do país na área, como a Emenda Platt, que dava aos EUA o direito de intervirem militarmente na ilha para garantir os seus interesses. Outro fator que consolidou a posição estadunidense na América Latina foi a implementação da diplomacia do dólar, criada pelo presidente William Taft. Tal diplomacia realizava empréstimos para fortalecer a dependência econômica da América Latina, iniciando o imperialismo econômico norte-americana. Um outro lance também é o interesse dos EUA em construir um canal marítimo que ligasse os oceanos Atlântico e Pacífico. As obras deram início em 1880, mas houve paradas por questões financeiras.

A primeira revolução no continente americano no século XX ocorreu no México e marcou a história das lutas camponesas na região. O México se tornou um país independente e proclamou-se república em 1824, após uma guerra empreendida contra a Espanha, sua metrópole. A história do México sempre foi envolvida em lutas pela terra, conflitos de interesses entre grandes proprietários rurais e a população camponesa, em um país eminentemente agrário e indígena, marcando uma relação de tensões que ultrapassou séculos e gerou uma sociedade cada vez mais desigual. A Revolução Mexicana foi o movimento de contestação mais violento e de maior amplitude ocorrido nas Américas. Teve, como traços peculiares, o intenso envolvimento popular, sobretudo camponês, e um processo de institucionalização que a faz presente até os nossos dias. Os EUA avançaram bastante sobre o território mexicano. A guerra entre EUA e México durou dois anos e os mexicanos foram derrotados, e tiveram que assinar o Tratado de Guadalupe Hidalgo. Com o Tratado, o México teve que ceder aos EUA o Novo México e a Califórnia por U$$15 milhões.

A questão da política interna mexicana, a aliança dos centralistas com o capital inglês acabou conduzindo ao governo do general mexicano Porfírio Díaz, que governou entre 1877 e 1910. Os três pilares do seu governo eram a grande propriedade, o capital estrangeiro e seu poder autoritário. No começo do século XX, iniciou-se um processo de contestação do governo de Díaz, desencadeando um movimento revolucionário no âmbito nacional que contou com forte adesão popular. Em seguida, Francisco Madero, um advogado que pertence a uma das famílias mais ricas do México, foi candidato à presidência para se opor à Díaz. Madero defendia a democratização e o respeito à Constituição, sendo um liberal por formação e preocupado com as liberdades políticas. No México, muitos líderes falaram em nome da revolução, que assumiu numerosas vertentes ao longo de sua história, adquirindo diferentes significados para os envolvidos.

Para a história de lutas na região, a Revolução Mexicana levantou uma bandeira que, durante muito tempo, acompanhou a América Latina: A Reforma Agrária. O alto índice de concentração de terras foi um fator marcante na região e gerou movimentos de contestação em diferentes partes.

 

Resumo da Aula 02 – Estados Unidos, Primeira Guerra, Crise de 1929 e a América Latina nas Décadas de 1930 e 1940

Nas primeiras décadas do século XX, os EUA se consolidaram como forte potência regional e, posteriormente, mundial. Os países latino-americanos inciaram o processo de mudança em sua ordenação política sobretudo em virtude do desencadeamento com uma Europa arrasada pela Primeira Guerra Mundial. Os EUA consolidaram sua prosperidade sobretudo após a Primeira Guerra Mundial, conflito que adquiriu proporções mundiais e marcou a história contemporânea, inserindo todas as regiões do planeta na lógica da guerra. A Primeira Guerra e também a Segunda Guerra, os EUA se beneficiaram do fato de estarem distantes da luta e serem o principal arsenal de seus aliados, e da capacidade de sua economia de organizar a expansão da produção de modo mais eficiente que qualquer outro.

O crescimento estadunidense se consolidou cada vez mais após a Primeira Guerra Mundial e o país viveu o “American Way of Life”, o estilo de vida americano que tornou os EUA um modelo de consumo. Os EUA adotaram uma postura isolacionista em relação à Europa, e seu crescimento econômico propiciou intensa euforia e a certeza, ainda que falsa, de uma prosperidade sem limites, marcada pelo alto grau de consumo de produtos, que rapidamente se tornaram bens de consumo. O período que antecedeu a crise foi de intensa efervescência cultural nos EUA. Era a época de jazz, embalado pelo foxtrote e pelo blues, pelas melindrosas e seu estilo solto, cabelos curtos, o boxe se desenvolvia, eram os famosos anos 1920. Então, a crise de 1929 foi causada, sobretudo, pela insistência americana em manter depois da guerra o mesmo ritmo de produção alcançado durante o conflito, quando abastecia os países envolvidos nos combates, fornecendo desde gêneros alimentícios até produtos industrializados e combustível. Com a paz, os países europeus recomeçaram a produção de bens que importavam dos EUA durante o conflito. Com isso caíram as exportações do país e o mercado interno americano viu-se abarrotado de produtos que não conseguia absorver. A solução seria reduzir a produção em determinados setores, o que provocaria séria crise econômica e social.

A crise se acirrou ainda mais, pois apenas 5% da população estadunidense detinha 35% da riqueza do país, o que demonstra a intensa disparidade que marcava os EUA. A bolsa de valores refletia esse momento sobretudo pelo fato de muitas empresas serem de capital aberto, ou seja, as ações estavam nas mãos de muitas pessoas que, alarmadas com os acontecimentos, começaram a querer vender suas ações até o momento em que começou a haver mais vendedores que compradores, o que fez com que as ações passassem a ser vendidas a preços históricos, culminando em sua desvalorização praticamente total. Muitos investidores que haviam perdido tudo se suicidaram pulando das janelas dos edifícios, ao passo que muitos pobres passaram a contar com a caridade alheia, aumentando a fila da sopa gratuita para os desempregados.

A América Latina sempre esteve na esfera da influência estadunidense através da Doutrina Monroe: “América para os americanos”. Uma grande parte do comércio empreendido pelos países latino-americanos era realizada com a Europa e outra parte com os EUA, tanto no âmbito das importações quanto no das exportações. Com a crise, todos começaram a estabelecer certo protecionismo, o que complicou bastante a vida financeira de algumas nações da América. O Brasil teve a economia afetada intensamente, pois sua balança comercial dependia das exportações do café, e os EUA eram os principais compradores. Houve um forte desequilíbrio na balança de comércio brasileira; além do café, diversos produtos agrários sofreram os efeitos da crise. A crise de 1929 também contribuiu para piorar a situação econômica de Cuba, ocorrendo a Revolta dos Sargentos, liderada por Fulgêncio Batista. Ele afastou-se do poder em Cuba durante oito anos e depois retornou, governando como ditador e contando com o apoio dos EUA. Foi derrubado pela Revolução Cubana de 1959.

Entre os anos de 1930 e 1940, a própria condução da política estadunidense para a América se modificou. A política do Big Stick (Grande Porrete) foi substituída por uma política mais amena, a de boa vizinhança, que consistia basicamente em estabelecer laços de amizade com os países da América Latina a fim de expandir cada vez mais o modelo de vida e de consumo americanos. O objetivo dos EUA era ampliar sua esfera da atuação na América Latina e, para isso, utilizou-se de todas as formas possíveis para fortalecer essa política. No Brasil, estreitou laços com Getúlio Vargas e até visitou nosso país. A América Latina se viu cada vez mais influenciada pelos estadunidenses e por sua busca de atuação internacional, o que fortaleceu a presença dos EUA em todo o continente e consolidou a política de alianças estabelecida entre os países da região.

 

Resumo da Aula 03 – O Populismo na América Latina

Segundo Angela de Castro Gomes (2011), o populismo é um fenômeno vinculado à proletarização dos trabalhadores na sociedade complexa moderna, sendo indicativo de que tais trabalhadores não adquiriram consciência de classe: não estão organizados e participando da política como classe. O populismo está igualmente associado a uma certa conformação da classe dirigente, que perdeu sua representatividade e poder de exemplaridade, deixando de criar os valores e os estilos de vida orientadores de toda a sociedade.

Para a construção do modelo populista, alguns elementos se fazem necessários, como um proletariado sem consciência de classe, uma classe dirigente em crise e um líder que possa arregimentar essas massas, transcendendo todas as fronteiras pessoais. Quando pensamos a relação do populismo como política de manipulação de massas, temos a interação entre Estado e classes populares no centro das discussões. As massas são o objeto das políticas populistas, que visam manter aquela sob controle e utilizá-las dentro do jogo político da contemporaneidade.

A Revolução Russa produziu o fantasma do comunismo, e a crise do liberalismo e da democracia após a Primeira Guerra Mundial abriu caminho para correntes de pensamento de cunho antiliberal e antidemocrático, pregando a necessidade de um Estado forte, intervencionista e capaz de promover a ordem. O fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha foram exemplos claros desse tipo de pensamento. O movimento populista também é tido como de manipulação de massas, com políticos estigmatizados como enganadores e manipuladores por promessas não cumpridas.

Octavio Ianni (1989) destaca que a natureza do governo populista está na busca de uma nova combinação entre as tendências do sistema local e as determinações da dependência econômica. No Dicionário de Política, o populismo é visto como um fator que tende a permear ideologicamente os períodos de transição, particularmente na fase aguda dos processos de industrialização. A ideia de demagogia, as promessas e o personalismo (carisma) fazem parte dos líderes populistas. Cárdenas (México) e Perón (Argentina) foram eleitos democraticamente para a presidência de seus países, enquanto Vargas assumiu o poder por meio do que denominou revolução. O principal objetivo desses líderes era fazer frente ao domínio oligárquico que havia se estabelecido em seus países. Contavam fortemente com o apoio das massas, e seus discursos eram sempre direcionados a essa classe.

Lázaro Cárdenas foi presidente do México entre 1934 e 1940. Seu principal objetivo era modernizar a economia e a sociedade mexicana. Durante seu governo, realizou a reforma agrária, uma demanda do México que vinha desde a época da Revolução Mexicana. Cárdenas também nacionalizou a exploração do petróleo mexicano, acabando com o privilégio das companhias petrolíferas estrangeiras que dominavam esse comércio no país, em sua maioria inglesas e estadunidenses. Alguns historiadores não classificam o governo de Cárdenas como populista, mas sim como um governo nacionalista e corporativista. Para obter o apoio popular, Cárdenas se remetia aos signos da Revolução Mexicana, que tinham um forte apelo no imaginário social das massas, uma vez que canalizavam as expectativas de diferentes grupos. Juan Domingo Perón governou a Argentina entre 1946 e 1955, e depois foi eleito para um novo mandato em 1973, falecendo um ano depois. Ele assumiu a Secretaria de Trabalho e ali iniciou sua consolidação na política argentina, baseando-se na inserção popular, um modo inovador de fazer política, com a participação de trabalhadores e dos sindicatos. Getúlio Vargas assumiu o poder por meio de um golpe militar em 1930 e governou até 1945. Vargas buscou consolidar-se junto aos trabalhadores e também buscou o apoio dos sindicatos, inserindo as massas na vida política brasileira. Esses três presidentes analisados caracterizam a política da América Latina de forma diferente, marcada pela inserção das massas e dos trabalhadores, que passaram a ocupar um espaço importante na vida politica dos países.

 

Resumo da Aula 04 – O Continente Americano e a Segunda Guerra Mundial

Os EUA adotaram uma postura de distanciamento em relação aos acontecimentos europeus, buscando se aproximar cada vez mais de seus parceiros latino-americanos. Com a ascensão de Franklin Roosevelt à presidência da República em 1933, houve uma reorientação da política estadunidense. O Big Stick, política estabelecida no final do século XIX, dá lugar à política da boa vizinhança. O objetivo era diminuir ainda mais a influência europeia, em especial a alemã e a italiana, na região. As décadas de 1930 e 1940 marcaram essa política de aproximação dos EUA com a América Latina por meio de uma forte massificação cultural, inserindo em todos os países da região, sobretudo no Brasil, sua cultura, seus costumes, etc. No campo político, os EUA procuraram afirmar sua soberania sobre a América formando alianças que visavam sobretudo impedir a penetração dos países fascistas e garantir a supremacia dos estadunidenses diante de seus irmãos latinos.

A Conferência de Buenos Aires, 1936, tinha a preocupação de assegurar uma defesa continental comum para a região diante de um possível conflito internacional. Essa preocupação com a segurança continental foi reforçada nas conferências seguintes, que contaram com a participação de todos os países do continente americano. A Conferência de Lima (Peru), 1938, implementou a Declaração de Buenos Aires de 1936, que instituía que qualquer ato suscetível de perturbar a paz do hemisfério dizia respeito a todos os Estados e justificavam uma consulta. Os países do eixo (Alemanha, Itália e Japão) acompanhavam atentamente os acontecimentos da Conferência de Lima. A imprensa italiana destacava que tal conferência era um sonho de Roosevelt e que não se consolidaria. Já a Alemanha dizia que era uma manifestação do imperialismo político e econômico dos EUA. Foi estabelecido a Declaração de Lima onde princípios importantes a consagração da não intervenção estrangeira nas questões continentais e, quando houvesse necessidade, a convocação de reuniões extraordinárias por qualquer país signatário da Conferência de Lima.

Após a primeira eclosão da guerra na Europa, ocorreu a 1a Reunião Extraordinária de Ministros de Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, em setembro de 1939, que apresentou alguns pontos principais: Neutralidade do Novo Mundo; Proteção de paz no hemisfério ocidental; Cooperação econômica continental. Ao final dessa reunião foram geradas algumas declarações: Declaração de Neutralidade, Declaração de Solidariedade Continental e Declaração do Panamá. A Declaração do Panamá tornou efetiva a neutralidade e a paz no continente americano e criou uma zona de segurança continental marítima no Atlântico.

A Conferência de Havana buscava posicionar o continente americano acerca dos acontecimentos internacionais, e objetivava fornecer uma visão comum acerca do contexto internacional e reforçar as decisões adotadas nas conferências e reuniões anteriores. Em dezembro de 1941, os EUA tiveram uma frota naval localizada em Pearl Harbor, no Pacífico, atacado pelos japoneses, o que gerou uma imediata declaração de guerra, mergulhando o Novo Mundo em um conflito de proporções internacionais. Foi então convocada uma nova conferência, reunida na cidade de Rio de Janeiro, em janeiro de 1942, a Conferência do Rio de Janeiro, que definiu os rumos adotados pela região no conflito. O rompimento de relações diplomáticas e comerciais de diversos países do continente americano com os países do Eixo gerou retaliações, com o afundamento de vários navios comerciais que trafegavam no Atlântico, incluindo diversas embarcações brasileiras, tanto comerciais quanto de passageiros, o que levou à entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

A participação da América na Segunda Guerra Mundial foi forte elemento de integração da região com o restante do mundo e, ao mesmo tempo, posicionou os EUA como grande potência internacional, pois sua participação na vitória dos Aliados foi de grande importância para consolidar sua posição internacional no contexto contemporâneo. Ao término da Segunda Guerra, toda a América se reorganizou e várias mudanças ocorreram. Muitos países, antes exportadores de produtos primários, iniciaram um processo de industrialização que se consolidou ao longo do tempo, refletindo-se em certas mudanças.

 

Resumo da Aula 05 – A Guerra Fria no Continente Americano

Ao fim da Segunda Guerra, a participação dos EUA e da União Soviética na vitória dos Aliados consolidou uma rivalidade que se estendeu por toda a segunda metade do século XX. Em alguns países, por causa do prestígio obtido pelos soviéticos ao término da Segunda Guerra Mundial, os partidos comunistas passaram a ganhar um pouco mais de espaço. Podemos citar aqui o Brasil, que teve seu Partido Comunista do Brasil legalizado ao término do conflito, podendo disputar cargos eleitorais. Ao fim da Segunda Guerra, a democracia passou a ser o caminho buscado pelos países em virtude de fortes pressões políticas internas e do novo rumo que estava sendo dado na região. O mundo do trabalho começou a ser fortemente controlado, e o alinhamento internacional com os estadunidenses se consolidou efetivamente, passando a ocupar um espaço central na política latino-americana em toda a segunda metade do século XX.

Com a vitória dos Aliados na guerra, houve uma expansão do comunismo em todo o mundo, com a ascensão dos partidos comunistas ao poder e sua inserção na vida política de alguns países. Cada país buscou se inserir na lógica da Guerra Fria de acordo com os seus interesses, mas é fator consolidado que a América se alinhou com os EUA, e isso fez com que o continente passasse a estar sob a ótica capitalista, buscando repelir qualquer influência soviética. Havia um forte temor do crescimento do comunismo, e era fundamental que os governos constituídos, utilizando todos os recursos necessários, conseguissem impedir esse crescimento. Houve a Revolução Cubana em 1959, liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara.

Os EUA saíram da Segunda Guerra Mundial como a mais poderosa nação da terra, pois detinham a maioria do capital de investimento, produção industrial e exportações no mundo, controlando até dois terços do comércio mundial, enquanto grandes partes da Europa e Ásia estavam devastadas. A Guerra Fria na América Latina surgiu no final dos anos 1940, quando movimentos favoráveis à mudança política e econômica surgiram em muitos países do continente e acabaram refreados ou esmagados pelas elites locais com a ajuda dos EUA. Manipulando a retórica do anticomunismo, os EUA mantiveram os países latino-americanos na esfera da influência ocidental por meio da invasão, orquestração de golpes, obstáculos à reforma social e apoio técnico e político a regimes militares repressivos.

No contexto da Guerra Fria, houve um temor muito forte de que os pensamentos e grupos de esquerda ocupassem um espaço ampliado no continente americano, o que conduziu a região a vários golpes militares em diferentes países. O principal fator que marcou a inserção da América Latina na Guerra Fria foi o estabelecimento de diversas ditaduras militares na região, sobretudo em virtude do temor do avanço da esquerda.

 

Resumo da Aula 06 – Esquerdas na América Latina

No início da Guerra Fria, os movimentos de esquerda começaram a ganhar um destaque maior no mundo, amparados em: um forte desenvolvimento da classe trabalhadora e na ascensão de movimentos reformistas em toda região; na ascensão de partidos comunistas inspirados na União Soviética. No Brasil, o Partido Comunista do Brasil se organizou em muitas regiões do país e cresceu significativamente, participando do pleito eleitoral de 1945 e obtendo 90% dos votos, elegendo 14 deputados e 1 senador, que, posteriormente, foram cassados. Na Argentina, o comunismo empreendeu uma franca retirada depois do final da Segunda Guerra, quando a ascensão de Perón mergulhou o partido em erros e confusões, principalmente ao ver no peronismo uma extensão do fascismo europeu. No caso do Chile, que na época do início da Guerra Fria possuía o partido comunista mais poderoso do continente, o partido também foi proscrito através da Lei de Defesa da Democracia, aprovada em 1948.

A instauração de ditaduras militares, em praticamente toda a região, tentava calar fortemente a esquerda e para consolidar a Guerra Fria no continente. Alguns exemplos são significativos de como a esquerda estava se posicionando: A Revolução Bolivariana (1952); A Revolução Guatemalteca (1954); A Revolução Cubana (1959). A Bolívia passou por momentos de crise e de insatisfação por parte de seu povo. Seu envolvimento com o Paraguai na Guerra do Chaco, foi por motivos econômicos e estratégicos devido à descoberta do petróleo na região dos Andes, e à necessidade da Bolívia em ter uma região de acesso ao Oceano Atlântico, o que facilitaria muito o seu comércio. Assim, em 1951, ocorrerão eleições para presidente e o MNR (Movimento Nacional Revolucionário), lançou a candidatura de Victor Paz Estenssoro. O MNR tinha como aliados os sindicatos mineiros, mas a maioria dos trabalhadores eram analfabetos e, portanto, sem direito a voto. Por outro lado, o partido recebeu o apoio de Juan Lechin, importante líder sindical, e celebrou a união da oposição de Paz Estenssoro. Mas os emenerristas não conseguiram os 50% mais 1, necessários para empossar o presidente, em eleição direta, porém, Paz Estenssoro e seus correligionários esperaram a decisão do Congresso. Pressionado pelas Forças Armadas, o então presidente Urriolagoitia fugiu do país, e uma junta militar, encabeçada pelo General Balliván, tomou o poder. Pouco tempo depois, os militares foram forçados a deixar o governo em razão de pressões populares em torno do Movimento Nacionalista Revolucionário. A 9 de Abril de 1952, o MNR se estabeleceu como governo na Bolívia.

Em 1954, a Guatemala foi alvo de uma operação militar organizada pela CIA para derrubar o então presidente eleito Jacobo Arbenz. Ao assumir o governo, uma das primeiras atitudes de Arbenz foi efetuar a reforma agrária. A reforma agrária afetava as terras não cultivadas das grandes fazendas, o que gerou confisco de terrenos das oligarquias locais. O conflito se iniciou quando o presidente tentou nacionalizar uma companhia norte-americana que existia no país, a UFCO (United Fruit Company), corporação que controlava a maior parte da agricultura do país. O governo norte-americano ficou insatisfeito com Arbenz e preparou uma reação ao governo reformista, isolando a Guatemala em toda a região da América e estimulando os governos regionais a adotarem postura agressiva contra o país. Sendo assim, a Guatemala foi invadida e o presidente foi forçado a renunciar. Após sua renúncia, o governo passou a ser uma ditadura militar liderada pelo chefe das Forças Armadas sendo considerada a primeira intervenção direta da CIA na América Latina.

Cuba é uma pequena ilha no Caribe que foi colônia da Espanha e obteve sua independência em 1898, contando com o apoio dos norte-americanos, que operava dentro da lógica “América para os americanos”. Em 1902, foi implantada a República na ilha e os norte-americanos adquiriram, através da Emenda Platt, o direito de intervir na ilha caso seus interesses estivessem ameaçados. De 1934 a 1959, a presidência da República foi ocupada por Fulgencio Batista, um militar que havia liderado a Revolta dos Sargentos, resultando na instauração de um governo provisório liderado por Ramon Grau de San Martin. A insatisfação com o governo de Batista crescia rápido. A maioria do povo vivia no campo e não contava com água encanada e nem luz elétrica, e faltava trabalho para muitos. A ilha era considerada um local de divertimento de norte-americanos, famosa por seus cassinos e bordéis. Em 1953, um jovem advogado, Fidel Castro, surge em oposição ao governo de Batista. Ainda em 1953, os companheiros de Fidel iniciaram o assalto ao quartel, que resultou em fracasso, pois houve uma grande falta de coordenação entre os grupos que fizeram parte da operação. Alguns dos companheiros foram presos, inclusive Fidel, enquanto outros faleceram na luta. Em 1955, o grupo condenado conseguiu anistia, se reorganizou e tramou uma nova investida para derrubar o governo de Fulgencio Batista. Iniciou-se então, um período de lutas de guerrilhas e, ao término do processo, em 1959, Fidel e seus companheiros obtiveram vitórias. Fulgencio Batista fugiu. Inicialmente, o novo governo de Fidel Castro foi reconhecido pelos principais países do continente. Iniciou-se a reforma agrária, a redução no preço dos aluguéis, nos livros escolares, nas tarifas de eletricidade. Um forte e amplo programa reformista foi administrado para melhorar a situação da ilha.

Nos anos de governo do Presidente Kennedy e diante do quadro gerado pela Guerra Fria, as preocupações com a América Latina e seus movimentos cresceram significativamente e, de início ele se tornou motivo de inquietações por parte dos norte-americanos.

 

Resumo da Aula 07 – Golpes Militares na América Latina

O século XX se iniciou com a Revolução Mexicana, que refletiu em uma luta de camponeses para buscar melhorias em suas condições de vida, passando pela tentativa de toda a região em se afirmar diante do cenário imposto pela primeira metade do século XX. Ocorreram também outros movimentos, principalmente nos anos 50, como a Revolução na Bolívia (1952), o golpe perpetrado na Guatemala (1954) e a Revolução Cubana (1959). Com certeza, o temor do crescimento das ideias plantadas pela Revolução Cubana, aliado ao próprio contexto da Guerra Fria, trouxe incertezas quanto ao futuro da região. Entre as décadas de 1960 e 1980, a América Latina foi alvo de uma sucessão de golpes militares. Cada país apresentou uma conjuntura interna que facilitou a tomada do poder pelos militares e isso não pode e não deve ser desconsiderado, principalmente devido ao aumento da luta de guerrilha que se espalhou pela região e começou a questionar os rumos políticos do país. Não podemos esquecer de que os partidos comunistas cresceram muito após o fim da Segunda Guerra Mundial e isso os colocou em destaque, apesar de alguns passarem por processos legais de cassação de seu registro político (caso do Partido Comunista do Brasil) ou de adentrarem em um ostracismo (caso do Partido Comunista da Argentina). Analisando ainda os golpes militares que ocorreram, é possível compreender que eles modificaram bastante a história da região, inaugurando um período de ditaduras em praticamente todos os países e consolidando um forte alinhamento com os EUA.

Na Bolívia, em 1964, foi derrubado o governo civil do Movimento Nacionalista Revolucionário, considerado herdeiro da revolução de 1952. René Barrientos Ortuño liderou as Forças Armadas nessa ação, iniciando um processo que se estendeu por grande parte da América Latina ao longo de 20 anos. O novo governo que se instaurou foi apoiado pelos norte-americanos, sendo fortemente marcado por: perseguições a lideranças populares, demissões de trabalhadores, rebaixamento de salários e perpetuamento de massacres. Barrientos morre em um acidente de avião em 1969, tendo seu governo marcado pelo assassinato de Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana e que se encontrava na Bolívia, em uma tentativa de promover ali também alguma forma de contraste ao governo que havia se instalado no país.

No Brasil, tivemos a instauração de uma ditadura militar que derrubou o governo de João Goulart. Nesse golpe, é interessante destacar o apoio norte-americano para a ação, consolidado na figura do embaixador Lincoln Gordon, que tinha estreitas relações com o palácio presidencial durante e após a orquestração do golpe de 1964. Na Argentina, em 1966, um levante organizado pelo exército e liderado por Juan Carlos Onganía, derrubou o governo civil de Arturo Illia do Partido Radical. A ditadura encarregou-se de dissipar a ilusão de uma possível volta dos peronistas e adotou algumas atitudes radicais como, por exemplo, tirar a autonomia das universidades por serem considerados o berço de ideais comunistas. O governo de Organía agiu com forte repressão a movimentações dos trabalhadores na região, atingindo seu auge com a jornada conhecida como “Cordobaço”. Depois do movimento, o governo de Ongania tornou-se enfraquecido, sendo destituído pelas Forças Armadas, sob a liderança de Roberto Marcelo Levingston, que também não deu respostas ao movimento dos trabalhadores. Devido ao fato de que as mobilizações populares colocavam em risco a estabilidade do Governo, foi efetuado um novo golpe de Estado, levando ao poder o General Alejandro Agustin Lanusse, em março de 1971, que governou até 1973. Perón decidiu articular seu retorno à política, mas quem venceu foi Hector José Cámpora. Cámpora renunciou meses depois e as novas eleições foram vencidas pela chapa Perón-Perón composta por Juan Domingo e sua esposa, Maria Estela Martinez de Peron. O presidente morreu meses depois e sua esposa assumiu a presidência, posteriormente destituída por um golpe militar perpetrado por Jorge Rafael Videla.

O Chile também foi alvo de um golpe militar que marcou os rumos políticos do país durante os anos seguintes. Em 1970, Salvador Allende foi eleito e a ultradireita chilena ficou temerosa de ter mais um governo socialista na região. Pois o governo de Allende havia se comprometido com o processo de reforma agrária e nacionalização da economia, acreditando em reformas econômicas que pudessem melhorar a vida dos trabalhadores. Então, apoiados pela CIA e chefiada pelo General Augusto Pinochet, um golpe foi articulado contra o presidente. Segundo seu médico pessoal, Allende cometeu suicídio para não se entregar, disparando contra si com uma arma dada a ele por seu amigo, Fidel Castro, um AK-47.

A América Latina foi palco de um conjunto de ditaduras que marcaram sua história e a transformaram em uma região de intensos conflitos e mortes, fator que marcou os governos militares na América Latina durante as décadas de 1960 a 1980.

 

Resumo da Aula 08 – Governos Militares na América Latina

A América Latina viveu, entre as décadas de 1960 e 1980, uma série de golpes militares que instauraram na região um clima de terror e incertezas quanto ao seu futuro político. O crescimento das ideias comunistas era uma realidade em várias regiões do mundo e isso se deveu principalmente ao fortalecimento da União Soviética no pós-Segunda Guerra Mundial.

Há quem considere o caso do Chile como a primeira experiência neoliberal da região da América Latina. Por conta dessa experiência, houve reduzida diminuição nos postos de trabalho e a repressão ao movimento trabalhista acabou por minimizar as contestações ao regime. Houve aumento significativo da pobreza, gerando um intenso retrocesso no país. Na Argentina também houve um intenso processo de perseguições que marcaram a ditadura estabelecida naquele país. Com a tomada do poder por uma junta militar que depôs a Presidente Isabelita Perón, tivemos a consolidação das ditaduras no Cone Sul e em grande parte do restante da região. Apesar da Argentina ter ficado pouco tempo sob domínio dos militares, sua história não se tornou muito diferente de outros países da região, com repressões, crescimento de dívidas, violações aos Direitos Humanos, e busca pela eliminação de opositores. O governo foi exercido por Jorge Videla, que ficou na presidência de 1976 e 1981, sendo substituído por outro general devido ao desgaste de seu governo. Como ocorreu em outros países, a economia argentina passou por crises e teve um forte aumento da corrupção, elevada a níveis muito altos e que acabou por aumentar significativamente a dívida externa do país. Entre 1976 e 1983 funcionaram na Argentina 362 campos de concentração e extermínio. Para reclamar os desaparecidos na Argentina, várias entidades foram criadas, sendo a mais famosa delas as Madres de Plaza de Mayo, surgida em 1977. As mães se reuniam nas praças todas as quintas-feiras dando voltas portando fotos de seus filhos desaparecidos.

No Brasil, a ditadura se instaurou em 1964 e se autodenominou Revolução de 1964. A ditadura no Brasil foi uma das mais longas da região, durando 21 anos e contando largamente com o apoio norte-americano para a sua consolidação, que buscava ver resguardados seus investimentos financeiros na região. O combate ao comunismo foi o principal motivador do golpe, contando com o apoio de grande parte da classe média brasileira, que posteriormente iria ver as reais intenções dos militares ao permanecerem no poder por longos anos. Após o início da ditadura, o país viu sua estrutura política ser alterada pela implantação de Atos Institucionais que passaram a reger a vida política do país: estabelecendo a censura, suspendendo as garantias constitucionais e as eleições indiretas para presidente da república e criando o bipartidarismo. Formaram-se, no Brasil, vários grupos de resistência à ditadura tais como o MR-8 e a Guerrilha do Araguaia.

Para se consolidar na América do Sul, as ditaduras militares estabeleceram uma rede de comunicação que lhes garantia obter informações e prender vítimas do esquema de repreensão conjunta organizada entre as ditaduras do Cone Sul. É a chamada Operação Condor que incluía sequestro, roubo, assassinato, tortura e desaparecimento de pessoas. Para justificar a aliança, afirmavam que era contra a subversão e o comunismo, mas na verdade desejavam minar toda e qualquer forma de resistência ao regime em todos os países que compunham a Operação Condor. A América Latina viveu um de seus períodos mais críticos e marcados pela violência, dentro de um contexto de Guerra Fria e de fragilidade das instituições democráticas, conseguindo se recuperar dos efeitos das ditaduras no governo anos depois.

 

Resumo da Aula 09 – Redemocratização na América Latina

A região da América Latina foi marcada por diversos golpes militares, que a inseriram em um período de intensa repressão e violação aos direitos humanos. A ideia de um inimigo interno e da importância de combatê-lo foi um dos pilares de sustentação dos regimes, mas em um determinado momento esse discurso perde a validade. Nos EUA, assumia o cargo de presidente Jimmy Carter, um democrata que buscou modificar a política tanto na região do continente quanto na própria história. Em seu governo, Carter tornou-se mediador no conflito entre árabes e israelenses, através do acordo de Camp David, que buscava paz entre Israel e Egito, com a devolução pelos israelenses da Península do Sinai, ocupada por eles desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Carter também estabeleceu relações diplomáticas com a China comunista, buscou estabelecer com os soviéticos um controle maior no uso de armamentos e procurou reduzir tensões políticas com Cuba. No contexto da América Latina, Carter mostrou-se favorável ao fim das ditaduras militares na região, com o objetivo de estabelecer novas políticas econômicas junto aos latino-americanos.

Na Argentina, em março de 1982, foi organizada uma grande greve, marcando forte mobilização da oposição à ditadura. O governo do ditador Jorge Videla entra em crise, principalmente devido a disputas políticas entre os próprios militares e a insatisfação desses com a condução política por Videla, e sua “inabilidade” para lidar com a situação econômica do país e com a “intranquilidade” civil. Foi substituído por Roberto Viola, chefe do Estado Maior do Exército, que adotou medidas consideradas também ineficientes e com muitos fracassos econômicos. Uma junta militar declara Viola incapaz de continuar na presidência e, pouco depois, Leopoldo Galtieri assume a presidência do país. Foi no governo de Galtieri que as Forças Armadas, em 1982, invadiram as Ilhas Malvinas, situadas a 464km da costa argentina. Um dos principais objetivos de Galtieri era unir a nação em um desejo patriótico e garantir maior apoio ao governo militar. Com a morte de soldados argentinos e a indignação popular, Galtieri foi substituído pelo general Reynaldo Bignone. A crise interna se acirrou ainda mais e a ditadura argentina entrou em colapso.

No Brasil, o fim da ditadura militar coincidiu com o momento político que toda a região vivia. As lutas operárias começaram a avançar cada vez mais e uma forte onda grevista começou a se estruturar, junto com o movimento popular pelo fim da ditadura, com manifestações públicas em todo o país. O Deputado Dante de Oliveira apresentou uma Emenda Constitucional que objetivava reinstaurar as eleições diretas para Presidente no Brasil e houve forte pressão popular para que a emenda fosse aprovada pelo Congresso. Mas a emenda foi rejeitada. A campanha Diretas Já ganhou espaço intenso na sociedade, e nas principais capitais do país as pessoas iam às ruas demonstrar abertamente sua insatisfação com a ditadura. Em 1985, foi eleito Tancredo Neves que faleceu antes de tomar a posse, assumindo o então Vice-Presidente José Sarney. Assim, o Brasil deixava para trás os governos militares, mas continuava dentro de um sistema que não garantia a participação popular na escolha do Presidente, fator que se alterou no ano de 1989, com a primeira eleição direta desde o advento dos governos militares no Brasil.

No Chile de Pinochet, pressões políticas e internacionais passaram a desmobilizar a ditadura, principalmente diante das acusações de violação aos direitos humanos, que marcou a presidência de Pinochet. A continuidade de Pinochet havia sido colocada em questão por conta das dificuldades econômicas por que o país passava. O governo de Pinochet foi marcado por intensa repressão e crueldade na forma como tratava seus opositores, o que gerou grande insatisfação com ele. Em seguida, foi eleito o presidente democrata-cristão Patrício Alwin, marcando definitivo retorno do Chile à democracia.

Vários outros países viveram o término de suas ditaduras militares, na maioria das vezes por insatisfação de suas elites econômicas e por questões políticas internas. Muitos países buscaram formas de denunciar seus criminosos e buscar a real punição para eles, empreendendo julgamentos e revelando os bastidores de um período negro na história da região, de uma violência desmedida e que custou a vida de muitos que sonharam com um país mais justo.

 

Resumo da Aula 10 – A América Latina no Século XXI

O fim da Guerra Fria marcou mudanças profundas em todo o mundo e na América Latina isso também se efetivou. A redemocratização passou a ser a palavra de ordem e assim como as ditaduras foram ascendendo em períodos diferentes, também deixaram de existir em períodos diferentes. O Consenso de Washington foi um conjunto de 10 regras formulado por economistas de instituições financeiras de Washington que tinha como objetivo ajustar a economia de países que passavam por dificuldades. As medidas foram:

  1. Disciplina fiscal;
  2. Redução dos gastos públicos;
  3. Reforma tributária;
  4. Juros de mercado;
  5. Câmbio de mercado;
  6. Abertura comercial;
  7. Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições;
  8. Privatização das estatais;
  9. Desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas);
  10. Direito à propriedade intelectual;

Na Argentina, após o governo de Galtieri, foi eleito Raul Alfonsin, pela União Cívica Radical, dando início a uma fase republicana no país e em seu governo ocorreu o julgamento da Junta Militar, em 1985, que culminou na prisão de alguns das principais lideranças da ditadura. Durante o governo de Alfonsin, a Argentina passou, assim como vários outros países da região, por uma forte crise econômica. Na América Latina, a década de 1980 ficou conhecida como a Década Perdida e gerou fortes contestações e problemas em toda a região. Outro fator importante para a desestruturação da ditadura na Argentina, foi a Guerra das Malvinas ocorrida entre Argentina e Reino Unido. A Argentina argumentava que esse território fazia parte de seu território, argumentando que a região havia sido ocupada ilegalmente.

No Chile, em março de 1990, tomou posse o primeiro presidente eleito no país após o fim de 16 anos de ditadura militar, Patrício Alwyn. Após o fim da ditadura na América Latina, o Chile se mostrou pioneiro no processo de investigação de crimes cometidos durante os governos militares, investigando criminosos por violações dos Direitos Humanos. Em 1990, o presidente Patrício Alwyn criou a Comissão da Verdade e Reconciliação e a Comissão Nacional sobre Política e Tortura, ambas para investigar o que ocorreu no país durante o período do governo militar, que culminou na prisão de vários agentes da ditadura e na abertura de investigações contra o ex-presidente Augusto Pinochet. Em 2008, foi eleita a primeira mulher a governar o Chile, Michele Bachelet. Filha de um político perseguido na ditadura chilena de Pinochet, ela lutou para equalizar ainda mais o Chile e continuar consolidando seu crescimento.

No Brasil, ainda em 1979, foi dado início ao processo de anistia aos que participaram da ditadura através da instituição da Lei da Anistia, no governo do presidente militar João Figueiredo. Quando ele deu início ao processo, imaginou-se que o país passaria por um processo de redemocratização com eleições diretas, o que somente ocorrem no ano de 1989. O término do governo de Figueiredo gerou a expectativa de eleições para presidente, mas, em 1984, foi eleito indiretamente para a presidência do país Tancredo Neves, que faleceu antes de tomar posse, sendo sucedido pelo vice, José Sarney. Cabe destacar que ao término do governo dos militares, o país atravessava fortes dificuldades financeiras e com níveis de inflação extremamente altos e, para estabilizar a economia, foi implementado o Plano Real no ano de 1994.

A América Latina procurou desenvolver-se economicamente e superar anos de atrasos, e a superação da dependência econômica foi um fator que moldou sua trajetória ao longo da primeira metade do século XX e, ainda, ao longo da segunda metade, a região lidou com os governos militares, o que marcou a trajetória da democracia na região. No plano político interno, muitos partidos políticos tradicionais haviam perdido credibilidade devido a dois fatores primordiais: O papel que ocuparam durante as ditaduras; E suas responsabilidades na crise econômica vivenciada na região durante as últimas décadas do século XX. Como estratégia do plano político externo, a América Latina buscou a formação de blocos e alianças regionais que auxiliassem na estrutura da região que são: Mercosul, Alba, APEC, UNASUL e Nafta. Dentre outros buscando a integração como forma de estruturação e desenvolvimento.

 

E é só isso! 😉

 

Bons estudos!

Marcell

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