idade-moderna

Ola pessoal!
Tudo bom?

Nesta postagem será apresentada o resumo das aulas da disciplina História Moderna: Da Formação do Sistema Internacional do 4º Período do curso Licenciatura em História, Faculdade Estácio de Sá.

Vamos lá?

 

Resumo da Aula 01 – A Europa Moderna

A Idade Moderna é o termo que usamos comumente para designar o período entre os séculos XV e XVIII. É um período relativamente curto, se considerarmos que a Idade Média se situa entre os séculos V e XV. Em História, devemos formular nosso entendimento de tempo. Nos dias de hoje, as mudanças ocorrem muito rapidamente. Regimes de governo desaparecem e são substituídos. Ideologias, sistemas políticos, ideias, tecnologias. Algo que hoje é “moderno”, amanhã será obsoleto.

Nos três séculos que durou a Idade Moderna, grandes transformações se operaram sob diversos pontos de vista. É claro que ainda restaram heranças do período medieval, mas poderíamos dizer que a Idade Moderna marca a transição entre o mundo medieval e o contemporâneo, em todos os aspectos da vida em sociedade.

Durante a Idade Média, vigorou o modo de produção feudal ou feudalismo. Nesse modo de produção, não havia um estado centralizado, mas diversos feudos, comandados por um senhor feudal com plenos poderes. Os servos aravam a terra para o senhor e recebiam em troca proteção e parte da colheita. A outra parte ia para o sustento do senhor. Os servos estavam ligados à terra e eram responsáveis por todo o trabalho, além de pagarem diversos impostos ao seu senhor. Por um outro lado, os servos não tinham status de mercadoria como os escravos. Seus direitos e deveres eram diferentes daqueles atribuídos aos escravos e ele era a princípio, livre, ainda que tivesse ligado à terra e devesse obrigações ao senhor feudal.

Em uma realidade fragmentada como a medieval, não havia sentimento ou identidade nacional. A identidade que os diversos feudos tinham em comum era dada pelo catolicismo, já que a mesma religião era professada nas diversas regiões. No caso ibérico, essa identidade religiosa foi imprescindível para aglutinar a população em torno do rei. Isabel e Fernando, reis de Aragão e Castela, terão o título de reis católicos, concedido pelo Papa, em uma demonstração de que a Igreja via a união com bons olhos.

A burguesia tinha grandes interesses em um estado centralizado. A centralização do poder nas mãos do rei seria o ponto de partida para o modo de governo que caracterizaria a Idade Moderna: o absolutismo. Ainda que Portugal e Espanha tenham sido os primeiros a se unificar, é a França que é considerada o modelo de absolutismo por excelência. Na Inglaterra, isso ocorre durante o reinado de Henrique VIII e o modelo de rei absoluto francês é Luís XIV, o Rei Sol. Entretanto, o estado absolutista que antes era importante para os burgueses, se torna um obstáculo para o desenvolvimento mercantil. À medida que o estado interfere diretamente na economia, este desenvolvimento encontra-se limitado, pois acaba tendo que abarcar as necessidades burguesas e as necessidades reais. A burguesia arcava com os custos do estado, mas estava fora das decisões político administrativas.

Se na Idade Média a medida da riqueza era a terra, agora passa a ser o metal precioso que o estado acumula. Essa característica é chamada de metalismo. O metal é necessário para a cunhagem de moedas, que por sua vez, implica na compra de mercadorias, que por sua vez implica no lucro gerado pela venda destas mercadorias, que por sua vez, implica no acúmulo de moedas. A ideia geral é que ao acumular e investir na moeda, ela geraria lucro, tornando o estado, a nobreza e os burgueses, cada vez mais ricos.

O mercantilismo não é um sistema econômico, mas um conjunto de práticas econômicas característicos dos estados modernos. É possível afirmar que o mercantilismo daria origem ao sistema capitalista, e alguns teóricos entendem esse momento como o início do capitalismo comercial. Outra prática mercantilista é a balança comercial favorável. Vender mais do que comprar, ou seja, exportar mais do que importar para que não haja déficit. Mas nem todos os reinos conseguiram aplicar esta medida. Espanha e Portugal, por exemplo, mesmo recebendo toneladas de metais preciosos de suas colônias, viviam em constante déficit financeiro devido as muitas mercadorias compradas na França e na Inglaterra, além de contraírem empréstimos com os holandeses. O ouro e a prata da América apenas passavam por Portugal e Espanha, mas iria enriquecer os cofres dos outros reinos.

Temos também os lances do protecionismo e das práticas do monopólio, onde o estado taxava os produtos estrangeiros, como forma de estimular uma nascente manufatura nacional. Também estabelecia monopólios comerciais, como é o caso do pacto colonial. Mas é importante perceber que a Idade Moderna não rompe completamente com a estrutura medieval, mas a transforma, agregando novos elementos dando origem a um novo modelo de sociedade.

 

Resumo da Aula 02 – As Grandes Transformações

Quando falamos sobre Idade Média, a influência católica é claramente percebida durante toda essa época. A Igreja possui não só o poder espiritual, mas um enorme poder político e econômico. Em uma Europa fragmentada, o catolicismo acaba se tornando a única identidade que a sociedade possui. Os livros eram copiados a mão nos mosteiros e então distribuídos pelo continente. Ou seja, a Igreja claramente escolhia o que seria lido ou não pelos fieis. O que podemos concluir é que as tarefas eclesiásticas estavam muito além daquelas concernentes ao mundo espiritual. Com a unificação dos estados, a Igreja passa a ser parte integrante, indissociável, da nova estrutura de poder. O melhor exemplo disso é seu papel desempenhado na unificação da Espanha e na partilha das colônias ultramarinas entre os reinos ibéricos. Não podemos esquecer também que a unificação espanhola somente ocorreu de fato após a expulsão dos muçulmanos de Granada, o que tornou a fé católica hegemônica no reino.

Também cabia a Igreja a confecção dos chamados registros paroquiais. Além de documentos diversos, os registros de nascimento, morte, batismo e casamento eram realizados por esta instituição que servia então como uma espécie de cartório. Em 1494, o papa serve como intermediário na assinatura do Tratado de Tordesilhas que divide as possessões ultramarinas entre Portugal e Espanha. A utilização do papado como intermediário garantia aos reinos ibéricos a legitimidade do acordo, que estaria, portanto, aprovado por Deus, representado pelo papa.

Mas essa adequação não se deu sem conflitos. Se os ibéricos aceitaram como “natural” a intervenção da Igreja católica nos assuntos do estado, o mesmo não ocorreu na Inglaterra através do pedido de divórcio de Henrique VIII.

Por um outro lado, é certo que as reformas religiosas possuem um fundamento intrinsecamente político, mas é na reforma anglicana que este aspecto se torna mais evidente. De fato, devemos entender estas reformas no grande conjunto de transformações das mentalidades vivido entre o final da Idade Média e o início da Era Moderna. É o lance dos renascimentos: comercial, urbano, científico e cultural. O renascimento cultural é sempre o primeiro que nos vem em mente por ter deixado um enorme legado, a arte renascentista. O renascimento cultural é fruto da mudança de mentalidades que ocorre em sua época, especialmente entre os séculos XIII e XVI. Na Idade Média, a arte, que privilegia temas religiosos, está sob a influência da Igreja. As obras medievais são quase como uma ilustração da Bíblia, retratando passagens famosas ou o martírio e a vida dos santos católicos.

Na Idade Média, os burgos, as cidades medievais, ficavam geralmente em uma confluência, caminhos de passagem entre vários feudos, cujos servos se dirigiam até lá para trocar seu excedente agrícola. Nessas cidades ocorriam as feiras. Com a crise do século XIV, essas cidades de desenvolvem e se tornam grandes centros comerciais. Contudo, algumas cidades italianas, que possuíam uma posição geográfica privilegiada, se desenvolvem antes e mais rapidamente. É o caso da Veneza e Florença, cujo mercado se deu através do comércio de bens de luxo, vindos do Oriente. Esse comércio fez surgir uma burguesia sólida, que passou a se dedicar não só ao comércio, mas também as atividades bancárias, acumulando grande capital. Essa burguesia passa a financiar os artistas do renascimento, encomendando obras para adornar seus palácios residenciais ou seus locais de trabalho. Por isso que um dos maiores museus do mundo, a Galleria Degli Uffizi, que fica em Florença, contém um imenso acervo de arte renascentista e era onde a família Médici, que governava Florença, exercia suas funções administrativas.

O renascimento, a reforma e a expansão marítima evidenciam que não há só um novo mundo a ser conhecido, mas, sobretudo, um novo homem. Na Idade Moderna, se forma uma nova concepção de indivíduo, de Estado e de sociedade. Segundo Jacob Burkhardt, na Idade Média, o homem reconhecia-se a si próprio apenas como raça, povo, partido, corporação, família ou qualquer outra das demais formas de coletivo. Na Itália, pela primeira vez, desperta ali uma contemplação e um tratamento objetivo do Estado e de todas as coisas deste mundo. O homem torna-se um indivíduo espiritual e se reconhece como tal.

 

Resumo da Aula 03 – A Europa no Século XVII

Um dos campos privilegiados onde podemos notar a herança medieval é, sem dúvida, a religião, mas as manifestações artísticas do período também demonstram esses conflitos. A arte engloba vários campos de produção, como a arquitetura. Então podemos ver que o renascimento retoma conceitos estéticos da antiguidade clássica, valorizando a cultura greco-romana. Todavia, o movimento de contrarreforma no século XVI, em especial após o Concílio de Trento, fez com que a Igreja revisse sua posição em relação à arte renascentista, da qual ela tanto se beneficiaria no século interior. Com o concílio, cujo um dos objetivos era reagir à expansão do protestantismo, o catolicismo reforça seu aspecto moral especialmente no que concerne as artes plásticas. Podemos citar, como exemplo, a Capela Sistina, uma das obras primas de Michelangelo.

Tradicionalmente, entre a Idade Média e a Moderna, havia na Itália algumas famílias particularmente poderosas. Essas famílias possuíam terras e, com o renascimento urbano e comercial, passaram também a se dedicar ao comércio e às atividades bancárias. A herança familiar cabia ao filho mais velho e, por isso, os demais filhos deviam seguir carreiras de prestígio, e nada mais prestigioso que a Igreja. Era comum que membros de família poderosa tornassem cardeais e, portanto, aspirantes à cadeira do papa. O novo pontífice não é somente o chefe da Igreja Católica, mas também um chefe de estado. Por um outro lado, a Igreja possuía um vasto território, muito maior do que lhe cabe em nossos dias. Sendo assim, a eleição do papa não era apenas uma questão espiritual, mas, sobretudo política.

Outras formas artísticas surgiram particularmente influenciadas pelo pensamento católico. Dentre elas, destacamos o barroco, um estilo importante não só na Europa, mas também nas colônias americanas, em especial no Brasil. Nos países marcadamente católicos, como Itália, Espanha e Portugal, o barroco se desenvolveu e chegou às colônias, tendo sido uma das principais manifestações artísticas do período colonial. Ainda que a arte barroca tenha um viés religioso, ela em nada se parece com a arte medieval. Diversos elementos renascentistas foram incorporados nos estilos que seguiram o renascimento e com o barroco não foi diferente. As paisagens realistas, os retratos anatomicamente bem feitos, a noção de profundidade fazem parte do legado renascentista para a arte moderna.

No Estado de Minas Gerais (Séc. XVIII), destaca-se a obra de Antônio Francisco Lisboa (o Aleijadinho), escultor, entalhador e arquiteto. Já na Bahia (Séc. XVII), coexistem diversas irmandades que erguem vários templos aos santos de sua devoção.

O embate entre o classicismo e barroco reflete a luta entre a Igreja e a ciência, a fé e a razão, tão característica da Idade Moderna. Enquanto o barroco florescia nas artes, diversos cientistas faziam enormes avanços em suas áreas de conhecimento, como Kepler, com seus estudos sobre o movimento dos planetas e Isaac Newton, com a Teoria da Gravidade. Com a contrarreforma e as atividades intensas da Inquisição, os diversos cientistas que contestavam os princípios católicos eram expostos a constantes processos e investigações, que culminavam, em alguns casos, com a morte na fogueira, como ocorreu com Giordano Bruno. Dentre os pressupostos da contrarreforma, estava também a expansão da fé católica, e as colônias americanas representavam um vasto território a ser conquistado, em termos espirituais. A proximidade entre a Igreja e o Estado Ibérico permitiu a chegada da cultura europeia ao continente americano.

Durante a Idade Média, eram comuns os conflitos armados, dentro e fora da Europa. Podiam se referir as disputas dinásticas, como a Guerra das Duas Rosas, na Inglaterra, ou longos embates religiosos, como é o caso das Cruzadas. Com a centralização dos Estados nacionais, essa situação não se alterou muito, mas agora as disputas assumiam um caráter nacional e estavam diretamente relacionadas a busca por territórios e a conquista de novos mercados, dentro dos parâmetros do mercantilismo. Porém, nem todos os estados se centralizaram. A Itália e a Alemanha permaneceram divididas em reino, por várias razões entre elas, a questão religiosa, já que o papado possuía diversos reinos, sobretudo na Itália.

O equilíbrio de poder entre as nações europeias, centralizadas ou não, era frágil. Havia disputa pelas possessões ultramarinas, reivindicadas pela França, por exemplo, que não reconhecia o Tratado de Tordesilhas. Soma-se a esse contexto, a ameaça de invasão dos turcos em regiões do Sacro Império Romano Germânico e da Península Itálica e temos uma Europa em ponto de ebulição. Nestas condições, um conflito armado não tardaria a acontecer e em 1618, tem início a Guerra dos Trina Anos, que começou na cidade de Praga, na atual República Theca, que na época era governada pelos Habsburgos. A Dinastia Habsburgo era católica e buscou na religião o princípio unificador entre os estados. Entretanto, a reforma já se espalhara pelos reinos e os protestantes se opuseram à iniciativa de consolidação do catolicismo na região, que opôs duas ligas: a Liga Evangélica, dos princípios protestantes e a Liga Sagrada, dos princípios católicos.

Quando a França ganha a guerra em 1648, não podemos afirmar que o catolicismo tenha sido derrotado, pois o estado francês não abandonou essa religião. A derrota foi imposta a uma dinastia e seus aliados católicos, e não ao catolicismo. A Paz de Vestfália foi uma série de tratados que alteraria a configuração geopolítica europeia para selar o fim do conflito. A França incorpora a região da Alsácia, dentre outros territórios. A Holanda e Suécia são reconhecidas como Províncias Unidas e Confederação Suíça. O Sacro Império Romano Germânico, derrotado, fragmenta-se ainda mais, dividindo-se em reinos menores, o que pode significar a unificação tardia da Alemanha, que ocorrerá somente no século XIX.

Do ponto de vista religioso, os tratados garantem liberdade de culto para católicos, luteranos e calvinistas, o que acaba com as pretensões dos Habsburgos de instituir o catolicismo como religião hegemônica. Vestfália é emblemática porque inaugura o chamado sistema internacional moderno, pois pela primeira vez são reconhecidos princípios de soberania e a ideia de estado-nação.

 

Resumo da Aula 04 – O Projeto Colonial Europeu

A existência de novas terras, embora não estivesse provada, não era exatamente um mistério. Vários navegadores, cartógrafos e astrônomos já haviam indicado que estas terras deveriam existir. Mas as expedições eram caras e esse era um investimento de alto risco. Foi necessária uma série de fatores para que esta expansão pudesse de fato ocorrer, dentre elas, com apoio político e financeiro do estado e a existência de uma burguesia disposta a investir naquilo que seria, a princípio, uma aventura arriscada. Os ibéricos saíram na frente. Em parte por sua localização geográfica privilegiada, em parte pela centralização precoce de seus estados.

Se no início da expansão foi um processo diferente para cada país europeu, mais ainda é a empresa colonial montada por cada uma dessas nações. Durante muito tempo, convencionou-se dividir os projetos coloniais em colônia de exploração e de povoamento. Em uma análise superficial, apontava-se que a colonização ibérica era de exploração, pois tinha como objetivo fundamental explorar as terras descobertas sem o intuito de desenvolvê-la. Já a colonização inglesa seria de povoamento, pois a aplicação da negligência salutar teria concedido às colonias autonomia suficiente para que tivessem uma organização política própria, sofrendo uma interferência menor da Coroa do que o que foi aplicado no Brasil e em boa parte da América. Ainda que as colonizações tenham sido diferentes, tinham um objetivo em comum: gerar lucro para a metrópole.

A Espanha, enquanto metrópole, buscou sempre impor um rígido controle sobre suas colônias, através da criação de diversos mecanismos administrativos. Quando falamos sobre a chegada dos espanhóis na América, lembramos muito dos impérios Inca e Asteca. Embora tais sociedades tenham sido as mais notórias, haviam diversas outras sociedades indígenas, em diferentes graus de desenvolvimento. A grandeza desses impérios americanos impressionou os espanhóis, mas isso não os impediu de subjugar essas sociedades, em busca do ouro e da prata que a Europa tanto necessitava. No século XVIII, a Espanha havia formado um extenso império, que ocupava grande parte das terras americanas. Mas os conflitos sociais eram recorrentes e os problemas administrativos como a corrupção eram constantes. As disputas de poder entre criollos e chapetones acabaram sendo um dos principais motores da independência das colônias espanholas, no século XIX, pois, durante o século XVIII, por questões internas da Espanha, o poder metropolitano foi se tornando cada vez mais frágil.

Durante o século XVIII, a Espanha passou por uma grave crise sucessória, que provou a Guerra da Sucessão, envolvendo diversos reinos europeus. O rei Carlos II, da dinastia Habsburgo, casado com uma princesa francesa, não tinha herdeiros. O rei francês Luis XIV, reivindicava a posse do trono espanhol para seu neto, Felipe, já que com a morte de Carlos II, o trono ficaria vago. Um herdeiro francês no trono espanhol significa uma brecha para França no continente americano. Então, iniciou-se um conflito culminando na vitória francesa e a ascensão de Felipe V ao trono. O novo rei precisou assinar o Tratado de Utrecht que permitia a Inglaterra comercializar com as colônias espanholas, o que quebrou o monopólio sobre o comércio que a Espanha mantivera até então.

De fato, o século XVIII foi extremamente conturbado no continente europeu. Toda a Europa sofreu o reflexo da Revolução Francesa de 1789 e da expansão napoleônica que a seguiu. As independências que ocorreram no século XIX, têm sua origem nos acontecimentos do século XVIII. A Espanha foi invadida por Napoleão, o que abalou sua estabilidade e tornou-se incapaz de administrar suas colônias com o rigor usual. Por um outro lado, com o aumento das exigências metropolitanas, o clima da insatisfação entre a elite criolla local cresceu, disseminando as propostas de rompimento. Os criollos reivindicavam autonomia política e os dois principais líderes do processo de emancipação foram José San Martin e Simon Bolívar. Simon Bolívar defendia que as ex-colônias deveriam formar um único país, de dimensões continentais, em uma ideologia que ficou conhecida como Bolivarismo. Entretanto, embora aparentemente as antigas possessões espanholas tivessem muito em comum, tinham também muitas diferenças e interesses conflituosos. A estrutura majoritariamente agrária da América Latina permaneceu no pós-independência e manteve-se como um legado do passado colonial. Quando compararmos os processos de formação dos estados nacionais latinos e norte americanos, vemos que, embora diferentes, ambos mantiveram resquícios de seus legados coloniais.

Quando a Inglaterra tomou posse no território americano, não havia a princípio, nada que justificasse um intenso esforço de exploração. Além disso, a Inglaterra passava internamente por duras disputas religiosas entre católicos e protestantes que se arrastavam por vários anos, até encontrar uma paz relativa no reinado de Elizabeth I. Entre os Ibéricos, a posse da terra era concedida a ricos fidalgos ou a nobres, enquanto na América inglesa, pequenos lotes eram distribuídos aos cidadãos comuns. No aspecto político, os colonos ingleses possuíam maior autonomia, embora seguissem as leis inglesas, estavam organizados em câmaras e legislavam sobre os assuntos locais.

Entre 1756 e 1763, a Inglaterra envolveu-se na Guerra dos Sete Anos contra a França. Embora tenha saído vitoriosa, a Inglaterra sofreu grandes prejuízos e viu na exploração colonial a maneira de diminuir a crise econômica que se alastrava pelo reino. Então, a Coroa aumentou os impostos e criou novas taxas para poder recuperar seus cofres e estabelecerem diversas novas leis nas quais submetiam os colonos ao jugo metropolitano. Essas leis foram chamadas de “Leis Intoleráveis” e provocaram uma enorme reação colonial. Em 1774 houve o primeiro congresso na Filadélfia onde buscava um acordo com os ingleses. Mas a Coroa permaneceu irredutível e, em 1776, os Estados Unidos declaram sua independência e entram em guerra contra a Inglaterra. Os ingleses foram derrotados e tiveram que reconhecer a emancipação das 13 Colônias em 1783. Em 1787, foi promulgada a Constituição, a mesma que vigora até os dias de hoje, garantindo os direitos nacionais. Contudo, cabe a cada estado legislar sobre os aspectos que não estão contemplados na Constituição, permitindo a manutenção do sistema escravista. Nos estados do Sul, os negros possuíam suas próprias escolas, eram separados nos transportes coletivos e proibidos de frequentar os mesmos estabelecimentos que os brancos, em uma realidade que perdurou até a década de 1960.

Como pudemos perceber, as ex-colônias inglesas e latinas, guardam em suas estruturas socioeconômicas uma enorme herança de seu passado colonial. No conjunto da era moderna, o processo colonial foi fundamental para a consolidação dos estados nacionais europeus e à medida que estes enfraqueciam, ruía igualmente seu poder sobre as colônias. Foram os conflitos vivenciados pelos reinos europeus que proporcionaram as condições para os movimentos de independência e para a formação dos estados nacionais americanos que, mesmo livres de jugo metropolitano, ainda se mantiveram atrelados a um passado colonial.

 

Resumo da Aula 05 – O Oriente Moderno

Quando falamos sobre História Moderna, imediatamente nos vem à mente a ascensão dos reis absolutistas europeus e a formação dos Estados Nacionais, mas e a Idade Moderna fora do contexto europeu? O Oriente sempre atraiu os olhares curiosos dos europeus. Um exemplo disto é a jornada do veneziano Marco Polo, no século XII. Polo teria vivido na corte de Kublai Khan, um dos mais poderosos imperadores do seu tempo e, ao regressar para a Europa, descrevera as maravilhas e os mistérios orientais. O historiador indiano Sanjay Subrahmanyam enfatiza que a história da Eurásia moderna não pode ser vista como mero produto ou resultado do “comando” da história européia, sem a qual, supostamente, não existiria. De modo geral, o que os historiadores contemporâneos questionam é a própria visão de Oriente, construída pelos europeus ao longo de sua história. Segundo Edward Said, o Oriente não é apenas adjacente à Europa; é também o lugar das maiores, mais ricas e mais antigas colônias europeias, a fonte de suas civilizações e línguas, seu rival cultural e uma de suas imagens mais profundas e mais recorrentes do outro. Além disso, o Oriente ajudou a definir a Europa (ou o Ocidente) com sua imagem, ideia, personalidade, experiência contrastante. Partindo destes pressupostos, veremos a expansão e a consolidação dos impérios chinês e japonês, entendendo a história oriental e ocidental como conectada.

A China Sob a Dinastia Ming (1850) – O apogeu do Império Chinês ocorreu durante a Dinastia Ming, que governou a China entre os séculos XIV e XVII. Os grandes símbolos chineses, como a Muralha da China e a Cidade Proibida foram construídos durante o governo Ming. Durante o último período desse governo, a China passou por uma crise agrária devido as péssimas condições climáticas. Tais problemas deram início à fome que, aliada à cobrança de impostos por parte do Estado, provocou uma enorme insatisfação da população chinesa. O governo Ming estava em declínio e era vulnerável, sobretudo, nas fronteiras, onde estava sujeito a diversas invasões.

Dinastia Qing (última Dinastia Chinesa) – Em meados do século XVII, os manchus, que habitavam na região da Manchúria, nordeste chinês, invadiram a China e tomaram o poder, inaugurando uma nova dinastia, a última, Dinastia Qing. Assim como havia sido ocorrido na Dinastia Ming, a figura do imperador era sagrada. Seu poder remete ao dos reis absolutos europeus, tendo o poder decisório definitivo nas questões políticas e religiosas. O Estado Chinês era extremamente complexo e possuía diversos ministérios.

China e Tibet na Dinastia Qing – O poder não era necessariamente hereditário, o imperador podia escolher seu sucessor entre seus filhos ou entre um parente, sempre do sexo masculino. Sob essa dinastia, a China conheceu uma enorme expansão territorial englobando a Manchúria, a Mongólia e o Tibet. Interessante saber que em 1950, o Tibet foi invadido pela China durante o governo comunista de Mao Tse Tung. O líder tibetano era também líder religioso, Dalai Lama, e que foi expulso pelos chineses permanecendo até hoje um político exilado. A presença chinesa no Tibet não é uma novidade, embora o caráter violento que ela assumiu, no século XX, não tenha tido precedente. Durante a Dinastia Qing, Dalai Lama tornou-se o conselheiro espiritual do imperador. Segundo a antropóloga Ana Cristina, um dos fatores fundamentais para o sucesso da invasão e a deposição dos Ming se deve ao fato dos Manchus terem prometido que respeitariam as diferenças religiosas chinesas e, que no caso do Tibet, essa promessa teria sido cumprida.

Fim da Dinastia Qing e a Queda do Império Chinês – Durante o século XVII, o catolicismo europeu passa a exercer uma influência significativa na China e também no Tibet. Contudo, cisões dentro da própria igreja católica e conflitos entre as ordens religiosas fizeram com que, no século XVIII, o cristianismo fosse banido do país. O cristianismo está intimamente ligado ao declínio do Império Qing. Além da corrupção do aparelho de Estado, em 1851 estourou a Rebelião Taiping, de caráter religioso. O conflito começou liderado por um grupo que pregava o cristianismo e tinha como objetivo derrubar as religiões dominantes, o confucionismo e o budismo. O Estado reprimiu a rebelião com violência em um conflito que durou até 1864, e deixou milhares de mortos. O prejuízo foi imenso, não só do ponto de vista financeiro, mas também político. O Império Chinês mostrara sua face autoritária denunciando sua fragilidade política.

A Dinastia Qing também já havia sido derrotada na Guerra do Ópio, travada contra o Reino Unido. Desde o século XVIII, a Companhia Britânica das Índias Ocidentais tinha permissão da Coroa Britânica para realizar o comércio colonial. O chá era um dos principais produtos da Companhia, e a China era uma grande produtora. Mas, em 1839, a China negou-se a permitir o livre comércio do ópio aos britânicos, provocando uma reação imediata do Estado Inglês. Com a derrota, os chineses precisaram pagar uma indenização aos ingleses, além da concessão de portos que seriam administrados pelos britânicos. Mas a maior perda foi territorial, com a cessão de Hong Kong para a Inglaterra, conforme estabelecido no Tratado de Nanquim de 1842. Hong Kong voltaria a ser da China somente em 1997, após negociações diplomáticas.

A incapacidade de conter a corrupção corroía o Estado e o último grande golpe foi a Guerra dos Boxers, de caráter nacionalista, ocorrido em 1899. Os boxers protestavam contra o cristianismo e exigiam uma diminuição na interferência estrangeira no país. Oito nações acabaram se envolvendo no conflito: Japão, Império Alemão, Áustria-Hungria, Itália, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. A derrota dos boxers marcou o declínio dos Qing e o aumento da interferência estrangeira no país que durou até 1912, quando um golpe foi liderado por Sun Yat-sen e extinguiu a monarquia estabelecendo a República da China.

China e Japão – A China exerceu não só uma influência cultural sobre o Japão, mas também os dois impérios tiveram, ao longo de suas trajetórias, diversas disputas territoriais. Entretanto, por ser uma ilha, o Japão manteve sua cultura milenar bastante preservada das interferências estrangeiras.

Japão – A formação das classes sociais no Japão, remete ao século III, no chamado Período Yayol. A cultura do arroz e a posse de terras promoveram a ascensão de uma aristocracia de caráter militar, os famosos samurais. Durante o período medieval, nos éculo XII, o imperador, preocupado com os conflitos no reino, concebeu a Minamoto no Yoritomo o título de xogum. O xogum era um chefe militar que estaria, a princípio, subordinado ao imperador. Entretanto, os poderes do imperador no Japão nunca foram absolutos. O primeiro xogun trouxe o regime xogunato, que perduraria por séculos. Os samurais eram guerreiros que serviam a um senhor feudal, chamado de daimyo. Suas relações são muito parecidas com o de suserania e vassalagem que caracterizam a Idade Média na Europa. O samurai fornecia proteção às propriedades da aristocracia e em troca recebia terras e grão. Durante a Idade Moderna, Período Edo, os samurais tornaram-se uma classe e ascenderam politicamente o último xogunato, chamado de Tokugawa. Esse xogunato permaneceu até a restauração de Meiji, em 1868. Politicamente, os Tokugawa procuravam manter os senhores de terras sob o mais rígido controle. Por seu caráter militar, o Japão promoveu diversas tentativas expansionistas, investindo contra a Coreia e contra territórios chineses. O sistema xogunato manteve o Japão preso a um sistema feudal que já havia sido extinto na maior parte dos países. Sua base econômica era agrária e seu principal produto era o cultivo do arroz.

A partir do século XIX, a Revolução Industrial na Inglaterra se espalha por outros países como Estados Unidos e França, e a busca por novos mercados tanto consumidores quanto fornecedores de matéria-prima tem início. O Período de Meiji teve apenas um imperador, Mutsuhito, que assumiu o governo aos 16 anos e reinou até sua morte, em 1912. Seu governo durou um pouco mais de 4 décadas e suas transformações inseriram o Japão no sistema capitalista, e permitiram que o país se tornasse a potência industrial mais importante da Ásia do início do século XX. Também extinguiu os samurais e adotou um modelo de exército nacional. Podemos ver que a principal característica da Era Meiji foi o processo de ocidentalização. Por um outro lado, a rapidez com as mudanças fez com que uma parte da tradição japonesa fosse esquecida, tendo sido recuperada somente séculos depois.

Embora a monarquia existisse ha séculos, somente em 1889 foi promulgada uma constituição, estabelecendo o regime monárquico constitucional a ser adotado pelo país. A moeda iene foi criada e estimulou a produção industrial, com a criação de estradas e ferrovias que fornecessem infraestrutura para o escoamento de mercadorias. Vários estudantes, intelectuais e políticos foram enviados ao Ocidente, em especial EUA e Inglaterra, para conhecer o sistema capitalista que o imperador pretendia ver consolidado. A intensa troca de conhecimento permitiu a introdução de inúmeras inovações tecnológicas que beneficiaram sobretudo a indústria.

Por um outro lado, as reservas nacionais não bastavam e o Japão foi obrigado a invadir outros países, como a Coréia e a Manchúria, não só para garantir sua soberania, mas também para obter recursos, gerando uma série de conflitos internacionais que envolveriam a Rússia, a França e a Alemanha. Quando o Imperador Meiji morreu em 1912, legou ao seu filho um país moderno, mas cheio de problemas financeiras, que, a princípio, só podiam ser resolvidos a partir da expansão territorial culminando com a entrada do Japão na Primeira Guerra Mundial, em 1914.

 

Resumo da Aula 06 – O Iluminismo

Na Idade Moderna, surgem questionamentos sobre para que serve o Estado e como ele deve funcionar para ser legítimo. Ao conjunto de teorias formuladas para entender e analisar o homem, a sociedade e o Estado moderno, damos o nome de Iluminismo. Em termos ideológicos, o absolutismo teve diversos defensores entre os filósofos e os pensadores da época estão: Jean Bodin, Jacques Bossuet, Nicolau Maquiavel e Thomas Hobbes.

Jean Bodin era um jurista que viveu no Séc. XVI, e se dedicou a elaborar teorias sobre a soberania, sendo considerado o pai da Ciência Política. Sua principal obra é A República, onde defende os princípios da soberania e do direito divino dos reis, reconhecendo a existência de três tipos de regime: monarquia, aristocracia e democracia. Bodin acreditava na monarquia como o regime necessário à manutenção da ordem. O Estado soberano, amparado no direito divino, pode assegurar a ordem, necessidade fundamental para o desenvolvimento da sociedade.

Jacques Bossuet era teólogo e viveu na França entre os séculos XVII e XVIII. Na verdade, como religioso, é compreensível que este pensador tende a buscar na religião os fundamentos da política. Assim defende também a teoria do direito divino segundo a qual um rei ocupa este cargo porque esta é a vontade de Deus e como tal não pode ser questionada e nem sofrer oposição. As revoltas populares e a oposição ao poder real, passam então a ser consideradas como heresia, sob este ponto de vista. Na Idade Moderna, embora exista uma noção sobre a separação Igreja e Estado, em alguns casos, a Igreja acaba servindo como uma instituição que legitima o poder real, como é o caso da Espanha e da França católicas.

Nicolau Maquiavel foi um dos mais notórios filósofos absolutistas que nasceu e viveu em Florença, na Itália. Sua principal obra, O Príncipe, publicada no século XVI, uma citação, que de fato não se encontra no livro, ficou famosa: “o fim justifica os meios”. Na verdade, esta é uma interpretação um tanto equivocada da obra de Maquiavel que defendia o uso de qualquer meio para atingir um objetivo, desde que esse objetivo fosse justo e contribuísse para o bem maior. É importante lembrarmos que a Itália era dividida em reinos autônomos, e que só seria unificada no século XIX. Essa divisão fez com que, mesmo na Idade Moderna, algumas famílias dominassem os reinos italianos e não era raro disputarem o poder, como é o caso dos Médici, em Florença e dos Sforza, de Milão.

Thomas Hobbes foi um inglês que viveu no século XVI, e suas obras influenciaram sobremaneira o pensamento iluminista. Sua principal obra é o Leviatã, que trata da necessidade do Estado. Hobbes era um contratualista, ou seja, defendia a teoria do contrato social, que seria retomada pelo iluminista Jean-Jacques Rousseau. Para ele, os homens nascem iguais, e, no estado de natureza – nosso estado primitivo, sem Estado ou leis – tendem a destruir para obter o que desejam. É a chamada guerra de todos contra todos, o que nos remete à frase pela qual Hobbes é constantemente lembrado: “O homem é o lobo do homem“. De acordo com o contrato social, o homem precisa do Estado para poder sobreviver em sociedade. Daí a defesa do absolutismo, pois só um Estado único e soberano é capaz de conter as paixões humanas.

O Iluminismo foi um movimento intelectual que surge no século XVII e está em diálogo constante com as teorias que haviam sido formuladas pelos defensores do absolutismo. Hoje em dia, entendemos que um governo legítimo necessita ser democrático e que o voto é a ferramenta mais comum e importante de participação popular. Na Idade Média, não havia pensamento corrente sobre o Estado na Europa porque não havia Estado. Na Idade Moderna, discutia-se o que era cidadania, formas de participação popular, até onde alcança o poder de um soberano, quais são os elementos necessários para um estado forte, e assim por diante. Na Idade Contemporânea, discutimos os Estados autoritários, liberais, capitalistas ou socialistas. São as nossas preocupações contemporâneas. As ideias iluministas foram pensadas a partir da existência do Estado absolutista e apontam para o esgotamento deste modelo administrativo. Não só na política, mas também na economia. Ao olhar a organização do Estado fragmentado em feudos na Idade Média, os iluministas enxergam aquele período como “idade das trevas”. A fragmentação do Estado é vista como algo primitivo, desorganizado e a centralização como indispensável, mas não da maneira que foi aplicada, dando origem ao absolutismo, mas com uma maior participação popular e a partir de princípios fundamentais, como liberdade e igualdade.

Entre os séculos XVI e XVIII, ocorre na Europa, um movimento denominado Revolução Científica. Durante séculos, a ciência esteve ligada a Filosofia, e muitos cientistas eram também filósofos. O Renascimento, a Reforma e, sobretudo, a invenção da imprensa, contribuíram para uma nova forma de pensar a ciência. No século XV, com a imprensa de Gutemberg, a tarefa de compartilhar ideias tornou-se muito mais fácil. Grandes obras de cientistas como Copérnico e Galileu podiam ser lidas em outros países, traduzidas para outros idiomas e se tornariam mais acessíveis do que jamais foram. É claro que havia limitações e, a principal delas, era a Igreja, que condenava várias teorias científicas e julgava os cientistas como hereges.

Os principais representantes da Revolução Científica foram Isaac Newton e René Descartes. Newton nasceu na Inglaterra no século XVII, suas teorias no campo da Matemática e da Física são estudadas até hoje. O cientista passou a teorizar sobre a queda de objetos e se essa força que os faz cair em direção a terra existiria também fora dela. É a chamada Lei da Gravitação Universal. René Descartes foi um matemático francês a quem é atribuída a frase: “Penso, logo existo“. Descartes defendia o uso de princípios matemáticos para entender não só as leis da natureza, mas também a Filosofia e a ciência em geral. Sua obra, O Discurso do Método, defende o empirismo e a observação científica como forma de fazer ciência, em uma definição que se tornou o paradigma que definiu o que é ou não ciência. Descartes é considerado o pai da Matemática Moderna e o fundador do empirismo e do racionalismo.

Apesar dos iluministas enxergarem a Idade Média como “idade das trevas”, hoje avaliamos que a Idade Média teve uma grande contribuição cultural e que o feudalismo é fruto de seu tempo. Compreender as estruturas políticas e econômicas significa também compreender o homem e a sociedade do período com suas particularidades, enfim, com a sua própria história.

Voltaire foi um dos iluministas francês que viveu entre os séculos XVII e XVIII, e defendia a separação entre a Igreja e Estado com mais fervor. Foi um crítico ferrenho da intolerância religiosa e do regime absolutista. Em suas obras, denunciava os privilégios da nobreza em contraste com a miséria da população francesa. Por um outro lado, a crítica tanto de Voltaire quanto a de outros iluministas é a instituição eclesiástica e não à fé ou a crença em Deus. As ideias de Voltaire influenciaram diversos movimentos, como a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos.

De modo geral, os iluministas defendem o predomínio da razão em detrimento da fé. Este é um dos princípios também defendidos pelo francês Denis Diderot, que organizou a Enciclopédia, e teve a contribuição do filósofo D’ Alembert tendo como uma das patrocinadoras, a rainha Catarina da Rússia.

 

Resumo da Aula 07 – O Mundo das Ideias: A Influência do Pensamento Ilustrado

O conceito do Antigo Regime se popularizou através do trabalho de Alexis de Tocqueville. Tocqueville utilizava a noção de Antigo Regime para caracterizar a França entre os séculos XVI e XVIII, absolutista, mercantilista, religiosa e estamental, ou seja, com pouca mobilidade entre as classes sociais. Mais tarde, o uso dessa expressão passou a designar outros reinos europeus, na mesma época e com características semelhantes, como Portugal.

A centralização de poder e o afastamento da população da administração pública são apontados como exemplos de atraso a tirania. O Estado do Antigo Regime, para os iluministas, deveria ser reformado ou extinto, para dar lugar a um sistema político moderno, e que de fato atendesse às necessidades da população como um todo e não só de algumas classes, como o clero e a nobreza. A perseguição ao pensamento ilustrado acabou por fazer com que este se desenvolvesse, sobretudo, em reinos onde a influência católica fosse menos relevante, como a anglicana na Inglaterra. No caso da França, embora fosse um reino católico, a maioria dos habitantes eram protestantes, os chamados huguenotes. As regiões protestantes ou que tivessem uma tolerância religiosa maior, se tornaram campo fértil para a propagação de ideias iluministas.

A difusão de ideias, o contato com a imprensa, com livros e panfletos, acaba por fazer com que na cidade surjam discussões sobre os direitos públicos e tenha início uma reivindicação pela maior participação do povo no Estado. A palavra iluminismo costuma nos remeter aos pensadores franceses, já que a França era o modelo do absolutismo da Idade Moderna. Mas este movimento atingiu diversas regiões da Europa e teve representantes de diferentes nacionalidades, como o inglês John Locke.

Locke viveu na Inglaterra do século XVII e é considerado um dos fundadores do empirismo filosófico. Ele acreditava que ao nascer, o indivíduo fosse uma tábula rasa, como um quadro em branco. Para ele, todos os homens nascem iguais e não são, a princípio, nem bons e nem maus. Na medida em que adquirem experiências diversas, vão tendo seu caráter e suas personalidades moldadas pela vida em sociedade. Do ponto de vista político, sua obra, Dois Ensaios Sobre o Governo, Locke critica a doutrina do direito divino e o Estado absolutista. A grande preocupação deste filósofo é conciliar a liberdade inerente ao indivíduo, seu direito natural, com a manutenção da ordem social e política. A defesa do direito natural, comum a Hobbes e Rousseau, é chamada de jusnaturalismo.

Outro importante contratualista, além de Locke, foi Jean-Jacques Rousseau. Suíço, viveu no século XVIII e uma de suas principais obras é Do Contrato Social. Diferente de Hobbes que acreditava que o homem natural era comparável a um lobo, para Rousseau, o homem natural é bom desde o nascimento, sendo corrompido somente através da vida em sociedade. Dessa maneira, para que exista a sociedade, o homem deve abandonar seu estado de natureza primitivo. Suas teorias políticas, expostas no contrato social, foram fundamentais para a formação de uma democracia burguesa que, em finais do século XVIII, acabaria por derrubar o poder absoluto na França, durante a Revolução Francesa.

A reorganização do Estado absolutista é o tema que mais preocupou e atraiu a atenção dos Filósofos da época, tanto dos teóricos que apoiam o regime, quanto daqueles que o condenam. Por um outro lado, para controlar o abuso de poder, o filósofo francês Charles de Montesquieu elabora a separação de poderes em executivo, legislativo e judiciário. O poder executivo é aquele que administra, e pode ser exercido pelo rei ou, nos dias atuais, pelo presidente da república, por governadores e prefeitos. O legislativo é encarregado de criar as leis do país e o judiciário, de fazer cumpri-las. Suas ideias se basearam no sistema de governo inglês. Na Inglaterra, o parlamento é dividido em duas câmaras; a Câmara dos Lordes, formada pelo clero e por membros da nobreza e a Câmara dos Comuns, formada por membros do povo.

A obra de Montesquieu também influenciou a elaboração da Constituição dos EUA, que entrou em vigor em 1787. Dentre as influências iluministas na elaboração da Constituição norte-americana, além de Montesquieu, podemos citar o pensador escocês David Hume. Enquanto Montesquieu defendia que quanto maior a nação, mais difícil de governá-la, Hume ia pelo caminho oposto, pois defendia a grandeza nacional. Hume também influencia o pensamento positivista e o desenvolvimento do pensamento liberal, desenvolvido por outro escocês, Adam Smith.

Adam Smith, o pai da economia moderna, desenvolveu em sua obra A Riqueza das Nações (1776), os princípios do liberalismo econômico, uma das mais importantes vertentes do sistema capitalista. Smith levanta críticas às práticas econômicas do Estado Absoluto: o mercantilismo. Para Adam Smith, o controle da economia por parte do Estado limita o seu desenvolvimento e provoca crises econômicas que se tornam cada vez mais graves à medida que a influência estatal se torna cada vez mais forte. Dessa forma, Smith defende a NÃO intervenção do Estado na economia e a livre concorrência. A livre concorrência permitiria o completo desenvolvimento do mercado, bem como o investimento em inovações tecnológicas cujo objetivo fosse baratear os custos da produção e, portanto, do produto final.

Se Adam Smith pregava o afastamento do Estado na economia (liberalismo), no neoliberalismo há um Estado, mas este não gera diretamente os assuntos econômicos, mas sim, os regula. Podemos citar as agências reguladoras aqui no Brasil. Elas não determinam o preço dos serviços básicos, como fornecimento de energia elétrica ou telefonia, mas estabelecem um teto máximo para as tarifas destes serviços. O liberalismo influenciou outro pensador, o suíço Benjamin Constant. Constant viveu entre os séculos XVIII e XIX, e defende a separação do Estado, mas não acredita no esvaziamento do poder real e acredita que ao rei devem ser dados poderes de chefe de Estado. Mesmo que o rei detivesse poderes administrativos, estes não deveriam permitir a imposição de uma tirania. É esse pensamento que no Brasil dará origem ao poder moderador, instituído pelo governador D. Pedro I, na constituição de 1824.

Não é a toa que os iluministas defendem o racionalismo, a liberdade política e comercial, e a participação popular. As elites coloniais, tanto as brasileiras quanto os criollos da América espanhola encontravam, nos ideais iluministas, a base teórica que fundamentaria os movimentos emancipacionistas que eclodiriam no século XIX.

 

Resumo da Aula 08 – Revoluções Inglesas

Foi a Revolução Inglesa que criou condições favoráveis para que no século seguinte a Inglaterra fizesse a Revolução Industrial que alteraria todo o sistema produtivo e se alastraria pelo mundo, alterando para sempre não só as relações de produção, mas também as condições sociais com o nascimento de uma nova classe: a operária. Tais revoluções são divididas em 3 fases: A Revolução Puritana, A República De Cromwell e a Revolução Gloriosa. Por um outro lado, com o avanço nos estudos, percebemos que entender o momento com três revoluções diferentes não fazia sentido. Dessa forma, o termo no plural caiu em desuso e as mudanças ocorridas no século XVII são consideradas como uma única revolução.

Na Dinastia Tudor, muitas terras que pertenciam a Igreja passaram a ser propriedades do Estado, que também confiscou boa parte da riqueza dessa igreja. Após um breve período de restauração católica com Mary I no trono, a Inglaterra volta a ser protestante durante o reinado de Elizabeth I. A Era Elisabetana também ficou conhecida como Era de Ouro, pois a rainha consolidou seu domínio, mas optou por não se casar, sendo conhecida como a Rainha Virgem. Por um outro lado, sem casamento, não era necessário firmar nenhuma aliança com o país de origem do futuro marido, não resultando, portanto, na divisão do poder. Sendo uma Rainha Virgem, Elizabeth foi comparada a Virgem Maria que era exaltada tanto pelos católicos quanto pelos anglicanos. Essa estratégia permitiu que a rainha consolidasse seu poder e unificasse definitivamente seu reino. Mas essa escolha teve seu preço. Não se casando, a rainha não deixou herdeiros e encerrou consigo a dinastia Tudor. Após sua morte em 1603, sobe ao trono Jaime I, rei da Escócia e da Irlanda, descendente do rei Henrique VIII.

Com o desenvolvimento do comércio, a gentry (nobres que partilhavam interesses com burgueses) e os yeomen (pequenos e médios proprietários rurais) passaram a cercar suas terras e dedicá-las à pastagem, especialmente de ovelhas, interessados no lucrativo comércio de lãs, que abasteceria as tecelagens inglesas. Esse processo, conhecido como cercamento dos campos, expulsou os camponeses de suas terras, causando um êxodo rural e provocando o inchaço nas cidades e a insatisfação da população. A migração para a cidade permitiu a existência de uma mão de obra que trabalharia nas indústrias. Por outro lado, além de perderem suas terras, os camponeses eram obrigados a viver nas cidades que não estavam preparadas para recebê-los. Assim, há o aumento do desemprego, de miséria e de fome, o que acabaria por caracterizar as péssimas condições de vida a qual os operários seriam submetidos durante a Revolução Industrial.

Na política, de acordo com a Carta Magna assinada em 1215, o rei não podia, por exemplo, criar nenhum imposto sem a anuência das câmaras, mas não estava disposto a respeitar as vontades do parlamento. Para isso, valia-se as teorias absolutistas, como a de direito divino, para justificar suas aspirações. A Carta garantia os direitos inalienáveis dos nobres e limitava o poder real, mas permitia que o rei convocasse o parlamento de acordo com sua vontade ou quando as circunstâncias o exigisse.

Durante o reinado de Jaime I, sucessor de Elizabeth, a Inglaterra envolveu-se em diversos conflitos pela Europa, como a guerra dos Trinta Anos. As disputas entre católicos e protestantes provocaram uma fuga em direção as colônias da América. Os graves problemas nas finanças fizeram com que o rei convocasse o parlamento depois de 7 anos sem fazê-lo. Os representantes do povo queriam a todo custo limitar o poder real e Jamie I insistia em governar despoticamente. Em 1625, quando Jaime I morre, seu filho Carlos I sobe ao trono e se depara com uma Inglaterra ingovernável.

Por conta das guerras, Carlos I convocou o parlamento em 1628. Através da fragilidade do rei, o parlamento fez uma série de exigências em troca de seu apoio. Mas, Carlos I entendeu tal atitude como uma afronta ao poder real e o dissolveu, governando sozinho mas com o apoio da Câmara Estrelada, um tribunal formado por nobres de confiança e que consista em um Conselho Real Privado. E, para tentar sanear a economia, Carlos I desrespeitou a Carta Magna cobrando diversos impostos. E, também, para tentar forjar uma unificação de seu reino, Carlos I tentou impor à Escócia católica a religião anglicana inglesa, provocando a fúria dos escoceses que se rebelaram e invadiram a Inglaterra. Diante dessa situação, Carlos I foi obrigado a convocar novamente o parlamento em 1640, mas os parlamentares queriam mais é frear as iniciativas absolutistas do rei e limitar definitivamente seu poder. E, com essa atitude, Carlos I novamente dissolveu tal convocação que foi considerado como “parlamento curto”.

Sem ter apoio, o rei novamente voltou atrás convocando o parlamento. Mas desta vez, os parlamentares não queriam mais que o rei dissolvesse a assembleia. Foi estabelecido o ato trienal, onde o parlamento seria convocado com ou sem o consentimento do monarca a cada 3 anos. Em 1640, as tensões entre o rei e o parlamento tornam-se insustentáveis, provocando uma guerra civil em 1642.

Por outro lado, a impossibilidade de se conciliar nos territórios de Carlos I, fez com que em 1641, a Irlanda se rebelasse contra o domínio inglês. Então o rei solicitou ao parlamento um exército para lutar contra os irlandeses. Porém, o parlamento temia que o rei utilizasse o exército em causa própria e se voltasse contra os próprios parlamentares. Então foi levantado a luta armada em 1642. O embate entre as forças do parlamento e os apoiadores do rei ficou conhecido como Revolução Puritana e trouxe grandes prejuízos para seus negócios. O monarca era apoiado por alguns nobres e por uma parte da burguesia financeira, que temia uma guerra civil. Porém, Carlos I não conseguiu derrotar as forças parlamentares e fugiu para Oxford. O conflito durou 3 anos e, em 1645, o rei foi finalmente derrotado na Batalha de Naseby. Em seguida, fugiu para a Escócia, mas os parlamentares escoceses não eram simpatizantes do rei e o prendeu mandando de volta para a Inglaterra, onde foi decapitado em 1649.

A guerra civil também criara uma cisão dentro do exército parlamentar inglês. De um lado surgiu os levellers, formado por pequenos proprietários rurais que defendiam a igualdade política e, do outro, temos os camponeses que formavam os diggers, que queriam reformas políticas e econômicas, no tocante à posse de terras. Nessas batalhas, o líder destacado foi Oliver Cromwell. Cromwell era de uma família nobre, mas que não detinha muitas posses, tendo sido eleito pelo parlamento e 1640. Chegou a comandar o exército parlamentar com enorme sucesso, sobretudo pelo novo modelo implantado, o “new model army”. Sob seu comando, estava estabelecida a meritocracia onde aquele que demonstrasse mais bravura e se destacasse no campo, faria jus ao título de oficial, independente de sua origem. À medida que existia uma possibilidade de ascensão profissional e social, a carreira militar tornou-se bastante atraente para as classes operárias.

Entre 1649 e 1653, embora ainda houvesse um parlamento que por direito deteria o poder executivo, todas as decisões de fato estavam centralizadas nas mãos de Cromwell. Essa fase ganhou o nome de República de Cromwell, pois o líder do Estado não era um monarca, pois a monarquia estava abolida, mas a nobreza prevalecia. Uma das primeiras medidas de Cromwell era acabar com as cisões entre os parlamentares e mandou executar os líderes dos levellers e dos diggers. Sua política externa era agressiva e o seu maior rival, no comércio ultramarino, era a Holanda.

Para acabar com os holandeses e garantir a posse inglês, em 1651, é publicado o chamado Ato de Navegação. Esse ato fazia com que qualquer mercadoria que chegasse aos portos ingleses deveria ser transportada em navios de bandeira inglesa. A frota inglesa passou a dominar os comércios americanos, asiático e europeu o que, obviamente, deixou a Holanda extremamente insatisfeita, resultando na Guerra Anglo-Holandesa. Os outros países europeus também foram prejudicados com o tal ato, mas não tinham forças pra desafiar a grandiosa Inglaterra, por isso, somente a Holanda, prejudicada diretamente, iniciou a guerra (1652-1654). Mas foi em vão, a Holanda saiu derrotada o que acabou confirmando a supremacia inglesa nos mares. A partir desse ponto, a Burguesia acumulou um enorme capital que, no século XVIII, seria investido na industrialização.

Sob a gestão de Cromwell, os cercamentos dos campos se intensificaram. Para diminuir as disputas agrárias, as terras dos partidários do antigo rei foram confiscadas e vendidas aos produtores rurais. O domínio inglês sobre a Escócia e a Irlanda foi consolidado sendo estabelecido a Commonwealth (grupo de Estados governados por um só lider). Cromwell foi considerado Lorde Protetor por reprimir impiedosamente as rebeliões e as oposições ao seu governo, considerado um salvador da Inglaterra. Porém, o mesmo não se pode dizer em relação à Irlanda, onde a perseguição aos católicos gerou verdadeiros massacres. Sua gestão foi muito rígida, não permitindo nenhum tipo de oposição, e expandiu os princípios puritanos a todo custo. Em 1653, o parlamento foi dissolvido, eliminando o último entrave ao poder absoluto que ele de fato exerceu.

Embora Cromwell não fosse rei, seu filho, Ricardo, foi escolhido para ser seu sucessor. Porém, o filho não tinha as mesmas habilidades políticas do pai e nem era amado pelo exército. Ricardo governou por menos de 1 ano e, em 1660, um novo parlamento foi eleito já querendo restaurar a monarquia. A monarquia agora iria obedecer às vontades do parlamento, sendo a ele submetido, o que gerou a famosa expressão para definir o poder monarca inglês: “O rei reina, mas não governa”.

Com o resultado desse processo, Carlos II da Dinastia Stuart, sobe ao trono e governou a Inglaterra de 1660 até a sua morte em 1685. Mas o parlamento olhava a monarquia com desconfiança e procurava evitar o que havia repetido com os reis anteriores. Jaime II, irmão de Carlos II, torna-se o sucessor no trono real e procurou restaurar o absolutismo seguindo o exemplo do pai, Carlos I, e, como se não bastasse, era um católico fervoroso e procurou reintroduzir o catolicismo na Inglaterra protestante. Jaime II contava com a prerrogativa da Magna Carta que previa o direito real de dissolver o parlamento quando bem entendesse. Mas, diante dessa postura do rei, o parlamento buscou um novo monarca, que também pertencesse a Dinastia Stuart. A escolha recaiu sobre a filha de Jaime, Maria, casada com Guilherme de Orange. Diante das pressões, o rei fugiu para França e sua filha, Maria, foi conduzida ao trono inglês. Essa fase ficou conhecida como Revolução Gloriosa, pois provocou uma mudança de poder na Inglaterra sem que houvesse derramamento de sangue.

Mas havia uma condição para que Maria e Guilherme pudessem reinar: a assinatura da Declaração de Direitos. Essa declaração foi redigida pelo parlamento e era vetado ao rei revogar as leis estabelecidas pelos parlamentares, que por sua vez poderiam escolher a quem entregar o trono após a morte do rei. As finanças da corte também seriam regulamentadas pelo parlamento, que decidiu, entre outras coisas, a politica interna, externa e a resolução de conflitos. É através desta declaração que foi assinada em 1689 que foi criado o sistema de monarquia parlamentar inglesa que conhecemos hoje. A atual rainha Elizabeth II, embora reine, não governa de fato, cabendo este papel ao primeiro ministro e ao parlamento inglês.

A Inglaterra emergiu da Revolução Inglesa como um país pronto para implantar e fortalecer o sistema capitalista e com as condições propícias para que realizasse a Revolução Industrial do século XVIII.

 

Resumo da Aula 09 – Revolução Francesa

Na França, embora o feudalismo tenha sido substituído pelo absolutismo, os nobres e o clero continuaram tendo grande importância política e detendo diversos privilégios que eram negados à população. A burguesia crescia e se fortalecia com o desenvolvimento do comércio e com o estímulo proporcionado pelas grandes navegações, mas não tinha os mesmos direitos das elites. Os burgueses eram os responsáveis pelo sustento da luxuosa corte francesa e a maior parte da população ainda habitava o campo. E mesmo aqueles que viviam nas cidades, não participavam da vida política que era dominada pelo absolutismo. Ainda que somente o povo trabalhasse e, portanto, movimentasse a economia, era submetido a altos impostos, que deveria sustentar as classes que não produziam, como o clero e a nobreza. Esses, além de construírem uma elite, não pagavam impostos, ou seja, quem trabalha e sustenta o Estado não tem direitos políticos, e quem não produz e vive dos impostos é quem determina todas as decisões e rumos que o país deve seguir. Esse modelo se chama de sociedade estamental, que é uma sociedade rígida, dividida em classes onde há pouquíssima mobilidade social. Mesmo que um burguês compre títulos de nobreza, ele sempre será visto como um burguês ou um nobre de segunda classe.

A sociedade Estamental é dividida em Clero, Nobreza e Povo. O primeiro Estado, o Clero, é dividido em alto e baixo clero. No alto clero estavam os bispos e, no baixo, os padres e representava 0,5% da população. O segundo Estado, a Nobreza, que era dividida em palaciana, que vivia na corte e, a nobreza rural, proprietária de terras e a nobreza de toga, representando 1,5% da população. Por último, o terceiro Estado era formado pelo resto da população, e consistia em alta burguesia como os banqueiros, os trabalhadores urbanos e camponeses, representando 98% da população.

A principal reivindicação do terceiro estado era a abolição dos privilégios dos nobres e clérigos. Mas os opositores do regime eram duramente perseguidos e acabavam sendo julgados e enviados à Bastilha, uma fortaleza onde funcionava como prisão e acabou tornando-se símbolo do autoritarismo dos reis absolutistas. Os impostos que recaíam sobre o terceiro Estado eram tão altos que o dinheiro chegou a ser usado para a construção do maior palácio da França, e um dos maiores do mundo: Versalhes.

No Século XVII, o Rei Luís XIV, o rei sol, iniciou a construção de um palácio que refletisse a grandeza da monarquia e de seu governo, e autorizou que um novo palácio, maior e mais suntuoso fosse erguido – Versalhes. O primeiro a ser erguido foi o Palácio do Louvre no século XII. E para tornar a situação mais grave, a Inglaterra veio com a sua Revolução Industrial fazendo com que importar produtos ingleses tornassem mais baratos do que comprar mercadorias nacionais na França. Além disso, em 1787, uma seca provocou uma devastação nas colheitas e o preço dos alimentos disparou, espalhando a fome entre o povo. Os cofres franceses estavam vazios e, além disso, a Coroa havia apoiado a independência dos Estados Unidos e gastou uma pequena fortuna com esse empreendimento. Então, para driblar a crise, o rei formou uma Assembléia de Notáveis com representantes dos três Estados. Porém, o fracasso dessa assembléia precipitou a convocação da Assembléia dos Estados Gerais.

O ministro Jacques Necker, um burguês, propôs mais poderes aos burgueses, mas o clero e a nobreza não aprovaram. O primeiro e o segundo Estados não queriam nenhuma alteração que pusesse em risco seu modo de vida, ou os obrigasse a abrir mão de seus privilégios. O terceiro Estado não tinha mais condições de arcar com os custos, então uma mudança pacífica ou radical se tornaria inevitável. Para manter seus status, o primeiro e o segundo Estados queriam que a votação se desse por estamento, e não universal. Sendo assim, seria sempre dois Estados contra um, ou seja, o terceiro Estado sempre perderia. Esse lance fez com que o terceiro Estado se autoproclamasse Assembleia Nacional. O rei então decidiu fechar a assembléia, mas os membros reuniram-se e receberam a adesão da parte do clero e da nobreza que havia sido influenciada pelos ideais iluministas.

Cabe lembrar que o rei Luis XVI era neto do rei Sol, portanto defendia o absolutismo. E também recebia apoio de Maria Antonieta, sua esposa e rainha. Em 9 de Julho de 1789, a Assembléia Nacional iniciou os trabalhos para redigir uma constituição. Porém, a demissão do Ministro Necker provocou a indignação geral.

No dia 14 de Julho, a população invadiu a Bastilha dando início a primeira fase da Revolução Francesa, a fase da Assembléia. A Bastilha significava a opressão e a falta de liberdade da população já que para lá eram levados os que se opunham ao absolutismo. Mais do que isso, essa invasão significou o começo da resistência da população, cujo desfecho seria a deposição do Rei Luis XVI. No campo, o povo saqueava e incendiava castelos, terras e propriedades da nobreza. No dia 4 de agosto, a Assembléia abole os direitos feudais, desobrigando os camponeses a pagarem tributos em trabalho aos nobres e à Igreja. E no dia 16 de agosto, é aprovado a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Esta declaração estava aplicada diversas ideias iluministas, como a liberdade, a igualdade jurídica e o direito à propriedade e à liberdade de expressão. Porém, Luis XVI se recusou a aprovar a declaração de direitos provocando a ira da população. Versalhes foi invadido e o rei foi obrigado a se transferir para outro palácio.

Em 1791, a constituição francesa estava pronta e estabelecia que a França adotaria a monarquia constitucional, dividida em três poderes, que limitava o governo do rei através do parlamento. Os privilégios e os estamentos foram eliminados, mas os ideais de liberdade da revolução não se estenderam para as colônias francesas. Nelas ainda vigoravam a escravidão, como o Haiti. A fuga de Luís XVI foi frustrada e o rei foi preso condenado à morte pela guilhotina no ano seguinte.

Cabe lembrar que as nações europeias monarquistas viam com terror o que acontecia na França e julgavam que, se o movimento espalhasse, todas as casas reais da Europa estariam em perigo. Mesmo após a tomada da Bastilha e a condenação do rei, ainda havia diversos grupos que discordavam entre si. Os girondinos (alta burguesia) tendiam para o lado moderado e buscavam impedir o acesso das massas ao poder. Já os jacobinos constituíam o grupo mais radical da revolução formados por membros da pequena e média burguesia, liderados por Maximilien de Robespierre. Em 1792, a França atacou a Áustria, país da Rainha Maria Antonieta. Pois foi para lá que muitos nobres franceses haviam fugido, e esse reino buscava um reforço para conter os revolucionários franceses. Com a invasão da França pelas tropas austríacas, o povo reagiu imediatamente, atacando o palácio real e exterminando os membros da nobreza. O exército nacional foi acionado e os franceses saíram vitoriosos. Esse conflito marca o fim da Assembléia e o início de uma nova fase: a Convenção.

A Convenção Nacional que substituiu a Assembléia era formada por jacobinos. As primeiras medidas foram rever a constituição e instituir o voto universal, onde todos os cidadãos (sexo masculino) teriam direito a votar. Foi instituída a República e em 1793, o rei e a rainha foram decapitados.

Quando reunidos em assembleia, os jacobinos sentavam-se à esquerda, que virou sinônimo de radicalismo e oposição, enquanto os girondinos sentavam-se à direita, grupos moderados. Essa configuração política e as mudanças da Revolução Francesa foram tão significativas que algumas definições que utilizamos hoje, como direita e esquerda, nasceram nesse processo revolucionário.

Entre os mais radicais revolucionário, Maximilien Robespierre desencadeou o período da Revolução conhecido como Terror, em que muitos franceses foram guilhotinados. Mas acabou levando tiro e sendo preso. Em seguida, foi condenado à guilhotina e decapitado no dia seguinte. Danton, mais um que defendia uma postura radical, foi morto em 1794. Opositores, sans-cullotes, nobres, a guilhotina não fazia distinção. A violência jacobina fez com que esses perdessem o apoio do povo, o que abriu espaço para a retomada dos girondinos, que prenderam e executaram Robespierre e Saint Just na guilhotina. Robespierre, Danton e Saint Just eram líderes do Comitê de Salvação Nacional para conter a revolta de muitos nobres.

A convenção foi substituída em 1795 pelos girondinos, que trataram de organizar novamente a Constituição. Ela estabelece que o poder executivo seria exercido por cinco diretores – por isso o nome, diretório – eleitos pelo Legislativo e a população foi desarmada. Nesse mesmo ano, os realistas, que defendiam o retorno da monarquia, articularam um golpe contra o diretório, sendo frustrados por um jovem general, Napoleão Bonaparte, que por sua atuação, recebeu o comando do exército e o direito de fazer parte do governo. Anos mais tarde, Napoleão assumiria o poder através do golpe do 18 de Brumário. Assim terminava a Revolução Francesa e iniciava a Era Napoleônica.

 

Resumo da Aula 10 – Era Napoleônica

A Revolução Francesa mudou o mundo e gravou na história o nome daqueles que participavam de suas diversas fases. Napoleão inaugurou uma nova Era que ao terminar reconfigurou o mapa político da Europa e mudou toda a sua história, refletindo inclusive em outros continentes. Napoleão era descendente de uma família que não era considerada nobre, nasceu em Córsega, em 15 de agosto de 1769. Suas habilidades o levaram a Paris, onde foi estudar na academia militar. Embora não fosse um cara tão nerd, ele tinha habilidades na matemática, o que o levou a graduar-se como subtenente de artilharia. A oficialidade francesa, formada por nobres, o ignorava, já que ele não compartilhava da refinada educação dos jovens franceses. Mas durante a última fase da Revolução, os realistas buscaram tomar o poder através de um golpe de estado, mas foram contidos por um Napoleão de 26 anos, que os tempos de revolução haviam promovido à posição de general. E foi como general que Napoleão inaugurou uma nova era.

Atualmente, os historiadores entendem que o governo de Napoleão foi formada por um desdobramento da Revolução, mas não faz parte dela. Por isso, ouve uma divisão entre a Revolução Francesa e a Era Napoleônica. Podemos dividir a Era Napoleônica em 3 fases: Consulado, Império e o Governo dos Cem Dias.

Consulado (1799-1804) – Recuperação econômica e reorganização jurídica e administrativa da França. Em 1799, Napoleão recebeu o título de primeiro cônsul, inaugurando o Consulado. Esse lance ocorreu através do golpe conhecido como 18 Brumários. Passado 10 anos do início da Revolução Francesa, o pais vinha sendo governado por um colegiado de líderes chamado de Diretório. Napoleão havia retornado de sua desastrosa campanha no Egito, e a França sofria com revoltas internas, além de uma ameaça real de invasão da Segunda Coalizão (Forças reunidas pelos monarcas europeus liderados pelos Habsburgo e pela Rússia para acabar com a França Revolucionária). Napoleão utilizou muito de seu prestígio nos campos de batalha para derrubar seus opositores e consolidar seu poder, abrindo assim um caminho para coroar-se imperador cinco anos mais tarde. Além da burguesia, alguns políticos do Diretório também deram apoio necessário a Napoleão e propuseram o uso da força militar para que ele assumisse o governo, pois perceberam que ele era o cara ideal para consolidar o novo regime. Era o início do primeiro dos três períodos de Napoleão como governante da França, seguindo-se o Império e mais tarde, o Governo dos Cem Dias.

As reformas políticas eram urgentes e em 1800 foi aprovada uma nova constituição. O poder legislativo passaria a ser composto por quatro assembleias e o executivo ficaria a cargo de três cônsules. O primeiro cônsul detinha maiores poderes sobre os demais e esse cargo cabia a Napoleão. O período do consulado foi marcado por reformas e tentativas de conciliação com os países estrangeiros. No plano interno era preciso evitar guerras civis e conciliar os diversos interesses na política. Já no plano externo, foi levantado a paz de Amiens com o Reino Unido, que punha fim a uma crise que se arrastava há anos devido as Guerras Revolucionárias Francesas. O tratado fez com que o Reino Unido abrisse mãos de suas colonias em Trinidad e Tobago e Ceilão, devolver a Índia Ocidental e a Colônia do Cabo à Republica Batávia, e retirar suas tropas do Egito, assim como Napoleão que também retirou suas tropas dos Estados Papais e as fronteiras da Guiana Francesa serem definitivamente demarcadas. Entretanto, esse tratado não durou muito, foi quebrado no ano seguinte.

Era comum na Europa a prática do direito consuetudinário, ou seja, o direito nascido do costume. Não era usual que as leis fossem escritas, e elas eram seguidas por hábitos, o que permitia uma série de distorções. A quebra da lei era julgada pelos nobres ou pelos senhores feudais, e só favoreciam a quem bem quisessem. Só que Napoleão veio com o seu Código Civil derrubando esse direito consuetudinário, e estabelece o princípio da igualdade civil: “TODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI“.

No plano econômico, havia muitos interesses dos burgueses, como a criação do Banco da França, que tinha, dentre suas atribuições, a emissão de papel moeda, permitindo a consolidação do capital financeiro e a expansão comercial. O papel moeda facilitava os burgueses nos empréstimos e a circulação monetária. Na Reforma Educacional foi estabelecido o ensino público, custeado pelo Estado. Porém as disciplinas consideradas “perigosas”, como história e filosofia, foram alterados para legitimar o novo regime. Também houve reformas nas cidades, canais e estradas foram abertos e, no campo, foi garantido a posse de terra pelos camponeses. Esse lance proporcionou a Napoleão um enorme apoio, não só entre a população urbana, mas também a rural.

O Consulado deu à França estabilidade suficiente para que Napoleão pudesse se lançar a novas conquistas. Ele poderia ocupar um lugar de destaque na política devido a tamanha admiração que ele obteve mas, antes de tudo, era um militar. Por outro lado, a principal rival da França era a Inglaterra, que no século anterior havia se industrializado e sua expansão comercial estava a pleno vapor. Além disso, Inglaterra tinha uma série de alianças entre os reinos europeus, como Portugal, se tornando uma inimiga poderosa.

Quando Napoleão estava no Egito, na época do Diretório, seu objetivo era tomar o domínio do Império turco otomano. O interessante na campanha do Egito, que durou até 1801, é que esta não foi somente uma incursão militar. Além do exército, foram designados para a região estudiosos, historiadores e cientistas. Já havia uma noção da importância histórica da região e Napoleão era um apaixonado pela história do Egito Antigo. Alguns estudiosos alegam que a destruição do nariz da Esfinge foi causada a tiros de canhão disparados pelo exército de Napoleão. Mas outros estudos mostram que desenhos da Esfinge do século XVIII a retratavam já sem nariz, e ainda é um mistério sobre o que tem causado tal destruição. Poderia ter sido provocado por uma erosão natural ou por combates travados anteriormente nesta região. Sarcófagos, tecidos, peças de ouro e jóias foram levados para França e fazem parte hoje do acervo do museu do Louvre, o que é frequentemente questionado pelo governo egípcio contemporâneo, que durante muito tempo reivindicou o retorno das peças.

Império (1804-1814) – Em 1803, a Inglaterra se alia à Rússia e à Áustria com o objetivo de fazer frente ao poderio militar francês. Mas, em 1804, Napoleão é sagrado imperador, iniciando uma nova fase de seu governo. Se como cônsul tinha muitos poderes, como imperador ele se torna absoluto. Contrariando a tradição, Napoleão não permitiu que o papa o corasse. Pretendendo deixar claro quem era o poder na França, Napoleão se coroou e, em seguida, coroou a imperatriz Joséphine.

Os planos de invasão da Inglaterra foram frustrados com a derrota da França em 1805, na batalha naval de Trafalgar, na Espanha. Esta derrota evidenciou o poderio naval inglês e para contê-lo, foi decretado, em 1806, o Bloqueio Continental. Agora nenhuma outra nação européia poderia comercializar com a Inglaterra, deixando-a no isolamento. Entretanto, o Bloqueio Continental acabou sendo muito mais prejudicial à França do que a própria Inglaterra. Pois haviam nações aliadas aos franceses que também tinham relações econômicas com a Inglaterra, o que provocou uma enorme perda de apoio político.

Nos anos seguintes, em Portugal, o não cumprimento do Bloqueio por parte da Coroa Portuguesa, fez com que a França invadisse a Espanha e, em seguida, Portugal no ano de 1808. Portugal era um aliado dos ingleses e não podia se dar ao luxo de quebrar os acordos firmados com a Inglaterra e, também, não tinha condições de enfrentar o poderoso exército francês. Então, a Família Real Portuguesa fugiu para o Brasil. As medidas levantadas pela Coroa Portuguesa no Brasil foram fatores determinantes para a proclamação da independência em 1822.

Em 1812, a Rússia também quebrou o Bloqueio Continental. Então, confiante no poder do seu exército, Napoleão não hesitou em invadir o Império Russo. Ainda que tenha chegado a Moscou, Napoleão percebeu que cometeu o pior erro de sua vida, pois ele não contava com o poderoso e indestrutível inimigo: o inverno russo. As temperaturas chegavam a 50 graus negativos. As nevascas eram constantes, dificultando o transporte e a locomoção das tropas e o recebimento de suprimentos. Aproveitando o enfraquecimento francês, a Rússia uniu-se à Áustria e a Prússia, pondo o fim à série de vitórias francesas. Isolado e sem apoio político, Napoleão renunciou ao poder e foi exilado na ilha de Elba, em 1814.

Governo dos Cem Dias (1815) – Com o vazio do poder após a saída de Napoleão, a França restaura a monarquia com Luís XVIII, da dinastia Bourbon, irmão de Luís XVI, o rei decapitado pelos revolucionários. A restauração monárquica não foi bem recebida pela população, que via no retorno da monarquia um retrocesso das conquistas empreendidas na revolução. Napoleão tinha partidários e simpatizantes entre os franceses e, em 1815, fugiu de Elba para aquele que seria seu último período no poder, conhecido como o Governo dos Cem Dias. O retorno de Napoleão marca a continuidade do combate, mas em 1815 ele é definitivamente derrotado na batalha de Waterloo, na Bélgica. O exército de Napoleão foi derrotado pelos exércitos da Sétima Coligação que incluíam uma força britânica liderada pelo Duque de Wellington, e uma força prussiana comandada por Gebhard Leberecth von Blücher. Tal confronto marcou o fim dos Cem Dias e foi a última batalha de Napoleão. As razões de seu falecimento ainda não foram explicadas totalmente. Alguns acreditam que Napoleão tinha problemas estomacais, uma úlcera ou gastrite. Por isso, uma das causas prováveis da sua morte teria sido um câncer no estômago. Outros acreditam que Napoleão morreu por um possível envenenamento por arsênico. Outra possibilidade não comprovada inclui a sífilis, pois era uma doença que causou a morte de muitos homens na época.

Admirados por líderes e militares, sua política expansionista redesenhou o mapa europeu e foi necessário um congresso internacional para reconfigurar politicamente a Europa: o Congresso de Viena. O objetivo do Congresso foi reorganizar as fronteiras europeias e restaurar a ordem absolutista do Antigo Regime. Após o fim da Era Napoleônica, os países vencedores (Áustria, Prússia, Russia e Reino Unido) sentiram a necessidade de selar um tratado para restabelecer a paz e a estabilidade política na Europa.

 

Termino o resumo por aqui, pessoal!

Bons estudos! Boas provas!

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